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9

Nov

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Comunicação e Planejamento: conhecer a si mesmo para traçar estratégias e metas continua sendo imprescindível no universo digital

Por Juliska Azevedo

Inovação, oportunidades, informações em alta velocidade, fluxo contínuo de dados e redes sociais ao acesso de todos. Na velocidade do mundo em que vivemos e na ansiedade em se comunicar, a necessidade de planejar a comunicação das empresas tem sido muitas vezes relegada ao último plano, sendo substituída pelo imediatismo e pelo foco nas urgências do dia. O planejamento, instrumento tão importante do ponto de vista do “pensar o negócio” quanto da comunicação, tem sido substituído por decisões baseadas no instinto do gestor, tirando o foco de uma visão de curto, médio e longo prazo que pode levar um negócio a resultados muito mais consistentes.

Falar em planejamento não é somente falar em práticas da administração. Vou trazer o assunto, nessa nossa conversa, para o universo da comunicação. Planejar em comunicação significa evitar desperdício de tempo, dinheiro e estratégias que passam ao longe do objetivo principal da sua empresa. Implica em traçar ações com uma finalidade específica para se atingir determinado objetivo – que pode ser vender mais, tornar-se conhecido como referência em determinado assunto ou reconhecido como liderança de um grupo, para citar alguns exemplos. Esse planejamento deve ser focado em um público ou em vários públicos-alvo, e seguir uma série de ações articuladas para chegar à meta proposta.

Mas o que tenho visto como muita frequência como consultora em comunicação são pessoas e empresas realizando uma série de iniciativas para ampliar sua base de clientes sem que haja qualquer harmonia entre elas. No universo das redes sociais, tem sido muito comum se observar presença em mídias sociais sem qualquer interrelação, sequência ou storytelling. Ou seja: muita gente se comunicando, se expressando, porém sem saber onde quer chegar e com quem quer falar. Ou ainda, que tipo de voz pretende ter.

Vamos então simplificar um processo básico para iniciar planejamento de comunicação: o AUTOCONHECIMENTO. Um diagnóstico que responda a perguntas que possam traçar um panorama, um retrato de si e do meio-ambiente em que está inserido: quem sou? (ou quem minha empresa é?). Onde quero chegar? Qual é minha missão, quais são meus valores e o que quero para o futuro? Quais são meus públicos (clientes, colaboradores, imprensa, etc)? Quem eu quero atingir ao me comunicar? Quais são minhas principais forças e oportunidade e quais são, por outro lado, minhas fraquezas? A que ameaças externas eu tenho que me proteger ou reagir?

Respondendo a essas perguntas você terá um panorama importante que servirá como plano de partida para começar a desenvolver sua estratégia de comunicação. Mas se você precisa vender um produto ou serviço, atrair atenção e clientes para uma relação duradoura com sua marca e não sabe por onde começar, uma das estratégias de marketing mais importantes para se construir relacionamento é definir a buyer persona, ou seja, o personagem, a pessoa, com quem você vai falar nas mídias sociais. É traçar o perfil de cliente desejado pela sua empresa, o que pode ser norteado ao se responder à pergunta: Quem é o meu cliente ideal? Quais as características dele? Sobre que assuntos devo falar nas minhas redes sociais para atrair a atenção deste cliente ideal?

A persona do seu cliente vai nortear a linguagem de comunicação do seu negócio, onde sua marca deverá estar presente e que estratégias utilizar para chamar a atenção e cativá-lo. Vai servir para definir a linguagem a ser adotada nos blogs e nas postagens de mídias sociais e, além disso, vai apontar para quais são as principais redes sociais a serem utilizadas.

Para definir a persona, pesquise e encontre quais são os maiores temores do seu cliente ideal. O que ele precisa e o que ele teme com relação ao serviço que você está oferecendo. Que tipo de experiências anteriores podem ter gerado “traumas”. Descubra quais os canais principais utilizados por ele para se informar. Por newsletter, por site? Podcast, YouTube? Faça por onde estar presente onde seu persona está. O passo a passo norteia como saber para quem se está falando, como forma de otimizar as estratégias de marketing de atração a serem adotadas e para dar asas à criatividade na produção de mensagens que possam criar uma relação de proximidade com o seu cliente de perfil ideal.

Ou seja: saber quem você é e onde quer chegar e com quem você está falando são os elementos base para planejar sua comunicação. A partir daí, é possível definir metas, ações e estratégias – e sobre elas, também há muito a falar. Continuaremos na próxima oportunidade!

 

* Artigo publicado originalmente na edição de novembro da revista BZZZ.

7

Set

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Criar Política de Dados é saída para evitar riscos para as empresas

*Geovana Donella

Grandes escândalos envolvendo vazamento de dados, com os mais recentes a respeito do Facebook ou a denúncia a respeito das empresas que usam a biometria para liberar crédito, reacendem a preocupação a respeito do risco que o manuseio e armazenamento de dados envolvem. E não se enganem, o risco é para todas empresas, independentemente do tamanho ou da área de atuação. A saída está na criação de uma Política de Dados, algo previsto, aliás, em um programa de Governança Corporativa.

A Política de Dados de uma empresa estabelece os conceitos, as diretrizes e os procedimentos para regulamentar a sistemática de Gestão de Dados, visando a proteção dos dados em relação à  integridade, confidencialidade e disponibilidade. E ainda orienta  o gestor da informação sobre o controle e a proteção dos arquivos e das informações contra a destruição, a modificação, a divulgação indevida e os acessos não autorizados, sejam acidentais ou intencionais. Exatamente o que causou a grande crise do Facebook.

É com uma Política de Dados que a empresa define, por exemplo, os tipos de informação que possui, se são públicas, sigilosas ou reservadas; e mais que isso, como serão geridas estas informações, etapa por etapa, analisando os processos e cuidando para minimizar os riscos.

A saída para minimizar os riscos de vazamento de dados e as sérias consequências do problema para a reputação da empresa  passa por uma cultura de Governança Corporativa porque toda empresa é um ecossistema, deve ser olhada como um todo, não apenas partes isoladas.

Pouco a pouco, empresas de médio e grande porte estão abrindo os olhos para a importância de olhar a gestão como um todo. E isso se deve à disseminação do conceito de Governança Corporativa como parte integrante do processo de gestão de uma empresa, não algo complementar ou opcional.

Geovana Donella é conselheira de diversas empresas familiares e especialista em Governança Corporativa.

13

Ago

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É razoável que juízes e membros do Ministério Público possam se candidatar?

*Por Herval Sampaio Júnior

A resposta a essa indagação não é tão simples como aparenta ser. Primeiro, não pode ser dada com voluntarismo e desejo pessoal. Segundo, não pode ser dada sem a devida contextualização do momento peculiar que o país passa. Terceiro e não menos importante, não pode ser dada sem que se analise o ordenamento jurídico, as patentes vedações da própria Carta Magna e em especial a peculiar situação de nossa Justiça Eleitoral. E por fim, não pode ser dada também sem a análise do porvir e da dificuldade prática de representação das classes em nosso Congresso Nacional.

Colocadas essas premissas, vamos tentar enfrentar o tema a partir do pedido da ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República) para que se permita aos Membros do Ministério Público e aos Juízes o direito de se candidatarem sem perda do cargo, bastando pedido de licença, o que de plano entendo não ser crível no modelo constitucional/legal brasileiro, mesmo ressaltando não haver a perda da qualidade de cidadão desses agentes, contudo existem limitações razoáveis aos cargos exercidos. O juiz perde a qualidade de cidadão pelo exercício do cargo?

E nos remeteremos a nossa posição no Conselho de Representantes da AMB sobre a posição da entidade quanto à postura da ANPR, e mesmo sem fazer a devida distinção entre a situação dos Juízes e dos membros do Parquet, entendemos que a atividade jurisdicional no sentido amplo do termo e as atribuições ministeriais, por si sós, criam barreiras intransponíveis.

Por maioria, o referido colegiado se opôs a possibilidade, com voto de encaminhamento de nosso Presidente Jayme Oliveira e encampado de plano por nós, na qualidade de Presidente da Associação dos Magistrados do Estado do Rio Grande do Norte, tendo como alicerce a intangibilidade da própria prestação jurisdicional.

Explicamos: uma Justiça para ser justa e forte precisa ser totalmente independente e desatrelada de qualquer interesse que não o cumprimento objetivo dos valores constitucionais e legais. Logo, não concebemos que os Juízes consigam participar da atividade política partidária e ao mesmo tempo cumprir esse limite muito claro em nosso ordenamento e tanto é verdade que a atividade expressamente lhe é negada.

E não o foi à toa como se diz. O poder da atividade jurisdicional, mesmo normativamente não sendo seu e sim do povo na escolha dos padrões de conduta, é exercido na prática por agentes estatais de forma voluntariosa e isso não pode ser negado.

A participação ativa desses agentes como condutores da Justiça Eleitoral é um fator decisivo para que a almejada independência e imparcialidade, quando da postulação, entrem em choque frontal com os interesses naturais da política, isso sem fazer qualquer menção a possível politicagem.

Portanto, em se admitindo a participação de Juízes e Membros do Ministério Público na atividade político partidária sem que se afastem de suas funções, teremos um aprofundamento da desigualdade eleitoral já existente e que potencializará o abuso de poder, pois como imaginar que o seu possível julgador e investigador será seu adversário no embate eleitoral.

Sinceramente, a jurisdição no sentido mais amplo do termo, ou seja, com a efetiva participação de todos os agentes, não precisa de mais esse ingrediente. No Brasil, não distinguimos ainda política de politicagem e esta infelizmente vem prevalecendo, sendo temerário acreditar que tais profissionais, justamente por cumprirem a lei, possam ser de uma hora para outra os heróis que tanto buscamos.

Como ressaltamos de plano, não vamos aqui reproduzir o que pensamos que poderia ser e sim o que é em sua realidade nua e crua. Logo, nesse contexto, atribuir a capacidade eleitoral passiva a tais profissionais tem muito mais custo que benefício à própria sociedade. A própria busca pelos heróis não devia existir, logo alçá-los a essa condição por suas atuações é um risco ainda maior e inconsequente.

Em quase 25 anos de serviço público, dentre eles quase 20 como magistrado, estando atualmente exercendo a política associativa, até que nos identificamos pessoalmente com a política, acreditando que também poderíamos contribuir com seu amadurecimento e satisfação das necessidades coletivas, contudo vislumbramos, por outro lado, no momento, um óbice intransponível, a higidez e o próprio fortalecimento da atividade judicante.

Os atos emanados dos agentes que se candidatassem seriam todos inquinados de dúvida no momento da postulação, por mais que, por exemplo, em dados processos, tivéssemos provas mais que suficientes para uma condenação, a entrada na atividade político partidária dos agentes corroeria atos que sequer tivessem qualquer relação com as candidaturas.

A permissão de candidatura de tais agentes, no momento, ampliaria o fosso de legitimidade atualmente existente, já que a própria bandeira do combate à corrupção que, felizmente, diminuiu essa distância, cederia ao natural apelo eleitoreiro.

Os agentes aqui tratados não devem agir nunca fora dos permissivos legais e a brecha da candidatura, por si só, pode indiscutivelmente levar, no mínimo, a uma mudança de postura por interesses eleitoreiros e sequer estamos condenando os eventuais candidatos nessa situação, mas como se diz essa mudança faz parte do jogo eleitoral.

Não conseguimos desvencilhar o magistrado candidato, por exemplo, de sua atividade jurisdicional e por mais que se criem regras para o seu afastamento, pelas peculiaridades de nosso sistema político, as mesmas não serão suficientes para evitar a intromissão natural que ocorrerá.

Pensar diferente dessa realidade é querer encobrir o sol com a peneira! E existe algum espaço para discussão republicana dessa temática?

Dentro desse espírito republicano aonde o diálogo construtivo é a premissa maior, reputamos imprescindível aprofundar os debates, contudo, nesse peculiar momento, somos totalmente contra essa postulação, pensando sempre no fortalecimento das instituições, no cumprimento objetivo do ordenamento jurídico, sem perder de vista a profundidade do tema e a esperança de que a própria política mude, deixando de regra geral ser politicagem e aí sim podermos, quem sabe, permitir em outro contexto, que tais agentes se candidatem e possam contribuir para o fortalecimento da política.

Quer se candidatar no modelo atual, que se peça a devida exoneração ou então se lute democraticamente e dentro do devido processo legislativo pela mudança e que esta venha completa, ou seja, com a prevalência da política sobre a politicagem!

*Herval Sampaio Júnior é juiz de Direito e presidente da Associação dos Magistrados do Rio Grande do Norte.

 

 

 

30

Jul

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UERN aprova criação do curso de licenciatura em Música com Ensino à Distância

A Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) amplia a oferta de cursos de educação a distância. A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), por meio da Universidade Aberta do Brasil (UAB), aprovou a criação do curso de licenciatura em Música.

O curso será ofertado em oito polos nos municípios de: Caraúbas, Guamaré, São Gonçalo do Amarante, Currais Novos, Marcelino Vieira, Luís Gomes, Martins e Grossos.

Diretor de Educação a Distância da UERN, Prof. Dr. Giann Ribeiro informa que o início das atividades depende da assinatura do convênio com a CAPES. “A previsão é de iniciar em outubro deste ano, mas pode acontecer de iniciarmos somente em fevereiro de 2019”, afirmou Giann.

Atualmente a UERN conta com o curso de Letras/Língua Portuguesa (EaD) e a Especialização em Mídias da Educação (EaD).

24

Mai

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Perdas e danos: gerencie a crise antes que ela pegue você

Quase 80% das organizações ignoram riscos e sinais de alerta e só lidam com os problemas quando a crise já está instalada

Juliska Azevedo

É uma característica comum a muitos gestores acreditarem que só precisam se preocupar com uma crise da empresa ou instituição que dirigem quando ela chega na mídia. Mas, na prática, a maioria – sem exagero – das grandes dores de cabeça das lideranças poderia ser evitada ainda no nascedouro, se tivessem sido devidamente administradas com gestão de riscos e medidas preventivas.

Além da prática, os números mostram que tem sido hábito dos gestores relevar ao segundo plano das preocupações os problemas que estejam tomando corpo e volume, envolvendo funcionários ou clientes, contanto que nada tenha ainda “vazado” na imprensa ou nas mídias sociais. Assim, jogam a crise eminente para debaixo do tapete e entram em desespero quando ela sai, monstruosa, para o meio da sala.

Não é apenas a percepção que aponta para essa postura. Dados do Institute for Crises Managemente (EUA), de 2016, informam que 77,7% das crises ocorrem porque riscos potenciais e pequenos sinais de alerta são ignorados pelas empresas. As crises imprevistas – as fatalidades ou azar do destino – seriam apenas 22,2%.

Em um mundo onde até os acidentes naturais já são possíveis de se prever, o percentual de imprevistos tende a diminuir cada vez mais. O problema está no imenso número de situações que podem prejudicar gravemente a reputação das instituições, mas são relevadas a segundo plano na frieza da rotina.

Ao se tratar de Gestão de Crises, o primeiro comportamento dos que sobrevivem bem aos problemas é o de gerir com atenção os riscos. Isso significa acompanhar diariamente os acontecimentos dentro da instituição, com suas causas e consequências, e identificar previamente situações que possam gerar uma crise que provoque sérios danos à imagem. Antecipar possíveis acontecimentos que afetem seriamente a reputação e agir rápido para que eles não venham a explodir.

Muito tem se falado em gestão de crises, com o olhar geralmente focado para técnicas e práticas para se superar o momento crítico. Mas uma das mais importantes ações no que se refere a crises é evita-las. O que significa contar com um olhar crítico e uma atitude profissional para identificar, listar e combater problemas que tenham potencial destrutivo.

Geralmente, os profissionais que atuam com maior afinco na identificação de riscos e prevenção de danos são vistos nas instituições como “chatos de plantão”. Mas gerir riscos nada tem a ver com perfeccionismo ou, muito menos, pessimismo. Tem relação com economia, gerenciamento de esforços, otimização do trabalho de equipe e, especialmente, proteção à imagem e reputação das instituições.

Tem a ver com lançar um olhar apurado sobre os setores mais vulneráveis. Um grande volume de crises ocorre na atualidade, por exemplo, a partir de problemas da área tecnológica das empresas. Sistemas, datacenter, vulnerabilidade, qualidade dos equipamentos. Nos tempos atuais, é preciso ter atenção redobrada no quesito segurança. Também exige atenção a área financeira. E, quem diria, até mesmo o comportamento dos funcionários nas redes sociais merece cuidados e treinamentos preventivos, para evitar escorregões que resvalem na imagem da corporação.

Quando a crise está instalada, terceirizar a culpa do problema, demorar a reagir ou reagir com a emoção – atitudes, infelizmente, comuns de se ver – poderão abrir espaço para danos muito mais difíceis de se reverter para a imagem pública, que é um dos principais ativos de qualquer empresa.

29

Abr

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A cada semana, um dia se passa online - revela pesquisa britânica sobre comportamento na internet

*Por João José Forni

Pesquisa publicada nesta semana pela Ofcom (Office of Communications), órgão regulador das comunicações no Reino Unido, com repercussão na imprensa britânica, mostra que um adulto britânico gasta em média um dia por semana online, confirmando a dependência do internauta do século XXI pela Internet. Isso é um bem ou um mal? Depende de como o internauta usa as possibilidades dessa rede e o que deixa de fazer por conta dessa rede.

Menos de metade da população do Reino Unido continua ouvindo rádio em casa, enquanto outra parte gasta mais tempo com smartphones, serviços de filmes (streaming) e podcasts, mostra o estudo.

O tempo de uso da Internet, semanalmente, cresceu de 22,9 horas em 2016, para 24 horas no ano passado no Reino Unido. Uma década atrás, o britânico gastava 12,1 horas por semana online. Os dados da pesquisa continuam a assombrar. Sete em dez pessoas usam o smartphone para acessar a Internet, aumentando o tempo que as pessoas gastam online, que foi de 2,1 horas por semana em 2016 (não esquecer que estamos falando somente do uso do smartphone) para 2,5 horas em 2017. A proporção das pessoas que usam o smartphone como cartão de embarque em viagens aéreas ou para tickets de entrada em espetáculos pulou de 41% para 57% num ano.

Essa tendência foi revelada numa pesquisa anual de uso e atitudes na mídia, publicada pela Ofcom, no último dia 25. O estudo mostrou que a maioria dos adultos britânicos tinha acessado até seis equipamentos de mídia em casa – televisão, celular, computador (desktop ou lap top), tablet, rádio e o DVD. Mas a inclinação por aparelhos tipicamente domésticos vem caindo.

Em 2017, somente 47% dos britânicos adultos ouviram rádio, quando era 51% em 2016. E, convém observar que o rádio é uma das mídias antigas que mais tem resistido a mudanças e ao impacto das novas tecnologias, com uma capacidade incrível de se reinventar. E o concorrente que vem derrubando o rádio não é a televisão, como se previa, e nem mesmo os apelos do smartphone. Mas mais pessoas estão ouvindo podcasts, segundo a pesquisa. 5,5 milhões de britânicos ouvem pelo menos um podcast por semana.

Mais de um terço (35%) não se importam em ver anúncios, desde que sejam relevantes para eles, mas até 40% dizem que não gostam de todos os anúncios online, em comparação com 34% um ano atrás. A publicidade também começa a incomodar. A pesquisa mostra que os internautas já começam a usar mecanismos de proteção contra a publicidade invasiva. Curiosamente, um em cada dez (9%) afirmam fornecer deliberadamente informações falsas, quando necessário, para evitar “spam” e visitar apenas sites sem anúncios (9%).

Mais da metade (58%) dos usuários da Internet estão cientes da publicidade personalizada. E a grande maioria (85%) dos usuários de Internet diz que eles são muito (42%) ou bastante (43%) confiantes de que sabem o que é e o que não é publicidade online, com homens mais propensos do que mulheres a dizer que estão muito confiantes (46% versus 37%).

Uma minoria (41%) dos usuários da Internet diz que não está feliz pelo fato de as empresas coletarem e usarem suas informações pessoais. Embora cerca de um terço dos usuários da Internet (35%) dizer que está satisfeito pelas empresas coletarem e usarem as informações pessoais, se puder optar em qualquer momento, se a empresa tiver clareza sobre como usará as informações pessoais (33%), ou se esse usuário ficar seguro de que as informações não serão compartilhadas com outras empresas (32%).

Acesso à Internet

De acordo com a pesquisa da Ofcom, a maioria dos adultos entre 16-54 anos esteve online, com acesso à Internet, chegando a níveis de 96% de presença na Internet quando se faz um corte de pesquisados entre 45 e 54 anos e 98% dos usuários entre 16 e 24 anos. A pesquisa também evidencia que os internautas começam a demonstrar um cansaço com as mídias sociais. A proporção de pessoas que disseram que o Facebook era seu principal perfil de mídia social caiu de 80% para 70%, dentre um ano e outro, enquanto redes alternativas, incluindo o WhatsApp, de propriedade do Facebook, tornaram-se mais proeminentes.

Agora algo interessante para quem se debruça sobre a dependência da geração do século XXI pela vida online. Três em dez usuários da Internet querem cortar o tempo gasto na web, e tem havido um aumento no número de pessoas que sofreram uma experiência negativa online, conclui o estudo. Perto da metade dos usuários disseram ter visto conteúdo odioso na Internet no último ano. A pesquisa foi baseada em entrevistas com 5.500 adultos.

*João José Forni é jornalista, Consultor de Comunicação, autor do livro "Gestão de Crises e Comunicação - O que Gestores e Profissionais de Comunicação Precisam Saber para Enfrentar Crises Corporativas".

13

Abr

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Pense, pese e poste: cada postagem pessoal tem valor também na construção da imagem profissional

Por Juliska Azevedo

Em um mundo cada vez mais conectado e vigiado, o que comunicamos em mídias sociais deixou de ser preocupação apenas de personalidades públicas para exigir a atenção de profissionais de todas as áreas, dos mais diversos ramos de atividade. Com as redes digitais, cada pessoa passou a produzir conteúdo de divulgação do que faz, pensa e gosta, e, na maioria das vezes, não há como limitar compartilhamentos, impressão e reprodução. E a atenção e cuidado com esse conteúdo é fundamental para a construção da imagem pública e profissional que cada um de nós deseja para se posicionar no mercado.

Um dos primeiros aspectos que mostra como há necessidade de dar atenção à forma como nos comunicamos é constatar que hoje praticamente não existe mais privacidade. O que colocamos nas redes, seja em conversas em grupos, comentários em mídias sociais, postagens, fotos, passou a ter um alcance quase ilimitado.

Você tem refletido, por exemplo, sobre a quantidade de informações de sua vida pessoal que está à disposição de pessoas desconhecidas no Facebook, no Instagram? Qual o grau de intimidade, de confiança, que você tem com as pessoas que lhe seguem? Confia nelas como seus amigos? Gostaria que soubessem, por exemplo, aonde você mora? Quando a gente pensa nisso, percebe o quanto vulnerável pode ser o universo das mídias.

Mas o risco não está apenas na exposição de informações pessoais, mas também dos pensamentos. Comentários que escrevemos ou gravamos em um grupo de WhatsApp podem ter um efeito imprevisto se reproduzidos fora do contexto. É importante, portanto, uma reflexão antes de entrar em questões polêmicas. Vale se perguntar: será que uma simples opinião pode prejudicar pessoalmente ou profissionalmente alguém caso seja repassada a diante? Qual imagem pessoal minha está sendo construída nas postagens, comentários e nos meus posicionamentos nas redes?

As pessoas esquecem, a internet não!

É comum que as pessoas tratem os grupos e a internet como um local de desabafo e exposição de pensamentos, fazendo uma comparação com uma mesa de bar, onde de forma descontraída, se conversa sobre a vida, própria e dos outros, entre um copo e outro de cerveja.

Porém há um detalhe importante a se observar: “as pessoas esquecem, a internet não!” A frase foi dita pelo professor, mestre em comunicação e especialista em gestão de Comunicação de Crises João José Forni, quando esteve recentemente em Natal ministrando curso a respeito. O professor, do alto de sua experiência em gestão de crises de imagem, cunhou uma frase que diz muito a quem deseja construir uma imagem pessoal e profissional nas redes. A internet cria registros de cada texto, de cada foto postada, que podem vir à tona dias, semanas e até anos depois, gerando cobranças ou conflito de posicionamento.

Certamente, com a chegada do período eleitoral, teremos exemplos dessa afirmação: os candidatos em todo o Brasil serão duramente cobrados por cada palavra, cada promessa ou opinião emitida nas redes. Tanto em programas de televisão quanto nas próprias mídias. Vamos aguardar e, invariavelmente, assistir a esse embate - que já deve estar sendo minuciosamente programado por especialistas.

Por tudo isso, antes de postar, é importante refletir: para quem você está falando? É mesmo necessário discutir esse assunto? Essa opinião ou posicionamento pode lhe causar prejuízo de imagem - seja pessoal ou profissional?

A gestão consciente, atenta e até profissional nas redes digitais é decisiva para a construirmos imagens e reputação positivas e para evitarmos os “escorregões” que a internet não esquecerá. É importante desconfiar de quem gere mídias sociais apenas contando número de seguidores. Engajamento envolve opinião e posicionamentos certos na hora certa. Medir o peso de cada palavra compartilhada pode evitar também problemas pessoais, mágoas e desgastes. Ou seja, refletir antes de postar para que a postagem não se reflita em arrependimentos. Esse é o desafio.

Artigo publicado nas edições de abril das revistas Viver Bem (Natal) e Acontece (Mossoró).

12

Abr

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Situações de crise ajudam a proliferação de Fake News

**Por João José Forni

Desastres, atentados ou tiroteios: situações de crise são um terreno fértil para os autores de "fake news" ou notícias falsas, que se aproveitam da emoção em torno desses acontecimentos para ecoar ao máximo suas manobras. Este é o mote do artigo publicado no site “Chalenges”, abordando o tema da divulgação e rápida disseminação das chamadas “notícias falsas”.

“O exemplo mais recente, o tiroteio que deixou três feridos no dia 1º de abril, na sede do YouTube (subsidiária da Google), perto de San Francisco,  ajudou a espalhar informações falsas (como o relato de "dezenas de mortes" ou ainda a tentativa de envolver personalidades como Hillary Clinton), e a mídia dos EUA informou que a plataforma de vídeo de um funcionário, Vadim Lavrusik, havia sido invadida por um hacker.

Recentemente, no tiroteio na Florida, na Parkland High School, e os protestos a favor do controle de armas também foram alvo de múltiplas intervenções de grupos ativistas, muitas vezes voltadas para fins políticos.

"São acontecimentos traumáticos e estão ainda mais propícios à disseminação de falsas informações e teorias conspiratórias que geram um efeito de estupor, de espanto. Quando alguém se depara com uma notícia marcante ou chocante, procura-se explicações, e por falta de informação apega-se a teorias, podendo ser inclusive destrambelhadas”, explica à AFP Rudy Reichstadt, diretor do Conspiracy Watch Observatory com sede em Paris.

Um estudo do MIT-Massachusetts Institute of Technology, prestigiado instituto de pesquisa norte-americano, publicou há um mês na revista Science, que as "falsas notícias" tendem a se espalhar muito mais rapidamente pelas redes do que as verdadeiras informações, em quaisquer que sejam os assuntos. O tema foi abordado também no site www.comunicacaoecrise.com, no artigo “Notícias falsas se espalham mais rápido e com mais amplitude. E os humanos são culpados”.

"Chamadas para cliques"

De acordo com as conclusões do estudo, enquanto no Twitter a informação real raramente é compartilhada com mais de mil pessoas, o 1% das "notícias falsas" mais populares afeta regularmente entre 1.000 e 100.000 pessoas. Além disso, notícias reais levam seis vezes mais tempo para atingir 1.500 pessoas do que uma falsa.

Os autores deste estudo, que tiveram a ideia de trabalhar nesta questão depois de ouvir muitos rumores circulando durante o ataque da Maratona de Boston (cidade próxima de onde o MIT está localizado), em 2013, enfatizam que são as notícias falsas sobre política que têm o efeito mais viral, diante das "lenda urbana", a economia. A categoria "terrorismo e guerra" vem em quarto lugar, e os desastres naturais aparecem no final da lista.

Segundo o artigo publicado, os perfis e motivações daqueles que fabricam e propagam as "fake" variam. Segundo Reichstadt, "agora temos empreendedores em teoria conspiracionista, que reescrevem as notícias instantânea e permanentemente à luz da teoria do complô, numa narrativa alternativa", e se fecham numa "perpétua fuga conspiracionista ", como Alex Jones, criador do site dos EUA Infowars (teórico da conspiração de extrema direita), ou do jornalista Thierry Meyssan” (que investiga grupos de extrema-direita, sobretudo sobre milícias). 

Após a tragédia em Parkland várias fotomontagens destinadas a desacreditar defensores do controle de armas de fogo, fizeram especialmente acreditar os internautas que uma das sobreviventes, Emma Gonzalez, que se tornou uma figura deste movimento, rasgou uma cópia da constituição americana ou atacou o veículo de um defensor do uso de armas de fogo (o material utilizado era, na verdade, uma velha foto de Britney Spears ...).

Somam-se a isso os “clickbaits”*, aqueles sites que prosperam no sensacionalismo para gerar receita na publicidade, sem motivação política, ou a "conspiração de baixo", obra dos "conspiradores de domingo", observado especialmente após os ataques de 2015 na França, segundo o diretor do Conspiracy Watch.

Além das más intenções, a confusão e a pressa em torno das situações de crise também podem contribuir para o surgimento de notícias falsas, por falta de verificação pela mídia tradicional ou como resultado de erros cometidos por fontes oficiais.

O absurdo de tudo isso, com a facilidade de “fake news” proliferarem nas crises, é o fato de poderem acontecer fatos extremamente graves, em momentos de comoção nacional, envolvendo aspectos emocionais. Como no terremoto ocorrido na Cidade do México em setembro passado. A mídia do mundo inteiro estava comovida com o resgate da pequena Sofia, baseada em declarações de socorristas e autoridades, até que, após especulações que chegaram até o exterior, o governo revelou que ela nunca havia existido.

* Clickbait (também conhecido por sua tradução para o português isca de cliques ou caça-clique) é um termo pejorativo que se refere a conteúdo da internet que é destinado à geração de receita de publicidade on-line, normalmente às custas da qualidade e da precisão da informação, por meio de manchetes e/ou imagens em miniatura chamativas para atrair cliques e incentivar o compartilhamento do material pelas redes sociais.

** João José Forni é Jornalista, Consultor de Comunicação, autor do livro "Gestão de Crises e Comunicação - O que Gestores e Profissionais de Comunicação Precisam Saber para Enfrentar Crises Corporativas". 

12

Abr

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O menino pobre que virou astronauta: Marcos Pontes enumera em Natal lições de perseverança para quem busca seus sonhos

Por Juliska Azevedo

O astronauta brasileiro Marcos Pontes, que cumpriu missão à estação espacial em 2006, proferiu a palestra de abertura da Campus Party Natal na noite desta quarta (11). Em uma hora e meia de conversa descontraída, trouxe curiosidades sobre como é a preparação do seleto grupo de pessoas que já foi ao espaço e falou sobre escolhas, medo, perseverança e sonhos. Filho de faxineiro aprovado em primeiro lugar na Academia da Força Aérea, Marcos Pontes se declara um “obcecado por Educação”. “Acredito que a educação é capaz de resolver todos os problemas de um país”. O astronauta tem um pé no RN: sua mulher, com quem tem um casal de filhos, é natural de Angicos, região Central do Estado. “Ninguém faz nada sozinho. Se quiser fazer as coisas grandes, terá que ter uma boa equipe. E a família é a equipe principal”, afirma.

Na sequência abaixo, alguns trechos do pensamento do primeiro homem do espaço brasileiro.

Infância em Bauru, SP

“A vida era apertada. As pessoas olhavam para mim e diziam, esse garoto não vai dar em nada. As pessoas são assim, julgam pela aparência. Meu sonho era voar, mas eu não tinha dinheiro para pagar horas de voo. Até hoje é muito caro. Aos 14 anos tive meu primeiro emprego com carteira assinada, como eletricista aprendiz na companhia ferroviária. Estudava entre um serviço e outro, em livros sujos de graxa, para entrar na academia da aeronáutica”, contou.

Academia da Força Aérea

“Eu não tinha tempo nem dinheiro para fazer o cursinho para o vestibular. Mas tinha muita vontade de passar. Quando você tem vontade você procura soluções. E o tempo que eu tinha de folga no trabalho, estudava na locomotiva. Uma vez um dos caras que trabalhava comigo disse ‘está estudando pra quê?’. Respondi: Vou entrar na academia da força aérea. Ele disse que era impossível. Que eu nunca ia conseguir. Que era coisa para filho de rico”

Lição materna

“Cheguei em casa e estava tomando uma canja, cabisbaixo, e minha mãe perguntou porque estava assim. Contei o que tinha ouvido. Ela, italiana forte, me olhou com seus olhos azuis e disse: ‘Você pode ser o que quiser desde que estude, trabalhe, persista e sempre faça sempre mais do que esperam de você”.

Disciplina para realizar

“O que você quer que aconteça você tem que falar. As palavras têm um poder enorme dentro de você. Não coloque o dinheiro como primeiro critério. Coloque o que você gosta de fazer. Passei em primeiro lugar do país na Academia da Força Aérea. Na academia você começa a aprender que disciplina é importante. Que você precisa de outras pessoas para realizar. Que a vida é um combate e você consegue vencer se tiver as armas corretas, entre elas a ética”.

 

Quer ter oportunidades, construa

Se quiser ter sucesso na vida tem que se movimentar o tempo todo. Tem que causar mudança, tem que abraçar a mudança do jeito que você quer. Então, já estabilizado como piloto, fui fazer um curso de engenharia. Se você quer ter oportunidade na sua vida, construa. Como? Simples. Estuda mais, se qualifica mais, e vai poder fazer outras coisas. É importante na sua vida ficar sempre varrendo as oportunidades. A vida é tomada de decisão. A cada decisão você abre algumas portas e fecha outras. O cuidado que se deve ter é de nunca fechar as portas para seus sonhos”.

Decisão de correr riscos

“Quando a Nasa abriu a seleção para um astronauta brasileiro, eu estava fazendo doutorado na Califórnia”, conta Marcos, afirmando que soube da seleção por um irmão que viu a reportagem na televisão no Brasil, e ligou para avisar. “Após passar na seleção, fui avisado de três coisas importantes para tomar a minha decisão: a função de astronauta é civil e pode sacrificar sua atividade militar. Pode sacrificar o convívio com a família. E pode sacrificar a própria vida. A gente quer ter todas as informações para tomar a decisão. Mas a gente não vai ter. Então na hora de tomar uma decisão pense: não tome decisão que seja contrária aos seus valores”.

Os desafios da jornada e a fé

Os maiores desafios surgirão quando você estiver chegando perto do seu objetivo. A gente não consegue controlar as coisas que acontecem na nossa vida totalmente. Meu filho foi diagnosticado com câncer quando eu estava me preparando para a missão espacial. Se você não acredita em Deus, vai precisar de um ótimo substituto. Se agarre no que você puder e continue a fazer o que precisa”.

Despedida da família

Marcos Pontes falou sobre o treinamento técnico, psicológico e físico que recebeu para ir ao espaço. Segundo ele, o momento que mais marcou antes da missão espacial, foi o período de 30 minutos a que teve direito, no dia anterior ao voo, para se despedir da família. “Coloque as pessoas em primeiro lugar. Elas são a coisa mais importante da vida da gente. Medo é uma coisa natural. Eu sou coach, trabalho com preparação das pessoas. Às vezes eu vejo pessoas com capacidades monstruosas, mas por medo elas vão deixando de fazer as coisas porque ficam com medo de falhar”.

Sensação de estar no espaço

“Na vida da gente, a gente sofre tanto para realizar um projeto, e quando a gente chega lá a gente se lembra de tudo o que a gente passou. Lá em cima você se sente nada, percebe que não é absolutamente nada diante da grandeza da Terra. Essa sensação é importante para refletir sobre quanto tempo a gente passa aqui preocupado estar certo”.

Ao final da palestra, Marcos Pontes comentou sobre as consequências para a saúde que sofre, ainda hoje, pela viagem espacial. “Nada é de graça. Se você tem um sonho tem que colocar seu esforço. Se quer realizar alguma coisa, pague o preço. As pessoas que tem sucesso são as que não perdem tempo. Trabalham e realizam”, assinalou.

(Crédito da foto: Papo de Mídias https://bit.ly/2GPJKQm)