Foi bombado o primeiro Rolé das Agências de Publicidade de Natal, que aconteceu na quinta-feira (28) à noite, no bairro de Petrópolis, na capital. Estudantes, publicitários, representantes de veículos de comunicação e fornecedores se reuniram de forma descontraída - com música, comida e bebida gelada - para trocar uma ideia sobre a propaganda.

“O primeiro Rolé das Agências foi um formato piloto que já se mostrou com grande potencial. O nosso mercado publicitário, como um todo, reúne muita gente boa, empresas sérias, talentos, mas que precisa se encontrar mais, fazer networking, trocar boas ideias. Foi isso que fizemos e que senti na noite de ontem. É missão do Sinapro promover esse tipo de encontro e esperamos fazer mais em 2020.”, disse João Daniel Vale, presidente do Sinapro/RN.

O Sindicato das Agências de Propaganda do RN promoveu o encontro com a Buzz Mídia e contou com parceiros, como a InterTV Cabugi, TV Ponta Negra, Rádio Cidade (94 FM), Natal Press Comunicação Visual, Helisom Som e Luz, Mídia Digital RN e SBS Outdoor.

A resenha contou com a presença de PC Bernardes, que nos últimos três anos respondeu pelo desenvolvimento de soluções comerciais no conteúdo da Rede Globo e teve passagens pelas agências de publicidade Africa Rio e DM9. Ele bateu um papo com a galera e com a gente também. Abaixo, confira uma pequena entrevista com PC sobre o modelo de negócio da propaganda e as mudanças no mercado da comunicação.

O que o pessoal das agências do Rio Grande do Norte pode esperar desse bate-papo com você?

Em primeiro lugar, eu queria parabenizar pelo fato da gente estar se encontrando, né? Que é uma coisa que as pessoas estão fazendo cada vez menos. Acho que essa iniciativa do Sinapro, essa iniciativa da InterTV, com os parceiros, de juntar essas pessoas pra conversar sobre o mercado, realidade, dificuldades e tal...acho que eles podem esperar, assim, algumas ideias malucas e perguntas, por que eu acho que a gente precisa olhar o nosso modelo de negócio.

Chegou a hora de mudar esse modelo de negócio que as agências praticam?

Eu acredito que sim. O que eu acho só é que como a gente já percebeu que há necessidade de mudança, tem que tomar muito cuidado para gente não confundir inovação com novidade. Inovação é uma mudança sólida para alguma coisa. Então, assim: “Ah, precisa mudar o modelo de negócio da publicidade como ele é”. Eu acredito que ele precisa evoluir, não é necessariamente mudar. Ele já não é, na prática, o que ele sempre foi, mas qual é o que vai botar no lugar? Já sabemos? Não! Então, calma. Eu acho às vezes as pessoas um pouco apavoradas.” Ah, estamos em fase de mudança”. Fase de mudança significa muitos encontros como esse, conversar como a que a gente tá tendo aqui hoje pra avaliar, pensar, arriscar, sugerir.

Essas mudanças estão sendo positivas, do seu ponto de vista?

Olha, eu vou ficar com o conselho da minha mãe. Toda mudança será para melhor se você der um jeito de que ela seja. E algumas mudanças são planejadas, outras não. Então, algumas coisas da realidade de mercado, por exemplo, comportamento do consumidor, que mudou muito nos últimos 20 anos, isso não foi planejado por agência, por veículos nem nada. Agora, é o que temos. Temos um consumidor mais ativo, mais “questionativo”, mais cheio de “ivo”, participativo, criativo. Então, a gente tem que usar isso a favor. As mudanças, elas são, talvez, necessárias porque muita coisa tá mudando, não só a propaganda, não só o mercado de comunicação, o mundo tá numa mudança muito grande e não dá para, evidentemente, a área de comunicação, de publicidade e afins, parecer que é uma ilha fora desse negócio todo que tá mudando no planeta. De aquecimento global a sai esquerda, volta direita, e a propaganda ficar ali, olhando, achando que não é com ela. Isso não dá.

Deixa uma frase para o mercado de Natal, para o mercado do Rio Grande do Norte.

Eu acho que é... cuidem das pessoas. O que eu chamo de cuidar das pessoas? Primeiro, as pessoas com quem você trabalha, porque nunca nós precisamos tanto do empenho e sensibilidade das pessoas para perceber essas mudanças, essas nuances, essas idas e vindas que a gente tem. São os nossos colaboradores, os nossos parceiros, os nossos clientes, com quem a gente lida, eles vão ser o mapa pra construir esse caminho. Eu acho que o mercado de Natal ele tem capacidade pra isso, ele tá num momento, sob ponto de vista até de o Nordeste no Brasil, um momento assim, de outros ares. Eu acho que tem mais é que aproveitar. E aproveitar os ventos da mudança pra imprimir a mudança que você quer que faça, pra você não ser refém de uma mudança que alguém te deu.