Durante a pandemia de Covid-19, houve um aumento expressivo no número de mulheres empreendedoras, principalmente, pela necessidade. Segundo o Instituto Rede Mulher Empreendedora (IRME), cerca de 26% das mulheres iniciaram o próprio negócio em 2021 em decorrência do desemprego e falta de renda gerada pela crise do coronavírus, e viram no empreendedorismo uma alternativa para o sustento de suas famílias. Ainda de acordo com a Rede, em 2020 o percentual de empreendedoras cresceu 40%. No Brasil, elas já somam 30 milhões de empreendedoras,  contabiliza o Global Entrepreneurship Monitor (GEM). 

Pelo visto, elas tem se saído muito bem. Outra pesquisa, do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV), realizada em agosto de 2020, analisou pequenos negócios fundados por homens e mulheres. No estudo, foi apontado que as empreendedoras demonstraram capacidade maior de adaptação diante das adversidades impostas pela pandemia.

Exemplo disso é a lojista Sarah Leão, que comanda a loja Neuza Leão, situada no Shopping Estação Goiânia. Ela, que é sócia da mãe, afirma que a experiência com o empreendedorismo começou em 2008, ao abrir a primeira unidade. Atualmente, elas têm uma unidade de revenda e um centro de distribuição, onde as peças são confeccionadas. De lá para cá, foram diversas experiências que impulsionaram as adaptações, mas ela já percebe mudanças no cenário e na sua consolidação no mercado. 

“Com a pandemia tivemos que nos reinventar, pois estávamos acostumadas a receber os clientes na loja física, Melhoramos o atendimento on-line e enfrentamos as redes sociais. Também passamos a enviar uma sacola com as peças para as pessoas que já eram cativas, para que elas pudessem ver o nosso trabalho e escolher os produtos que lhes interessasse com calma”, afirmou ela. 

Para quem era focada no atendimento presencial, a adaptação e o crescimento foram rápidos. "Nós já chegamos a ter sete lojas, mas agora o nosso projeto de expansão é apenas on-line. É desafiador, mas tem sido uma experiência muito interessante. A gente vive de se superar, né? Seguimos firmes”, afirmou ela. Outra medida de adaptação, conta Sarah, foi desenvolver estratégias para atender um público maior, mais diversificado, na tentativa de suprir o aumento dos gastos que envolvem toda a cadeia produtiva, como matéria-prima e combustível.

Sarah ressalta que o papel dela de empreendedora ficou ainda mais abrangente com a pandemia, pois houve uma necessidade maior de análise mercadológica para alavancar os negócios diante da diminuição do poder de compra dos clientes e o aumento do custo da produção com o aumento dos insumos.

“Muita gente fala que mulher tem que ficar em casa, cuidar dos filhos, eu mesma sou mãe solo, e isso não me impede de ter o meu próprio negócio. É o meu sonho. As mulheres têm que continuar estudando, pesquisando, se inteirando do que acontece no mundo, se esforçando e se desdobrando para administrar a casa, a família e o próprio lar. O que posso dizer é que o resultado positivo chega, principalmente o reconhecimento e fidelização do nosso cliente. As outras pessoas também passam a valorizar as batalhas que a gente enfrenta no dia-a-dia”, completa. 

Jornada múltipla

“Atualmente, o nosso foco está na interação on-line com os clientes, é isso que tem atraído e trazido pessoas para a nossa loja", mostra a lojista Ana Nunes, como foi a sua adaptação ao novo momento. 

Há mais de 13 anos no mercado, ela batizou sua loja com seu nome no Shopping Estação Goiânia, e vende artigos de vestuário feminino. Mas, além da pandemia, ela destaca outro desafio da mulher empreendedora: conseguir conciliar todas as atividades. 

“Eu sou dona de casa, esposa, mãe de família e empreendedora. Trabalho com fabricação própria, que acontece na minha casa, além das parcerias. Então é realmente um desafio conseguir conciliar todo esse passo a passo para tornar o meu dia produtivo. Além de cuidar do almoço, do café da manhã, eu cuido da loja, da produção, compra de tecido, corte, é muito puxado”, diz ela. 

Segundo Ana, outro ponto bastante significativo e relevante no empreendedorismo, no caso dela como lojista, é a gestão de equipe, que precisa estar pautada na parceria e colaboração.

Contribuição Social

Também é importante ressaltar a contribuição social do empreendedorismo feminino. Além do crescimento da economia e a criação de empregos, a oportunidade de criação do próprio negócio transforma as relações sociais, já que quando mulheres alcançam a autonomia financeira, não precisam mais se submeter a relacionamentos abusivos e violentos, pois não dependem mais de terceiros para se sustentar. O fato, noticiado no Portal do Sebrae, foi constatado em pesquisa realizada pelo Instituto Rede Mulher Empreendedora (IRME). Segundo o levantamento, 34% das mulheres ouvidas em sua pesquisa anual de 2021 sofreram algum tipo de agressão em relações conjugais. O estudo aponta ainda que, ao empreender, 48% delas conseguiram sair desses relacionamentos abusivos e até violentos.