28 de Janeiro de 2022
Estudante da UFRN cria cartilha sobre a população LGBTQIA+
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Sérgio Bulhões, estagiário na Unidade Básica de Saúde (UBS) do Bairro Nordeste e aluno do curso de Enfermagem da UFRN, é o responsável pela criação de uma cartilha que busca orientar profissionais de saúde no acolhimento à comunidade LGBTQIA+. Resultado de um mês de trabalho, o material representa mais um passo na luta pela garantia dos direitos básicos dessa população. O documento foi lançado nessa quarta-feira, 26, em comemoração ao Dia Nacional da Visibilidade Transexual e Travesti, celebrado no próximo sábado, 29 de janeiro.
Com a decisão da Secretaria Municipal de Saúde de Natal (SMS) de tornar a UBS do Bairro Nordeste referência no atendimento dessa comunidade, Sérgio teve a ideia de criar a cartilha para auxiliar os profissionais da unidade básica no acolhimento dessas pessoas a partir de questionamentos que ele vinha realizando: “como essa população seria acolhida? Como seria atendida, tendo em vista que geralmente essas pessoas não procuram os serviços de saúde por receio da forma como serão tratadas, principalmente transexuais e travestis?” Para validar o conteúdo do material, Sérgio fez questão de pesquisar e conversar com pessoas que fazem parte da comunidade LGBTQIA+: “Entrei em contato com dois estudantes do Mestrado em Ciências Sociais em uma linha de pesquisa voltada a essa população. Busquei validar as informações e definições antes de finalizar o trabalho”, explica.
Além de orientações sobre os nomes, as siglas e seus significados, diferenças entre sexo biológico, gênero e atração sexual, a cartilha também apresenta informações importantes sobre o nome social, que deve substituir o nome civil das pessoas transexuais e travestis em todos os documentos, inclusive no cartão do SUS. Tendo em vista a defesa dos direitos da comunidade LGBTQIA+, o estudante afirma a necessidade desse conhecimento para todos, não apenas para os profissionais das UBS: “Acompanhei o receio de amigos ao procurar por serviços de saúde, principalmente pelo medo de sofrerem discriminação. A cartilha surgiu para orientar os profissionais da saúde, mas não só eles, todo mundo, para que as pessoas LGBTQIA+ se sintam acolhidas”.
O incentivo para a criação da cartilha veio da enfermeira Lúcia Lopes, responsável por acompanhar Sérgio em seu estágio, na UBS. Ela conta que a Unidade Básica do Bairro Nordeste já era escolhida por essa população quando buscava atendimento médico: “Notei que tínhamos um público enorme, eram trans e travestis não apenas do Bairro Nordeste, mas de diversos pontos da cidade. Conversei com Sérgio para fazermos alguma coisa e ele me trouxe a ideia da cartilha, que eu não pensei duas vezes em aceitar”. Outra contribuição relevante veio da enfermeira Cléia Patrícia, coordenadora do Ambulatório de Transexuais e Travestis (Ambulatório TT) de Natal, que afirma a importância do documento: “A cartilha surge da proposta de reorganização da atenção primária no atendimento da população LGBTQIA+, tendo em vista a necessidade de tais informações para que esse acolhimento e cuidado seja possível”. Lúcia afirma ter se surpreendido com a repercussão da cartilha, tomando isso como incentivo para desenvolver o trabalho com ainda mais motivação: “Para ser sincera, eu fiquei surpresa com a repercussão e muito feliz pelo reconhecimento. Tenho certeza de que vamos continuar fazendo um lindo trabalho”.
Inicialmente, a cartilha seria um documento apenas virtual, porém, após a proposta ter sido apresentada à SMS, ficou decidido que o material seria impresso e distribuído para todas as UBS da cidade. “A coordenação do Ambulatório TT de Natal achou de extrema relevância que a cartilha fosse impressa e distribuída, por causa da forma leve e explicativa com que aborda os temas. Além de ser uma forma de promover a garantia dos direitos dessa população. Ao todo, foram impressos dois mil exemplares”, afirma o estudante.