05 de Novembro de 2025
Sociedade de Urologia do RN dá início à campanha Novembro Azul
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Em 2025, 71.730 homens serão diagnosticados com câncer de próstata, ou seja, 196 por dia, de acordo com a estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca). Esse é o segundo tipo de câncer mais incidente na população masculina em todas as regiões do Brasil, ficando atrás apenas do câncer de pele não melanoma.
Dados preliminares do Sistema de Informações sobre Mortalidade do Ministério da Saúde informam que em 2024 foram registrados 16.160 óbitos devido à doença, o que corresponde a 44 mortes por dia. Os dados ressaltam a importância e a necessidade de campanhas de prevenção e conscientização sobre a saúde masculina. A boa notícia é que, se detectado precocemente, o câncer de próstata pode ter mais de 90% de chances de cura.
Diante disso, a Sociedade Brasileira de Urologia do RN (SBU-RN), juntamente com todas as seccionais do país, realiza mais uma edição da campanha Novembro Azul. A campanha tem a finalidade de alertar sobre a importância do cuidado com a saúde global masculina e estimular a realização periódica de exames e consultas com o especialista. Essa boa prática pode prevenir doenças e até mesmo detectá-las em estágio inicial, quando aumentam as chances de cura, como é o caso do câncer de próstata.
“Campanhas como o Novembro Azul, promovidas anualmente pela SBU-RN, têm um papel fundamental na conscientização sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de próstata e de outras doenças que afetam a saúde do homem. Ainda hoje, muitos homens só procuram o médico quando já apresentam sintomas, o que pode atrasar o diagnóstico e dificultar o tratamento. A campanha busca justamente quebrar tabus, estimular o autocuidado e promover informação de qualidade”, destaca o urologista e vice-presidente da SBU-RN, Pedro Sales.
A SBU-RN fará a abertura oficial da campanha Novembro Azul no dia 9 de novembro com evento especial no Parque das Dunas, a partir das 8h. “Faremos uma roda de conversa aberta ao público e um café da manhã. Será um momento de diálogo leve e acessível entre urologistas e a população, abordando não só o câncer de próstata, mas também hábitos de vida saudáveis, alimentação, atividade física e saúde mental — pilares fundamentais da saúde masculina”, convida o urologista.
Rastreio e diagnóstico precoce
Na fase inicial, quando as chances de cura podem chegar a mais de 90%, o câncer de próstata não costuma apresentar sintomas. Apesar de não serem sintomas exclusivos dessa doença, em fases mais avançadas podem surgir: sangue na urina ou no sêmen; micção frequente e noctúria (levantar-se diversas vezes à noite para urinar); fluxo urinário fraco ou interrompido; disfunção erétil; e dores ósseas e no baixo ventre.
Dentre as ações de controle para o câncer de próstata, duas estratégias se destacam: diagnóstico precoce e rastreamento – que se caracteriza pela aplicação sistemática de exames em pessoas assintomáticas, com o intuito de identificar um câncer em estágio inicial. A Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), reforçada por suas seccionais, recomenda o rastreio da doença em homens entre 50 e 70 anos. Para homens negros ou que tenham casos da doença na família, a recomendação é a partir dos 45 anos.
Entre os fatores de risco para a doença estão a idade, sendo o principal deles; o histórico familiar de câncer de próstata antes dos 60 anos; e obesidade para tipos histológicos avançados. Destaca-se também a exposição a agentes químicos relacionados ao trabalho, sendo responsável por 1% dos casos de câncer de próstata.
“O rastreamento do câncer de próstata é feito, principalmente, por meio de dois exames simples e complementares: o exame de sangue PSA (Antígeno Prostático Específico), e o toque retal, que permite ao urologista avaliar o tamanho, a consistência e a presença de nódulos suspeitos na glândula. Ambos são rápidos, seguros e praticamente indolores. O toque retal, apesar de gerar resistência em alguns homens por questões culturais, dura poucos segundos e pode ser decisivo para detectar alterações precocemente — quando o câncer ainda é curável na maioria dos casos”, explica Sales.
Tratamentos e novas técnicas cirúrgicas
As opções de tratamento do câncer de próstata variam de acordo com o estágio, tipo histológico da doença (agressividade das células tumorais), idade, condições clínicas e também da decisão compartilhada entre o paciente e o seu médico, e podem incluir cirurgia, radioterapia, vigilância ativa, hormonioterapia, quimioterapia e radiofármacos.
“Nos últimos anos, a urologia tem evoluído muito em termos de tratamentos menos invasivos e com melhor recuperação para o paciente. As cirurgias minimamente invasivas, como a prostatectomia laparoscópica e a robótica, representam um grande avanço. Na cirurgia robótica, considerada a técnica mais moderna atualmente, o cirurgião controla braços robóticos com extrema precisão, através de um console. Isso permite movimentos mais delicados e uma visualização ampliada da anatomia. As vantagens incluem menor sangramento, menos dor, recuperação mais rápida e melhor preservação da continência urinária e da função sexual. Esse tipo de tecnologia já é uma realidade crescente no Brasil e tende a se expandir cada vez mais”, afirma o urologista Pedro Sales.
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