Artigos

26

Dez

[ARTIGO] Para sobreviver a pandemia e uma possível segunda onda, é preciso ter discernimento e sabedoria no âmbito empresarial

*Por Paulo Zahr

Tratar a temática de empreendedorismo em 2020 nos remete, impreterivelmente, à pandemia causada pelo coronavírus. Seja em livros, blogs ou palestras que temos acesso pela internet, a dica é, para quem se aventura no negócio próprio, ter, além de conhecimentos técnicos, um ótimo jogo de cintura e maturidade para enfrentar situações muitas vezes imprevisíveis e inesperadas. Foi o que aconteceu em março deste ano, quando o Sars-Cov-2, responsável por causar a Covid-19, fez a primeira vítima no Brasil. De lá para cá, o que se tinha como certo se transformou em incerteza e reflexões em âmbito pessoal ou profissional nos levaram a repensar nossas estruturas, incluindo as formas de se adaptar e criar estratégias para a crise.

O comportamento das pessoas em relação ao consumo mudou completamente nos primeiros dias da pandemia e itens considerados de primeira necessidade, como alimentos, bebidas e medicamentos, tiveram a preferência frente às demais. Mas tão logo as semanas passaram, novas necessidades foram surgindo e, mesmo temerosas com o futuro financeiro, a população adaptou seu modo do consumo, apostando em outros setores do mercado, como o de construção e reforma,  móveis e estofados; alusão clara que mesmo o ‘ficar em casa’ exige gastos. É diante deste cenário que vale a pena o empresário se ater e adquirir uma nova postura na gestão de seus negócios, investindo no aperfeiçoamento de sua comunicação a fim de que o público-alvo perceba a necessidade do serviço ofertado.

Não há uma receita pronta capaz de solucionar a vida de todos os empresários, mas, com alguns truques, é possível se sobressair no mercado. A primeira delas é que é preciso estar atento às informações que chegam pela imprensa, sobretudo aquelas relacionadas à economia e propostas dos Governos. Fuja, sempre, de fake news, pois elas não agregam e ainda roubam tempo e energia para a elaboração de ações que sejam de fato eficazes. Faça um estudo contábil aprofundado com as informações que o próprio negócio gera, verificando os custos envolvidos com os processos e quais maneiras é possível intervir para reduzi-los. A mais óbvia delas é negociar e, diante de uma crise deste nível, há maior margem para tal. Mas cuidado, pois priorizar custos, seja de fornecedores ou prestadores de serviço, pode não ser a melhor solução, uma vez que a falta de certeza da estrutura e qualidade para atendê-lo não compensa a substituição.

É o que acontece, por exemplo, com o marketing. A primeira vista pode figurar na lista de cortes necessários, embora seja ele quem irá traçar a estratégia para gerar lucro à empresa. Reavalie as ações e tenha em mente que é importante estar presente, sendo sensível ao momento e, em hipótese alguma, soando como oportunista com o impacto que a pandemia tem trazido na vida das pessoas. Essa é mais uma das razões para evitar, por conta de custos, o amadorismo. E por falar em lucro, é importante saber que em contextos de crises, o foco da empresa deve ser primordial em melhorar a gestão, com o objetivo de se tornar mais forte e ganhando musculatura para enfrentar os desafios econômicos que vêm na sequência. Alguns segmentos podem lucrar mais, por conta da necessidade da população, mas todos podem sair amadurecidos e prontos para as oportunidades que virão.

Frente a segunda onda da pandemia que nos ameaça com um novo lockdown, quando a retomada do comércio parecia certa, é natural que o desânimo surja entre o empresariado. É preciso nessa hora ter em mente que nenhuma crise é eterna e assim como o mundo superou a grave crise financeira em 2008 e resistiu, esta também é passível de ser superada. Mas, se a análise fria dos números internos da empresa revelar que o seu negócio terá grandes chances de ter prejuízo neste momento e nos meses que virão, talvez seja melhor reavaliar as formas de evitar esse cenário e, em alguns casos, dependendo do mercado no qual está inserida, o encerramento das atividades ser uma saída para se distanciar de dívidas. É uma possibilidade para retomar no futuro com um novo negócio sem sequelas e mais otimista com o futuro.

*Paulo Zahr é cirurgião dentista, fundador e CEO da OdontoCompany, maior rede de clínicas odontológicas do país e segunda do mundo, com mais de 800 unidades espalhadas em todos os estados brasileiros, exceto Acre. Há 30 anos no mercado e 10 no franchising é reconhecida pelo pioneirismo em implantar técnicas de ortodontia, dentística, estética, endodontia, implantodontia e outros procedimentos que utilizam a mais alta tecnologia.

25

Dez

[CRÔNICA] Um olhar dentre os olhares

*Por Gabriel Rodrigues Morais

O homem acorda. O seu despertar é acompanhado por um sentimento inesperado: ele decide que, naquele dia, buscaria olhar as coisas de uma maneira diferente e ver tudo aquilo que os seus olhos impediram de enxergar no dia anterior. A cegueira que ele alegava ter não era visual, mas sim, de sentimentos, das sensações que só acontecem naqueles que ousam voltar a perceber a beleza das coisas simples da vida.

Ele caminha. Os passos guiam o homem para as memórias esquecidas. Ele já não é mais o mesmo. O tempo e os afazeres elencados como sendo os mais importantes haviam ocupado o espaço que outrora foi preenchido pelo afeto. Ao ver uma foto de sua filha criança em seus braços, lembrou que já foi um pai atencioso e tudo o que ele mais queria no fim do dia era poder sentir o seu abraço. “As horas foram cruéis comigo”, pensou ele, “pois elas não me deixaram perceber que eu era feliz e não sabia”, disse o homem, enquanto lamentava não poder mais repetir aquele mesmo momento.

Ao sair de casa, o homem percebe que o sol revela percepções que antes ele ignorava: os pássaros que anunciam a chegada de mais um dia; as rosas que desabrocham para serem contempladas pelos humanos; o cheiro do café e do pão com manteiga que trazem a recordação de uma infância humilde, mas rica de felicidade.

Ele quer fechar os olhos. Quer esquecer que um dia disse que não tinha tempo para viver como queria. A sua vontade de ganhar poder, prestígio e ascensão diante de seus pares transformaram-no no reflexo daquilo que muitos desejam ser. E depois de serem isso, poucos são os que querem seguir assim. Ele então chega a uma decisão. Desistiu de ser apenas mais um olhar dentre os olhares que enxergam as mesmas coisas. Decidiu ter um olhar que tem muito a dizer, mesmo sem pronunciar uma só palavra. 

*Jornalista

19

Dez

[ARTIGO] LGPD: banir o uso de smartphones no meio corporativo não é a melhor solução

*Por Wally Niz

Segundo o  McKinsey Global Institute,  as organizações impulsionadas por dados têm possiblidade 23 vezes maior de conquistar clientes, seis vezes maior de manter e 19 vezes maior de conseguirem resultados rentáveis e promissores. Sem dúvida, o diferencial competitivo de uma empresa de sucesso, em grande parte, está relacionado a sua inteligência de dados.  

Tal comprovação desencadeou, nos últimos anos, grandes investimentos em gestão de informações pessoais, responsável por nortear a tomada de decisões e definir as diretrizes de um negócio. O tema ganhou ainda mais visibilidade com a entrada em vigor da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), em agosto de 2020.  

Obviamente, os princípios que regem a LGPD visam assegurar a integridade de dados pessoais, evitando, assim, riscos de vazamento, sua utilização de maneira não justificada ou sem o consentimento de seu proprietário. Isso garantirá, positivamente, mais segurança jurídica a todas as partes envolvidas, além reafirmar o direito de privacidade.  

Tal medida exige que as empresas reavaliem suas formas de coleta, armazenamento e processamento de dados, obedecendo às normas estipuladas pela lei, o que nem sempre é possível. Em muitos casos, as companhias não dispõem de estrutura adequada para essa avaliação, com profissionais especializados nesse tratamento.  

O que pode ocorrer, infelizmente, são atitudes que vão na contramão dos incontáveis avanços oriundos da transformação digital. Em outras palavras, inúmeras organizações optam por banir ou deixam de investir no gerenciamento de dados de seus clientes, o que prejudica seu crescimento e sua produtividade frente à concorrência, que, por sua vez, reconheceu a necessidade de implantar um controle de riscos rigoroso. 

Exemplo de ação malsucedida é a extinção do uso de smartphones e tablets para fins profissionais. Tendo em vista um cenário no qual celulares e outros dispositivos móveis têm papel cada vez mais significativo no cotidiano corporativo, até pelo fato de conseguirem armazenar grande volume de informações, tirá-los do percurso representaria retrocesso.  

Ao mesmo tempo, a liberação irrestrita desses dispositivos – sem o devido gerenciamento das informações corporativas que circulam por seus programas e aplicativos – é um erro tão grave quanto seu banimento. 

Como achar o equilíbrio? Por meio de intervenções que diminuam sua vulnerabilidade diante de ataques de hackers. Entre elas, a instalação de sistemas operacionais seguros; implantação de políticas de segurança e também de controle de acesso a aplicativos; utilização de protocolos para o trato com o relato de perda ou roubo de dispositivos corporativos ou pessoais com informação corporativa; capacitação de funcionários sobre a importância da proteção de dados corporativos durante o acesso a redes sem fio e atualização constante de softwares móveis. Além dessas, muitas outras medidas podem (e devem) ser consideradas para a adaptação das empresas ao novo regimento.  

Existem excelentes ferramentas que oferecem esses tipos de serviços, como plataformas de Enterprise Mobility Management (EMM), cuja finalidade é proteger a entrega e o acesso ao conteúdo corporativo, definir e reforçar a políticas de TI, aplicar limites geográficos virtuais para dispositivos, maximizar recursos de autenticação, gerenciar certificados e criptografar dados. 

Não há outra opção. As penalidades pelo não cumprimento da lei poderão causar prejuízos financeiros, além de conflitos de imagem, uma vez que a falta de transparência poderá comprometer a reputação de uma empresa.  

*Wally Niz é diretor de Marketing e Vendas da Navita, líder em serviços gerenciados de mobilidade, TI e telecom. navita@nbpress.com  

 

13

Dez

[ARTIGO] Entenda a importância da gestão financeira para um negócio e como se manter no azul

*Por Éber Feltrim

A gestão financeira é um dos principais fatores de importância em um negócio. Pense principalmente nesses dois caminhos: a administração de recursos positivos, com lucros e boas reservas ou a de recursos negativos, que são endividamentos e falta de fundos. Mas não saber a situação atual do negócio é algo comum, muitos gestores não sabem se operam no azul ou no vermelho, o que é uma grande deficiência da gestão financeira.

O primeiro passo para ter um caso positivo de administração é que o dinheiro sobre ao fim do mês. Mas como fazer para isso acontecer? Uma boa alternativa é a diversificação de serviços e produtos oferecidos pelo estabelecimento. Isso porque esse é um excelente caminho para aumentar os lucros de um negócio, sem colocar todos os ovos na mesma cesta. Outro ponto importante é investir com sabedoria e pensar em letras de câmbio, CDB e títulos públicos, que trazem possibilidade de fazer o dinheiro render mais. Gastar os rendimentos também deve ser algo feito com qualidade e atualmente existem plataformas que podem ajudar com isso.

No entanto, quando existe a falta de recursos, também existem soluções que podem ser aplicadas, mas a primeira coisa a ser feita é identificar onde estão os erros e o que causa esse problema. Portanto, faça uma lista de quais são as contas fixas, dívidas e tudo o que fez a empresa chegar a uma situação de prejuízo. Com isso em mãos, é possível pensar em estratégias para que os pagamentos sejam efetuados de uma maneira mais inteligente, até mesmo com juros menores.

É claro que apenas isso não é o suficiente para fazer com que o cenário seja revertido, mas ajuda bastante. O próximo passo é saber quais são os erros cometidos que dificultam o crescimento financeiro. Entre eles, está a simples atitude de não enriquecer, pois ganhar dinheiro também é resultado de atitudes, lembrando também que ser rico se trata de ser feliz, honrar com os compromissos e não ter nenhum ruído de imagem causado pela situação financeira.

Outra condição que faz gestores perder dinheiro é negligenciar as negociações, seja ao não analisar os preços dos concorrentes no mercado ou mesmo durante o fechamento com clientes. A percepção financeira também é um dos erros constantes, especialmente quando relacionados às despesas ocultas. Por exemplo, ao adquirir um carro e parcelar o valor dele, é preciso calcular nessas parcelas a desvalorização do automóvel, as manutenções, desgastes etc. É o caso também de pagar os valores mínimos de um cartão de crédito, que resultam em juros.

Ter um objetivo definido é fundamental. Dito isto, é ideal ter em mente que primeiro é necessário fazer o que deve ser feito e apenas depois de concluir isso fazer o que quer. Lembrando que esse primeiro ponto pode levar anos para acontecer.

Outro grande inimigo das finanças positivas pode ser você mesmo, ao não realizar um balanço do que é importante no momento de gastar, como priorizar compras ao invés de dívidas. Não é necessário se privar de nada, mas procure estocar dinheiro ao invés de coisas. Especialmente em clínicas, uma vez que muitas vezes ocorre que os itens podem ser comprados em maior quantidade do que o necessário, chegando até mesmo a vencer.

Observe o fluxo de caixa com mais atenção e tenha cuidado com gastos desnecessários que podem estar impedindo que a sua empresa lucre.

*Dr. Éber Feltrim - Especialista em gestão de negócios para a área da saúde começou a sua carreira em Assis. Após alguns anos, notou a abertura de um nicho em que as pessoas eram pouco conscientes a respeito, a consultoria de negócios e o marketing para a área da saúde. Com o interesse no assunto, abdicou do trabalho de dentista, sua formação inicial, e fundou a SIS Consultoria, especializada em desenvolvimento e gestão de clínicas.

12

Dez

[ARTIGO] Nada mais será como antes

*Por Caio Cunha

Em meus mais de 40 anos de experiência na área de tecnologia, nunca vi tanta transformação como no momento em que estamos vivendo agora. O digital já estava ocupando uma grande fatia do mercado de negócios, mas com a pandemia de coronavírus, tornou-se impossível para as empresas sobreviverem sem estar presente no mundo virtual.

Foi o vírus que abriu os olhos das pessoas que o digital é um caminho sem volta. Não adianta esperar que as coisas voltem a ser como eram antes. Isso não vai acontecer. Pelo contrário! Daqui pra frente, tudo estará em constante mudança e inovação.

Costumo dizer que o marketing digital é tão complexo quanto o corpo humano. O site de uma empresa é seu coração, o ponto de partida, essencial para o funcionamento de tudo. E as veias representam as diversas ferramentas que temos à disposição. Cada uma delas com uma função, produzindo resultados diferentes. É preciso ter conhecimento para saber qual delas é ideal para o que se busca.

Com a necessidade e a urgência do digital, trazidas pela pandemia, muitas empresas saíram no desespero, investindo sem planejamento, nem estratégia. Afinal, todo mundo acha que sabe como fazer marketing. Basta ouvir dizer que o melhor é produzir conteúdo no Instagram, que todos os esforços vão para esse caminho, sem identificar se é a melhor ferramenta para o perfil da empresa, se é adequado para os objetivos que procura. E os resultados, muitas vezes, não aparecem.

Assim como as empresas contratam engenheiros para fazer uma obra em um prédio ou profissionais de Direito quando precisam resolver um problema jurídico, é fundamental contar com um especialista em marketing, para planejar seus investimentos na área digital. Só um especialista sabe, exatamente, como manter a saúde do seu site, suas redes sociais, seu e-commerce e como usar melhor as opções que esse mercado coloca à disposição. E que estão inovando a todo momento.

O digital tornou-se um caminho mais rápido e eficaz para a geração de negócios. Mas é preciso ver que ele não é apenas um canal para fazer contato com clientes. Por meio da estratégia correta, é possível reforçar sua marca, avaliar a concorrência, apresentar novos produtos e serviços e, claro, aumentar o volume de negócios. Basta manter o coração pulsando e as veias trabalhando da melhor forma possível!

*Caio Cunha é Presidente da WSI Master Brasil, co-Fundador da WSI Consultoria e membro do Global WSI Internet Consultancy Advisory Board. Com ampla experiência na área de tecnologia, Caio Cunha fez carreira como executivo em grandes empresas multinacionais, entre elas, a SAP. Em 2009, quando decidiu mudar e tornar-se empreendedor, abriu uma franquia da WSI no Brasil e, um ano depois, assumiu a representação da marca no País.

6

Dez

[ARTIGO] Pix: novos desafios para a segurança dos dados

*Por Gustavo Mendes

De uma maneira geral, empresas de vários setores têm repensado sobre suas operações e em como os clientes consomem seus produtos. Sem dúvida há uma alta demanda por parte dos consumidores por soluções que sejam ágeis, simplificadas, mais baratas e que também possam ter segurança. Um exemplo é o Pix, o novo sistema de pagamentos, totalmente digital, desenvolvido pelo Banco Central (Bacen), que acaba de ser lançado.

No entanto, ao mesmo tempo em que esse novo sistema chega para otimizar processos antigos, é imprescindível lembrar que pagamentos via internet também envolvem a transferência de dados pessoais, incluindo informações bancárias, o que levanta um alerta sobre segurança para toda a cadeia de transações financeiras que envolve empresas, instituições financeiras e clientes. Segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), de fevereiro para março, foi registrado um aumento de 44% em golpes que usam nomes de bancos ou instituições financeiras para roubar dados e movimentar dinheiro das vítimas.

Com a chegada do Pix, este cenário não deve ser diferente e as instituições envolvidas precisam reforçar as devidas medidas de segurança para se proteger de possíveis fraudes. De acordo com o Banco Central, o fator segurança faz parte do desenho do Pix, uma vez que toda as transações ocorreram por meio de mensagens assinadas digitalmente, criptografadas e em rede protegida. Além disso, todos os dados pessoais e informações veiculadas são protegidas pela Lei do Sigilo Bancário e pela recém-chegada Lei Geral de Proteção de Dados, a LGPD. As instituições que coletarem e tratarem dados pessoais poderão ser responsabilizadas por uso indevido, fraudes ou extravios decorrentes da falta de segurança da informação.

Além da adequação com as normas de segurança por parte das empresas, é preciso levar em consideração um outro problema que a tecnologia ainda não conseguiu resolver: o fator humano. Se, por um lado, cabe às instituições financeiras e ao Bacen garantir a segurança e integridade dos dados, em contrapartida, é importante que o consumidor faça sua parte e preste atenção para não ser alvo dos golpes e crimes cibernéticos. Segundo relatório publicado pela Kaspersky, fabricante de soluções de proteção de dados, os brasileiros estão entre os principais públicos-alvo mundiais de Phishing, e-mails fraudulentos que cibercriminosos enviam aleatoriamente para suas vítimas com o objetivo de “pescar” informações confidenciais.

Uma das formas de receber valores pelo Pix é por meio de códigos QR dinâmicos ou estáticos, e é natural imaginar que golpistas vão abusar desse recurso para desviar pagamentos, ao personificar marcas e e-commerces. Por isso, é fundamental que o processo de cadastramento seja feito por meio dos canais oficiais das instituições e dispositivos que tenham senhas seguras ou biometria que os protejam de acessos indevidos, assim como os aplicativos para efetuar os pagamentos tenham pelo menos dois fatores de autenticação.

Paralelo a isso, outro tópico que continua sendo motivo de preocupação para muitos usuários são as chaves Pix. Em vez de passar todos os seus dados bancários e pessoais para receber uma transferência, você poderá enviar somente uma chave Pix, que pode ser registrada de quatro maneiras: seu número de telefone celular, CPF/CNPJ, e-mail ou chave aleatória. Depois das denúncias de cadastro sem autorização em algumas instituições financeiras, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) divulgou recentemente um alerta de golpistas aplicando técnicas de phishing e engenharia social, usando o Pix como pano de fundo.

Nesse caso, restringir o uso do Pix a apenas uma chave aleatória se mostra uma boa alternativa para aqueles que ainda estão inseguros. Nesta modalidade, é possível receber uma transação sem precisar repassar dados pessoais a quem fará o pagamento. Os usuários podem gerar uma chave aleatória no aplicativo, que consiste em um conjunto de números, letras e símbolos gerados aleatoriamente que identificarão a conta e poderão ser compartilhados a fim de realizar a transação. É possível cadastrar uma única chave aleatória ou gerar uma a cada vez que for compartilhá-la com alguém, apagando a anterior e diminuindo as chances de possíveis golpes.

Com mais de 33 milhões de chaves Pix já cadastradas, de acordo com o Bacen, esse meio de pagamento instantâneo tem tudo para crescer e evoluir. Em contrapartida, a disponibilidade do serviço e a segurança nas transações serão fatores determinantes para que as pessoas se sintam confiantes para entrar nessa nova era dos pagamentos digitais com o pé direito, sem esquecer do principal: atenção com a proteção dos dados.

*Gustavo Mendes é security sales engineer da Adistec Brasil

29

Nov

[ARTIGO] O presente e o futuro da experiência do cliente no varejo e no eCommerce

*Por Shirley Klein

Embora muito se fale sobre experiência do cliente, a realidade é que ainda encontramos empresas de varejo e eCommerce que têm apenas uma vaga idéia do conceito ou que ainda não encaram o tema como uma parte intrínseca de sua estratégia.

Um bom caminho para, de fato, colocar a experiência do cliente como uma prioridade para o negócio é o investimento em tecnologia. A transformação digital é base para otimizar métodos e processos, garantindo o acesso a informações em tempo real e a visibilidade de cada etapa da operação, seja ela física, online ou uma mistura das duas. A disponibilidade e o uso inteligente de dados pode mudar vários aspectos da experiência do cliente. Neste sentido, temos visto algumas tendências ganharem força nos últimos tempos:

1. Preço e qualidade não são mais decisivos

Preço e qualidade já não são mais os únicos fatores que os consumidores levam em conta ao escolher uma marca. Assim, dominar outros diferenciais competitivos é essencial. Um deles é a implantação de tecnologias móveis, como tablets e smartphones corporativos. De acordo com o estudo Global Shopper, da Zebra Technologies, 40% dos consumidores na América Latina afirmaram ter uma experiência melhor quando funcionários de lojas estão equipados com dispositivos móveis. Por sua vez, 83% dos colaboradores revelaram que os aparelhos permitem que eles ajudem um número maior de clientes, proporcionando uma melhor experiência de compra.

2. Lojas digitais e físicas interligadas

Como consequência da expansão da experiência omnichannel e do impacto da pandemia, o eCommerce atingiu níveis de crescimento sem precedentes nos últimos meses. A tendência não é o desaparecimento dos pontos de venda, mas sim um equilíbrio entre canais, oferecendo ao cliente a possibilidade de comprar como, onde e quando quiser. Por isso, as empresas precisam de um sistema único que controle estoques de lojas físicas e galpões de distribuição de compras online. Isso é possível por meio da disponibilidade de informações em tempo real, viabilizada por tecnologias móveis. Visualizar todas as áreas e etapas da operação permite aumentar a velocidade de resposta e, consequentemente, cumprir prazos de entrega e oferecer uma boa experiência de compra ao cliente.

3. Serviços e produtos personalizados

Nos últimos anos, os mais diversos setores, inclusive Varejo e eCommerce, têm sido demandados por consumidores que valorizam a personalização e esperam produtos e serviços que atendam perfeitamente as suas necessidades e os seus desejos. Porém, conhecer o cliente também está cada vez mais fácil para as marcas, já que todas as interações com ele são registradas e geram dados valiosos. As lojas devem usar essas informações para tomar decisões inteligentes e certeiras, garantindo a personalização que o consumidor espera.

4. Soluções inteligentes e de autoatendimento

Empresas líderes já estão implantando assistentes inteligentes tanto no atendimento ao cliente quanto nos bastidores, em estoques e centros de distribuição. Robôs e co-bots auxiliam na realização de tarefas relacionadas ao controle de estoque, reposição de produtos e verificação de preços, por exemplo. Assim, aliviam a carga operacional em cima dos trabalhadores para que eles possam se concentrar no atendimento ao cliente, criando um relacionamento humano com o consumidor.

Além disso, há também a opção de oferecer ao cliente soluções para que ele faça suas compras em lojas físicas de maneira independente. São aparelhos como quiosques de atendimento, pontos de pagamento que funcionam com tablets e dispositivos de compras pessoais. Eles atendem a maioria das necessidades que um consumidor tem dentro da loja: consulta de produtos, consulta de preços, check-out e pagamento.

Outro ponto onde o mundo digital e o mundo físico cruzam suas fronteiras e impactam a experiência do cliente é o uso de tecnologias de realidade virtual e realidade aumentada. Elas também podem ser usadas tanto pelas equipes de lojas e centros de distribuição, facilitando os processos ligados a estoque, embalagem e despacho, por exemplo, quanto por consumidores, que têm acesso a informações extras sobre produtos, testes e demonstrações.  

5. Velocidade na última milha

Em 2017, a Cisco previu que a velocidade de entrega seria um dos principais fatores que impactariam a experiência do cliente em 2020. A previsão se tornou realidade. Para ter certeza de que prazos de entrega serão cumpridos, empresas de transporte e logística equipam seus colaboradores com tablets e computadores móveis corporativos.  Eles otimizam os fluxos de entrega ao indicar melhores rotas e ao oferecer informações em tempo real sobre endereços, embalagens e clientes. Como consequência, o cliente recebe seu pedido o mais rápido possível.

É fato que a experiência do consumidor não é mais apenas física, mas sim omnicanal, oferecendo ao cliente o melhor do mundo real e do digital. E a tecnologia é um combustível para esse equilíbrio. Para se modernizar, cada empresa deve levar em conta seu setor, seu mercado e seus clientes, escolhendo a estratégia que melhor se adapte ao seu negócio. Não importa o caminho, mas adaptar-se aos novos tempos é essencial para transformar clientes em fãs.

*Por Shirley Klein, Gerente de Marketing da Zebra Technologies no Brasil

 

 

28

Nov

[ARTIGO] Pandemia pode aumentar a desigualdade educacional no Brasil e o papel transformador das escolas se torna ainda mais evidente

*Por Nathan Schmucler

A pandemia de Covid-19 escancarou o que já era sabido por muitos: a desigualdade educacional no País é altíssima e desencadeia em diversos outros problemas sociais e econômicos. Com dimensões continentais, o Brasil já vinha penando no âmbito educacional, conforme mostrou o ranking global segundo o Anuário de Competitividade Mundial 2020, que o fez amargar a  63ª posição, última da lista. O que chama atenção é que, embora 6% do PIB seja destinado à pasta Educação - algo comparável a países ditos de primeiro mundo - o valor investido por estudante está abaixo da média mundial. Reflexo disso é que, apenas 19% da população de 25 a 34 anos alcança o nível superior de ensino, contra 42% da média mundial.

Se no cenário pré-pandemia os índices não eram animadores, o que esperar agora, que enfrentamos uma das maiores crises - econômicas e sanitárias - e que trazem reflexos negativos na educação? Com as medidas de isolamento social e consequente suspensão das aulas presenciais, a realidade do ensino foi duramente impactada. Novamente, classes menos favorecidas sofreram mais por inúmeros motivos e o principal deles foi pela falta de estrutura tecnológica, impedindo-os de acompanhar as aulas remotas. Estudo feito pela Fundação Getúlio Vargas mostra que alunos brasileiros tiveram menos horas/aula do que o estabelecido pela Lei de Diretrizes Básicas da Educação. Foram em média 2,37 horas contra quatro horas recomendadas. Existem diferenças enormes entre as regiões do País e, mesmo os melhores exemplos, ainda entregam resultados ruins.

Uma vez que existam tantos desafios e entraves na esfera pública, como déficits orçamentários, falta de qualificação dos profissionais e de investimentos em estruturas, a iniciativa privada tende a suprir essas demandas e assume também um papel importante na formação de cidadãos, o que, espera-se, fará a desigualdade social diminuir. Isso porque, ainda segundo a FGV, a cada ano de ensino representa cerca de 15% de ganho a mais em salário e aumenta em 8% a chance do aluno conseguir um emprego no futuro.

Os dados revelam que há uma grande lacuna a ser preenchida no que diz respeito à educação do Brasil. O segmento deve adaptar-se à realidade dos alunos e a tecnologia se mostrou crucial para o aprendizado, sobretudo na pandemia. É possível oferecer com expertise um conteúdo atualizado, em um espaço integrativo e otimizado, que estimule o estudante o tempo todo a assumir seu papel de protagonista na vida e na sociedade, de forma a se tornar, sobretudo, um agente de transformação social. E esses benefícios não devem e não podem ficar restritos a uma minúscula parcela da população que pode pagar mensalidades altas, que podem chegar até R$10 mil.

Longe de ferramentas caras e inacessíveis ou em um ambiente que lembre uma matrix, o jovem precisa mesmo é de uma dinâmica em sala de aula que favoreça a comunicação entre alunos e os incentivem a trocar experiências e conhecimentos.  Provocar investigações e validações os colocam como desbravadores do saber, dando condições para seguir, ao longo da vida, testando diferentes formas de mudar seus espaços sociais. O cenário é favorável e não à toa o número de matrículas nas escolas privadas cresceu 1,55%, passando dos 8.995.249 de 2018 para 9.134.785 em 2019. Se é consenso entre pais, educadores e sociedade geral que a educação é a chave para mudar o País, resta a nós investirmos em projetos e negócios que de fato promovam a mudança que desejamos e sejam, sobretudo, viáveis para todas as classes sociais.

*Nathan Schmucler é graduado em administração de empresas pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), MBA  Executivo no Coppead-UFRJ, com extensão em novos negócios na Faculdade Stellenbosh, na África do Sul. O executivo é diretor geral da rede Luminova, escola inovadora que tem como objetivo democratizar o acesso à educação de qualidade, promovendo o crescimento humano e ascensão social no Brasil.

22

Nov

[ARTIGO] É possível vencer na vida sem rotina e hábitos?

*Por Clemilda Thomé 

O topo não é o mais importante, mas sim a sua trajetória até ele. Se existe algo que não pode faltar para quem deseja trilhar um caminho de sucesso é a seriedade para manter os compromissos e entender que sem foco não chegamos a lugar algum. Quando estamos decididos a conquistar algo, precisamos renunciar a muitas coisas para alcançar nosso objetivo e ao mesmo tempo fazer uso do nosso tempo com atividades que – de fato – vão fazer a diferença no futuro. Por isso, é importante manter rotina e hábitos, para alcançar o resultado.

O ritmo da vida parece ter ficado mais lento, não é? Por conta dessa situação atípica que estamos vivendo este ano, é normal ficar perdido e ceder à tentação de desacelerar por completo. Apesar de ser necessário dedicarmos tempo para o autocuidado, sair da rotina de forma abrupta ou dissolvê-la por completo é prejudicial para a nossa saúde mental.

A maneira como iniciamos e terminamos cada dia influencia diretamente todas as áreas de nossa vida. Rotinas produtivas são essenciais para quem deseja alcançar o sucesso e sentir-se bem diariamente. Eu não vivo sem as minhas, e sim, digo no plural porque são muitas.  E sou grata por todas elas, pois graças aos meus hábitos consigo chegar aonde eu quero.

Há anos, eu mantenho uma rotina rígida, sigo uma alimentação regrada, saudável, pois acredito que é preciso adotar um comportamento que eleve fisicamente e espiritualmente. Todos os dias acordo às 04h30 e a primeira coisa que faço são as minhas gratidões. Depois disso sigo com meus exercícios físicos e então me sinto preparada para os compromissos profissionais.

Muitas pessoas entendem a rotina como algo que aprisiona, mas não é assim, não deve ser assim. Uma verdadeira rotina de sucesso precisa te fazer feliz, te trazer bem-estar, por isso, meu modelo de rotina, pode ser que não sirva para você. Somos seres com necessidades únicas e é importante que a sua rotina, que o seu dia a dia, respeite quem você é e aonde você quer chegar. Obviamente, que é necessário equilibrar nossos deveres, as horas de trabalho com os momentos de diversão e fazer.

Quando você acorda, possui uma rotina, certo? E porque não adequar seus dias com novas rotinas, para que assim, tenha uma disciplina? Aos poucos, tudo se torna natural. As rotinas vieram de um processo e se tornam hábitos. É importante manter isso, para direcionar sua vida e focar no processo. É muito comum desanimar porque as coisas não estão acontecendo na velocidade com que desejamos que elas aconteçam. Mas paciência é uma virtude, então, sejamos gratos e pacientes, pois as coisas acontecerão.

A rotina é a maior aliada do tempo. Adicione rotinas e hábitos já consolidados, seja consistente, organize-se com antecedência, use técnicas de estudo e seja flexível.

*Clemilda Thomé - Nascida em 1954, na Cidade de Sapopema,interior do Paraná, filha de pais agricultores, foi uma das primeiras empresárias no Brasil a se tornar bilionária ao vender sua empresa NEODENT para uma multinacional suíça. Hoje, é uma das mulheres de negócio mais influentes do país. Participa ativamente da gestão de suas empresas, juntamente com seus filhos, no Conselho de Administração da DSS Holding, mas tem como seu maior legado, a promoção da educação, que ela acredita ser o maior agente das mudanças e desenvolvimento do país. Exatamente por esse foco, Clemilda, faz parte do Instituto Sou 1 Campeão que oferece cursos voltados para performance física, prosperidade financeira e equilíbrio emocional, ao lado do Treinador Comportamental Mama Brito e do ídolo do MMA mundial Rogério Minotouro. Um dos únicos institutos capacitados para oferecer esse tripé do conhecimento como o caminho completo e necessário para ajudar pessoas a executarem planos de vida e de negócios.

 

 

 

21

Nov

[ARTIGO] Tecnologia em operações de lojas digitais: tendências que se consolidaram após a pandemia

*Por Vanderlei Ferreira

Muitas empresas registraram um crescimento significativo durante a pandemia, especialmente as ligadas ao mercado de eCommerce. Com as restrições de movimentação e socialização, as compras online se tornaram ainda mais populares. De acordo com a consultoria Kantar, novos hábitos de consumo foram formados.  Milhões de novas famílias fazem suas compras agora de forma online, mais que o dobro apontado no ano de 2019. 

Esses níveis excepcionais de demanda têm provocado uma corrida para tornar armazéns e galpões de distribuição mais eficientes. Além da aceleração na adoção de novas tecnologias, observamos um aumento da necessidade de contratação de profissionais desse segmento para melhorar o fluxo de atendimento de clientes aumentando os níveis de satisfação. 

A partir deste contexto, nos últimos meses, vimos três tendências se acelerarem e se consolidarem nesse setor:

Adoção de tecnologias mais atuais

Muitos armazéns ainda contam com tecnologias de infraestrutura e dispositivos desatualizados. Com a pressão da demanda durante a pandemia gerada pelos eCommerce, as empresas passaram a investir em dispositivos mais modernos, que estão prontos para resolver a demanda de hoje e prepará-las para o futuro.   Tais dispositivos viabilizam aplicações em Android, com realidade aumentada (AR), comandos de voz e muito mais. A boa notícia é que é possível integrá-los a sistemas legado, tornando-os mais eficientes.  Segundo o estudo “Futuro dos Armazéns”, a implantação dessas tecnologias por clientes da Zebra, resultaram em um aumento na produtividade de 20%.

Simplificação de onboarding

Com alta nas contratações por conta do aumento da demanda, as empresas têm o desafio de treinar novos funcionários para que eles se adaptem rapidamente às atividades e ao ritmo de trabalho.   As novas soluções de computadores móveis (coletores de dados) baseados em Android, além de melhorarem a produtividade, reduzem drasticamente o tempo de treinamento de novos operadores, pois tal sistema operacional já é bem conhecido por conta de seus smartphones pessoais.  Apesar de terem muitas similaridades com os telefones celulares, os coletores de dados foram desenvolvidos especialmente para serem empregados dentro de um ambiente voltado para a produtividade, o que faz toda a diferença.

Transformação Digital em etapas

Uma tendência observada é que as empresas estão se modernizando de maneira mais planejada e estruturada, implementando em etapas, respeitando as particularidades de cada operação. Geralmente, o primeiro estágio de um processo de modernização se concentra no sequenciamento de atividades e digitalização, depois integração com WMS (Warehouse Management System), adição de comandos por voz, integração de sensores à infraestrutura do armazém por meio de tags RFID e realidade aumentada.  Cada nível de tecnologia oferece ganhos de eficiência e produtividade significativos.

Todas estas tecnologias anteriores geram quantidades enormes de dados e as soluções de analytics e inteligência artificial podem ser importantes aliados na busca de informações que apoiem a melhoria dos processos.

A adoção de tecnologias corretas são o grande trunfo para os varejistas e empresas de eCommerce não apenas para acompanhar as crescentes demandas e expectativas dos consumidores, mas oferecer satisfação pelos melhores serviços prestados.

*Vanderlei Ferreira - presidente da Zebra Technologies no Brasil

15

Nov

[ARTIGO] Siga o dinheiro

*Por Christiano Sobral

No último livro dos autores de Freakonomics, Levitt propõe um novo modelo de eleições, onde seria possível mais de um voto por eleitor, mas cada um com um custo diferente. Iniciando por um dólar por voto e os seguintes sendo o valor do anterior mais um elevado ao quadrado. Ou seja, o primeiro voto custaria um dólar, o segundo quatro, o terceiro 25, o quarto 676, o quinto 458.379 e assim por diante.

A lógica do economista era registrar, não só a escolha, mas também o empenho e importância da opção, que ficaria registrado no quanto cada eleitor se disporia a investir para ter o resultado desejado nos votos. Ou seja, o valor despendido em uma escolha é um registro adicional sobre o motivo da escolha, reforçando que nossos gastos falam sobre nós. Não é à toa que existe a expressão “siga o dinheiro” usada pelos investigadores.

Ter o controle sobre quanto cada pessoa gasta é um sonho para qualquer governo, pois funciona como uma base de informação relativa à vida privada. Estas informações estão, em parte, disponíveis nos registros dos gastos em cartões de crédito e das movimentações bancárias realizadas; porém uma imensa parcela permanece uma incógnita por serem gastos feitos em dinheiro vivo.

Toda a informalidade, que suporta grande parte da nossa economia, segue o gasto realizado em dinheiro, permanecendo intocável pelo controle governamental. Sendo, por exemplo, um dos únicos meios de evitar ter sua renda abocanhada por tributos como a extinta CPMF.

Agora imagine se o governo criasse um meio de substituir todas as transações em dinheiro por outra opção. Quanto de informação adicional ele teria sobre cada um de nós. Será que isso seria usado a nosso favor?

Pense, são exatamente aqueles que fazem mais uso da opção do dinheiro como meio de pagamento que são os mais frágeis e indefesos frente a saga arrecadadora do Estado. Demandas inelásticas como a por alimentos possuem maior participação percentual nos gastos dos pobres que no dos ricos, tendo um peso muito maior elevar o tributo sobre esses itens para essa parcela da economia que para outras.

Com conhecimento sobre o padrão de gastos dos mais pobres, quanta criatividade seria possível ao governo para atingi-los? Não é à toa que a plataforma PIX foi criada pelo Banco Central, não por uma empresa privada ou uma fintech.

O PIX é lindo. Uma solução engenhosa e atrativa, mas ele vai colocar em xeque toda a nossa possibilidade de privacidade. A parcela final das nossas informações de hábito de consumo estaria exposta.

Imagine aquele valor que você despende mas prefere não registrar, a ajuda que dá a alguém que não quer que figure como doação, o uso livre que faz da sua renda, que é apenas problema seu... com o PIX imperando, você terá que dizer adeus a tudo isso.

No fim, num mundo capitalista, aquilo que você é se reflete no que você gasta. Ter essa informação completa e total dará poder a outrem de saber mais sobre você do que você mesmo.

Christiano Sobral é diretor-executivo do escritório Urbano Vitalino Advogados, especializado em marketing, economia e negócios

8

Nov

[ARTIGO] Retorno ao trabalho presencial deve seguir normas de saúde e segurança

*Por Drª Alessandra Cobo

Em meio à pandemia de COVID-19, a Justiça do Trabalho continua com o entendimento de que as empresas devem seguir todas as normas de segurança e medicina do trabalho já vigentes. Os empregadores devem tomar todas as medidas preventivas para evitar que os funcionários sejam contaminados pelo vírus.

Profissionais que pertencem ao grupo de risco têm procurado os sindicatos da categoria. O objetivo é o de permanecer no teletrabalho – algo também pleiteado por funcionários que residem com familiares que fazem parte do grupo de risco. As entidades sindicais, através de seus departamentos jurídicos, estão ajuizando ações judiciais para tais pedidos, já com alguns êxitos, prevalecendo a proteção à vida e saúde.

Além da Justiça do Trabalho, o MPT (Ministério Público do Trabalho) busca garantir os direitos sociais constitucionalmente garantidos aos trabalhadores, como acesso à educação, saúde e alimentação. Em tempos de pandemia, o órgão opera no pleito ao respeito do retorno presencial a trabalho, mediante protocolo de segurança. Em caso de descumprimento, o trabalhador pode, inclusive, denunciar a empresa. A companhia será notificada para responder à denúncia e fiscalizada, se for o caso.

Retorno ao trabalho

As empresas devem tomar algumas medidas para o retorno presencial. A volta ao posto de trabalho precisa respeitar as normas de saúde e segurança do trabalho, além de todos os protocolos sanitários exigidos pelas Portarias Conjuntas 19/2020 e 20/2020, emitidas pelo Ministério da Saúde e Secretaria e Especial de Previdência e Trabalho. As portarias preveem quais são as medidas que devem ser observadas para a prevenção e o controle da transmissão da COVID-19.

Salienta-se que para a empresa retomar o trabalho presencial, se faz necessário a elaboração de um plano de retomada específico para cada segmento. O retorno gradual deve ser incluído no processo de retorno. Além disso, é de suma importância que os trabalhadores sejam informados com antecedência sobre as regras do plano, a fim de todas as medidas de segurança e saúde dos trabalhadores sejam observadas e respeitadas.

O ambiente de trabalho - área física – deverá sofrer adequações para que se respeite o distanciamento mínimo entre os funcionários. Proteção para atendimento do público externo, ventilação, limpeza assídua dos ambientes e fornecimento de máscaras devem fazer parte do protocolo de retorno contra o novo coronavírus.

Caso o funcionário identifique que o seu ambiente de trabalho não está adequado em relação as medidas sanitárias contra a COVID-19, poderá buscar mais informações nos Recursos Humanos da empresa. Se o problema não for solucionado, poderá procurar o sindicato da sua categoria ou até mesmo o MPT. O órgão pode instaurar um inquérito civil público em face da empresa para investigação.

Vale ressaltar que o funcionário deve tomar as medidas com cautela. Ao notar que o ambiente de trabalho não está em conformidade em relação à COVID-19, é necessário notificar o empregador por escrito, ou a chefia imediata, informando que se recusa a trabalhar em razão do risco grave e iminente à saúde e obtenha provas. Importante esclarecer que tudo dependerá do caso concreto e da real probabilidade do contágio e da disseminação do vírus.

Home office permanente

Em março, o Governo Federal criou a MP (Medida Provisória) 927/2020 que estabeleceu o teletrabalho de forma unilateral. A medida perdeu a validade em julho deste ano por não ter sido analisada pelo Congresso Nacional. Dessa forma, as regras previstas pela CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas) em relação ao home office voltam a vigorar.

Durante o período de vigência, a MP também autorizou que as empresas poderiam estabelecer o teletrabalho sem a necessidade de controle de jornada. Depois de julho, o home office voltou a necessitar da autorização do trabalhador ou da entidade sindical para ser acordado, bem como o controle da jornada. Para a empresa manter o empregado em trabalho presencial de modo parcial é necessário que faça um acordo específico para esse fim.

A CLT, no art. 75-C, prevê que o empregador poderá realizar a alteração entre regime presencial e de teletrabalho. Tal formato é possível desde que haja mútuo acordo entre as partes, com registro em aditivo contratual. Já para a alteração do regime de teletrabalho para o presencial por determinação do empregador, é preciso respeitar o prazo de transição mínimo de 15 dias, também registrado por meio de um aditivo contratual.

*Dra. Alessandra Cobo é coordenadora da equipe técnica do escritório Aparecido Inácio e Pereira Advogados Associados. É advogada, inscrita na Ordem dos Advogados do Brasil sob o nº 225.560, bacharela em Direito pela Faculdades Adamantinenses Integradas, desde 2004, especialista em Direito do Trabalho pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, desde 2009.

7

Nov

[ARTIGO] - Pix Friday: o impacto do PIX e das fintechs na Black Friday

*Por Juliano Carneiro e André Emídio

Novembro é o mês das ofertas. Tradicionalmente, lojas do mundo inteiro baixam os preços para a Black Friday - que, este ano, acontece no dia 27/11. No Brasil, a expectativa é que os resultados superem o recorde de vendas online de 2019. Contudo, a grande novidade de 2020 será a presença dos pagamentos instantâneos e sem tarifas via PIX que começam a funcionar a partir da segunda-feira (16). Assim, esta Black Friday vai antecipar a maneira como faremos compras daqui para frente.

De acordo com análise global realizada pelo Facebook, apesar do início da flexibilização do comércio, as vendas online continuam em alta. Outra tendência, é que 73% dos consumidores criaram o hábito de comprar de pequenos negócios. Deste modo, o impacto do PIX representará uma revolução para estes artesãos, pessoas físicas e microempreendedores individuais (MEIs) que poderão receber pagamentos 24 horas por dia e 7 dias por semana sem que o cliente tenha que pagar tarifa pela transferência - um ganho de competitividade.

Por isso, a experiência desta primeira Black (PIX) Friday poderá dar indícios sobre como o consumidor vai estruturar os gastos com a nova tecnologia bancária. Mas isso não é tudo, a partir de 30 de novembro será a vez do Brasil entrar na primeira fase do open banking. Na prática, o consumidor poderá compartilhar seu histórico entre diferentes instituições. A nova era deve abalar os pilares das instituições financeiras tradicionais - acostumadas com cobranças por serviços simples -, uma vez que o consumidor ganhará muito mais mobilidade e opções com o crescimento das fintechs.

O usuário-final será o principal beneficiário desta competição entre instituições bancárias e fintechs. O mercado prevê a criação de novos serviços, crédito mais barato, a diminuição da circulação do dinheiro físico e até mesmo de cartões. Obviamente, toda mudança impõe desafios e, por isso mesmo, a evolução da tecnologia bancária caminha lado-a-lado à cibersegurança. Além disso, o consumidor estará amparado pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) que entrará em vigor para garantir a segurança das informações pessoais que já compartilhamos diariamente.

Nesse sentido, a temporada de compras de final de ano que tem início com a Black Friday será o grande laboratório destes novos serviços - que aos poucos conquistam a confiança do consumidor. É certo que a transformação já começa a acontecer - na iminência do PIX e das fintechs, os bancos tradicionais já investem em serviços de cashback, investimentos mais rentáveis e menos taxas. Finalmente a tecnologia chegou ao sistema financeiro para diminuir excessos e garantir que serviços bancários sejam uma escolha e não mais uma imposição ao cliente.

*Por Juliano Carneiro e André Emídio são sócios do RevoBank

1

Nov

[ARTIGO] Inteligência artificial: a chave para transformar a jornada do cliente

*Por Fernanda Grolla

A experiência do cliente, também conhecida pela nomenclatura Customer Experience (ou, simplesmente, CX), representa a impressão que a sua empresa é capaz de transmitir ao cliente durante sua jornada em um site, e-commerce ou aplicativo. É a experiência do cliente que determina fatores que levam ao aumento de receita, retenção, captação e de novos clientes.

Para exemplificar esse conceito, basta ter em mente o mercado varejista, um setor que acompanhou e se adaptou à nova Era da Transformação Digital. O varejo compreendeu que o perfil do consumidor brasileiro mudou (de fato, fazer compras online passou a fazer parte dos novos hábitos das pessoas, principalmente em tempos de pandemia), tanto que uma pesquisa recente conduzida pela NZN Intelligence apontou que 74% dos consumidores optam pela modalidade online em relação às compras feitas em lojas físicas em decorrência da agilidade, facilidade, melhores preços e condições. No entanto, durante a navegação, podem surgir dúvidas quanto à funcionalidade de determinado produto, e a facilidade ou dificuldade para conseguir a resposta é fator determinante para garantir um sentimento de satisfação.

E é aí que entra um ponto importante, que pode impactar a jornada do cliente: a rapidez do atendimento. E as empresas estão focadas: um estudo da Hotjar, empresa especialista em customer experience, constatou que uma em cada cinco empresas coloca o atendimento moroso como um problema imprescindível para ser resolvido (20%). Indo além, um atendimento não satisfatório pode manchar uma experiência que, até então, poderia ser boa em um site, como o caso da demora para sanar algum problema. Por isso, para solucionar esses desafios, treinar a equipe é uma alternativa eficiente. Os colaboradores precisam entender os seus papéis e funções, os motivos de estarem ali e como eles podem beneficiar o cliente.

O uso de análises preditivas é, sem dúvida, um potencializador para melhorar a jornada do cliente. Os chatbots, por sua vez, ganham espaço, e se consolidam como poderosos aliados nesse processo, pois permitem atendimento 24 horas e viabilizam uma comunicação automatizada, objetiva e mais eficiente. Para comprovar essa afirmação, a mais nova edição do Ecossistema Brasileiro de Bots aponta que o volume de bots criados cresceu no Brasil - para se ter uma ideia, em um ano o número de chatbots e voicebots saltou para 61 mil, contra os 17 mil citados na edição anterior da pesquisa. O tráfego de mensagens também cresceu. Em 2019, foram 1 bilhão de conversas mensais com bots, contra cerca de 800 mil em 2018.

Quando falamos em jornada do cliente, o segredo está em criar uma experiência 360º e conectada para diferenciar seu negócio e acompanhar o ritmo acelerado dos canais emergentes. E aproveitar as novas tecnologias, particularmente a inteligência artificial, é a chave para essa coordenação completa entre canais e pontos de contato, propiciando respostas intuitivas e mais precisas ao atendimento.

*Fernanda Grolla, diretora comercial e de marketing da Neo

31

Out

[ARTIGO] As ameaças e os benefícios do reconhecimento facial

*Por Victor Hugo Germano

O reconhecimento facial está em todos os lugares, inclusive nos mais inimagináveis. O recurso já é realidade para a maioria da sociedade, seja para diversão via aplicativo ou até mesmo em casos mais polêmicos, sendo um divisor de opiniões.  

Começando pelas polêmicas, recentemente o Facebook foi processado por assistir usuários do Instagram via câmera de smartphone, mesmo com o aplicativo fechado. A acusação, segundo o portal Bloomberg, é que a rede social coleta informações sobre a residência das pessoas para vender publicidade. Segundo a gigante de tecnologia, trata-se de um bug do aparelho e não de um compilado de dados da companhia. O caso corre em uma corte de San Francisco, no Vale do Silício.

Outros casos de grandes repercussões estão relacionados ao FaceApp, aplicativo russo com mais de 100 milhões de instalações no Google Play Store - e queridinho entre celebridades e jogadores de futebol. O primeiro, diz respeito a segurança. Quando o usuário concorda com as diretrizes ao instalar o app, ele autoriza que o FaceApp e empresas parceiras coletem dados como o histórico de navegação na internet, entre outros. Já o outro envolve a Inteligência Artificial do aplicativo, sendo que a acusação é que as pessoas negras ganham tons embranquecidos a partir de um filtro que “embeleza” os rostos, com a proposta de torná-las “mais sexys”. Mesmo com o pedido público de desculpas da desenvolvedora, o caso ainda é lembrado.

E quando o uso da Inteligência Artificial para reconhecimento facial ganha contornos políticos? Este recurso tem sido utilizado por governos autoritários para perseguir e promover políticas antidemocráticas ao redor do mundo. O maior exemplo aconteceu nas manifestações ligadas à morte de George Floyd, quando foi notado que policiais usavam o recurso para procurar pessoas que tivessem qualquer pendência judicial antiga para vinculá-las a perfis de mídias sociais e prendê-las. Após alguns casos constatados, a Microsoft indicou que não pretende comercializar a tecnologia para agências de segurança e se comprometeu a não reverter a decisão por ao menos um ano, até que uma legislação federal específica seja criada.

Crianças recuperadas e uso em aeroportos

Apesar das polêmicas, o reconhecimento facial também traz vantagens. Em 2018, uma plataforma desenvolvida pela Microsoft ajudou a polícia de Nova Dehli, na índia, a localizar e resgatar 3 mil crianças desaparecidas em apenas quatro dias – ainda na fase piloto. O registro fotográfico das crianças estava desatualizado, porque as fotos que os pais tinham eram de quando a criança ainda não havia sumido. Na época, a tecnologia foi fundamental para encontrá-las, pois o software criado conseguiu comparar dezenas de imagens dos menores procurados no país.

Idealizado pelo Ministério da Infraestrutura (MInfra, em parceria com o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), o projeto “Embarque Seguro” usará a identificação biométrica no reconhecimento facial, para embarque dos passageiros nos aeroportos brasileiros de forma mais ágil e segura. O sistema é unificado e possibilita a checagem e validação, com rapidez e segurança a identidade do passageiro a partir do cruzamento com diferentes bases de dados governamentais.

Desde o início deste mês, o Aeroporto Internacional de Florianópolis (SC) tem utilizado a plataforma, sendo o primeiro local no país a contar com a tecnologia. A conferência da identidade das pessoas ocorre no check-in eletrônico, com a vinculação de uma foto ao bilhete aéreo, que permite o acesso à sala de embarque. A grande vantagem percebida durante a pandemia é a redução de contato pessoal desde o check-in, passando pelo despacho de bagagem até o embarque na aeronave.    

Quem assegura a proteção dos dados no Brasil?

No Brasil, os recursos de reconhecimento facial estão associados à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), segundo a lei federal nº 13.709/2018, uma vez que a foto das pessoas entra como um dado pessoal. Um dos primeiros artigos da legislação cobre a questão de autorização do dado para um determinado processamento, sendo que, se o usuário não estiver de acordo com o uso das informações para este propósito, ele pode solicitar isso ao controlador.

Qualquer empresa que queira utilizar as fotos que estiverem na plataforma é obrigada a informar ao usuário, claramente, quais são os propósitos do processamento, sendo necessária a autorização formal da pessoa para isso. Neste contexto, é válido refletir até que ponto vale o uso de aplicativos - principalmente em redes sociais -, já que algumas podem trazer riscos à privacidade dos dados e estarem associadas a questões de controle governamental.   

Entre polêmicas e vantagens, o reconhecimento facial tem se mostrado uma ferramenta poderosa, que deve estar cada vez mais inserida no nosso cotidiano.

*Victor Hugo Germano é CEO da Lambda3