10 de Junho de 2026

Da hérnia de Galvão aos desfalques da Copa: como a medicina está encurtando o caminho de volta ao esporte

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A Copa do Mundo começou com uma lista de ausências que chamou a atenção dos torcedores brasileiros. O lateral-direito Wesley foi cortado após sofrer uma lesão grau 3 no músculo adutor da coxa esquerda. Antes mesmo da convocação final, outros nomes importantes já estavam fora da competição por problemas físicos mais graves, como Rodrygo, Éder Militão e Estêvão. As baixas reacendem uma discussão recorrente no esporte de alto rendimento: até que ponto é possível acelerar a recuperação de atletas sem comprometer a saúde e o desempenho futuro? Se há alguns anos determinadas lesões significavam meses de afastamento, ou até o encerramento precoce de carreiras, os avanços da medicina esportiva vêm mudando esse cenário.

Um exemplo recente ligado ao universo do esporte, mas fora dos gramados, foi o do narrador Galvão Bueno, de 75 anos. No último dia 23 de maio, ele precisou passar por uma cirurgia para tratar uma hérnia de disco e já deve embarcar esta semana para os Estados Unidos, onde narra a estreia da Seleção Brasileira contra o Marrocos no próximo sábado (13). Casos como esse ilustram uma transformação que vem ocorrendo em diversas áreas da medicina, especialmente nos tratamentos relacionados à coluna vertebral.

Segundo o neurocirurgião e cirurgião de coluna Marco Moscatelli, procedimentos minimamente invasivos têm permitido que pacientes retomem suas atividades em períodos significativamente menores do que os observados nas cirurgias tradicionais.

“Hoje, o foco não é apenas resolver a lesão, mas preservar ao máximo as estruturas saudáveis do corpo para acelerar a recuperação funcional. Isso é fundamental para atletas, mas também beneficia qualquer pessoa que precise voltar rapidamente à sua rotina”, explica. 

Entre as técnicas que ganharam espaço nos últimos anos está a cirurgia endoscópica de coluna. Realizada por meio de pequenas incisões e com auxílio de uma câmera de alta definição, ela permite tratar problemas como hérnias de disco com menor agressão aos músculos e tecidos ao redor da coluna.

De acordo com Moscatelli, a redução do trauma cirúrgico se traduz em menos dor no pós-operatório, menor sangramento, menor risco de complicações e uma reabilitação mais rápida. Entre os exemplos de sucesso da técnica, estão o lutador Patrício Pitbull e o tenista Felipe Meligeni, ambos operados pelo cirurgião, com rápida recuperação e volta às atividades. 

“Há duas décadas, muitos atletas enxergavam uma cirurgia de coluna como uma ameaça à carreira. Hoje, em casos bem indicados, ela pode representar justamente o contrário: a oportunidade de voltar a competir com qualidade, sem dor e com segurança”, afirma.

Para o especialista, o principal desafio continua sendo respeitar o tempo biológico de cada lesão. “A tecnologia encurtou etapas importantes do tratamento, mas não elimina a necessidade de um processo de recuperação responsável. O retorno ao esporte precisa ser planejado e acompanhado para evitar recaídas e novas lesões”, destaca.

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Sobre Juliska

Juliska Azevedo é jornalista natural de Natal-RN. É gerente de comunicação do Sistema FIERN e sócia da agência Ska Comunicação, atuando como assessora de comunicação e consultora para instituições e lideranças. É pós-graduada em Assessoria de Comunicação e cursa MBA em Liderança e Gestão e Inteligência Artificial, pela Saint Paul/Exame; tendo atuado como professora no ensino superior.

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