13 de Outubro de 2026
Dor na coluna: neurocirurgião explica sinais de alerta e quando a cirurgia é necessária
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Uma dor nas costas que atrapalha o trabalho, interrompe o sono ou dificulta uma caminhada não deve ser simplesmente incorporada à rotina. Com a proximidade do Dia Mundial da Coluna Vertebral, celebrado em 16 de outubro, o neurocirurgião e cirurgião de coluna Marco Moscatelli, que atua em Natal, chama atenção para os sinais que exigem avaliação médica e esclarece uma dúvida frequente: sentir dor ou descobrir uma hérnia de disco nem sempre significa precisar de cirurgia.
A dimensão do problema aparece nos dados brasileiros. Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde de 2019, do IBGE, 21,6% dos adultos — aproximadamente 34,3 milhões de pessoas — relataram problema crônico de coluna. No cenário mundial, a Organização Mundial da Saúde aponta a dor lombar como a principal causa de incapacidade.
Segundo Moscatelli, as queixas atendidas no consultório incluem sobrecarga muscular, desgaste dos discos e das articulações, hérnias de disco e estreitamentos do canal vertebral que podem comprimir nervos. Sedentarismo, excesso de peso e longos períodos na mesma posição também podem contribuir para os sintomas. “O medo de sentir dor faz o paciente parar de se mover, o que enfraquece a musculatura estabilizadora e gera ainda mais sobrecarga na estrutura óssea e discal”, explica.
Quando procurar atendimento
Dor persistente, formigamento, dormência e perda progressiva de força nos braços ou nas pernas precisam de avaliação médica. O especialista ressalta que alguns sintomas exigem atendimento imediato, como dificuldade súbita para urinar, perda do controle da urina ou das fezes, dormência na região genital e perda acentuada e repentina de força nas pernas. Dor intensa associada a febre e calafrios também merece atenção urgente.A orientação é observar a duração da dor, os sintomas associados e o impacto sobre as atividades diárias, evitando recorrer repetidamente à automedicação sem investigar a causa.
Movimento e cuidados com a rotina
Para quem passa horas diante do computador ou do celular, o médico recomenda variar de posição e fazer pausas para caminhar. Ajustar a altura da tela e manter os pés apoiados também ajuda a organizar o ambiente de trabalho.“A sua melhor postura é a próxima”, resume Moscatelli. Segundo ele, permanecer por muito tempo em uma posição considerada ideal também pode provocar fadiga e desconforto.
O repouso prolongado merece cuidado. A retomada dos movimentos e o fortalecimento muscular devem considerar o quadro de cada paciente, com orientação profissional. Caminhadas, fisioterapia e exercícios de força podem integrar o tratamento.A preservação da musculatura também precisa acompanhar o emagrecimento. O especialista explica que perder peso sem cuidar dos músculos que sustentam a coluna pode comprometer esse suporte. Por isso, recomenda acompanhamento nutricional e exercícios adequados às condições de cada pessoa.
Hérnia de disco não é sentença de cirurgia
Um dos principais receios de quem recebe um diagnóstico de hérnia de disco é precisar operar. Moscatelli esclarece que a decisão depende da relação entre os sintomas, a avaliação clínica e os exames."Encontrar uma hérnia na ressonância magnética não é sentença de cirurgia. O segredo está em tratar o paciente, e não a ressonância”, afirma.O tratamento pode envolver fisioterapia, medicamentos, mudanças de hábitos e, em situações selecionadas, infiltrações.
A cirurgia pode ser necessária quando a dor incapacitante persiste apesar do tratamento adequado, quando há perda progressiva de força ou em emergências neurológicas.
Nos casos com indicação cirúrgica, a endoscopia ampliou as possibilidades de tratamento de determinadas hérnias e estreitamentos do canal vertebral. A técnica utiliza câmera e instrumentos específicos por uma pequena incisão, com menor agressão aos tecidos e possibilidade de recuperação mais rápida. Moscatelli ressalta, porém, que o procedimento não atende a todos os problemas de coluna. A escolha da técnica e os prazos de retorno ao trabalho e aos exercícios dependem do diagnóstico, das condições do paciente e da evolução após a cirurgia.