Neste último dia do ano, em que florescem as reflexões sobre o que passou e o que virá, o Blog da Juliska fez as seguintes perguntas a profissionais que atuam com comunicação nas mais diferentes vertentes: “Qual foi o fato mais marcante na Comunicação em 2018?” e “O que você espera da atividade e do mercado da Comunicação para 2019?”. O resultado foi um apanhado de análises que abrangem olhares sobre mídias digitais, Fake News, meios tradicionais como rádio e TV, mercado e ensino do jornalismo, com ricas reflexões para o ano que vai chegar. Confira as opiniões abaixo:

Cledivânia Pereira – Jornalista, diretora de Redação da Tribuna do Norte, repórter colaboradora na Folha de SP e Mestranda em Estudos da Mídia (UFRN). Entre 2014 e 2016, venceu 15 prêmios de jornalismo (incluindo o Premio de Periodismo Económico Iberoamericano, da IE Business School, de Madri/2015):

“O mais marcante na comunicação em 2018 foi, na verdade, não digo uma mudança, mas uma consolidação do digital na troca de informação aqui no Brasil. Nas eleições deste ano, os assuntos até foram levantados pelas mídias ditas tradicionais. Mas os debates ocorreram nas redes sociais digitais. Quase nunca com o devido cuidado necessário, mas ocorreram lá. Ou seja: quem tem algo importante a dizer, precisa aprender a dizer, também, no digital.

Sempre digo que esse novo momento da comunicação - cada vez mais atravessado pelo digital - pode ser encarado como um buraco negro (caos) ou um quadro em branco (com infinitas possibilidades). Nunca tivemos tantas ferramentas para descobrir e distribuir informações que reflitam a realidade. Em contrapartida, nunca estivemos tão longe dessa realidade. Isso significa que temos um grande trabalho pela frente: reestruturar a rede de confiança do público com o jornalismo. E a gente só consegue isso fazendo e distribuindo bem o conteúdo jornalístico (nas plataformas on e off)”.

Marília Rocha - Formada pela UFRN, com pós-graduações em Gestão e Comunicação Pública, atuou em portais de notícia; jornais e televisão; assessoria de campanhas políticas; rádio; agência de publicidade; na assessoria do Executivo e do Legislativo estadual. Atualmente é diretora de Comunicação da Assembleia:

“As atualizações nas redes sociais com novas ferramentas de “ao vivo” provocaram mudanças no comportamento das pessoas em relação a internet e influenciaram as campanhas políticas estaduais e federais. O maior exemplo é a vitória do presidente Jair Bolsonaro que durante um mês atuou nas redes sociais e garantiu a eleição.

A comunicação deve continuar sendo modernizada com novos aplicativos, garantindo a continuidade do sucesso do mundo virtual. Em relação ao mercado, acredito que os comunicadores e os contratantes devem ter um ano com resultados positivos, já que o mercado se adaptou ao novo formato de criar e replicar informação com credibilidade, unindo o jornalismo, a publicidade e as redes sociais em torno de uma melhor comunicação”.

João Daniel Vale - Sócio-diretor da Art&C Comunicação e Presidente do Sinapro RN (Sindicato das Agências de Propaganda do RN):

“Difícil listar um fato marcante da comunicação em 2018, dada a alta dinamicidade do nosso negócio e o momento de constante transformação que vivemos. Eu prefiro destacar essa palavra: transformação. Vivemos uma mistura de meios tradicionais mantendo sua força de sempre e outros surgindo. A mudança/evolução dos hábitos e comportamento do consumidor também é um fator de atenção pra quem trabalha com comunicação.

Para 2019 espero uma retomada consistente do nosso negócio, acompanhando a retomada da economia. Torço também por estabilidade política no nosso país. É o mínimo que precisamos para que o setor produtivo possa trabalhar com mais confiança, investir e olhar pra frente”.

Juliano Freire - Jornalista formado pela UFRN, com experiência profissional em rádio, jornal e tv, além de assessoria de comunicação. É também escritor:

“O espaço para o jornalismo de rádio cresceu, em paralelo à migração de emissoras AM para o sistema de frequência modulada. A mudança por si só, aumentou o número de anunciantes das estações. As emissoras enxergaram uma lacuna (a carência por mais programas com informações da cidade e sua realidade) e ampliaram a quantidade de noticiários e programas jornalísticos em várias rádios de Natal.

Para 2019, aposto na ampliação dos investimentos em jornalismo de rádio, o segmento ainda é o de custo mais baixo em comparação com jornal e TV e tem cada vez mais uma simbiose com as redes sociais, inclusive com o uso de transmissão ao vivo com imagem, o que abre espaço para anunciantes e para a criatividade dos publicitários. Uma tendência que deve se consolidar e renovar este veículo, que para alguns estava morto”.

Eri Duarte - Empresário, produtor musical e sociólogo; diretor do Garagem Studio:

“Para mim, o fato mais marcante na comunicação em 2018 foi o ajuste que as Agências de Publicidade tiveram que fazer na sua comunicação, para trazer as mídias sociais como grande aliado; enquanto mídia alternativa de grande alcance.

Para 2019, espero que o Mercado continue primando pela qualidade nas suas produções de áudio e vídeo, para que suas peças possam se destacar em um mercado cada vez mais competitivo e volátil.

Gláucio Brandão - Professor Associado da UFRN. Gerente Executivo da incubadora INPACTA-UFRN. Tem por missão transformar a Escola de Ciências e Tecnologia em uma Escola de Negócios:

“Chamo de mídia convencional a mídia conduzida pelos meios de comunicação até então dominante, aqueles de comunicação unilateral, que deixam a audiência como entes passivos. Chamo de mídia amorfa aquela conduzida pela Internet, em que a audiência é ativa. Assim, 2018 marcou o ponto de inversão dessa dominância. Daqui pra frente, teremos uma nova forma de comunicação, uma comunicação em que cada componente da sociedade tem o poder de também ser fonte.

Para 2019, espero uma total reviravolta do conceito de sustentabilidade para a comunicação. Os canais de comunicação terão de sobreviver de duas formas: reguladores das notícias, pois com a proliferação de 'fontes', alguém/algum órgão terá de dar respaldo a este bem chamado informação real; vão ter de gerar conteúdos atraentes, pois o simples repasse de informação não dará condições de sustentar mais a comunicação da forma em que opera hoje”.

Priscilla Azevedo - é publicitária na Assembleia Legislativa, consultora de mídias digitais e trabalha com marketing digital desde 2010, sempre acompanhando as tendências de comunicação e estudando meios de desmistificar a política na internet, de forma a torná-la mais próxima da sociedade:

“Acredito que o que mais marcou a comunicação no Brasil em 2018 (e provavelmente impactará ainda mais nos anos que se seguirão) é a popularização do Firehosing, que consiste no compartilhamento em massa de Fake News, que espalhadas num volume incessante através de diversas mídias, acabam confundindo e manipulando a sociedade e muitas vezes, inclusive, a imprensa. Uma estratégia que exigirá uma maior cautela e comprometimento dos meios de comunicação, que talvez não estejam preparados pra lidar com isso.

Apesar de ver o maior marco da comunicação este ano com pouco otimismo, espero que em 2019 haja um grandes engajamento dos meios ao lidar com essas novas dificuldades, transformando-as em oportunidades e formas de fazer o bem, gerando conteúdos de credibilidade e usando as redes sociais e a internet como um todo com mais maturidade, agora que conhecemos os dois lados dela”.

Nélio JúniorJornalista, diretor da produtora de vídeos corporativos N Conteúdos, com sede em São Paulo/SP:

“Para mim, a mudança mais marcante na comunicação foi um novo posicionamento diante do poder destrutivo das fake news. Neste ano, grandes veículos e até mesmo grupos familiares discutiram o perigo que as notícias fabricadas podem trazer nas mais diversas áreas. Além disso, tivemos a força das redes sociais na campanha presidencial desbancando as grandes estruturas de comunicação.

Espero para 2019 criatividade e reinvenção. Uma nova era da comunicação está nascendo e quem ficar parado irá morrer. O fechamento da DM9, venda da Editora Abril, surgimento de blogs e reposicionamento de vários jornais indicam isso claramente. Por outro lado, temos a Globo investindo pesado no streaming com o GloboPlay, jornais apostando no conteúdo pago e surgimento de novos canais como o My News. Existe uma revolução em curso e que bom que fazemos parte dela”.

Priscilla Simonetti jornalista, Diretora de Marketing da Rede InterTV, afiiada Globo:

“Toda mudança de mercado traz junto os novos hábitos, comportamento e percepção do consumidor. A comunicação vem acompanhando essas necessidades. Uma mudança natural neste ano de 2018 foi a necessidade de clareza nas métricas e fatos. Propagar mensagens de forma aleatória não tem mais efeito diante da exigência das pessoas pela verdade. A estratégia nunca foi tão necessária neste mundo de multicanais, múltiplas ideias e muitas opiniões. Na dúvida, vamos aos fatos!

Em 2019 teremos um mercado mais maduro. Aprendemos testando, eliminando, aprimorando novas técnicas e principalmente, ouvindo as necessidades dos diferentes targets. Este será o ano de menos perfil e mais comportamento. Comunicar-se com pessoas não tem mais a ver com sexo, idade ou classe social. Hoje você fala com pessoal de diferentes idades e semelhantes hábitos!”.

Itamar Nobreprofessor universitário na UFRN; leciona nos cursos de Comunicação Social:

“Penso que o fenômeno das fakes news foi marcante na comunicação em geral em 2018. Para 2019, a expectativa é de uma dinâmica acentuada no mercado, na medida em que tecnologias cada vez mais avançadas possam oferecer destaques a novos talentos, novas personalidades com competências refinadas. O mercado será dos que tiverem conhecimentos multimídias”.

João José Forni jornalista, professor e Consultor de Comunicação. Autor do livro "Gestâo de Crises e Comunicação" e editor do site www.comunicacaoecrise.com:

“Eu creio que o fato mais relevante foi o desdobramento da crise no Facebook, que levou a rede a rever muitos de seus procedimentos de privacidade, como desdobramento do escândalo revelado no fim de 2017. Pra quem não lembra, o Facebook foi acusado de ter interferido em eleições nos Estados Unidos, ter facilitado a interferência da Rússia, nas eleições, e até no plebiscito do Brexit, na Inglaterra. Também foi acusado de espalhar propaganda viral e fake News para prejudicar políticos, numa relação promíscua com uma empresa britânica Cambridge Analytica. A rede falhou também em fazer uma triagem do discurso do ódio, intimidação e outros conteúdos tóxicos.

Além disso, pela primeira vez a rede perde usuários nos EUA, na faixa jovem. Não bastasse tudo isso, no fim deste ano, o New York Times revelou que o Facebook compartilhou mais dados pessoais de seus usuários com cerca de 150 gigantes da tecnologia, como Microsoft, Amazon e Neftlix do que já tinha revelado. Ou seja, a crise do Facebook ainda é o fato mais relevante.

Para ficar limitado ao Brasil, espero que em 2019 as atividades nas diversas áreas da comunicação sejam reativadas, incrementadas, após um ano que não deixou saudades. Que surjam mais oportunidades para os profissionais. Que as empresas voltem a olhar para a comunicação como um dos principais instrumentos para estimular seu negócio. E não deixem o discurso político tomar conta da pauta do país, em detrimento de tanta coisa boa que a comunicação traz para o mundo dos negócios, para os governos, as empresas. E que as redes sociais sejam mais usadas para divulgar cultura, entretenimento, conteúdos saudáveis e deixe de ser uma plataforma de ódio, de brigas sem sentido, de promoções pessoais ou empresariais. Mas um fórum onde os brasileiros realmente possam discutir o seu dia a dia. Sem discriminação de gênero, raça, religião, partido político, idade ou qualquer outro tipo de sectarismo”.

O Blog da Juliska fica na torcida para que todos os bons presságios dos profissionais acima sobre a Comunicação, a atuação dos comunicadores e a recuperação do mercado sejam confirmados em 2019. Feliz Ano Novo a todos os leitores!