O Blog da Juliska dá continuidade à série de reportagens em parceria com o Sinapro/RN com as principais agências de propaganda do mercado potiguar, que reúne algumas das mais longevas e atuantes empresas de publicidade do Nordeste. A agência de hoje é a RAF Propaganda.

Por Juliska Azevedo

A caixa de pescar lagosta é um artefato utilizado pelos adeptos à prática que garante que, uma vez capturado, o crustáceo não tenha mais como sair. É com essa comparação bem-humorada que o publicitário Rogério Nurmberger, à frente da RAF Comunicação e Marketing ao lado do sócio Agnelo Alves Filho já há 24 anos, descreve a relação duradoura entre a agência e seus clientes. Ou seja: depois que o cliente chegou na RAF, é difícil sair. E para comprovar a tese, ele apresenta uma lista de “lagostas” de destaque no mercado que estão na agência desde o início, ou há pelo menos uns 20 anos. “Nós temos uma carteira de clientes muito fiel. Resultado de uma relação de confiança muito forte. A gente não veste só a camisa do cliente, mas a roupa inteira”, brinca Rogério.

Nessa lista seleta dos parceiros de primeira hora, estão empresas como a Comjol; a Ale (que já foi Postos Caraú e depois, SAT); a Ponta Negra Automóveis e a Manchete Calçados – que estão desde a fundação da agência. No grupo dos que têm em torno de duas décadas de relação com a agência, estão Grupo Redenção, Iskisita Atacado e um dos principais anunciantes do mercado potiguar, a Unimed. “A gente entende que agência de propaganda deveria ser cargo de confiança. O cliente chega aqui e nos conta suas estratégias, seus segredos. E tratamos com o cuidado e zelo como se fossem nossos”, afirma o publicitário.

Rogério ressalta ainda o zelo pela qualidade. Segundo ele, essa é a maior exigência do mercado. “Se o cliente vir que não tem qualidade, ele troca. Se ele permanece, é pela confiança e qualidade do que está sendo feito”, comenta. Para o publicitário, a “transparência e honestidade com o cliente” é outra marca. “A gente briga para que o cliente tenha o melhor orçamento. A gente procura a melhor relação custo x benefício, o melhor fornecedor. Ele se sente seguro ao ver que tem quem brigue por ele”, relata.

Tradição na formação de talentos

Ao lado de uma cartela de clientes “antiga”, está um grupo de funcionários também longevo. A média de tempo de casa da equipe da RAF é de 7 anos e meio. Mas há gente com 20 anos de casa na agência, entre os 17 colaboradores ao todo. Cabe à RAF, inclusive, o título de primeira agência a ter um publicitário que se aposentou por lá: o diretor de arte Clecius Silva, conhecidísimo no mercado publicitário local como "negão".

Rogério ressalta que, ao longo dos anos, passaram pela RAF profissionais que atingiram o renome nacional na área. Foi lá, por exemplo, o primeiro emprego de Hugo Aranha, um dos principais publicitários brasileiros, que hoje atua com sua própria agência em New York mas trabalhou em grandes agências do Brasil, como a África, e em marketing político de nomes como o ex-presidente Lula. Lá esteve também Alonso Júnior, que atuou na gigante Fisher América e hoje está na Espanha.

Do mercado local, Rogério conta que muitos publicitários que hoje tocam suas próprias agências passaram pela RAF antes de empreender. Ele cita Marcelo Mariz, da MRZ Comunicação, e os sócios da Criola, Renato Quaresma, Gabriela Alves e Vinícius Cavalcanti, entre outros nomes. Dos tempos em que essa turma toda passou na RAF para cá, quando a automatização e a internet passou a facilitar a vida das agências, Rogério acredita que o perfil do profissional mudou. Hoje, poucos são os profissionais que mantém o foco na produção criativa. “As pessoas passaram a tirar menos de si próprias e mais dos “googles” da vida. Há um pouco de acomodação”, acredita.

Mas, como tudo na vida tem dois lados, a mudança trazida pelas redes também facilitou, por um lado, o trabalho. “Agilizou muito o processo. O cliente hoje pede anúncio pelo whatsapp e aprova pelo próprio aplicativo. Praticamente não se usa mais imprimir o material e levar ao cliente para aprovação”, comenta.

“Uma vez um cliente chegou para mim brincando e disse – a RAF pode até não ser tão criativa, mas é a empresa mais honesta com a qual já trabalhei!”, conta Rogério, acrescentando que ficou surpreso com a brincadeira, mas recebeu como um elogio. “Nós damos segurança ao cliente. Pensamos em ganhar em longo prazo, junto com o cliente, em vez de ganhar muito e não ver o lado do cliente”, explica.

Ale: um dos mais emblemáticos clientes

Um dos clientes mais emblemáticos e marcantes da RAF, a Ale é um dos principais cases de sucesso da agência. Atualmente, a empresa comandada pelo empresário Marcelo Alecrim fatura cerca de R$ 12 bilhões por ano.

“Nós pegamos a Ale quando o cliente tinha apenas uma rede de postos. Criamos uma marca para essa rede, Postos Caraú, e um belo dia ele ligou – em 1996 - dizendo que tinha ganho uma concessão de uma rede de postos, dizendo que ia ser concorrente da Shell, Texaco, BR. Fui na casa dele e ele tinha acabado de receber um fax. Ele me disse que havia criado a Satélite Distribuidora. Foi aí que criamos a marca SAT, com lay out de postos, uniformes dos frentistas, todo o conceito de combustível do Nordeste. A empresa foi crescendo até que eles fizeram uma fusão com a Ale. Essa história é bem interessante, de um cliente que tornou-se uma grande empresa”, relata.