10 de Abril de 2019
Arquivo do Diário de Natal acumula poeira após quase seis anos trancado no Museu Câmara Cascudo
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Uma sala do Museu Câmara Cascudo não abre há anos para o público. Desde 2013, o local guarda um acervo no qual os principais fatos históricos ocorridos em mais de sete décadas estão registrados. Nessa segunda-feira, 8, uma equipe técnica adentrou o espaço que, depois de tanto tempo, cheira a poeira para iniciar um trabalho que representa o único avanço para a exposição do arquivo do Diário de Natal, jornal que completa, em 2019, 80 anos de fundação.
“Tome esta máscara”, disse um funcionário do museu administrado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, a UFRN, entregando ao repórter o acessório que evitou uma reação alérgica devido à poeira do local. Nas prateleiras, no chão e em todo o espaço, caixas guardam edições impressas do jornal e pastas escondem as fotografias estampadas nas folhas do papel que hoje está amarelado e deteriorado pelo tempo.

Alguns desses recortes estavam sobre uma mesa rodeada por quatro pessoas que preparam o material para ser retirado do museu. Um trabalho que vai contra as expectativas de quem quer ver logo aquele acervo exposto no local. É que se faz necessário digitalizar e higienizar o arquivo do jornal no ‘Laboratório de Restauração de Documentos da UFRN’. Só depois dessa etapa, uma exposição será possível.
O acervo do Diário de Natal chegou ao Museu Câmara Cascudo depois de quase ir parar em Pernambuco. É que o material, depois que a empresa Diários Associados S/A fechou o jornal em 2012, estava negociado com a Fundação Joaquim Nabuco. A UFRN tomou posse do arquivo após intervenção da promotoria do Meio Ambiente e do Patrimônio Público.
O trabalho iniciado essa semana depois de, praticamente, seis anos do acervo no museu sem que nunca tenha sido exposto ao público, é necessário por uma “questão de legislação”, conforme dito por um funcionário do local. É que um termo de comodato assinado pela universidade com a Editora Diários Associados S/A prevê a digitalização do acervo e acesso livre para consulta pública.
A UFRN se vê na ‘obrigação’ de tratar o arquivo do Diário de Natal e deixá-lo acessível no Museu Câmara Cascudo. Mas, a espera que já ultrapassou meia década ainda vai perdurar. “Esse trabalho é demorado, e estamos falando de um acervo enorme, de mais de 70 anos”, disse o funcionário.
Nota do Blog da Juliska:
Conheci de perto o vasto acervo do Diário de Natal nos cerca de 10 anos que atuei no jornal, desde estagiária como repórter até Editora Executiva. Trata-se de um material de enorme valor histórico, que guarda não somente edições do próprio Diário, como também a cópia do primeiro impresso a circular no RN e edições históricas da Tribuna do Norte. O acervo fotográfico é um tesouro à parte.
Durante os anos que o Diário circulou, o acervo foi consultado por profissionais do jornal e por inúmeros pesquisadores que procuravam nele registros únicos do cotidiano e da história potiguar. Desde o fechamento repentino do Diário, em outubro de 2012, quem conviveu e teve acesso ao acervo preocupa-se com sua conservação e destino, por saber do enorme valor que ele tem.
O acervo do velho Diário de Natal merece ser restaurado, digitalizado e conservado com atenção à altura do seu valor histórico. E que sirva para que as futuras gerações possam ter acesso a informações que estão fora do universo da internet, mas que não devem jamais ser esquecidas.
Foto: Ayrton Freire / Fonte: Portal no Ar, disponivel em: https://portalnoar.com.br/apos-seis-anos-museu-camara-cascudo-e-cobrado-e-inicia-restauracao-de-arquivo-do-diario-de-natal/