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4

Ago

[ARTIGO] Teatro-Museu Dalí, por Daladier Pessoa Cunha Lima

Por Daladier Pessoa Cunha Lima*

Há cerca de 10 anos, saí de Barcelona para a pequena cidade de Figueras, na província de Girona, na Espanha. Após uma tranquila e curta viagem de trem, cheguei à cidade natal de Salvador Dalí, com o intuito de visitar o Teatro-Museu de Figueras, o qual abriga o maior número de obras-primas desse famoso artista catalão.  Era um domingo e, ao final do dia, retornei à estação de trem, a fim de fazer o percurso de volta a Barcelona. O Teatro-Museu de Figueras é uma obra de arte, criado sob a orientação do próprio Dalí.  Em 1960, o prefeito da cidade solicitou ao artista uma tela para um museu local.  Ele respondeu que daria não somente uma tela, mas um grande centro de estudos e de exposição da obra daliniana.  Assim, no local das ruínas do antigo Teatro de Figueras, bombardeado durante a Guerra Civil Espanhola, ergueu-se esse monumento à arte surrealista, com o apoio do poder público, inaugurado em 28 de setembro de 1974. 

Salvador Dalí nasceu em 11 de maio de 1904, em Figueras, perto da Costa Brava catalã.  Um ano antes, morrera seu irmão mais velho, fato que levou a família a superprotegê-lo.  Atribui-se a essa superproteção, o lado extravagante, polêmico e egocêntrico do artista. Em 1916, conheceu o impressionismo de Ramon Pichot e, mais tarde, de autores franceses, que muito o influenciou.  Três anos depois, realizou sua primeira exposição e, em seguida, mudou-se para Madri, a fim de estudar na Academia de Belas Artes.  Sua pintura, então, inclina-se para o pontilhismo e para o cubismo. Nessa época, conviveu em uma residência estudantil com Luís Buñel e com Frederico Garcia Lorca. Garcia Lorca (1898-1936), poeta e dramaturgo, foi uma das primeiras vítimas da Guerra Civil Espanhola. No final da década de 20, Dalí conhece e passa a viver com Gala Éluard, a mulher da sua vida e sua musa inspiradora.  É o período em que o surrealismo começa a dominar sua arte e, assim, recebe consagração mundial.  Pouco tempo depois, Salvador Dalí é capa da revista Time, na edição do dia 14 de dezembro de 1936.  O surrealismo recebeu forte influxo das reflexões de Sigmund Freud, o pai da Psicanálise, principalmente da sua obra A Interpretação dos Sonhos, de 1900.  No entanto, o surrealismo tem um marco temporal e conceitual, que é o Primeiro Manifesto Surrealista, de 1924, do pensador francês André Breton. 

Certa vez, andando pelas ruas de Veneza, deparei-me com uma galeria que realizava mostra do grande artista catalão. Estava lá a obra Persistência da Memória, com os impressionantes relógios derretidos, disformes. Certa feita, fui até a cidade de St. Petersburg, na Flórida - USA, para visitar o Museu Salvador Dalí, e contemplar uma das melhores coleções do pintor, inclusive a tela Aparelho e Mão, na qual se revela o autoerotismo.  Esse tema se repete no quadro O Grande Masturbador, exposto no Centro de Arte Reina - Sofia, de Madri. Também admirei originais de Dalí no MoMA, de Nova York, na Tate Gallery, de Londres, além do Espaço Salvador Dalí de Montmartre, em Paris, com especial acervo de esculturas.  Mas nada se iguala ao Teatro-Museu de Figueras, onde o corpo do artista está sepultado, conforme sua vontade. Após a morte de Dalí, em 23 de janeiro de 1989, essa pequena cidade da Espanha tornou-se famosa, por abrigar a riqueza maior desse gênio, a quem o mundo cada vez mais admira, à medida que o tempo passa.

*Daladier Pessoa Cunha Lima é reitor do UNI-RN.

27

Jul

[ARTIGO] Presença feminina nos mobile games e o papel das marcas na publicidade

*Por Leila Guimarães

Nos últimos anos, diversas pautas essenciais vêm ganhando apelo em diferentes regiões do mundo e, também, refletindo-se no universo  corporativo. Entre essas reivindicações, a questão do empoderamento feminino segue sendo o principal viés para a conquista da equidade de gênero. Sendo assim, será que as mulheres estão conseguindo ampliar sua presença em locais que antes eram predominantemente masculinos?

Segundo a última edição da Pesquisa Game Brasil (PGB) 2022, publicada neste ano, 74,5% da população brasileira tem o hábito de jogar games eletrônicos, o que representa um aumento de 2,5% em relação ao levantamento divulgado  em 2021. Quando olhamos para as pessoas que jogam através de smartphones, destaca-se o domínio feminino, com 60,4% do público sendo formado por mulheres. 

É fato que as mulheres estão, sim, avançando em territórios que antes eram dominados pelo público masculino. Diante desse cenário, a questão que se coloca é: como as marcas devem encarar essa realidade em prol dos seus negócios?

Primeiramente, as empresas devem incluir o ecossistema de games no seu planejamento de marca e traçar estratégias efetivas com intuito de obter resultados a longo prazo, ao invés de enxergarem nos jogos apenas  oportunidades pontuais. Os games definitivamente não são uma moda passageira. Com o público feminino representando a maior fatia da audiência quando se olha para o mobile, é imprescindível que a comunicação das marcas personifiquem o formato de suas campanhas para dialogar com essas jogadoras, que vão dos 8 aos 80 anos de idade. 

Superados esses pontos, os gestores precisam levar em consideração também as práticas brand safety, que são cuidados a ser tomados para evitar problemas de imagem às companhias. Segundo a mesma pesquisa, 51,7% dos jogadores simpatizam com as marcas inseridas no mundo dos games. O ambiente é receptivo às campanhas de marketing, mas isso não dispensa os cuidados para blindar as marcas. 

É importante pontuar essa questão do brand safety porque, de forma geral, marcas que aderem ao brand gaming costumam errar em algumas questões e uma das mais observadas é quando aproveitam um acontecimento nas redes sociais e interagem sem ter autoridade na pauta, o que eleva o risco de uma crise de imagem desnecessária.

Outra situação bastante identificada é achar que os games são apenas para as marcas endêmicas. A Gucci, em comemoração ao seu 100º aniversário, por exemplo, identificou nesse nicho um espaço para lançamento do espaço Gucci Garden no jogo Roblox. A Puma, por sua vez, realizou o lançamento de uma coleção com vestuários esportivos no universo Minecraft. Aqui no Brasil também não faltam exemplos bem sucedidos como o case de O Boticário que,  além de apoiar diversas iniciativas no universo gamer, criou uma loja no game Avakin Life. 

Entre os mobile games que mais faturaram em 2021 está o Free Fire, com cerca de R$ 6,3 bilhões, que, aliás, é um dos que fazem mais sucesso no mercado e possui vários cases de publicidade. Uma das maiores varejistas brasileiras, a Riachuelo, também vem implementando as suas estratégias nos jogos eletrônicos, tendo até mesmo uma linha extensa de produtos de vestuários licenciados de Free Fire. Com isso, observamos que diversas marcas, com produtos femininos, já enxergaram a importância em investir nesse universo, com intuito de explorar e ampliar a sua experiência para o público-alvo feminino. 

Um movimento bem recente que chama a atenção é o da  Netflix, que vem adquirindo estúdios desenvolvedores de jogos para celulares e anunciando lançamentos exclusivos em sua plataforma. Por enquanto, o acesso é restrito aos assinantes do streaming norte-americano e também não há publicidade, porém deve ser questão de tempo para criarem novos espaços de investimento para as marcas.

A conclusão a que chegamos quando se observa todas essas mudanças que estão acontecendo é a de que aquele estigma segundo o qual “jogos são para jovens, do sexo masculino, que gostam de se alimentar de industrializados e ficar o dia inteiro sentados” já ficou em um passado distante. Assim, marcas que desejam ampliar o seu número de consumidores precisam voltar seus esforços para o público feminino e os locais onde elas estão, que, como vimos nas pesquisas recentes, são nos mobile games.

*Leila Guimarães é country manager da Adsmovil Brasil 


23

Jul

[ARTIGO] O novo SAC como aliado para inovação e conversão de vendas no e-commerce

*Por Raphael Mello

Em abril, foi publicado o decreto que estabelece novas diretrizes do Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC). A partir de outubro deste ano, o decreto reconhece diferentes modelos de negócio e o consumidor omnichannel, permitindo às empresas adequarem os canais de atendimento para que melhor atendam ao público. Além disso, contempla a possibilidade de os fornecedores disporem de outros canais de atendimento além do telefônico, que, apesar de obrigatório, deixa de ser o principal meio de comunicação com o consumidor.

De acordo com os dados da plataforma consumidor.gov, houve um aumento de 70% na quantidade de reclamações de consumidores que usaram serviços de atendimento ao cliente entre 2019 e 2020, evidenciando a necessidade de um SAC mais efetivo e que realmente resolva as demandas. Além do aumento das reclamações, a necessidade de adaptar o antigo decreto veio também com as mudanças ocasionadas pela tecnologia, mercado e comportamento do consumidor, que cada vez mais está exigente na hora de escolher os seus fornecedores. 

A mudança busca fazer com que as empresas consigam promover a satisfação dos consumidores e uma maior resolutividade de seus problemas. Se antes o SAC era apenas uma central de reclamações, com o novo decreto ele se apresenta como uma oportunidade de canal direto para suporte, troca de ideias, inovação, pesquisas e sugestões de melhoria. Segundo pesquisa da Forrest Report, 66% dos consumidores consideram que a coisa mais importante que uma empresa pode fazer é valorizar o tempo de seus clientes. O estudo conclui que empresas capazes de ouvir seus consumidores se tornam mais respeitadas e donas de uma fatia consolidada das vendas de mercado. Dessa forma, o SAC se torna a porta de entrada para entender a mente e o coração de seus clientes.

Nos e-commerces, o SAC se mostra ainda mais importante. Isso porque um bom serviço de atendimento pode quebrar um dos maiores motivos de insucesso das empresas virtuais: a falta de confiança do público comprador. Um levantamento publicado no Science Direct aponta que a maioria dos consumidores desiste da compra diante de um site pouco confiável ou que não tenha um sistema claro de apoio no pré e pós-venda.

Diante de um mercado em expansão com consumidores em busca do melhor atendimento, como o e-commerce, o SAC se tornou uma das melhores ferramentas para garantir o sucesso. O SAC evoluiu para uma comunicação direta e resolução eficaz das dores do consumidor e, mais do que um canal de reclamações, com o novo decreto, o serviço é o novo caminho para compreender as necessidades de seus compradores, estabelecer novas estratégias de vendas e ampliar o seu raio de atuação.

*Raphael Mello é CEO da LTM Fidelidade

22

Jul

[ARTIGO] As doenças de Francisco de Goya, por Daladier Pessoa Cunha Lima

Por Daladier Pessoa Cunha Lima*

Francisco de Goya nasceu em 30 de março de 1746, no reino de Aragão, um dos precursores do reino da Espanha. Ainda muito jovem, mudou-se de Zaragoza para a cidade de Madri, onde começou seus estudos com o pintor Anton Raphael Mengs.  O pai de Goya tinha renda incerta, pois era dourador de retábulos. A prova de uma vida precária está em um documento encontrado nos arquivos da paróquia local: “Não deixa testamento porque não tinha o que deixar”. Em 1771, Goya retornou para Zaragoza, onde abriu ateliê e logo recebeu a encomenda e o desafio para pintar um painel na catedral de Nossa Senhora do Pilar.  A obra, com o nome A Glória do Nome de Deus, já mostrava o gênio da pintura que viria a ser aquele jovem aragonês. No entanto, a qualidade da obra de Goya só se revelou alguns anos depois, com os onze murais que ele executou no mosteiro da Cartuxa de Aula Dei, nos arredores de Zaragoza.  Após casar-se com Josefa Bayeu, irmã de um dos seus mestres, Francisco Bayeu, Goya voltou a morar na cidade de Madri.

Na capital da Espanha, com o apoio do cunhado, passou a produzir desenhos para Real Fábrica de Tapeçarias de Santa Bárbara.  Por cerca de 10 anos, produziu mais de meia centena de desenhos, para tapeçarias destinadas a palácios, estâncias, museus, igrejas e outros locais próprios para a arte. A maior tela pintada pelo artista aragonês é de 1787, e mede 276 cm por 641 cm, localizada no Mosteiro do Escorial. O sítio que abriga grande parte das tapeçarias de Goya é o Palácio Real de El Pardo, nas cercanias de Madri, em torno do qual surgiram várias edificações históricas, artísticas e religiosas.  Com o fim da Guerra Civil Espanhola, em 1939, o Palácio Real de El Pardo passou a ser a residência de Francisco Franco, até a morte do ditador, em 1975.  Essa guerra fratricida deixou um saldo de mais de 500 mil mortos. 

Consolidado o prestígio do pintor Francisco de Goya, após a fase das tapeçarias, sua ascensão na corte tornou-se óbvia e começou a crescer sua fama de retratista. Na maioria dos seus retratos, o olhar dos personagens parece interagir com o espectador. Ao lado de Picasso e de Velázquez, Francisco de Goya é visto como um dos expoentes da pintura espanhola, e até mundial.  Suas mais de 800 obras encontram-se nos principais museus do planeta, entre os quais destaca-se o Museu do Prado, em Madri, que abriga cerca de cem pinturas do famoso artista. 

Em 1792, época em que sua fama cada vez mais crescia, visitou as cidades de Cádiz e de Sevilha.  Nessa viagem, ficou gravemente enfermo, quando perdeu a visão, a fala e a audição.  À época, teve o diagnóstico de sífilis. Passo a passo, voltou a falar e a ver, mas a surdez persistiu até a morte do pintor. Sabe-se que suas obras-primas surgiram após a surdez total. Outro diagnóstico lembrado foi a intoxicação pelo chumbo, devido ao contato frequente com esse metal pesado tão presente nas tintas usadas pelo artista. Em tempos recentes, quase 200 anos depois da morte de Goya, aventa-se a chance de ter sido a Síndrome de Susac a doença que o deixou surdo, conforme afirma a médica Ronna Hertzano, da Universidade de Maryland, nos EUA.  Explica a autora que, nessa síndrome, o sistema imunitário ataca pequenos vasos sanguíneos do cérebro, do ouvido interno e da retina.  E conclui: “Goya é um fascinante mistério médico”.

Francisco de Goya faleceu aos 82 anos, vítima de um acidente vascular cerebral.

*Daladier Pessoa Cunha Lima é reitor do UNI-RN.

17

Jul

[ARTIGO] Neuromarketing: como a ciência pode desvendar a preferência dos Clientes

*Por Rodrigo Quadrado

Neuromarketing, um campo de estudos que analisa a essência do comportamento do consumidor, e cujo grande propósito é ajudar a estabelecer um conjunto de estratégias que agreguem valor a produtos, serviços, marcas e, sobretudo, à relação entre Clientes e empresas. A definição parece superficial, mas essa ciência surgiu devido à necessidade que o mercado tem de obter resultados cada vez mais assertivos quanto ao que se passa na cabeça de quem está do outro lado do balcão. 

O termo foi cunhado no início dos anos 90 nas obras de Gerry Zaltman, da Universidade de Harvard. Já a indústria de Neuromarketing, por sua vez, despontou em 1991, quando grandes corporações, como a Coca-Cola, contrataram laboratórios de universidades dos Estados Unidos para analisar a eficácia de propagandas e anúncios. Combinando os princípios do marketing, da antropologia, da psicologia, da biologia e da neurociência, o Neuromarketing nos ajuda a entender a raiz comportamental do consumidor, ou seja, mediante uma análise detalhada das preferências, necessidades, experiências, emoções, memórias, cuidados e percepções, conseguimos enfim descobrir o que o motiva a comprar um determinado produto, o que o induz a contratar um determinado serviço e porquê um Cliente se torna fiel a uma determinada marca, por exemplo.

As multinacionais levam a sério o tema. Acredita-se que nos últimos 10 anos, cerca de 20% dessas empresas já fizeram (ou ainda estão fazendo) algum estudo baseado em Neuromarketing para estabelecer ações de customer experience. Algumas corporações fizeram descobertas interessantes ou, no mínimo, inusitadas. Como, por exemplo, a Mercedes Benz, que há alguns anos identificou que as pessoas tendem a gostar de carros com “cara de gente” – pois, quando olhamos para a frente de um automóvel, usamos os mesmos circuitos cerebrais que processam rostos.

Esse exemplo nos leva a refletir sobre o quanto uma identidade consistente e sólida é essencial. E é aqui que o Neuromarketing pode nos ajudar a entender quais ideias, conceitos e sensações o Cliente relaciona a uma marca e a uma identidade. Medindo as respostas dos consumidores a novas ideias (ou mesmo versões alternativas) de produtos ou serviços, torna-se possível compreender em detalhes como se dá o processo de tomada de decisão (que, por sinal, acontece de forma automática, emocional e fora da nossa percepção consciente). Isso nos ajuda a estabelecer os parâmetros para definir o que é uma boa experiência do Cliente e a mensurar estratégias para encantar e fidelizar o nosso público.

O fato é que os insights do Neuromarketing podem ser utilizados de modo a gerar mais impacto na mente do consumidor. E considerando o que os neurologistas afirmam – que a maior parte de todas as decisões relacionadas a uma compra são tomadas em nível subconsciente –, impactar o inconsciente do consumidor com memórias, emoções e experiências positivas tornou-se um diferencial competitivo.

Vivemos a era Customer Centric, com o Cliente cada vez mais exigente e no centro das atenções. Dar conta desta realidade em um mercado pautado pelo dinamismo e pelo imediatismo é uma tarefa intensa, que demanda um entendimento absoluto sobre como o Cliente pensa. Antecipando necessidades e entrando de vez na mente do público, poderemos estabelecer ações personalizadas, assumindo em definitivo a premissa de levar soluções de forma alinhada ao comportamento dos consumidores.

*Rodrigo Quadrado é Diretor de Customer Experience da NEO

9

Jul

[ARTIGO] Qual a importância da regionalização no atendimento virtual?

*Por Leonardo Coelho

Proporcionar um atendimento humanizado e personalizado é um dos fatores mais determinantes para a satisfação e retenção dos clientes. Em meio a constantes avanços tecnológicos, o uso da regionalização nos agentes virtuais vem se tornando uma ferramenta poderosa para esse objetivo – capaz de gerar uma enorme empatia e atração perante os consumidores. Mas, nessa jornada, certos cuidados devem ser tomados, evitando riscos de desconfortos perante tais adequações.

Cada cliente é único. Mesmo em regiões menores, com uma população reduzida, é possível encontrar variações linguísticas marcantes – com gírias e expressões únicas que definem aquele povo e sua comunicação. Quando levados em consideração no atendimento, esses detalhes podem fazer toda a diferença para que o consumidor se sinta importante e volte a procurar a marca para futuras compras.

Em uma pesquisa conduzida pela Hibou, cerca de 33% dos clientes desistem de buscar por uma empresa diante de uma má experiência. Para piorar, 30% chegam a compartilhá-la em suas redes sociais, de acordo com dados divulgados pelo Sitel Group. A propagação de uma jornada de compra negativa pode ser devastadora – mas, possível de ser evitada diante dessa atenção.

Quais os benefícios da regionalização no atendimento virtual?

O atendimento virtual não precisa ser algo robotizado. Hoje, temos mecanismos capazes de trazer essas peculiaridades linguísticas para o agente de voz, fazendo com que o consumidor se sinta mais confortável em conversar com um atendente que, mesmo programado, possui seu mesmo modo de falar. Mas, é importante ressaltar que, nem sempre, essa será uma meta capaz de atingir 100% de amplitude.

Em territórios extensos como o Brasil, se torna praticamente impossível trazer essa regionalização para o atendimento virtual. Afinal, em um único estado, temos dezenas de variações linguísticas completamente distintas uma das outras – o que demandaria enormes investimentos e tempo de desenvolvimento para incorporar todas essas regionalizações. Não à toa, muitas companhias nacionais preferem implementar uma linguagem mais neutra, como forma de evitar desentendimentos ou desconfortos.

Como implementar a regionalização no atendimento virtual?

Para empresas mais nichadas ou regionais, criar atendentes virtuais com tais variações se torna mais acessível, desde que alguns cuidados sejam tomados. Antes de mais nada, é imprescindível pesquisar a fundo o linguajar utilizado em cada região para que, a partir disso, consiga elaborar a persona ideal para cada localidade. Comece pequeno e vá expandindo sua área de análise, contando sempre com o apoio de uma equipe especializada, que conduza o drive de voz do seu agente.

Este estudo é fundamental para a elaboração de uma cadência linguística aderente ao seu público, identificando todas as características que influenciam na voz desenvolvida, como as gírias mais utilizadas, expressões e entonações. Uma vez mapeadas, é preciso direcioná-las à área de atuação da companhia – afinal, em empresas como escritórios de advocacia ou de contabilidade, por exemplo, utilizar linguagens mais informais se torna incoerente com aqueles que irão adquirir seu serviço.

Ainda, é necessário tomar o máximo cuidado para não exagerar e abusar desta regionalização. Nada em excesso é saudável e, no atendimento virtual, utilizar expressões e gírias demasiadamente pode apenas trazer o efeito oposto, de estranhamento. É preciso compreender respeitosamente cada linguajar, suas peculiaridades e balancear perfeitamente esses pontos – assim, seus consumidores se sentirão muito mais confortáveis e contentes em se relacionar com sua marca.

*Leonardo Coelho é Head de Customer Sucess e Product Manager do Voice Bot na Pontaltech, empresa especializada em comunicação omnichannel.

 

7

Jul

[ARTIGO] Envelhecer é a melhor opção, por Daladier Pessoa Cunha Lima

Por Daladier Pessoa Cunha Lima

Há poucos dias, um amigo me telefonou para dizer que resistiu muito antes de aceitar o uso de um aparelho nos ouvidos, a fim de ampliar sua capacidade auditiva.  Octogenário, sua qualidade de vida melhorou com essa decisão, pois voltou a interagir normalmente no âmbito social e mesmo familiar. Chama-se presbiacusia a perda progressiva da audição nas pessoas idosas.  Após 70 anos, o transtorno já pode afetar cerca de 50% dessa população, com aumento progressivo de acordo com a idade do grupo em questão.  Uma das primeiras queixas do paciente é de que ele escuta mas não entende o que foi falado, além da necessidade constante de aumentar o volume da TV ou do rádio. Há uma dificuldade maior em entender vozes femininas ao se comparar com as masculinas.  Não há como se livrar desses incômodos próprios de quem avança na idade, ao lado de outros. Mais cedo ou mais tarde, sorrateiramente, eles vão mostrando sua força.  Porém, apesar dos pesares, envelhecer ainda é a melhor opção.   

Relembro aqui e presto singela homenagem ao amigo e colega médico Gley Nogueira (1940-2022), otorrino competente e digno, que sempre manteve grande amor à especialidade e extremo cuidado aos seus pacientes.  Foi um médico humanista, na expressão mais veemente do termo.  Assisti a uma palestra  que ele proferiu sobre o sofrimento do deficiente auditivo, quando extravasou de emoção, com o choro a substituir-lhe as palavras, por alguns minutos.  Sua fala tratava da surdez total e não da hipoacusia do idoso, por exemplo, que, em algumas ocasiões pode até causar momentos hilários.  Sobre o assunto, há alguns anos, li um romance ótimo, “Surdo Mundo”,  do escritor inglês David Lodge.  Abro o  livro nas primeiras páginas e releio um diálogo de um casal, na faixa dos 60/70 anos, ele já portador de problemas da audição, logo após uma reunião social.  Ela pergunta:  “–  Quem era aquela moça loira que conversava com você? – Eu não vi Moira, ela estava lá? – Moira, não, a moça loira”. Cenas hilárias iguais a essa se repetem ao longo da leitura da obra, sobre a qual, à época do lançamento, disse o Times Literary Supplement (TLS):  “... nenhum relato médico descreveu tão bem a multiplicidade da confusão, frustrações e estratagemas sociais a que a surdez dá origem”.   

No tocante à surdez total, tal qual a que levou o colega Gley Nogueira às lágrimas durante uma palestra, dois expoentes das artes no âmbito mundial chamam a atenção:  na música, Ludwig van Beethoven (1770-1827), e, na pintura, Francisco de Goya (1746-1828). Por volta dos 47 anos, Goya contraiu doença que o privou da visão, da fala e da audição.  Ao se recuperar, voltou a ver e a falar, mas permaneceu surdo até o fim da vida.  Em face de que as melhores obras de Goya pertencem ao período da surdez, o autor de “Surdo Mundo”, David Lodge, pergunta: “Será que ele é grato à doença que o privou da audição?”  E o próprio escritor responde:  “Algo me faz crer que não.  Mas deve ter passado pela cabeça dele que tinha sido uma sorte perder a audição em vez da visão”.  Apesar de serem obras-primas, as pinturas de Goya produzidas depois da surdez são um tanto sombrias e soturnas.  Exemplo típico é o seu autorretrato do Museu do Prado de Madri, obra de 1815, no qual o autor revela todo o seu desencanto da vida.

*Daladier Pessoa Cunha Lima é reitor do UNI-RN

2

Jul

[Artigo] Como a Inteligência Artificial tornou o e-mail mais eficiente

*Por Rafael Viana

O uso da Inteligência Artificial (IA) nas campanhas de ‘e-mail marketing’ tem se mostrado uma excelente oportunidade para as empresas melhorarem seus programas de e-mail. Por meio dessa tecnologia, muitas marcas estão obtendo sucesso em um objetivo primordial para qualquer negócio: encontrar as melhores maneiras de alcançar seu público-alvo. E, nesse ponto, a IA se mostra uma ferramenta poderosa para melhorar processos e aumentar a eficiência.

Mas, para isso, é importante que os gestores entendam quais são os obstáculos que precisam ser superados para obter os melhores resultados. O primeiro ponto a ser considerado pelas empresas diz respeito à personificação. Afinal, a Inteligência Artificial ainda não sabe tudo, mas já é capaz de mapear o que os clientes fizeram, o que eles disseram que gostam (e não gostam), seu comportamento e até mesmo a hora em que preferem receber e-mails ou ver promoções.

Com essas informações preciosas, cabe à empresa personalizar a sua mensagem de tal forma que consiga estabelecer uma conexão quase de amigo com seu cliente.

Outro ponto importante em que a IA pode auxiliar os profissionais de marketing diz respeito às listas segmentadas de disparo. O processo geralmente consome tempo e é passível de erros humanos. Com a Inteligência Artificial, as equipes encarregadas pela estratégia por trás do envio podem segmentar listas usando atributos mais específicos, como o histórico de compras e interesses. Isso permite que se enviem e-mails mais direcionados, aumentando as taxas de abertura e suas conversões.

Mais de 60% das empresas estão usando Inteligência Artificial para realizar pesquisas ou testes e depois escrever conteúdo com base nos resultados. Isso permite que os profissionais de marketing personalizem o conteúdo para diferentes públicos.

No passado, os gestores se limitavam a enviar e-mails com uma linha de assunto genérica, esperando que chamassem a atenção do destinatário. Agora que a IA está sendo usada para analisar dados de clientes e fazer previsões, pode-se não apenas personalizar as campanhas de e-mail, mas também otimizar as chances de as mensagens serem abertas.

Quando se trata de analisar dados de desempenho, o setor de marketing enfrenta um desafio significativo: embora o volume de dados gerados por campanhas e comportamento do cliente tenha crescido muito nos últimos anos, os ‘insights’ que podem ser derivados desses dados ainda são muito limitados. É aqui que a IA pode desempenhar um importante papel.

A Inteligência Artificial segue o mesmo princípio do cérebro humano: aprende a reconhecer padrões e assimila descobertas. Para isso, deve ser treinada usando métodos estatísticos. O pré-requisito para treinar esses algoritmos é que eles tenham acesso ao máximo de dados possível. Somente assim poderão distinguir entre informações significativas e irrelevantes, gerando conclusões precisas sobre o comportamento do cliente e a resposta à campanha.

Como já afirmei, a Inteligência Artificial é uma ferramenta poderosa para melhorar processos e aumentar a eficiência, mas não é isenta de desafios. Existem obstáculos que as organizações devem estar cientes antes de implementá-la.

Um exemplo se refere à qualidade dos dados. De acordo com as estimativas atuais, geramos mais de 1,1 trilhão de megabytes de dados todos os dias. Tais informações de uma organização podem ser imprecisas ou incompletas, o que pode levar a algoritmos defeituosos ou tendenciosos. As organizações geralmente descobrem que a forma como os dados são armazenados no banco de dados dificultam o acesso às informações de que precisam em um único local. Ou seja, talvez seja preciso primeiro limpar os dados da infraestrutura de CRM antes de usá-los para treinar modelos de IA.

Além dos dados, outro problema pode estar na falta de qualificação das equipes. Muitas empresas não têm funcionários com as habilidades necessárias para desenvolver e implantar esses sistemas. Elas podem ter que contratar consultores para preencher essa lacuna, mesmo que temporariamente, ou enviar funcionários para programas de treinamento onde possam aprender essas novas técnicas.

A IA ainda é uma indústria nova e em crescimento, então ainda não há muitos regulamentos em torno dela. No entanto, as diretrizes que a cercam provavelmente se tornarão mais rígidas nos próximos anos. Desde 2017, mais de 60 países adotaram algum tipo de política de inteligência artificial.

Assim, diante do potencial que a Inteligência Artificial apresenta é inegável que ela deve ser contemplada nos projetos de curto e longo prazo das marcas, mas é igualmente relevante que as empresas se preparem também para seus futuros requisitos regulatórios.

*Rafael Viana é estrategista de E-mail sênior da Validity

16

Jun

[ARTIGO] Como as ferramentas digitais impulsionam a educação

*Por Thiago Tieri

Você já parou para pensar o quanto a tecnologia se tornou importante para o setor educacional nos últimos anos? Desde o início da pandemia de Covid-19, em março de 2020, as formas de aprendizado se multiplicaram e houve abertura de espaços para novas tecnologias que beneficiaram professores e alunos. A tendência que contribuiu para o futuro da educação foi o ensino híbrido. Este modelo salvou e auxiliou muitas instituições de ensino que precisaram dessa integração entre o estudo presencial e online.

O ensino híbrido e o 100% digital trouxeram para as escolas diversos benefícios já conhecidos no mundo corporativo, como: a nuvem, na qual podemos acessar informações e dados de qualquer local e a qualquer momento; manter contato com as pessoas através de videochamadas; otimização de tempo para locomoção, além de facilidades e ferramentas digitais para serem utilizadas durante a rotina. Atualmente, muitas instituições já voltaram ter aulas presenciais, algumas até continuam híbridas, mas não deixaram de utilizar equipamentos que facilitam o trabalho e o estudo no dia a dia. Segundo a pesquisa publicada em 2021 da BlinkLearning, sobre o uso da tecnologia na educação, cerca de 75% dos professores utilizam ferramentas digitais em suas aulas presenciais ou online. Isso apenas mostra o quão vantajoso é ter equipamentos tecnológicos no setor educacional também.

O avanço da educação tecnológica reforçou a importância e necessidade de se ter equipamentos adequados e ergonômicos para professores e alunos. Por isso, houve uma grande demanda do setor educacional – onde muitos buscaram por notebooks, mesas digitalizadoras, monitores interativos, web cams, além de equipamentos ergométricos como cadeiras, suporte de notebooks e móveis de escritório.

As mesas digitalizadoras e monitores interativos são ótimas ferramentas para tornar estas aulas híbridas mais produtivas, interativas, além de aumentar o engajamento do aluno. Sem contar na economia de papel, lápis e caneta. Pois todo o conteúdo, além de ser digital, pode ser salvo na nuvem e acessado de qualquer device em qualquer lugar do mundo.

É importante ressaltar que, além de benefícios, há também desafios a serem vencidos para a educação voltada ao digital no território brasileiro. O principal é a falta de conectividade na casa de parte da população para estudar ou trabalhar. Os dados mostram que 61% das pessoas tiveram problemas de conectividade, ainda segundo o BlinkLearning. O mesmo estudo levantou um ponto sobre a desigualdade presente no país, que continua a prejudicar muitos professores e alunos. Com o avanço do 5G em regiões mais afastadas do país, espera-se que haja uma ampliação do número de pessoas conectadas.

Para finalizar, investir em novas tecnologias e ferramentas para melhorar o ensino de professores e a educação de alunos, pode ser algo promissor para empresas e instituições educacionais, principalmente quando muitas pessoas procuram por ferramentas que entregam mobilidade, ergonomia e auxiliam na produtividade. Prova disso, é o aumento da procura por cursos à distância – de acordo com a Associação Brasileira de Educação à distância, essa busca aumentou 59% durante pandemia. Mas, além disso, essas mesmas empresas e instituições precisam garantir recursos e infraestrutura à todos os educadores e alunos que estão diante de todas essas mudanças e evoluções tecnológicas.

*Thiago Tieri é Gerente de Marketing da Wacom no Brasil. 


12

Jun

[ARTIGO] Contrato de namoro: há limites para a regulamentação do amor?

*Por Mariana Barsaglia Pimentel

Doze de junho é o dia em que se comemora o Dia dos Namorados no Brasil. Para os apaixonados, já é hora de comprar os presentes, reservar uma mesa para o jantar à luz de velas ou planejar uma viagem especial. Por outro lado, a data pode ser um importante momento para que se inicie uma reflexão sobre as repercussões jurídicas do namoro.

Na contemporaneidade, muito se discute sobre a ampliação dos espaços de liberdade no âmbito do Direito de Família. A reinvindicação por uma maior “emancipação” dos sujeitos nesta seara parte não só dos juristas, mas também da própria sociedade, que anseia por mais liberdade para a auto-regulamentação dos seus interesses familiares e relacionais. De fato, a vida de uma família, tão permeada por questões privadas, deve se sujeitar às escolhas pessoais dos seus membros.

Dentre as questões familiares que são passíveis de auto-regulamentação pelos sujeitos envolvidos está a relação de namoro. É possível que os namorados, através de um contrato, estabeleçam expressamente que, através daquela relação, não pretendem constituir uma família desde logo.

O contrato de namoro é conceituado por Marília Pedroso Xavier na obra “Contrato de Namoro: Amor Líquido e Direito de Família Mínimo” (2.ª ed. Belo Horizonte: Fórum, 2020. p. 103) como “uma espécie de negócio jurídico no qual as partes que estão tendo um relacionamento afetivo acordam consensualmente que não há entre elas objetivo de constituir família”.

Em artigo de autoria de Zeno Veloso, intitulado “É namoro ou união estável?”, publicado pelo IBDFAM, explica-se que neste tipo de avença as partes confessam que estão em um relacionamento amoroso, mas que tal relação “se esgota nisso mesmo, sem nenhuma intenção de constituir família, sem o objetivo de estabelecer uma comunhão de vida [...], e esse namoro, por si só, não tem qualquer efeito de ordem patrimonial [...]”.

Este instrumento jurídico tem por objetivo afastar a configuração da união estável – com todas as suas repercussões jurídicas, tais como o pagamento de pensão alimentícia no momento em que houver eventual rompimento, a comunicação patrimonial e, até mesmo, a concorrência sucessória em caso de morte de um dos sujeitos envolvidos no relacionamento.

Também é possível que se eleja, desde logo, no contrato de namoro, qual regime de bens incidirá, caso haja a transformação daquele namoro em uma união estável.

Existem vozes na doutrina jurídica nacional que negam a existência, a validade e/ou a eficácia deste instrumento, principalmente em razão da possibilidade de que os requisitos necessários à configuração da união estável estejam presentes, não obstante a declaração formal de que união estável não há.

Entretanto, fato é que um contrato de namoro é um importante instrumento de prova e pode conferir certa segurança jurídica àquelas e àqueles que pretendem manter separados os patrimônios durante a relação de namoro.

Propor no jantar de dia dos namorados a formalização de um contrato de namoro pode não ser uma ideia muito romântica, mas nada impede um início de reflexão sobre a temática.

*Mariana Pimentel é advogada. Sócia diretora da área de Direito de Família e Planejamento Patrimonial e Sucessório do escritório Medina Guimarães Advogados. Doutoranda e mestra em Direito das Relações Sociais pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). E-mail: mariana.pimentel@medina.adv.br.

11

Jun

[ARTIGO] Um mundo interconectado: a evolução digital na América Latina

*Por Vitor Caram 

A transformação digital foi acelerada por conta da pandemia de Covid-19, o que provocou mudanças profundas na região da América Latina. Segundo o relatório Latin American Digital Transformation Report 2021, a tendência é que a evolução digital alcance patamares ainda mais altos nos próximos anos e que tenhamos um amadurecimento do ecossistema. Hoje, temas como blockchain, inteligência artificial e metaverso se tornaram pauta de discussões do dia a dia das empresas 

Com os avanços do 5G, a introdução de infraestruturas de computação de borda e a implementação de sistemas na nuvem, tornou-se fundamental investir no aumento de conectividade e espaço para armazenamento de dados, assim como na otimização de plataformas de gerenciamento de data centers.  Atualmente, com a digitalização da economia, todas as novas tecnologias, como Internet das Coisas (IoT), metaverso, realidade virtual e aumentada ou Big Data, utilizam um massivo aumento de dados que precisam ser processados de forma eficiente. Por isso, os centros de processamento de dados atuam na economia digital, fornecendo um “lar” não apenas para as informações, mas também para as plataformas e aplicações que se tornaram tão onipresentes no mundo moderno. Por sua vez, o fio condutor para o funcionamento contínuo desses sistemas e para a entrega de conteúdo é a conectividade. 

A evolução digital avança a passos largos e promete se acentuar nos próximos anos, mas ainda há muito a evoluir. Ainda de acordo com o Latin American Digital Transformation, onde é medido a velocidade das mudanças das tecnologias na América Latina, levando em conta itens como introdução da internet e aplicativos, aumento do número de empresas de tecnologia e o crescimento do ecossistema de inovação, o índice cresceu de 2,3% em 2020 para 3,4% em 2021. É um aumento considerável para a região, mas ainda longe dos 69,8% dos Estados Unidos. 

Ainda há um longo caminho a percorrer para alcançar o patamar de nações mais desenvolvidas tecnologicamente. As empresas brasileiras e latinas ainda precisam enfrentar alguns desafios, como a escassez de profissionais de Tecnologia da Informação, por exemplo. Há um aumento na procura por cursos voltados à tecnologia, mas o crescimento não é rápido o suficiente para atender à demanda acelerada. 

Já no mercado de data centers, que está no centro da evolução digitação em regiões como a América Latina, as infraestruturas já veem um crescimento substancial para suportar suas demandas de evolução digital. E isso, por sua vez, tem levado as empresas a optarem por soluções mais modernas para gerenciar os crescentes requisitos de dados. Um avanço nesta área é a migração da infraestrutura de TI, visando a redução de custos e o aprimoramento de desempenho da operação. Muitas empresas estão optando por soluções mais versáteis e escaláveis, como o Colocation e a nuvem. 

Entre o data center, a nuvem e a edge computing, nosso mundo tornou-se verdadeiramente ‘always-on’ e interconectado, de forma irreversível. Portanto, companhias com altos níveis de maturidade digital alcançam uma vantagem competitiva em diversos indicadores de desempenho, como crescimento de receita, tempo de lançamento no mercado, eficiência de custos, qualidade do produto e satisfação do cliente. 

Para a evolução digital realmente avançar na América Latina é necessário construir uma base digital robusta. Somente com um mecanismo digital maduro e bem alinhado, as empresas estarão preparadas para participar de novos ambientes e de um mundo totalmente interconectado. 

*Vitor Caram, Diretor de Expansão LATAM da ODATA 

9

Jun

[ARTIGO] Águia de Haia, por Daladier Pessoa Cunha Lima

Por Daladier Pessoa Cunha Lima

Costumo ler as crônicas semanais de Marcelo Coelho, no caderno Ilustrada, da Folha de S. Paulo.  Em uma dessas crônicas, o autor relata que assistiu a uma entrevista, há muito anos, na TV Cultura, com o pensador católico e escritor Alceu de Amoroso Lima (1893-1983). Em bom estado físico, ele contava histórias de sua longa vida.  Vivia-se o início da fase da redemocratização do país, e perguntaram ao líder católico se ele tinha alguma lembrança em destaque do passado político do Brasil. Alceu de A. Lima disse que guardava vivas lembranças dos tempos primevos da implantação da República no país, com ênfase para a campanha de Rui Barbosa à presidência da República em 1910. E Marcelo Coelho, então, comenta:  “Parecia impossível que alguém capaz de vibrar com o movimento civilista de 1910 ainda pudesse ser entrevistado na televisão”. 

Admirador do grande brasileiro Rui Barbosa (1849-1923), a leitura do texto na Folha impeliu-me a retirar da estante o livro “A Raiz das Coisas – Rui Barbosa:  o Brasil no mundo”, do diplomata, professor e escritor Carlos Henrique Cardim, além de obras do próprio Rui, a exemplo do clássico Oração aos Moços.  O livro A Raiz das Coisas começa com a nota que a revista Época, em sua edição de 11 de setembro de 2006, divulgou matéria sobre uma pesquisa de opinião entre personalidades nacionais, para escolher o maior brasileiro da história.  O resultado final foi um empate entre Rui Barbosa e Machado de Assis.  À redação da revista foi dado o voto de Minerva, o qual fez a opção por Rui Barbosa.  Um ilustre participante dessa enquete foi o famoso jurista, escritor, professor, defensor ardoroso dos Direitos Humanos, Dalmo de Abreu Dallari (1931-2022), que justificou o seu voto em Rui Barbosa:  “Ele foi o modernizador do Brasil”.

O autor de “A raiz das coisas” dá ênfase a participação de Rui Barbosa na política externa do país, mas também faz incursões no tema da política interna.  Quanto à política externa, é claro o destaque para a 2ª Conferência de Paz de Haia, realizada de 15 de junho a 18 de outubro de 1907, na qual Rui Barbosa teve brilhante atuação, a ponto de ganhar o epíteto de o “Águia de Haia”. Rui Barbosa tornou-se o porta-voz não somente do Brasil, mas do conjunto das nações latino-americanas, em oposição ao grupo, formado por países ricos, que, em resumo, queria impor a criação de um Supremo Tribunal Arbitral, sob o enfoque do Poder, em detrimento do enfoque à luz do Direito.

Um dos maiores homens públicos do Brasil, Rui Barbosa foi candidato ao cargo de Presidente do país por duas vezes, sem lograr êxito.  Na eleição de 1910, a candidatura de oposição a Hermes da Fonseca ficou conhecida, em sua expressão “lato sensu”, como Campanha Civilista, da qual falou Alceu de Amoroso Lima.

O Brasil precisa cultuar com mais ânimo seus principais heróis, entre os quais avulta-se Rui Barbosa, a fim de manter vivos os exemplos deixados aos pósteros.

*Daladier Pessoa Cunha Lima é reitor do UNI-RN.

26

Mai

[ARTIGO] 200 anos, 200 livros, por Daladier Pessoa Cunha Lima

Por Daladier Pessoa Cunha Lima

A celebração dos duzentos anos da Independência do Brasil conta com um projeto criativo e de alto padrão, já em fase de implantação.  Trata-se do projeto “200 anos, 200 livros”, o qual envolve grandes nomes da área cultural de Portugal e do Brasil, além de parceiros institucionais também dos dois países, a exemplo do Instituto Camões, do Projeto República, da UFMG, da Folha de S. Paulo, da Universidade de Coimbra, e de muitos outros.  Em andamento desde 2019, os 200 livros já foram escolhidos por um grupo de curadores e consultores, formado por renomados escritores, historiadores, sociólogos, antropólogos, juristas e professores que fizeram as indicações das obras.  Segundo o autor da ideia, o empresário e intelectual português José Manuel Diogo, o projeto 200 anos, 200 livros visa compor “um retrato em lombadas, que explica um Brasil diverso, global, moderno, que tem uma consciência exata do seu passado, do lugar que hoje tem no mundo, dos seus desafios futuros e dos caminhos para os trilhar.”  É a identidade do país visível por meio da sua literatura.

Dos 200 livros, 116 foram publicados no século 20, 66 obras datam do século 21 e apenas 18 do século 19.  Marília de Dirceu, de Tomás Antonio Gonzaga, é o livro mais antigo da coleção, tendo em vista o ano de publicação em solo do Brasil, 1810. A classificação ocorreu de acordo com o número de indicações, e isso levou a temas de maior destaque entre os livros indicados, tais como a escravidão, a desigualdade racial e o protagonismo negro.  Dessa forma, o livro com maior número de indicações foi Quarto de Despejo, 1960, de Carolina de Jesus, e, em segundo lugar, Grande Sertão:  Veredas, 1956, de Guimarães Rosa.  Em 4º lugar, vem Raízes do Brasil, 1936, de Sérgio Buarque de Holanda, um clássico em forma de ensaio da história sociológica do país.  Em seguida, no 5º lugar, vem outro clássico nesta área, Casa-Grande e Senzala, 1933, de Gilberto Freyre, que, até hoje, fez o mais profundo estudo da mistura étnica e de culturas na formação do povo brasileiro.  Em posição de empate, está Memórias Póstumas de Brás Cubas, 1881, genial romance de Machado de Assis, que tece uma fina ironia da elite carioca à época do segundo reinado.

A obra A Hora da Estrela, 1977, de Clarice Lispector, figura em 24º lugar, por indicação de grandes escritores, entre os quais Cristóvão Tezza e Milton Hatoum. Numa análise rápida, os autores de livros clássicos que abordam a formação da alma brasileira estão todos presentes, embora alguns tenham recebido maior apreço do que outros, de forma justa ou não.  Luís da Câmara Cascudo consta na lista depois do centésimo lugar, com o seu fantástico Dicionário do Folclore Brasileiro, 1954.  Sem qualquer bairrismo e sem precisar ser um expert na obra cascudiana, é fácil notar que o mestre potiguar merece mais presença na lista, a exemplo de História da Alimentação no Brasil.

*Daladier Pessoa Cunha Lima é reitor do UNI-RN.

25

Mai

[ARTIGO] Dia da Indústria, Elo estratégico do Desenvolvimento, por Amaro Sales de Araújo

*Por Amaro Sales de Araújo

Maio também é o mês da indústria! Festejamos 25 de maio como a nossa data no calendário social. É um marco para homenagens, reflexões e fixação de novos desafios.

A FIERN, fiel a sua missão de defender os interesses da indústria, celebra a data a cada ano evidenciando temas diferentes, mas sempre ressalvando ser o segmento um grande indutor do desenvolvimento, considerando todos os aspectos que são inerentes à atividade, desde a necessidade da pesquisa à inovação e a geração de emprego e distribuição de renda. Aliás, de fato, a indústria é um elo estratégico e sempre que se fala em “desindustrialização” – um fantasma que amedronta – estaremos diante de um grave retrocesso.

A indústria, como segmento de grande empregabilidade, precisa contar com incentivos. Alguns já disponíveis são justos e necessários. Outros devem ser refletidos e implementados. O melhor programa de apoio social é a geração de trabalho, seja pelo emprego formal propriamente dito ou pelo empreendedorismo. Neste sentido, merece registro a vitoriosa articulação que, por aqui, chamamos “Pró-Sertão” onde, em síntese, marcas e indústrias de confecções compram serviços a oficinas de costura no interior do Rio Grande do Norte. Nenhuma outra articulação em um segmento, recentemente, teve tanto impacto permanente no interior do Estado.

Há ainda o setor de energias, petróleo e gás que renovam o otimismo com oportunidades promissoras para o estado. Seja impulsionado pelo advento de novas empresas para exploração e produção nos campos maduros e no offshore, seja pelas novas tecnologias e inovações, que trazem o hidrogênio verde – área em que o SENAI, por meio do seu Instituto de Inovação em Energias Renováveis, o ISI-ER, é referência nacional.

Ao celebramos a indústria potiguar, de 23 a 28 de maio, o Sistema FIERN, por meio do SENAI, SESI e IEL, leva à sociedade reflexões por meio de um ciclo de palestras nas mais diversas áreas, serviços com condições diferenciadas, uma expressiva ação social na área de saúde, levando atendimento médico gratuito a quem precisa, e um espetáculo cultural.

E, nesta Semana da Indústria, daremos, ainda, um novo – mas não menos relevante – passo, com a criação do Cluster Tecnológico Naval do RN, capitaneado pelo ISI-ER, cujo termo de cooperação técnica entre a FIERN e a Empresa Gerencial de Projetos Navais da Marinha – EMGEPRON, será assinado na ocasião. O cluster será uma ferramenta poderosa para exploração e desenvolvimento da economia do mar. Iremos ainda debater uma fronteira de inovações com a Tecnologia 5G e seus impactos na Indústria.

Como tenho dito: não é fácil empreender no Brasil. Há uma espinhosa e burocrática legislação. E, mesmo com os avanços, ainda se faz necessário que a sociedade entenda o empreendedorismo como o eixo estruturante da economia livre e capitalista, mesmo com toda a necessária sensibilidade social. O aparato estatal precisa ter um sentimento majoritário de estímulo à atividade empreendedora.

A indústria contemporânea sabe ainda da importância das boas práticas de respeito ao meio ambiente e aos direitos dos trabalhadores. A indústria, enfim, é importante pelas riquezas que produz e pelos muitos dividendos sociais que distribui.

*Amaro Sales de Araújo, industrial, Presidente da FIERN e secretário da CNI

12

Mai

[ARTIGO] Uma voluntária da pátria (2), por Daladier Pessoa Cunha Lima

Por Daladier Pessoa Cunha Lima

Terminei a crônica anterior ao afirmar que a humilde Jovita Alves Feitosa (1848-1867) tem seu nome inscrito no livro de Heróis e Heroínas da Pátria, desde 2018. A primeira mulher que recebeu essa honraria foi a baiana Ana Néri (1814-1880), heroína da guerra do Paraguai, com uma atuação de muita coragem e brilho na área da enfermagem, a ponto de torná-la patrona dessa profissão no Brasil. A guerra do Paraguai registra um marco primevo de agressão, visto como um estopim, quando o forte Coimbra, no Mato Grosso, sofreu ataque das tropas de Solano Lopez. Em 1864, formou-se a Tríplice Aliança, que reuniu Argentina, Brasil e Uruguai, a fim de combater o pequeno Paraguai. Parecia desigual, mas o Brasil estava despreparado para enfrentar uma guerra, pois o efetivo do exército era pequeno e pouco treinado. Assim, em 7 de janeiro de 1865, o governo criou, por decreto, o Corpo de Voluntários da Pátria.

O escritor e historiador José Murilo de Carvalho, em mais um excelente livro, sob o título “Jovita Alves Feitosa - Voluntária da Pátria, Voluntária da morte” (2019), compõe uma ótima biografia dessa mulher simples e seus exemplos de bravura e de amor à pátria, ao lado de dados históricos da Guerra do Paraguai e do Corpo de Voluntários da Pátria. No livro, destacam-se diversas criações de poetas e escritores brasileiros, até mesmo Machado de Assis, fazendo coro com o entusiasmo patriótico que eclodiu em todo o país.  Joaquim Nabuco produziu, em outubro de 1865, um hino de aclamação aos Voluntários, com o refrão: “Levantai-vos, soldados da pátria;/ ide avante vingar a nação!/ E voltai glorioso da luta/ Ou morrei abraçado ao pendão!” 

Depois de muitos aplausos e louvores para a voluntária da pátria Jovita Alves Feitosa, vieram as decepções. Ao chegar ao Rio de Janeiro, a fim de esperar o embarque para a frente de batalha, sofreu enorme frustração, pois o Ministério da Guerra retirou sua patente e permitiu sua participação somente nas funções de retaguarda, a exemplo dos serviços de saúde. Diante desse marcante desgosto, Jovita regressou à casa paterna, mas não recebeu guarida. Voltou a morar no Rio, onde conheceu e passou a namorar o engenheiro inglês William Noot. Sem prévio aviso, Noot retornou ao seu país, e a amante, no mesmo endereço dos encontros do casal, foi achada morta, com um punhal cravado no peito. A polícia do Rio atestou suicídio. E conclui José Murilo de Carvalho: “Rejeitada pelo Governo, pelo pai e pelo amante, decidiu rejeitar a vida”.

Em 12 de abril de 2012, a atuante deputada Sandra Rosado, do Rio Grande do Norte, apresentou projeto de lei que incluía Jovita Alves Feitosa no Livro dos Heróis da Pátria.  Nas justificativas, Sandra Rosado vê Jovita sob duas militâncias: cívica e feminista. Em 12 de dezembro de 2018, Jovita foi inscrita no Livro dos Heróis da Pátria, depositado no Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, em Brasília.

*Daladier Pessoa Cunha Lima é reitor do UNI-RN.