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8

Mar

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Nova Previdência já

*Amaro Sales de Araújo

A reforma da Previdência tem sido o tema mais discutido nos últimos dias e com merecida razão. Segundo dados do próprio Governo Federal a Previdência deve chegar, ao final de 2019, com um “rombo previsto em R$ 292 bilhões”. É muito dinheiro!

Ao anunciar as principais mudanças, o Governo admite que o Congresso Nacional deve melhorar a proposta, mas a economia nacional pede celeridade e equilíbrio. O debate, mesmo acalorado, não pode ser contaminado pela crença ideológica. O ponto focal é matemático, ou seja, como viabilizar uma Previdência que não leve o país à completa falência?

Os argumentos técnicos precisam ser, portanto, bem abalizados e ouvidos com atenção. Por outro lado, o sacrifício, realmente, precisa ser de toda a sociedade brasileira. Não será justo que apenas alguns paguem uma conta que é de todos. Neste sentido, é devido registrar que os empreendedores e suas instituições representativas acompanharão o assunto, mas já há um sentimento consolidado de colaboração para que a Reforma seja viabilizada. Não será fácil, mas é necessária.

As medidas agora tratadas serão fundamentais para o futuro. Estamos vivendo mais. Aliás, está é a boa notícia que marca o debate. No Brasil, em 1980 a esperança de vida ao nascer era de 62,52 anos. Em 2016, já era superior a 75 anos. Com a evolução tecnológica, a pesquisa para o enfrentamento de doenças e, sobretudo, a busca pela qualidade de vida, a pirâmide populacional vem mudando e a faixa de idosos é cada vez maior.

Assim, buscando uma Previdência equilibrada, vamos garantir que as próximas gerações terão, não apenas suas próprias aposentadorias, mas um Estado com condições de honrar suas obrigações. Por oportuno, obrigações que sejam razoáveis e sustentáveis. Para cada benefício ou direito que gere despesas para o Estado é importante que tenhamos, com clareza, o seu financiamento. Não é sustentável inserir na vida nacional direitos e obrigações que não sejam lastreados por um transparente modelo de financiamento.

A proposta do Governo Federal em relação a Previdência propõe duas colunas distintas: seguridade e assistência social. A política de assistência social é necessária, vital. Deve ser aperfeiçoada em tópicos que os especialistas já discutem: transparência, portas de saída, financiamento, regulação, dentre outros. A distinção, contudo, é relevante para que cada setor tenha clareza dos investimentos feitos e das metas que precisam ser alcançadas.

Se a reforma não tiver êxito no Congresso Nacional vamos ter um retrocesso imenso, gerador de uma crise mais aguda, com fundadas perspectivas de recessão econômica. Estamos vivendo um momento onde a economia emite sinais de vitalidade, apesar das turbulências políticas. É hora de aproveitarmos o início de um ciclo que pode ser virtuoso e aprovarmos a Reforma da Previdência para que o Brasil, de fato, se torne o país do futuro.

*Industrial, Presidente da FIERN e Secretário da CNI

Fonte: FIERN, disponível em: https://www.fiern.org.br/artigo-presidente-sistema-fiern-nova-previdencia-ja/

22

Fev

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Por que ainda (alguns) insistem no uso do papel?

*Gláucio Brandão

Fundado em 1891, o Jornal do Brasil foi o primeiro jornal 100% digital em todo o país, ao criar em 28 de maio de 1995 o JB Online. Antecipando a tendência mundial, cinco anos mais tarde tornou-se 100% digital. Há alguns dias atrás o mais influente jornal do mundo, o The New York Times, também virtualizou-se integralmente. O dinheiro, que na verdade é só uma ordem de pagamento, está com seus dias contados, dado o avanço das criptomoedas.

Os cartórios, que atuam apenas como chaves de autenticação, já apresentam suas versões made in matrix. Escolas na Dinamarca já distribuem seus conteúdos em tablets, assim como colhem os resultados dos alunos. Curso de Ciência da Computação 100% online, criado por professor de Stanford, já apresenta maior índice empregabilidade do que seu dual presencial. A Wikipedia é tida hoje como a enciclopédia mais confiável do mundo. Exemplos não faltam para validar o que a grande rede provocou na humanidade: conexão.

A conexão, a despeito de várias atributos associados, existe nesses casos citados por causa de um elemento essencial: confiança na fonte. Sim, esta é a cola. Para esse nosso texto, chamarei o ente que baliza toda esta conexão simplesmente de lastro.

O lastro, no caso dos jornais, está ancorado em seus jornalistas. Para as criptomoedas, um algoritmo forte, chamado blockchain, impede que qualquer flutuação na rede passe despercebida. Os cartórios virtuais ancoram-se em leis acessíveis neste meio, questionadas também por quem as conhece, de que forma? Online, óbvio. Os centros de educação validam todos os seus materiais e os atualizam de acordo com a opinião de professores e da própria comunidade. E, no caso da Wikipedia, centenas, milhares de pessoas, tentam derrubar informações “instáveis” o tempo todo, como que em um grande jogo de caça ao tesouro. O que percebemos nestes critérios de validação? Respondo: todos são critérios dinâmicos. 

Acrescentamos o dinamismo à cola que identificamos e chegaremos ao mais poderoso elemento, aquele que faz com que estes serviços existam e tendam a liquidar de vez o velho papiro: o lastro dinâmico.

Klaus Schwab, fundador e presidente do Fórum Econômico Mundial, afirmou que "neste novo mundo não é o peixe grande que come o peixe pequeno; é o peixe rápido que come o peixe lento". O Papel é o “peixe” lento e, contendo a informação errada, não terá chance de utilizar o Ctrl Z, pois estará com o erro cristalizado. Nunca ouvi falar em recall de jornal impresso. 

O jornal online, mesmo com a grande proliferação das famosas fake news, consegue se corrigir em um tempo rápido suficiente e anterior à queda de sua credibilidade, quando percebe que a coisa “não foi bem assim”. É o “peixinho” rápido.

A verdade não é mais absoluta, pois os lastros são dinâmicos. Passamos a viver em um mundo de verdade estatística. Meu conselho aos agora “velhos” jornais: o papel congela tudo, principalmente o erro. Dinamizem-se!E outra:  os ecologistas agradecem!

*Professor Associado da UFRN. Gerente Executivo da incubadora INPACTA-UFRN. Tem por missão transformar a Escola de Ciências e Tecnologia em uma Escola de Negócios.

15

Fev

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O que poderemos fazer para salvar as livrarias?

*Carlos Kelsen

Depois de alguns meses sem escrever nesse espaço, uma manchete do Jornal Tribuna do Norte do último dia 01 de fevereiro de 2019, impôs-me a obrigação de restabelecer o nosso contato. E você deve perguntar: que manchete tão importante foi essa que o fez voltar a escrever?

Segue o texto: “As livrarias estão desaparecendo do Brasil”

Com certeza você já deve ter ouvido alguém afirmando que não está conseguindo ler pois o tempo anda curto, embora o dia permaneça tendo 24h, as semanas 7 (sete) dias, os meses com média de 30 (trinta) dias e os anos com 12 (doze) meses.

Sem dúvida, a vida moderna incorporou algumas características que, certamente, irão provocar problemas em um futuro próximo. A conexão 24h à internet, através de um smartphone, ampliou o nosso acesso à informação, possibilitou termos respostas para tudo, porém, ao mesmo tempo, retirou-nos o importante hábito da leitura continua e detalhada, fazendo com que as pessoas tenham opinião sobre tudo, em que pese de modo quase sempre superficial.

Percebemos claramente quanto tempo as pessoas passam vidradas nas telinhas de um celular e, o que tem sido ainda mais grave, como é difícil ficar longe dele.

Como professor universitário, tenho insistido em cobrar dos alunos o restabelecimento do hábito da leitura, acompanhado da afirmação de que “quem não gosta de ler, com certeza terá dificuldade de escrever.”

Em pesquisas feitas sempre no primeiro dia de aula, em uma breve apresentação da disciplina, das perspectivas profissionais da área jurídica e dos próprios alunos, tenho me deparado com afirmações que apontam que a leitura deixou de ser prioridade. Daí surgiu a necessidade de pensar o que fazer para mudar esse quadro.

Adaptando uma experiência que tive durante o mestrado, no início do semestre do ano de 2018, lancei um desafio às turmas para que os alunos escolhessem um livro para leitura durante a minha disciplina. Detalhe: o assunto e o tamanho ficariam à critério do aluno. Apenas para forçar a escolha imediata e, naturalmente, estabelecer um marco inicial, disponibilizei um formulário para que todos indicassem o livro, o autor, o ano, a editora e o número de páginas. Por fim, aprazei a última aula para que fosse possível fazermos uma mesa redonda, com apresentação de uma pequena resenha dos livros lidos.

Passados aproximadamente 4 (quatro) meses, reuni a turma para a prometida mesa redonda e, apesar da surpresa de saber que apenas 20% (vinte por cento) dos alunos haviam cumprido o desafio, as resenhas apresentadas e, em especial, a informação relativa ao tempo utilizado para a leitura, levou-me à conclusão de que ainda vale a pena lutar para restabelecer ou até mesmo criar o hábito da leitura.

Acredito que isso tenha sido um bom começo, no entanto, reconheço que ainda é muito pouco. Afinal, sempre tenho tido a sensação de que, apesar da produção literária e científica no Brasil ser considerada imensa, as bibliotecas, as livrarias e os cebos têm diminuído com o tempo. Recentemente, inclusive, a imprensa nacional noticiou a crise financeira das principais editoras do país.

Exatamente por isso decidi renovar o desafio da leitura para as turmas do semestre 2019.1 e, tomando emprestado o subtítulo da coluna de José Francisco Botelho, da Revista Veja da semana, ratificar que “A cura do cibervício está em uma invenção ancestral: o livro”, que também servirá para salvar as livrarias.

*Carlos Kelsen Silva dos Santos é advogado Sócio do Lucio Teixeira dos Santos advogados, Professor Universitário - UNP, Mestre em Administração pela Universidade Potiguar, Especialista em Direito Privado: Civil e Empresarial e Autor do Livro: Planejamento Estratégico em Escritórios de Advocacia: a importância de planejar a prestação de serviços.

8

Fev

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As 3 coisas mais importantes a fazer quando a crise chega

*João José Forni

O Brasil começou 2019 com uma das maiores crises corporativas dos últimos anos, com o rompimento da barragem de Brumadinho. O tamanho dessa crise ainda não foi dimensionado, mas apenas pelas perdas humanas, pode-se classificá-la como a maior tragédia do país, junto com o incêndio do Gran Circus Norte-Americano, em Niterói, em 1961, com mais de 500 mortos (70% crianças) e com o desastre dos deslizamentos no Rio de Janeiro, em 2011, que deixou mais de mil mortos.

Uma pergunta que vem à mente, sempre que se fala em crise, é o que se faz na hora em que ela chega. O especialista em Crisis Management nos Estados Unidos Erik Bernstein,publicou no site Bernstein Crisis Management um post bem objetivo, enumerando três ações importantes para tomar no momento em que uma crise chega na organização. Essa decisão pode parecer simples, antes de enfrentar uma crise. Mas não são raras as empresas que, diante de uma situação de crise, é tomada por um sentimento de paralisia.  Não sabe o que fazer. Ou porque nunca teve uma crise grave. Ou porque nunca levou a sério a possibilidade de enfrentá-la. E, neste caso, estamos diante da iminência de uma organização se dar mal e se perder na gestão dessa crise.

O que diz o especialista?

“Quando você se depara com uma situação que ameaça atrapalhar as operações, a reputação e seus resultados, uma nova lista “O que fazer agora!” entra em vigor com uma velocidade alarmante. Ao longo de décadas de experiência trabalhando com clientes em quase todos os setores, elegemos algumas etapas mais importantes para começar bem.” Aqui estão as três coisas mais importantes para fazer quando uma crise chegar:

1. Respire

"Sim, há uma necessidade urgente de resposta, sim, você tem 300 coisas diferentes para fazer, mas não vai ajudar se você entrar em pânico. Confie em seu plano, tire um breve momento para se recompor e entre na briga com confiança. Você provavelmente deve cancelar qualquer reserva para o jantar ... você estará aqui (envolvido) por um tempo. (Provavelmente, muito tempo). Se você não tiver um plano, provavelmente o custo da sua recuperação poderá dobrar. Já vimos isso acontecer mais de uma vez.”

Comentário. Esse é um momento decisivo, imediatamente após a crise ter surgido. As ações tomadas nos primeiro minutos poderão definir como vai ser a gestão dessa crise, determinarão se a empresa vai ter sucesso ou se fracassou. Por isso, o maior cuidado com o que você irá fazer. Não confie na experiência. Procure os especialistas e trabalhe em equipe. “Respirar” significa não entrar em pânico; aja com a razão, profissionalmente, não com a emoção. Se o executivo for assíduo nas redes sociais, talvez seja o momento de repensar a estratégia e cair fora, deixando somente a empresa se envolver na crise. Não vá para as redes bater boca com stakeholders.  

2. Reúna sua equipe   

“Toda organização deve ter uma equipe de crise (gabinete ou comitê de crise) com autoridade para tomar decisões capitais em curto prazo. Você precisará de representantes de grupos com poder de decisão, como gerenciamento, jurídico, relações públicas e especialistas de áreas específicas, para que você tenha uma visão completa. É importante que você possa reunir essa equipe rapidamente e, embora a tecnologia continue facilitando isso a cada ano, você precisará levar em consideração a possibilidade de eventos importantes tornarem inutilizáveis ​​até mesmo os telefones.”

Comentário. O Comitê de Crise não é para ser “criado” quando a crise chegar. Ele deve existir antes da crise, com as pessoas discutindo o assunto regularmente e sabendo o que fazer quando a crise chegar. Um grupo pequeno (não mais do que 12 pessoas), que conhece profundamente a organização. O ideal seria ter uma "Sala de Situação". Dependendo da dimensão da crise, como no caso recente da Vale, outros subcomitês terão que ser organizados. Não há com gerenciar uma megacrise como essa de Brumadinho, por exemplo, com apenas um Comitê de Crise. Várias equipes terão que ser formadas. Daqui sairão as diretrizes para gerenciar a crise, com a confiança e o respaldo total da diretoria.

3. Avalie

“O que exatamente estamos olhando, e que nível de resposta é justificável? Embora você não queira reagir, fazer algo como escolher o CEO (ou principal executivo da empresa) para aparecer ao vivo em resposta a um problema menor e localizado pode levar o público a acreditar que existe um problema maior do que realmente existe. Medir isso é mais fácil dizer do que fazer, embora algumas preparações básicas de crise - coisas como definir o que constitui diferentes níveis de crises para sua própria organização - ajudem tremendamente.”

Comentário. Organizado o Comitê de Crise, é hora de saber o que fazer e aí a experiência anterior, os treinamentos e simulações farão a diferença. Se a empresa nunca pensou na possibilidade de uma crise como essa que chegou, a probabilidade de se dar mal e contaminar a reputação é muito grande. Saber quem vai comandar a crise, quem vai ser o porta-voz, ter muito claro o “timing” da crise, quem são os stakeholders que terão de ser contactados; os “influencers” das mídias sociais que podem ajudar ou atrapalhar a gestão da crise são requisitos importantes para o sucesso. Saber dimensionar o tamanho, a extensão da crise. Dê à sua crise o tamanho que ela merece. Não maximize, se for uma crise localizada, pequena. Não minimize, caso a extensão dela nem possa ainda ser dimensionada.

Para Erik Bernstein, “A coisa mais importante a lembrar é que esse conhecimento, juntamente com coisas como planejamento de crises, treinamento e esforços de prevenção, precisam ser incorporados à prática diária. Não é divertido pensar em "O que poderia dar errado?", Mas é muito melhor do que gastar tempo observando lucros perdidos e clientes correndo para a concorrência.”

 

*João José Forni é jornalista, Consultor de Comunicação, autor do livro "Gestão de Crises e Comunicação - O que Gestores e Profissionais de Comunicação Precisam Saber para Enfrentar Crises Corporativas". Erik Bernstein é vice-presidente da consultoria de crise, nos EUA, Bernstein Crisis Management. 

1

Fev

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Novo consumidor mais decidido e super informado pela internet desafia empresas

Nathália Gomes*

Quantas vezes você já se deparou sabendo mais informações de um produto do que o próprio vendedor? Essa situação pode chegar a ser contraditória, mas isso evidencia ainda mais que o perfil do consumidor global sofreu mudanças e a maior parte delas foi impulsionada pelo uso de tecnologia. Nessa banda larga da transformação, a praticidade e as informações estão conectadas em apenas um clique.

Antes, aproximadamente 20 anos atrás, as interações eram feitas exclusivamente na loja física. Hoje, essa realidade é diferente. O número de usuários de internet cresceu 10 milhões em um ano no Brasil. De 2016 para 2017, passou de 64,7% para 69,8% o número de brasileiros com 10 anos ou mais (181 milhões da população) que acessaram a internet nesses dois anos. 

Esses dados que constam no suplemento Tecnologias da Informação e Comunicação da Pnad Contínua, divulgado no final do ano passado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram a importância da tecnologia como facilitadora da jornada de compra. O chamado Consumidor 3.0 é mais criterioso, vai à loja sabendo o que quer e, ainda, todos os detalhes sobre o produto que deseja adquirir.

Se isso pode parecer um problema nas vendas, pelo contrário, gera oportunidade de destaque para empresas se qualificarem e não só alcançarem o cliente, mas estarem um passo à frente dele. Esse estágio mais avançado na compra se depara com uma pessoa já ciente de uma determinada marca, modelo do produto, principais características e análise de preços versus um possível estabelecimento que deve construir experiências em torno disso.

Nesse contexto, o vendedor deve se mostrar disponível para eventuais dúvidas, mostrar agilidade no atendimento e evidenciar os principais diferenciais do produto. Esses requisitos são passos em destaque nesse novo processo de aquisição. Além de surpreender com informações melhores e completas dos que as já pesquisadas. Afinal, o que existe nesse processo não é apenas a busca pelo produto em si, mas toda uma experiência de compra. 

Segundo levantamento conduzido pelo Google, Ipsos MediaCT e Sterling Brands, 71% das pessoas que utilizam seus smartphones para pesquisa online afirmam que estes dispositivos são cada vez mais importantes para a vivência de compra dentro das lojas físicas. Para vender a essa nova geração, as ações das lojas devem tocar os clientes com interações sensoriais que criem uma relação complementar a pesquisa prévia.

Atualmente, é necessário entender que parte dessa relação entre consumidores e empresas envolve identificação e confiabilidade. Levar isso em conta e criar uma estratégia capaz de concretizar a experiência de vendas perfeita é entender a evolução vivida e descobrir o novo poder de compra. 

* Nathália Gomes é Jornalista, especialista em Comunicação Digital, CEO da Pirâmide Conteúdo Digital e colaboradora do Blog da Juliska

25

Jan

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A era da inteligência artificial e as novas tecnologias desenham o futuro da realidade virtual

Por Jaqueline Barbosa

Já não se sabe ao certo onde começa ou termina a parte da nossa vida em rede. Conectados, ou não, todos estamos de alguma maneira interligados pela tecnologia. Da tomada elétrica, estrategicamente pensada na cabeceira da cama, à selfie do cardápio no café da manhã, as redes sociais modificaram o cotidiano da sociedade moderna.

O mais recente episódio dessa novela foi o #10yearchallege. A hashtag desafiava os seguidores a postarem uma foto de 2009 e comparar com uma atual. O que não se sabia era que a brincadeira causaria tanta polêmica com a suspeita que o Facebook estaria testando algoritmos de reconhecimento facial para aprimorar seu sistema.

Em resposta ao Portal G1, o representante da empresa disse que “esse é um meme criado pelos usuários das nossas plataformas que viralizou espontaneamente. O Facebook não começou essa onda e o meme, geralmente, usa fotos que já estão no Facebook. Nós não ganhamos nada com isso, além de nos lembrar das tendências questionáveis de moda de 2009”.

Mas não podemos esquecer que, em 2018, a gigante da tecnologia se envolveu numa série de escândalos sobre a venda de dados pessoais de seus usuários para empresas. Uma reportagem do jornal The Guardian mostrou que até mesmo o CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, havia discutido a possibilidade da venda por receita, marcas valiosas ou pagamentos em dinheiro.

Basicamente todas as ações que realizamos hoje envolvem tecnologia: usar o aplicativo do banco, dirigir com o auxílio do GPS, procurar um restaurante para almoçar e a necessidade incessante de mostrar ao mundo o que estamos fazendo. Nunca tivemos uma sociedade tão carente de atenção.

Recém-nascidos com milhões de seguidores, pessoas escondidas atrás de perfis fakes, fanpages e múltiplas funções que aparecem todos os dias garantindo melhorar nosso dia a dia. A sua vida nas plataformas digitais se distingue da realidade? Pesquisadores da área defendem que já não existem distinções entre eles.

Diante disso, não nos preocupamos com a segurança em rede. Nossos dados estão expostos e por não entender quais perigos isso pode causar não analisamos o que é real e o que é virtual. O que sabemos é que já na rotina das pessoas em muitos países desenvolvidos, a inteligência artificial promete ser o futuro da tecnologia e as redes sociais só crescem em número e em cifrão.

Jaqueline Barbosa é Jornalista, especialista em Comunicação Digital, CEO da Pirâmide Conteúdo Digital e colaboradora do Blog da Juliska

7

Jan

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O ensino médio do RN

Professora Cláudia Santa Rosa

Têm sido comum algumas abordagens sobre o ensino médio da rede estadual do RN, comparando-o ao ensino médio dos excelentes institutos federais (IFs). Ora, não podemos esquecer de um detalhe básico: o IFRN leva os melhores estudantes, anualmente, para suas unidades. Leva os mais preparados, inclusive da rede particular, por meio de disputado processo que seleciona e classifica "os que sabem mais" para preenchimento das suas vagas. 

Mantidos com recursos federais, os IFs conseguem oferecer o ensino compatível com o valor pomposo de seu custo-aluno, infinitamente superior ao valor investido no aluno da rede estadual. Sendo assim, com todo respeito, os institutos federais têm obrigação de ser excelentes, de norte a sul do país.

Atentemos: na Rede Estadual ficam os demais jovens, de formação insuficiente para ingressar nos disputados IFs ou os ótimos que residem distantes de uma das unidades. Ainda bem que existe uma rede estadual que universaliza a oferta, que inclui os que a procura, a rede que não é excludente quanto ao acesso e que precisa de mais estrutura e mais qualidade para garantir o direito à educação dos que dela dependem e a tem como única opção. 

Convém não esquecermos, ainda, que o ensino médio da rede estadual recebe estudantes não somente das escolas estaduais, a maioria é oriunda de escolas municipais. Como vemos, melhorar o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) do ensino médio não depende apenas da rede estadual, mas do fortalecimento do regime de colaboração com os municípios, naquilo que é o essencial. 

Convém indagar: como se esperar IDEB alto no ensino médio estadual se os avanços não ocorrerem desde o ensino fundamental em toda rede pública? 

Finalmente, precisamos atentar para um aspecto importante: o ensino médio do RN sempre foi o último ou penúltimo do ranking elaborado a partir do IDEB. Durante 10 anos - 2005 a 2015 - o RN oscilou entre o último e o penúltimo lugar. Fala-se em terceiro pior com tom de espanto: "como se deixou o estado do RN ser o terceiro pior ensino médio do país?". 

Essas pessoas desavisadas se referem à edição de 2017, justamente a que houve avanço, ainda que tímido. Falam como se o estado já tivesse alcançado posição melhor e em 2017 tivesse despencado para o terceiro lugar, de baixo para cima. Um equívoco!

Além dos projetos de formação e acompanhamento que estão em curso para fazerem frente à situação delicada que muitos vibram ao propagar, decorrente de uma história de pouca atenção ao ensino potiguar, é preciso falarmos em escolas técnicas e escolas de tempo integral, do ponto de partida que o RN se encontra: a rede estadual já conta com 40 escolas de ensino médio e 20 de ensino fundamental em tempo integral, além de 62 unidades ofertando ensino técnico. 

Portanto, estamos a falar de um problema que, há dois anos, vem sendo tratado com a atenção merecida pelos que fazem a educação potiguar - do órgão central às escolas - por meio de estratégias sustentadas por programas, projetos e ações claramente definidas, à luz do Plano Estadual de Educação. 

Cláudia Santa Rosa é professora da rede estadual desde 1990, Especialista em Psicopedagogia, Mestre e Doutora em Educação. Fundadora do Instituto de Desenvolvimento da Educação (IDE).

18

Dez

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Atrasos ou cancelamentos de voos: conheça seus direitos como passageiro

Precisar cancelar um voo, ou ter um voo cancelado: duas situações comuns, mas que ainda causam dúvidas sobre os direitos e deveres a serem cumpridos. Muitas vezes, o passageiro, desinformado, acaba ficando no prejuízo por desconhecer as leis. Com a chegada da alta estação, os problemas se tornam mais frequentes devido ao aumento da demanda, então, é importante ficar atento. O coordenador do curso de Direito da Faculdade Estácio de Natal, Evandro Minchoni, esclarece algumas questões à luz do Código de Defesa do Consumidor e da nova resolução da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC).

No artigo 49, do Código de Defesa do Consumidor, o “Direito ao Arrependimento” estabelece que o consumidor pode cancelar compras ou contratação de serviços que foram realizados fora do estabelecimento comercial como, por exemplo, pela internet, por telefone ou em domicilio. Nesse artigo, não há qualquer especificação quanto aos serviços ou produtos possíveis de arrependimento.

O professor orienta, no entanto, que se há certeza da necessidade do cancelamento, que seja feito o quanto antes. “O artigo 11 da nova resolução da ANAC acoberta que o consumidor possa desistir da compra de passagem aérea dentro do prazo de 24 horas após a aquisição e desde que realizada com uma antecedência de sete dias para a data do embarque”. A nova regulamentação entrou em vigor em março de 2017.

Atraso de voo

Contratempos climáticos e sobrecarga nos aeroportos podem ser motivos para atrasos e cancelamentos de voos. Eles provocam transtornos aos passageiros e todos os envolvidos no transporte aéreo – como empresas aéreas e aeroportos. No entanto, há direitos que devem ser garantidos para minimizar o desconforto do consumidor que aguarda seu embarque. A ANAC estabeleceu as seguintes obrigações às empresas: Manter o passageiro informado a cada 30 minutos quanto à previsão de partida dos voos atrasados; Informar imediatamente a ocorrência do  atraso, do cancelamento e da interrupção do serviço; Oferecer gratuitamente, de acordo com o tempo de espera, assistência material; Oferecer reacomodação, reembolso integral e execução do serviço por outra modalidade de transporte, cabendo à escolha ao passageiro, quando houver atraso de voo superior a 4 horas, cancelamento ou preterição de embarque. 

Reclamação

Mesmo que as normas sejam claras, ainda há empresas que descumprem com suas obrigações. Minchoni orienta que nestes casos o ideal, primeiramente, é procurar a companhia. “Caso haja a negativa para a resolução da situação, ou de alguma forma o passageiro se sinta prejudicado, é indicado registrar a reclamação em um dos postos da Anac”, aconselha. No caso de indenizações por danos morais e/ou materiais, é necessário consultar os órgãos de defesa ao consumidor ou procurar o Poder Judiciário e levar todos os comprovantes como cartão de embarque, gastos com alimentação, transporte, comunicação e hospedagem.

9

Nov

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Comunicação e Planejamento: conhecer a si mesmo para traçar estratégias e metas continua sendo imprescindível no universo digital

Por Juliska Azevedo

Inovação, oportunidades, informações em alta velocidade, fluxo contínuo de dados e redes sociais ao acesso de todos. Na velocidade do mundo em que vivemos e na ansiedade em se comunicar, a necessidade de planejar a comunicação das empresas tem sido muitas vezes relegada ao último plano, sendo substituída pelo imediatismo e pelo foco nas urgências do dia. O planejamento, instrumento tão importante do ponto de vista do “pensar o negócio” quanto da comunicação, tem sido substituído por decisões baseadas no instinto do gestor, tirando o foco de uma visão de curto, médio e longo prazo que pode levar um negócio a resultados muito mais consistentes.

Falar em planejamento não é somente falar em práticas da administração. Vou trazer o assunto, nessa nossa conversa, para o universo da comunicação. Planejar em comunicação significa evitar desperdício de tempo, dinheiro e estratégias que passam ao longe do objetivo principal da sua empresa. Implica em traçar ações com uma finalidade específica para se atingir determinado objetivo – que pode ser vender mais, tornar-se conhecido como referência em determinado assunto ou reconhecido como liderança de um grupo, para citar alguns exemplos. Esse planejamento deve ser focado em um público ou em vários públicos-alvo, e seguir uma série de ações articuladas para chegar à meta proposta.

Mas o que tenho visto como muita frequência como consultora em comunicação são pessoas e empresas realizando uma série de iniciativas para ampliar sua base de clientes sem que haja qualquer harmonia entre elas. No universo das redes sociais, tem sido muito comum se observar presença em mídias sociais sem qualquer interrelação, sequência ou storytelling. Ou seja: muita gente se comunicando, se expressando, porém sem saber onde quer chegar e com quem quer falar. Ou ainda, que tipo de voz pretende ter.

Vamos então simplificar um processo básico para iniciar planejamento de comunicação: o AUTOCONHECIMENTO. Um diagnóstico que responda a perguntas que possam traçar um panorama, um retrato de si e do meio-ambiente em que está inserido: quem sou? (ou quem minha empresa é?). Onde quero chegar? Qual é minha missão, quais são meus valores e o que quero para o futuro? Quais são meus públicos (clientes, colaboradores, imprensa, etc)? Quem eu quero atingir ao me comunicar? Quais são minhas principais forças e oportunidade e quais são, por outro lado, minhas fraquezas? A que ameaças externas eu tenho que me proteger ou reagir?

Respondendo a essas perguntas você terá um panorama importante que servirá como plano de partida para começar a desenvolver sua estratégia de comunicação. Mas se você precisa vender um produto ou serviço, atrair atenção e clientes para uma relação duradoura com sua marca e não sabe por onde começar, uma das estratégias de marketing mais importantes para se construir relacionamento é definir a buyer persona, ou seja, o personagem, a pessoa, com quem você vai falar nas mídias sociais. É traçar o perfil de cliente desejado pela sua empresa, o que pode ser norteado ao se responder à pergunta: Quem é o meu cliente ideal? Quais as características dele? Sobre que assuntos devo falar nas minhas redes sociais para atrair a atenção deste cliente ideal?

A persona do seu cliente vai nortear a linguagem de comunicação do seu negócio, onde sua marca deverá estar presente e que estratégias utilizar para chamar a atenção e cativá-lo. Vai servir para definir a linguagem a ser adotada nos blogs e nas postagens de mídias sociais e, além disso, vai apontar para quais são as principais redes sociais a serem utilizadas.

Para definir a persona, pesquise e encontre quais são os maiores temores do seu cliente ideal. O que ele precisa e o que ele teme com relação ao serviço que você está oferecendo. Que tipo de experiências anteriores podem ter gerado “traumas”. Descubra quais os canais principais utilizados por ele para se informar. Por newsletter, por site? Podcast, YouTube? Faça por onde estar presente onde seu persona está. O passo a passo norteia como saber para quem se está falando, como forma de otimizar as estratégias de marketing de atração a serem adotadas e para dar asas à criatividade na produção de mensagens que possam criar uma relação de proximidade com o seu cliente de perfil ideal.

Ou seja: saber quem você é e onde quer chegar e com quem você está falando são os elementos base para planejar sua comunicação. A partir daí, é possível definir metas, ações e estratégias – e sobre elas, também há muito a falar. Continuaremos na próxima oportunidade!

 

* Artigo publicado originalmente na edição de novembro da revista BZZZ.

7

Set

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Criar Política de Dados é saída para evitar riscos para as empresas

*Geovana Donella

Grandes escândalos envolvendo vazamento de dados, com os mais recentes a respeito do Facebook ou a denúncia a respeito das empresas que usam a biometria para liberar crédito, reacendem a preocupação a respeito do risco que o manuseio e armazenamento de dados envolvem. E não se enganem, o risco é para todas empresas, independentemente do tamanho ou da área de atuação. A saída está na criação de uma Política de Dados, algo previsto, aliás, em um programa de Governança Corporativa.

A Política de Dados de uma empresa estabelece os conceitos, as diretrizes e os procedimentos para regulamentar a sistemática de Gestão de Dados, visando a proteção dos dados em relação à  integridade, confidencialidade e disponibilidade. E ainda orienta  o gestor da informação sobre o controle e a proteção dos arquivos e das informações contra a destruição, a modificação, a divulgação indevida e os acessos não autorizados, sejam acidentais ou intencionais. Exatamente o que causou a grande crise do Facebook.

É com uma Política de Dados que a empresa define, por exemplo, os tipos de informação que possui, se são públicas, sigilosas ou reservadas; e mais que isso, como serão geridas estas informações, etapa por etapa, analisando os processos e cuidando para minimizar os riscos.

A saída para minimizar os riscos de vazamento de dados e as sérias consequências do problema para a reputação da empresa  passa por uma cultura de Governança Corporativa porque toda empresa é um ecossistema, deve ser olhada como um todo, não apenas partes isoladas.

Pouco a pouco, empresas de médio e grande porte estão abrindo os olhos para a importância de olhar a gestão como um todo. E isso se deve à disseminação do conceito de Governança Corporativa como parte integrante do processo de gestão de uma empresa, não algo complementar ou opcional.

Geovana Donella é conselheira de diversas empresas familiares e especialista em Governança Corporativa.

13

Ago

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É razoável que juízes e membros do Ministério Público possam se candidatar?

*Por Herval Sampaio Júnior

A resposta a essa indagação não é tão simples como aparenta ser. Primeiro, não pode ser dada com voluntarismo e desejo pessoal. Segundo, não pode ser dada sem a devida contextualização do momento peculiar que o país passa. Terceiro e não menos importante, não pode ser dada sem que se analise o ordenamento jurídico, as patentes vedações da própria Carta Magna e em especial a peculiar situação de nossa Justiça Eleitoral. E por fim, não pode ser dada também sem a análise do porvir e da dificuldade prática de representação das classes em nosso Congresso Nacional.

Colocadas essas premissas, vamos tentar enfrentar o tema a partir do pedido da ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República) para que se permita aos Membros do Ministério Público e aos Juízes o direito de se candidatarem sem perda do cargo, bastando pedido de licença, o que de plano entendo não ser crível no modelo constitucional/legal brasileiro, mesmo ressaltando não haver a perda da qualidade de cidadão desses agentes, contudo existem limitações razoáveis aos cargos exercidos. O juiz perde a qualidade de cidadão pelo exercício do cargo?

E nos remeteremos a nossa posição no Conselho de Representantes da AMB sobre a posição da entidade quanto à postura da ANPR, e mesmo sem fazer a devida distinção entre a situação dos Juízes e dos membros do Parquet, entendemos que a atividade jurisdicional no sentido amplo do termo e as atribuições ministeriais, por si sós, criam barreiras intransponíveis.

Por maioria, o referido colegiado se opôs a possibilidade, com voto de encaminhamento de nosso Presidente Jayme Oliveira e encampado de plano por nós, na qualidade de Presidente da Associação dos Magistrados do Estado do Rio Grande do Norte, tendo como alicerce a intangibilidade da própria prestação jurisdicional.

Explicamos: uma Justiça para ser justa e forte precisa ser totalmente independente e desatrelada de qualquer interesse que não o cumprimento objetivo dos valores constitucionais e legais. Logo, não concebemos que os Juízes consigam participar da atividade política partidária e ao mesmo tempo cumprir esse limite muito claro em nosso ordenamento e tanto é verdade que a atividade expressamente lhe é negada.

E não o foi à toa como se diz. O poder da atividade jurisdicional, mesmo normativamente não sendo seu e sim do povo na escolha dos padrões de conduta, é exercido na prática por agentes estatais de forma voluntariosa e isso não pode ser negado.

A participação ativa desses agentes como condutores da Justiça Eleitoral é um fator decisivo para que a almejada independência e imparcialidade, quando da postulação, entrem em choque frontal com os interesses naturais da política, isso sem fazer qualquer menção a possível politicagem.

Portanto, em se admitindo a participação de Juízes e Membros do Ministério Público na atividade político partidária sem que se afastem de suas funções, teremos um aprofundamento da desigualdade eleitoral já existente e que potencializará o abuso de poder, pois como imaginar que o seu possível julgador e investigador será seu adversário no embate eleitoral.

Sinceramente, a jurisdição no sentido mais amplo do termo, ou seja, com a efetiva participação de todos os agentes, não precisa de mais esse ingrediente. No Brasil, não distinguimos ainda política de politicagem e esta infelizmente vem prevalecendo, sendo temerário acreditar que tais profissionais, justamente por cumprirem a lei, possam ser de uma hora para outra os heróis que tanto buscamos.

Como ressaltamos de plano, não vamos aqui reproduzir o que pensamos que poderia ser e sim o que é em sua realidade nua e crua. Logo, nesse contexto, atribuir a capacidade eleitoral passiva a tais profissionais tem muito mais custo que benefício à própria sociedade. A própria busca pelos heróis não devia existir, logo alçá-los a essa condição por suas atuações é um risco ainda maior e inconsequente.

Em quase 25 anos de serviço público, dentre eles quase 20 como magistrado, estando atualmente exercendo a política associativa, até que nos identificamos pessoalmente com a política, acreditando que também poderíamos contribuir com seu amadurecimento e satisfação das necessidades coletivas, contudo vislumbramos, por outro lado, no momento, um óbice intransponível, a higidez e o próprio fortalecimento da atividade judicante.

Os atos emanados dos agentes que se candidatassem seriam todos inquinados de dúvida no momento da postulação, por mais que, por exemplo, em dados processos, tivéssemos provas mais que suficientes para uma condenação, a entrada na atividade político partidária dos agentes corroeria atos que sequer tivessem qualquer relação com as candidaturas.

A permissão de candidatura de tais agentes, no momento, ampliaria o fosso de legitimidade atualmente existente, já que a própria bandeira do combate à corrupção que, felizmente, diminuiu essa distância, cederia ao natural apelo eleitoreiro.

Os agentes aqui tratados não devem agir nunca fora dos permissivos legais e a brecha da candidatura, por si só, pode indiscutivelmente levar, no mínimo, a uma mudança de postura por interesses eleitoreiros e sequer estamos condenando os eventuais candidatos nessa situação, mas como se diz essa mudança faz parte do jogo eleitoral.

Não conseguimos desvencilhar o magistrado candidato, por exemplo, de sua atividade jurisdicional e por mais que se criem regras para o seu afastamento, pelas peculiaridades de nosso sistema político, as mesmas não serão suficientes para evitar a intromissão natural que ocorrerá.

Pensar diferente dessa realidade é querer encobrir o sol com a peneira! E existe algum espaço para discussão republicana dessa temática?

Dentro desse espírito republicano aonde o diálogo construtivo é a premissa maior, reputamos imprescindível aprofundar os debates, contudo, nesse peculiar momento, somos totalmente contra essa postulação, pensando sempre no fortalecimento das instituições, no cumprimento objetivo do ordenamento jurídico, sem perder de vista a profundidade do tema e a esperança de que a própria política mude, deixando de regra geral ser politicagem e aí sim podermos, quem sabe, permitir em outro contexto, que tais agentes se candidatem e possam contribuir para o fortalecimento da política.

Quer se candidatar no modelo atual, que se peça a devida exoneração ou então se lute democraticamente e dentro do devido processo legislativo pela mudança e que esta venha completa, ou seja, com a prevalência da política sobre a politicagem!

*Herval Sampaio Júnior é juiz de Direito e presidente da Associação dos Magistrados do Rio Grande do Norte.

 

 

 

30

Jul

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UERN aprova criação do curso de licenciatura em Música com Ensino à Distância

A Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) amplia a oferta de cursos de educação a distância. A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), por meio da Universidade Aberta do Brasil (UAB), aprovou a criação do curso de licenciatura em Música.

O curso será ofertado em oito polos nos municípios de: Caraúbas, Guamaré, São Gonçalo do Amarante, Currais Novos, Marcelino Vieira, Luís Gomes, Martins e Grossos.

Diretor de Educação a Distância da UERN, Prof. Dr. Giann Ribeiro informa que o início das atividades depende da assinatura do convênio com a CAPES. “A previsão é de iniciar em outubro deste ano, mas pode acontecer de iniciarmos somente em fevereiro de 2019”, afirmou Giann.

Atualmente a UERN conta com o curso de Letras/Língua Portuguesa (EaD) e a Especialização em Mídias da Educação (EaD).

24

Mai

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Perdas e danos: gerencie a crise antes que ela pegue você

Quase 80% das organizações ignoram riscos e sinais de alerta e só lidam com os problemas quando a crise já está instalada

Juliska Azevedo

É uma característica comum a muitos gestores acreditarem que só precisam se preocupar com uma crise da empresa ou instituição que dirigem quando ela chega na mídia. Mas, na prática, a maioria – sem exagero – das grandes dores de cabeça das lideranças poderia ser evitada ainda no nascedouro, se tivessem sido devidamente administradas com gestão de riscos e medidas preventivas.

Além da prática, os números mostram que tem sido hábito dos gestores relevar ao segundo plano das preocupações os problemas que estejam tomando corpo e volume, envolvendo funcionários ou clientes, contanto que nada tenha ainda “vazado” na imprensa ou nas mídias sociais. Assim, jogam a crise eminente para debaixo do tapete e entram em desespero quando ela sai, monstruosa, para o meio da sala.

Não é apenas a percepção que aponta para essa postura. Dados do Institute for Crises Managemente (EUA), de 2016, informam que 77,7% das crises ocorrem porque riscos potenciais e pequenos sinais de alerta são ignorados pelas empresas. As crises imprevistas – as fatalidades ou azar do destino – seriam apenas 22,2%.

Em um mundo onde até os acidentes naturais já são possíveis de se prever, o percentual de imprevistos tende a diminuir cada vez mais. O problema está no imenso número de situações que podem prejudicar gravemente a reputação das instituições, mas são relevadas a segundo plano na frieza da rotina.

Ao se tratar de Gestão de Crises, o primeiro comportamento dos que sobrevivem bem aos problemas é o de gerir com atenção os riscos. Isso significa acompanhar diariamente os acontecimentos dentro da instituição, com suas causas e consequências, e identificar previamente situações que possam gerar uma crise que provoque sérios danos à imagem. Antecipar possíveis acontecimentos que afetem seriamente a reputação e agir rápido para que eles não venham a explodir.

Muito tem se falado em gestão de crises, com o olhar geralmente focado para técnicas e práticas para se superar o momento crítico. Mas uma das mais importantes ações no que se refere a crises é evita-las. O que significa contar com um olhar crítico e uma atitude profissional para identificar, listar e combater problemas que tenham potencial destrutivo.

Geralmente, os profissionais que atuam com maior afinco na identificação de riscos e prevenção de danos são vistos nas instituições como “chatos de plantão”. Mas gerir riscos nada tem a ver com perfeccionismo ou, muito menos, pessimismo. Tem relação com economia, gerenciamento de esforços, otimização do trabalho de equipe e, especialmente, proteção à imagem e reputação das instituições.

Tem a ver com lançar um olhar apurado sobre os setores mais vulneráveis. Um grande volume de crises ocorre na atualidade, por exemplo, a partir de problemas da área tecnológica das empresas. Sistemas, datacenter, vulnerabilidade, qualidade dos equipamentos. Nos tempos atuais, é preciso ter atenção redobrada no quesito segurança. Também exige atenção a área financeira. E, quem diria, até mesmo o comportamento dos funcionários nas redes sociais merece cuidados e treinamentos preventivos, para evitar escorregões que resvalem na imagem da corporação.

Quando a crise está instalada, terceirizar a culpa do problema, demorar a reagir ou reagir com a emoção – atitudes, infelizmente, comuns de se ver – poderão abrir espaço para danos muito mais difíceis de se reverter para a imagem pública, que é um dos principais ativos de qualquer empresa.

29

Abr

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A cada semana, um dia se passa online - revela pesquisa britânica sobre comportamento na internet

*Por João José Forni

Pesquisa publicada nesta semana pela Ofcom (Office of Communications), órgão regulador das comunicações no Reino Unido, com repercussão na imprensa britânica, mostra que um adulto britânico gasta em média um dia por semana online, confirmando a dependência do internauta do século XXI pela Internet. Isso é um bem ou um mal? Depende de como o internauta usa as possibilidades dessa rede e o que deixa de fazer por conta dessa rede.

Menos de metade da população do Reino Unido continua ouvindo rádio em casa, enquanto outra parte gasta mais tempo com smartphones, serviços de filmes (streaming) e podcasts, mostra o estudo.

O tempo de uso da Internet, semanalmente, cresceu de 22,9 horas em 2016, para 24 horas no ano passado no Reino Unido. Uma década atrás, o britânico gastava 12,1 horas por semana online. Os dados da pesquisa continuam a assombrar. Sete em dez pessoas usam o smartphone para acessar a Internet, aumentando o tempo que as pessoas gastam online, que foi de 2,1 horas por semana em 2016 (não esquecer que estamos falando somente do uso do smartphone) para 2,5 horas em 2017. A proporção das pessoas que usam o smartphone como cartão de embarque em viagens aéreas ou para tickets de entrada em espetáculos pulou de 41% para 57% num ano.

Essa tendência foi revelada numa pesquisa anual de uso e atitudes na mídia, publicada pela Ofcom, no último dia 25. O estudo mostrou que a maioria dos adultos britânicos tinha acessado até seis equipamentos de mídia em casa – televisão, celular, computador (desktop ou lap top), tablet, rádio e o DVD. Mas a inclinação por aparelhos tipicamente domésticos vem caindo.

Em 2017, somente 47% dos britânicos adultos ouviram rádio, quando era 51% em 2016. E, convém observar que o rádio é uma das mídias antigas que mais tem resistido a mudanças e ao impacto das novas tecnologias, com uma capacidade incrível de se reinventar. E o concorrente que vem derrubando o rádio não é a televisão, como se previa, e nem mesmo os apelos do smartphone. Mas mais pessoas estão ouvindo podcasts, segundo a pesquisa. 5,5 milhões de britânicos ouvem pelo menos um podcast por semana.

Mais de um terço (35%) não se importam em ver anúncios, desde que sejam relevantes para eles, mas até 40% dizem que não gostam de todos os anúncios online, em comparação com 34% um ano atrás. A publicidade também começa a incomodar. A pesquisa mostra que os internautas já começam a usar mecanismos de proteção contra a publicidade invasiva. Curiosamente, um em cada dez (9%) afirmam fornecer deliberadamente informações falsas, quando necessário, para evitar “spam” e visitar apenas sites sem anúncios (9%).

Mais da metade (58%) dos usuários da Internet estão cientes da publicidade personalizada. E a grande maioria (85%) dos usuários de Internet diz que eles são muito (42%) ou bastante (43%) confiantes de que sabem o que é e o que não é publicidade online, com homens mais propensos do que mulheres a dizer que estão muito confiantes (46% versus 37%).

Uma minoria (41%) dos usuários da Internet diz que não está feliz pelo fato de as empresas coletarem e usarem suas informações pessoais. Embora cerca de um terço dos usuários da Internet (35%) dizer que está satisfeito pelas empresas coletarem e usarem as informações pessoais, se puder optar em qualquer momento, se a empresa tiver clareza sobre como usará as informações pessoais (33%), ou se esse usuário ficar seguro de que as informações não serão compartilhadas com outras empresas (32%).

Acesso à Internet

De acordo com a pesquisa da Ofcom, a maioria dos adultos entre 16-54 anos esteve online, com acesso à Internet, chegando a níveis de 96% de presença na Internet quando se faz um corte de pesquisados entre 45 e 54 anos e 98% dos usuários entre 16 e 24 anos. A pesquisa também evidencia que os internautas começam a demonstrar um cansaço com as mídias sociais. A proporção de pessoas que disseram que o Facebook era seu principal perfil de mídia social caiu de 80% para 70%, dentre um ano e outro, enquanto redes alternativas, incluindo o WhatsApp, de propriedade do Facebook, tornaram-se mais proeminentes.

Agora algo interessante para quem se debruça sobre a dependência da geração do século XXI pela vida online. Três em dez usuários da Internet querem cortar o tempo gasto na web, e tem havido um aumento no número de pessoas que sofreram uma experiência negativa online, conclui o estudo. Perto da metade dos usuários disseram ter visto conteúdo odioso na Internet no último ano. A pesquisa foi baseada em entrevistas com 5.500 adultos.

*João José Forni é jornalista, Consultor de Comunicação, autor do livro "Gestão de Crises e Comunicação - O que Gestores e Profissionais de Comunicação Precisam Saber para Enfrentar Crises Corporativas".

13

Abr

Artigos

Pense, pese e poste: cada postagem pessoal tem valor também na construção da imagem profissional

Por Juliska Azevedo

Em um mundo cada vez mais conectado e vigiado, o que comunicamos em mídias sociais deixou de ser preocupação apenas de personalidades públicas para exigir a atenção de profissionais de todas as áreas, dos mais diversos ramos de atividade. Com as redes digitais, cada pessoa passou a produzir conteúdo de divulgação do que faz, pensa e gosta, e, na maioria das vezes, não há como limitar compartilhamentos, impressão e reprodução. E a atenção e cuidado com esse conteúdo é fundamental para a construção da imagem pública e profissional que cada um de nós deseja para se posicionar no mercado.

Um dos primeiros aspectos que mostra como há necessidade de dar atenção à forma como nos comunicamos é constatar que hoje praticamente não existe mais privacidade. O que colocamos nas redes, seja em conversas em grupos, comentários em mídias sociais, postagens, fotos, passou a ter um alcance quase ilimitado.

Você tem refletido, por exemplo, sobre a quantidade de informações de sua vida pessoal que está à disposição de pessoas desconhecidas no Facebook, no Instagram? Qual o grau de intimidade, de confiança, que você tem com as pessoas que lhe seguem? Confia nelas como seus amigos? Gostaria que soubessem, por exemplo, aonde você mora? Quando a gente pensa nisso, percebe o quanto vulnerável pode ser o universo das mídias.

Mas o risco não está apenas na exposição de informações pessoais, mas também dos pensamentos. Comentários que escrevemos ou gravamos em um grupo de WhatsApp podem ter um efeito imprevisto se reproduzidos fora do contexto. É importante, portanto, uma reflexão antes de entrar em questões polêmicas. Vale se perguntar: será que uma simples opinião pode prejudicar pessoalmente ou profissionalmente alguém caso seja repassada a diante? Qual imagem pessoal minha está sendo construída nas postagens, comentários e nos meus posicionamentos nas redes?

As pessoas esquecem, a internet não!

É comum que as pessoas tratem os grupos e a internet como um local de desabafo e exposição de pensamentos, fazendo uma comparação com uma mesa de bar, onde de forma descontraída, se conversa sobre a vida, própria e dos outros, entre um copo e outro de cerveja.

Porém há um detalhe importante a se observar: “as pessoas esquecem, a internet não!” A frase foi dita pelo professor, mestre em comunicação e especialista em gestão de Comunicação de Crises João José Forni, quando esteve recentemente em Natal ministrando curso a respeito. O professor, do alto de sua experiência em gestão de crises de imagem, cunhou uma frase que diz muito a quem deseja construir uma imagem pessoal e profissional nas redes. A internet cria registros de cada texto, de cada foto postada, que podem vir à tona dias, semanas e até anos depois, gerando cobranças ou conflito de posicionamento.

Certamente, com a chegada do período eleitoral, teremos exemplos dessa afirmação: os candidatos em todo o Brasil serão duramente cobrados por cada palavra, cada promessa ou opinião emitida nas redes. Tanto em programas de televisão quanto nas próprias mídias. Vamos aguardar e, invariavelmente, assistir a esse embate - que já deve estar sendo minuciosamente programado por especialistas.

Por tudo isso, antes de postar, é importante refletir: para quem você está falando? É mesmo necessário discutir esse assunto? Essa opinião ou posicionamento pode lhe causar prejuízo de imagem - seja pessoal ou profissional?

A gestão consciente, atenta e até profissional nas redes digitais é decisiva para a construirmos imagens e reputação positivas e para evitarmos os “escorregões” que a internet não esquecerá. É importante desconfiar de quem gere mídias sociais apenas contando número de seguidores. Engajamento envolve opinião e posicionamentos certos na hora certa. Medir o peso de cada palavra compartilhada pode evitar também problemas pessoais, mágoas e desgastes. Ou seja, refletir antes de postar para que a postagem não se reflita em arrependimentos. Esse é o desafio.

Artigo publicado nas edições de abril das revistas Viver Bem (Natal) e Acontece (Mossoró).