19 de Agosto de 2019
Especialistas e pais comentam aspectos da alienação parental na Assembleia
[0] Comentários | Deixe seu comentário.A relação entre pais e filhos - vítimas da alienação parental - gerou pronunciamentos que revelam um desafio para a sociedade: como conviver com a alienação parental. O tema da campanha institucional da Assembleia Legislativa levou centenas de pessoas ao debate nesta sexta (16). Um deles foi o arquiteto Henrique Xavier que - em um discurso emocionado sobre a experiência de alienação parental.
Representando os que passam pela questão da alienação parental, o pai contou que é divorciado há 8 anos e a pelo menos 7 anos é proibido pela ex-esposa de visitar o filho. “Tive meu direito de visita dado pela justiça, mas minha ex-cônjuge vem descumprindo desde então. Perdi de acompanhar a infância do meu filho por causa de processos que se arrastam e não são julgados, isso é lamentável”, desabafou. Henrique explicou que à época do divórcio a criança tinha 4 anos e agora está com 12 e, na presença de todos os ouvintes da audiência pública, afirmou que a criança tem trauma do assunto pai.
“Ele me ama, mas segue as diretrizes de quem tem a guarda”. Seguiu fazendo um alerta às pessoas que hoje passam por uma situação semelhante, de que os pais devem ter maturidade suficiente para saber ‘aparar as arestas’ das incompatibilidades, já que elas podem existir e são comuns entre pessoas que começam a conviver e viram pais de uma criança. “Mas, é preciso entender que a criança é a pessoa nesse meio mais importante que devemos preservar”, destacou. Proposta pelo presidente da Assembleia, Ezequiel Ferreira (PSDB), a audiência contou com à participação de membros do judiciário, executivo e associações que atuam no tema.
Edu Ferret, do Instituto Conviver, destacou as questões emocionais. “Toda vez que uma criança passa por uma condição desnecessária de escolher a quem amar, e me refiro a pessoas do convívio dela, da sua família, do seu meio, mesmo que veladamente, o mundo de alguma forma perde um grande potencial dessa criança fazer algo positivo. Eu digo isso não só para ela, mas para a humanidade. Falo isso por muitos que estão presentes aqui, que acreditam que uma única pessoa consiga fazer a diferença na vida de muitos. Quando nos engajamos em algo, é porque sabemos que aquilo que é importante para mim pode ser passado para outros”. A Organização Mundial da Saúde (OMS) enquadra os efeitos da alienação como doenças. Entre eles a depressão, automutilação e até o extremo do suicídio.