Artigos

3

Abr

[ARTIGO] Tendências de tecnologia para o setor bancário

*Por Douglas Prehl

As instituições financeiras estão cada vez mais tecnológicas. Internet Banking, Bancos Digitais, Pix, a transformação digital do setor se consolidou e está, literalmente, nas palmas das mãos dos usuários. No entanto, as soluções inteligentes também transformam as agências, o trabalho e a segurança das instalações e, sobretudo, das pessoas que todos os dias circulam e trabalham nestes locais.

Para ter dimensão do mercado que o segmento movimenta: de acordo com a pesquisa Anual Sobre Uso de Tecnologia nas Empresas, da Fundação Getúlio Vargas, em 2022, o investimento em soluções inteligentes para a segurança das instituições financeiras deve alcançar R$ 30 bilhões. Em média, o orçamento dos bancos cresceu uma média de 6,7% ao ano nas últimas duas décadas.

O fato é que as tesourarias inteligentes deverão dominar o cenário nos próximos anos. Na prática, o uso de controladores de acessos mais sofisticados com a abertura atrelada à séries lógicas para garantir a segurança do ambiente, reconhecimento facial, uso de senha pré-programada e senhas randômicas serão o novo normal e padrão de segurança dos bancos.

As câmeras de videomonitoramento não são mais uma novidade para o setor, mas o uso que se faz das imagens e dos dados capturados pelos equipamentos ganhou novas possibilidades e maior abrangência, deixando de ser apenas uma solução de pós-verificação e ganhando mais proatividade para solucionar questões que vão da segurança à operação.

Em resumo, o monitoramento em tempo real aliado aos analíticos inteligentes de imagem que realizam de maneira autônoma a contagem de pessoas, a identificação de invasão de zonas restritas ou indivíduos caminhando na direção contrária ao fluxo, a detecção de objetos deixados e retirados do local, tudo com extremo detalhamento de imagens, se tornarão parte essencial do plano de segurança de todo projeto, transformando roubos e furtos internos e externos em tentativas frustradas.

Outra tendência será a substituição das chaves convencionais por controladores de acessos. Chaves podem ser perdidas, roubadas e clonadas, mas leitores biométricos combinados com imagens, por exemplo, podem agregar uma camada a mais de segurança e simultaneamente mais praticidade no dia a dia do setor bancário. Assim, além dos benefícios do usuário final, as instituições financeiras, e seus funcionários têm muito a ganhar com a tecnologia na ponta dos dedos.

*Por Douglas Prehl, vice-presidente da Alarmtek


2

Abr

[ARTIGO] Pandemia e a qualidade da educação

*Por Marcos Aurélio Silva Soares

O início do ano letivo, em 2022, fez com que as instituições de ensino públicas e privadas retornassem ao padrão de “quase normalidade”. Digo isso em virtude do retorno presencial dos estudantes e dos profissionais da educação. Contudo, após mais de um mês de aula, os casos de covid-19 continuam presentes nas escolas, e isso tem causado o afastamento tanto de alunos como de professores.

Também é preciso perguntar ao poder público o que aconteceu com todos os protocolos de saúde presentes na pandemia (que ainda não terminou) e que deixaram de ser exigidos, tais como o distanciamento social. O leitor já deve ter conhecimento a respeito da realidade do espaço físico da sala de aula que seu filho(a) frequenta e sabe que é impossível manter o distanciamento nesse espaço.

Dito isso, vamos refletir sobre a qualidade da educação e a organização do trabalho pedagógico a partir de 2022. De forma geral, podemos afirmar que o governo vinha avançando, mesmo que aos poucos, nos índices da educação, tomamos por base o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB).

Mas, com a chegada da pandemia em 2020, ocorreu uma mudança drástica no trabalho pedagógico, que passou a ser organizado de forma remota. A maioria das escolas, professores e estudantes sem os recursos tecnológicos necessários ao trabalho remoto, que passou a exigir uso de computador, notebook, celular, tablet e internet, fez com que se retomassem atividades por meio de fotocópias ou com uso de livro didático.

A retomada da organização do trabalho pedagógico das escolas (de forma presencial) está exigindo uma série de adaptações em relação à sua proposta curricular (conteúdos), metodologias de ensino e ampliação dos tempos escolares como indicado pelo Ministério da Educação. Dessa forma, penso que ainda serão necessários muitos processos de formação pedagógica nos próximos dois ou três anos para que seja possível retornar aos patamares anteriores em relação aos índices de desenvolvimento da educação básica.

Do meu ponto de vista, também será fundamental o trabalho de coordenação pedagógica que é realizado pelos pedagogos(as), pois será necessário refletir com os professores sobre o que ensinar, quais metodologias utilizar em busca de oferecer um ensino de qualidade e que possa, aos poucos, minimizar os efeitos da pandemia na vida dos estudantes e da população.

A qualidade do ensino não se faz apenas com a boa vontade dos profissionais da educação, sejam eles da educação pública ou privada. Em ambos os casos, serão necessárias efetivas melhorias nas condições de trabalho em vários aspectos, vou indicar alguns: infraestrutura, manutenção e conservação, equipamentos e materiais necessários ao ensino. Mas isso não basta se não houver conhecimento e compromisso efetivo com a proposta pedagógica do seu local de trabalho.

*Marcos Aurélio Silva Soares é mestre em Educação e coordenador de cursos de pós-graduação na área de Educação do Centro Universitário Internacional Uninter.

31

Mar

[ARTIGO] Clarice Lispector e Natal/RN (2), por Daladier Pessoa Cunha Lima

Por Daladier Pessoa Cunha Lima

 No dia 29 de julho de 1944, Clarice Lispector deixou Natal, em voo para Lisboa. Foi uma viagem longa, com escalas na Libéria, no Congo e Dacar, só chegando a Lisboa em 02 de agosto. Em Lisboa, onde permaneceu por nove dias, manteve contato com escritores portugueses, entre os quais João Gaspar Simões e a poeta Natércia Freire. Seguiu em voo para Nápoles, com escalas e pernoites em Casablanca, no Marrocos, e em Argel, enfim, de Natal para Nápoles foram cerca de 25 dias de viagem. Em setembro de 1944, de Nápoles, Clarice escreveu para Lúcio Cardoso, e voltou ao tom depreciativo sobre a nossa querida cidade de Natal.

Parece até que Clarice ficou de mau humor, desde que o marido Maury embarcou em Natal, a caminho de Nápoles. Vejamos o que ela escreveu em carta para as irmãs Elisa e Tânia, de Lisboa, a 7 de agosto de 1944: “Cheguei finalmente a Lisboa. Não me agradou. Eu pensava encontrar coisa diferente. O Rio é milhões de vezes mais bonito e mais cidade. Os portugueses são paus. As portuguesas não se vestem bem, têm todas (...) e rosto meio duro. Estou chateada aqui”. Mais adiante, ela revela seu cansaço e seu estado de humor: “gostaria de estar aí com vocês ou com o Maury. O mundo todo é ligeiramente chato, parece”. A cidade de Natal aparece poucas vezes e de forma pontual, na obra de Clarice Lispector. Na sua passagem por aqui, se ela tivesse mantido contato com escritores potiguares, a exemplo de Palmyra Wanderley e de Câmara Cascudo, talvez a cidade de Natal tivesse recebido diferente atenção e respeito.   

Trago hoje um belo depoimento de uma colega médica, confreira da Academia de Medicina do RN, Emília Trigueiro. Em 1976/77, Emília, já aluna do curso médico, gostava de passar férias no Rio de Janeiro, em casa de parentes, os quais residiam no Leme, na rua Gustavo Sampaio, 88, no mesmo prédio onde morava Clarice Lispector. Segue o resumo do belo texto que Emília me enviou, após a leitura de crônicas minhas sobre C. Lispector: “Eis um depoimento que ficou guardado na minha memória, ao longo desses anos, e que agora aflorou com os seus escritos. Era pelos idos de 1976/77. No elevador, encontrei uma mulher esbelta e alta, toda vestida de preto, boca de um batom escarlate, olhar fuzilante e inquisidor. Nesta primeira vez ousei dirigir um bom dia tímido. Confesso que inicialmente tive receio, senão mesmo medo de a incomodar, e me veio dúvidas de entrar ou não no elevador naquele momento, mas o fiz. Éramos apenas as duas. Permaneci quieta, mas sentindo-me observada.  Esse foi o primeiro de outros encontros fortuitos no elevador. Aquele sentimento de receio e medo foi logo substituído pelo de admiração. E de honra por estar ao lado da grande Clarice Lispector, ainda que por poucos minutos, na celeridade de uma subida ou descida de elevador. Fosse hoje, arriscaria um pequeno diálogo, e teria bem mais para contar”.

*Daladier Pessoa Cunha Lima é reitor do UNI-RN.

30

Mar

[ARTIGO] Quatro motivos para investir na estratégia de live commerce

Por Raphael Mello*

A pandemia transformou diversos aspectos da rotina de consumo da sociedade. Um desses modelos emergentes - e que já virou aposta estratégica no mercado - é o live commerce, que consiste em vendas feitas por transmissões ao vivo na internet, com a participação de formadores de opinião ou empreendedores do ramo que mostram os produtos e interagem com o público. 

O conceito surgiu na China, ainda em 2019, e tem ganhado destaque ao longo dos últimos anos. A modalidade é uma aposta benéfica para o cenário brasileiro, já que, de acordo com uma pesquisa do Google Trends, o interesse pelo tema teve crescimento de quase 37% nos últimos 3 anos. 

A modalidade faz parte do que é chamado de CX omnichannel, ou seja, uma experiência ao cliente ainda mais personalizada e que tem mais chances de sucesso. Isso fica comprovado em uma pesquisa feita pelo Gartner, que apontou que 95% dos CEOs de varejo planejam aumentar investimentos em recursos digitais. E, para isso, é preciso contar com um diferencial. 

O diferencial do live commerce é que, além de apresentar a mercadoria em uma transmissão em tempo real, oferece possibilidade de concluir a venda de maneira mais humanizada. Outra vantagem tanto para o consumidor quanto para o lojista é com relação à forma de pagamento, que fica diretamente integrada à live.

Abaixo, apresento quatro razões pelas quais o live commerce deve se tornar tendência no Brasil ainda neste ano:

1. Interação com público-alvo

O crescimento do uso das redes sociais foi alavancado pela pandemia, que fez com que o ambiente digital fosse fundamental para as interações. No setor varejista, isso não é diferente. A possibilidade de conversar, responder dúvidas, apresentar produtos e ampliar o alcance dos negócios é uma das vantagens do live commerce. Por meio da interação, os clientes podem indicar o perfil para outros amigos e seguidores, expandindo a atuação do comércio e permitindo que o engajamento orgânico também amplie a presença da marca.

2. Conversões em tempo real

Por meio da integração com as APIs necessárias, o consumidor pode conhecer o produto que tem interesse em comprar, tirar dúvidas sobre o assunto e concluir a compra enquanto acompanha o anúncio de outras mercadorias, por exemplo. A vantagem é um ganha-ganha para consumidores e lojistas, pois permite que todo o processo de compra, desde a busca pelo item até a conversão, ocorra de forma integralmente virtual e em tempo real. 

3. Segurança para consumidor e varejista

Um dos grandes problemas relatados durante o crescimento das redes sociais foi com relação a golpes e ciberataques. No entanto, o uso do live commerce é uma opção que garante a segurança do consumidor, que consegue “conhecer” o anunciante do produto na transmissão e também tem o respaldo do processo de compra por meios comprovadamente seguros. 

Além disso, o varejista tem maior tranquilidade ao acompanhar e poder interagir diretamente com o consumidor via perfil que utiliza nas redes sociais, o que também leva segurança ao longo das etapas do processo de compra.

4. Reconhecimento de marca

Outra importante vantagem da modalidade é a ampliação do reconhecimento de marca, já que a estratégia ainda é pouco explorada no cenário brasileiro. Isso faz com que o investimento nesse processo seja inovador, com grandes possibilidades de destaque no mercado, levando ao crescimento do negócio e posicionamento da marca como referência no modelo. 

Às vezes, a transmissão ao vivo é uma técnica de vendas que se funde com o marketing de influenciadores. Ele permite que os influenciadores mostrem como usam os produtos em situações da vida real. As marcas também podem aproveitar a transmissão ao vivo para demonstrar todas as maneiras pelas quais seus produtos podem ser usados.

*Raphael Mello é CEO da LTM, empresa integrante da holding Vertem.

28

Mar

[ARTIGO] Quatro tendências para o e-commerce

*Por Larissa Lopes

O consumidor moderno se adequou à comodidade e praticidade do e-commerce. Os benefícios para ambos os lados foram inegáveis – mas, exigiu grande estratégia de adaptação do empreendedor frente ao alto nível de exigência em sua jornada de compra.

Novos critérios e valores de compra se destacaram no mercado. Dentre eles, a empatia e bem-estar se tornaram características decisivas durante a experiência para 50% dos clientes, segundo o estudo Life Reimagined. Isso, sem falar dos enormes avanços tecnológicos aplicados para o melhor desempenho do e-commerce.

A Inteligência Artificial e o Big Data foram alguns dos maiores aliados, contribuindo para o gerenciamento do alto volume de dados dos consumidores e, como utilizá-los a favor de uma maior taxa de conversão, gestão de estoque e direcionamento das estratégias mais assertivas às necessidades de cada perfil.

Todas essas ferramentas, aliadas e utilizadas em conjunto, favoreceram o crescimento de 27% do comércio online em 2021 – resultando em um faturamento de R$ 161 bilhões ao longo do ano.

Após conquistas extraordinárias, certas tendências vêm despontando rumo ao próximo salto do e-commerce. Veja as principais:

#1 Metaverso: alvo de grandes investimentos, o metaverso é o ambiente perfeito para os negócios online. As empresas estão diante de uma grande oportunidade de marketing, podendo proporcionar aos clientes um lugar com foco em experiência e conveniência. Em uma expectativa feita pela Allied Market Research, o ambiente está projetado para atingir US$ 455 bilhões em 2030 – mas, demandará certos desafios em criar um ambiente funcional e relevante, onde o consumidor possa escolher e provar produtos, finalizar a compra e receber da forma mais adequada para ele.

#2 Super apps: mesmo não sendo um tema novo, é uma excelente oportunidade de crescimento para o e-commerce. Os super apps são funcionalidades e novos serviços nos quais as empresas vão inserindo outros aplicativos no mesmo ambiente, englobando novas vertentes de negócio que vão muito além de seu core business. Neles, os clientes terão acesso a múltiplas funcionalidades em uma mesma plataforma, oferecendo praticidade e agilidade na aquisição de serviços e produtos.

#3 Alt-commerce: o comércio alternativo, em uma tradução livre, é um conceito que faz muito sentido para o novo consumidor. Trata-se de uma experiência social, gamificada e ao vivo, com canais não-tradicionais, misturados com o social commerce. Esses novos consumidores buscam uma experiência fluida, onde a compra está completamente inserida dentro do ambiente em que ele vive. Para o e-commerce, pode ser extremamente vantajoso ao permitir que os usuários possam conduzir sua jornada de compras em seu meio predileto, elevando seu faturamento.

#4 Entregas por drone: pode parecer uma realidade distante, mas a entrega de produtos por drones deve se consolidar muito em breve. O serviço é essencial em cidades com problemas de mobilidade urbana, como São Paulo, sendo uma solução para os desafios que os varejistas enfrentam diariamente nas rotinas de entrega. Caso bem-sucedida, os benefícios para a lucratividade do e-commerce serão certeiros – mas, também trarão um maior nível de exigência e menos paciência pelos consumidores, em relação ao tempo de entrega de um produto.

Todas essas tendências tecnológicas aplicadas nas operações do e-commerce, trarão uma experiência cada vez melhor para o usuário, dentro do ambiente ao qual ele está inserido.

Investir nestes recursos será uma estratégia indispensável para o destaque do negócio em meio à concorrência, assim como se aproximar constantemente do público mais jovem, para conhecer seus hábitos e acompanhar as mudanças de comportamento e rotina.

As empresas precisam estar prontas para se adaptar de maneira rápida às exigências do mercado. Apenas assim, conseguirão acompanhar o alavanco do comércio online e suas incríveis vantagens competitivas para seu crescimento.

*Larissa Lopes é Head of Marketing e especialista em estratégias para o mercado de varejo na Pontaltech, empresa especializada em comunicação omnichannel.

27

Mar

[ARTIGO] A importância da mulher na área de tecnologia

*Por Monica Ferreira

O Dia Internacional da Mulher é uma data que nos traz a reflexão sobre a valorização feminina na sociedade. Embora nos últimos anos foram obtidos ganhos em termos de maior conquista de espaço e direitos iguais, ainda existe um longo caminho pela busca do fim dos estereótipos criados sobre a presença da mulher no ambiente de trabalho.

Com o avanço da globalização, as empresas tiveram a necessidade de investir mais em recursos de tecnologia da informação. Essa demanda fez com que o mercado tecnológico expandisse em termos de oportunidades e criação de vagas, gerando a necessidade de encontrar pessoas capacitadas para o setor. O fato abriu mais oportunidades para elas, mas ainda vivemos em um ambiente em que as forças de trabalho são masculinizadas, sendo difícil consolidar uma maior diversidade de gênero na área.

De acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), a representatividade feminina na área de TI teve um aumento de 60% nos últimos cinco anos. Embora os números enfatizem uma tendência de melhora, as mulheres ainda estão sujeitas a enfrentarem preconceitos ao ingressarem no setor. Isso se dá pela herança cultural transmitida de geração para geração, em que a mulher é melhor considerada para capacidades emocionais do que lógicas.

Esse é, justamente, o grande desafio enfrentado pelas mulheres que atuam em TI. Elas precisam romper com esses paradigmas diariamente, já que, muitas das vezes, são expostas a situações de discriminação. Segundo uma pesquisa realizada pela Yoctoo, consultoria de recrutamento e seleção especializada nesse segmento, 81% das mulheres já sofreram preconceito de gênero, seja na escola ou no ambiente de trabalho.

A associação negativa referente as características femininas, faz com que elas precisem trabalhar o dobro para comprovar sua capacidade e eficiência no gerenciamento da área. Outro fator importante a ser considerado, é que esse tipo de comportamento eleva a discrepância na hora da contratação e oferta de vagas, o que por sua vez também dificulta a acessibilidade para que um maior número de mulheres invista na área de TI.

O mercado de tecnologia possui uma vasta abrangência de serviços que compõem o seu desenvolvimento, por essa razão está sempre em busca de pessoas capacitadas para o setor. Entretanto, muitas empresas ainda não reconhecerem a importância de se investir na diversidade de gênero para as áreas de atuação, a fim de promoverem melhores resultados operacionais.

Essa precarização da presença feminina no setor faz com que muitas não optem pela área. Entretanto, o universo de tecnologia é uma excelente oportunidade para que a mulher possa se desenvolver profissionalmente, além de proporcionar uma maior flexibilidade para que ela possa conciliar a vida profissional às suas outras múltiplas funções dentro da perspectiva domiciliar e materna.

Uma comprovação disso é que o setor de tecnologia está em plena fase de ascensão e aumentando a demanda por contratação de profissionais para atuarem principalmente no desenvolvimento de softwares e análises de processos e sistemas. Cabe aqui ressaltar que ambas as áreas estão carentes de uma maior participação feminina.

Embora a presença das mulheres esteja gradativamente aumentando na área de TI, se tornando menos incomum vê-las ocupando o mesmo espaço antes destinados exclusivamente para homens, ainda é necessário reforçar algumas mudanças nesse meio para, de fato, corroborar para uma transformação na área. É importante que as empresas invistam na diversidade de gênero a fim de trazer exemplos e ajudar no despertar daquelas que possuem vocação para o segmento e se sentem desencorajadas.

Outro ponto a ser reforçado está na quebra de paradigma a respeito das características femininas, que atualmente são vistas por muitos colaboradores como um sinal de fraqueza – enquanto deveriam ser interpretadas como qualidades. Para ser uma boa profissional de TI, não se deve deixar essas características femininas de lado. Ao contrário, elas precisam acreditar em suas habilidades e competências, sem a exigência de uma perfeição inexistente.

*Monica Ferreira, atua como diretora operacional da SPS Group, uma das maiores parceiras SAP Business One do Brasil.

25

Mar

[ARTIGO] Educação e inovação: exemplos e resultados, por Amaro Sales de Araújo

*Por Amaro Sales de Araújo

Recorro, de início, a uma frase concisa, bem articulada na agenda propositiva apresentada pela FIERN, para abordar o tema de hoje: “a educação é compromisso com a dignidade da pessoa humana e requisito essencial e insubstituível ao desenvolvimento sustentável de qualquer sociedade”. Ninguém mudará a história de uma nação a não ser pela educação!

Ora, tanta importância, exige, de plano, muita responsabilidade. Como, de fato, podemos melhorar a educação, considerando-a essencial e insubstituível? Certamente muitas respostas e, ainda mais, quando a apresentamos a partir de diferentes planos de observação e posicionamento.

Dentre as respostas importantes, a inovação surge, para muitos, como uma reflexão necessária e estratégica. Por oportuno, aliás, uma outra menção a agenda propositiva: “pesquisa do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), divulgada em 2021, em parceria com o Cenpec Educação, aponta que mais de 5 milhões de crianças e adolescentes estavam sem acesso aos estudos no Brasil no fim de 2020”. Constatação grave e desafiadora!

Juntando, portanto, importância e realidade, nada mais adequado que tentarmos associar educação com inovação, tanto para manter os que já estão matriculados, quanto para ampliar significativamente o número de matrículas. E, sem grandes contrariedades, é correto afirmar: sem educação não haverá desenvolvimento!

Sobre inovação, uma necessidade adicional. Os especialistas há muito que anunciam o impacto que a inteligência artificial terá no mercado de trabalho até 2030. Chegam a afirmar, , que muitas das profissões que hoje conhecemos serão extintas. Mas, como bem arrematou a executiva Tânia Consentino, da Microsoft, “a tecnologia tem o poder de transformar a economia e endereçar os grandes problemas da atualidade. Mas, para garantirmos os benefícios, temos que encarar o desafio da educação”.

Educação, com inovação, buscando estimular o interesse da comunidade escolar e ampliar o número de matrículas é desafio que vem sendo enfrentado quotidianamente pelo Sistema FIERN.

Aqui, todas as casas se esforçam para oferecer uma educação de melhor qualidade. O SESI, em particular, trabalha diariamente no equilíbrio entres os fundamentos basilares da educação e o uso da inovação. Temos, na SESI Escola de São Gonçalo do Amarante uma unidade modelo, cuja inauguração ocorre nesta semana e apresenta à sociedade uma instituição de ensino de ponta, que oferece recursos tecnológicos inéditos no estado e já contabiliza resultados importantes no desempenho destacado de nossos alunos.

Lousa digital interativa em todas as salas de aula, permitindo projeção de imagens, sonoridade e apresentação tridimensionais; biblioteca cujo acervo inclui impressora 3D para desenvolvimento para a prática dos conteúdos estudados; um auditório de alto nível; uma imensa Arena de Robótica que abriga torneios, sonhos e realizações. É uma escola diferenciada não somente pelos métodos e instrumentos de ensino, mas pelo encorajamento ao desenvolvimento pessoal e profissional de cada estudante.

Em seu segundo ano de funcionamento, a SESI Escola SGA já contabiliza o segundo melhor desempenho no Enem 2021 em todo o país, comparada às demais escolas da rede. Em 2022, nossos alunos cravaram o primeiro lugar nos cursos de Engenharia Mecatrônica da UFRN, de Pedagogia da UERN e de Engenharia de Energias do IFRN, por meio do ENEM. Ao todo, foram mais de 60 alunos aprovados nas principais instituições de ensino públicas do nosso estado.

Em competições voltadas às aptidões técnicas, realizadas em diversos estados brasileiros, colecionamos importantes resultados: foi a aluna Natália, da SESI Escola SGA, a vencedora do Concurso Nacional de Desenho do Ministério de Ciências, Tecnologia e Inovação (MCTI), e recebeu o Certificado de Mérito MCTI das mãos do ministro Marcos Pontes, em Brasília.

A SESI Escola RN foi vencedora do Prêmio Evolução na Olimpíada do Futuro, realizada em Foz de Iguaçu (PR), com o projeto “Jujuba Nutrinim – alternativas para restituir sentidos gustativos aos pacientes oncológicos”. A equipe de alunos foi classificada para a MILSET Latinamerican Expo-Sciences, que acontecerá na Argentina, neste ano. Fomos medalha de bronze na 24º Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA) e na Olimpíada Brasileira de Tecnologia (OBT). Entre os docentes, o professor da SESI Escola RN e escritor, Paulo César Palhares, foi o vencedor nacional do “Talentos dos Docentes SESI”.

De olho nos resultados, vamos, nos próximos meses, investir ainda mais também em nossa Sesi Escola em Mossoró, continuando os investimentos já feitos, pelo Sistema FIERN, em favor da educação.

Todo esse acervo, instrumentos e conquistas, destaco que está aberto ao intercâmbio de experiências com a educação pública municipal e estadual. Parcerias serão bem-vindas a fim de ampliar um modelo de sucesso para mais e mais potiguares.

Estimulamos que todos pensem a respeito e possam, como em um verdadeiro pacto, apoiar decisivamente a educação, trazendo técnicas inovadoras e pesquisa para dentro das escolas que, por sua vez, devem ser centros de formação de cidadãos com senso crítico apurado e prontos para os desafios deste tempo de grandes mudanças.


*Amaro Sales de Araújo, industrial, atualmente Presidente do Sistema FIERN  e diretor-secretário da CNI

17

Mar

[ARTIGO] Clarice Lispector e Natal/RN, por Daladier Pessoa Cunha Lima

Por Daladier Pessoa Cunha Lima

Em 1940, Clarice Lispector, já aluna do curso de Direito da Universidade do Brasil, sofre grande golpe com a morte do seu pai, logo após a realização de uma cirurgia de vesícula, com a idade de 55 anos. Já era grande amiga de Lúcio Cardoso, com quem se envolveu em sincero e quimérico amor. Em 9 de janeiro de 1941, a revista Vamos Ler, cujo diretor era o escritor Raimundo Magalhães Júnior, publicou outro conto de Clarice Lispector, sob o título de “Trecho”, em que a personagem espera, em um bar, a vinda do amado, enquanto observa os outros clientes, cada qual imerso em seus possíveis amores. No ótimo livro biográfico de C.L., a autora Teresa Montero cita um poema (Cântico do adolescente) de Augusto Frederico Schmidt (1906-1965), do qual Clarice achava que a mensagem, à época, parecia ter sido escrita para ela: “Adolescentes, passai cantando,/ A vida é dura, cantai, sofrei,/ Nada no mundo sei mais terrível,/ Que a vossa idade, que os vossos sonhos/.” A editora de Schmidt publicou o primeiro livro de Lúcio Cardoso, e os dois se tornaram amigos.

 Em 1942, em meio ao romance com Lúcio Cardoso, Clarice recebe um bilhete de um colega de faculdade, Maury Gurgel Valente, propondo namoro, pois a achava muito bonita e interessante. O namoro deu certo e os dois se casaram em janeiro de 1943. Um ano depois, o casal foi morar em Belém, PA, pois esta cidade tornou-se sede de posto estratégico do Itamaraty, durante a 2ª Guerra Mundial, e Maury, então cônsul de 3ª classe, fora nomeado para servir nessa unidade da capital paraense. Em Belém, os dias eram monótonos, a não ser durante poucos eventos, entre os quais a visita à cidade da Sra. Roosevelt, conforme carta de Clarice às irmãs. Por carta, também manteve o contato com seu grande amigo Lúcio Cardoso, de quem recebia notícias da ótima repercussão literária do seu primeiro livro, “Perto do Coração Selvagem”. Em julho de 1944, quando o Brasil se preparava para entrar na 2ª Guerra Mundial, ao lado dos Aliados, Maury Gurgel Valente foi removido para o consulado de Nápoles, na Itália. 

Clarice Lispector partiu do Rio de Janeiro, com o marido Maury, rumo a Nápoles, no dia 19 de julho de 1944, com pouso do avião em Natal, e se hospedaram no Hotel da Base Aérea de Parnamirim. Após cinco dias, o vice-cônsul Maury Gurgel Valente seguiu, em voo militar para Nápoles, via África, e Clarice permaneceu em Natal, durante cerca de 10 dias. Em carta a Lúcio Cardoso (“Natal, 25 de julho de 1944”), diz Clarice: “Estou lhe escrevendo de Natal, do horrivelzinho Grande Hotel daqui. Quer dizer, tudo está correndo bem, mas eu estou em Natalzinho e com saudades de minhas irmãs, de Maury, dos meus amigos do Rio e de Belém.” Em outra carta a Lúcio Cardoso, escrita de Nápoles, em setembro de 1944, Clarice volta a se reportar aos dias passados em Natal, e repete seu menosprezo pela cidade. Mas isto será assunto para outra crônica. 

*Daladier Pessoa Cunha Lima é reitor do UNI-RN.

3

Mar

[ARTIGO] Pandemias e carnavais, por Daladier Pessoa Cunha Lima

*Por Daladier Pessoa Cunha Lima

“Carnaval triumphante” foi a manchete principal do jornal Gazeta de Notícias, do Rio de Janeiro, edição de 02 de março de 1919.  Chamava a atenção para o triunfo do carnaval de 1919, naquela cidade, que havia passado por um terrível flagelo, a Gripe Espanhola, de setembro a dezembro de 1918. Além das tensões causadas pela virose, o fim da Primeira Guerra Mundial também era motivo de explosão de alegria coletiva em uma urbe onde a descontração sempre foi marca própria da sua gente. O poeta Bastos Tigre, com o cognome de Pierrot, criou essa quadrinha, muito cantada na festa:  “Quem não morreu da espanhola, quem dela pôde escapar, não dá mais trato à bola, toca a rir, toca a brincar.” O escritor Nelson Rodrigues (1912-1987) – à época com apenas seis anos – escreveu, em 1967:  “Começou o Carnaval e, de repente, da noite para o dia, usos, costumes e pudores tornaram-se antigos, obsoletos, espectrais.” E o Rio, que, poucos meses atrás, vivera uma tragédia sem par, e viu muitos corpos das vítimas da gripe serem levados em caminhões como sacos de lixo, passa a ter ruas repletas de música, de fantasia, de dança, de erotismo, um verdadeiro grito de vitória contra a dor e a morte.

O escritor Ruy Castro, em seu livro “O Carnaval da guerra e da gripe”, escreveu que a doença chegou ao Rio no dia 16 de setembro de 1918, quando atracou no porto o navio Demerara, vindo de Lisboa, com uma escala fatal em Dakar.  A gripe desceu do navio com os marujos que se espalharam pela praça Mauá, e “beijaram na boca das mulheres que lhes abriram os braços”. As pessoas começaram a adoecer e a morrer.  O alerta maior só veio quando as mortes foram a mais de 100 por dia.  O Rio pagou o mais alto tributo à doença, superior a outras cidades litorâneas, a exemplo de Recife, Salvador e Santos.  Ruy Castro cita o médico e escritor Pedro Nava, em relato de cena atroz que ele vira na rua:  uma criança esfomeada sugando os peitos da mãe morta. 

A partir de novembro de 1918, a gripe no Rio começou a declinar, até se despedir da cidade.  A guerra também estava perto do fim, pois, a 11 de novembro, os países bélicos selaram armistício, tendo como palco um vagão-restaurante, à margem do rio Oise, afluente do Sena. Chegara o momento exato da ruptura das tensões. “O Carnaval de 1919 seria o da revanche – a grande desforra contra a peste que quase dizimara a cidade”, diz o escritor Ruy Castro.  Em janeiro, o comércio inundou o Rio com os artigos momescos:  lança-perfume, serpentina, confete, quepes, bonés, luvas,  leques, enfim, um grande arsenal para animar a grande festa.  Ao concluir, o escritor Ruy Castro exclama:  “Na Quarta-feira de Cinzas, o Rio despertou convicto de que vivera o maior carnaval da sua história. (...) Só nove meses depois se saberia a enorme quantidade de filhos do Carnaval, gerados naquele período”. Deveras, foi um Carnaval Triumphante, com ph.

Agora, um século depois, uma outra pandemia viral, a Covid-19, assusta o mundo, causando muitas mortes e muitos transtornos em todas as áreas da vida humana. Ao se comparar as duas, pelo tempo de persistência da doença, nota-se que a Covid-19 é mais grave e de controle muito mais difícil, pois, apesar da enorme evolução da ciência médica, a Saúde Pública cancelou três carnavais seguidos, nas principais cidades do Brasil.

*Daladier Pessoa Cunha Lima é reitor do UNI-RN.

2

Mar

[ARTIGO] Transformação Digital: é possível abandonar o papel

*Por Oscar Rodríguez 

Tudo que aconteceu no mundo nos dois últimos anos fez algo que era muito comentado – a transformação digital – se transformar numa necessidade premente. Mas o quanto realmente as organizações estão preparadas e dispostas a encarar essa mudança?

De um lado, é certo apontar que na maior parte das empresas os colaboradores já fazem uso de dispositivos móveis (seus ou disponibilizados pela companhia) em seu dia a dia de trabalho, resultando num declínio do uso constante de papel. Mas a realidade é que ambientes de trabalho realmente paperless ainda são um sonho distante para a maioria. E não há transformação digital sustentável onde a fisicalidade ainda impera.

É interessante pensar nisso porque não se trata de não termos tecnologia para abolir o uso de papel. O fato concreto é que não queremos nos livrar do papel. Dados de uma pesquisa realizada pela empresa Quocirca, que entrevistou executivos de 200 organizações nos Estados Unidos, Reino Unido, França e Alemanha, mostram que 27% dos processos empresariais são baseados em papel. As principais razões citadas para isso foram: assinaturas físicas (55%), exigência dos clientes/fornecedores (48%) e, mais notavelmente, que os funcionários preferem papel (41%).

Ou seja, é nítido que há uma resistência real à mudança, que vem do hábito das pessoas em lidar com documentos físicos. E mesmo com dados mostrando que cópias em papel são inibidores de eficiência e crescimento, grande parte dos colaboradores das empresas continuam usando papel – simplesmente porque é assim que sempre fizeram.

O valor dos dados

As empresas estão abarrotadas de dados. Todos os dias, elas se deparam com enormes quantidades de informações que entram e saem de suas organizações de diversas fontes. Controlar de maneira efetiva esses fluxos tornou-se um verdadeiro diferencial competitivo. É preciso, portanto, de uma estratégia de gestão de informações.

E nesse contexto, a digitalização faz ainda mais sentido, porque os documentos impressos têm suas limitações: precisam ser transferidos fisicamente, exigem espaço para armazenamento, desaceleram a transformação de negócios e podem ser perdidos. Além disso, exceto quando documentos impressos são digitalizados, diferentemente de arquivos de cópia digital, os dados neles contidos não podem ser usados em fluxos de trabalho digitais ou acessados a partir de um sistema de armazenamento comum.

Isso é reconhecido por mais de dois terços (69%) dos líderes de automação de processos de negócios entrevistados pela Quocirca, os quais disseram que a digitalização de documentos é muito importante para sua estratégia de gestão de informações.

Mas, ainda que saibam da necessidade, o mesmo estudo indica que menos da metade das organizações participantes (44%) implementaram políticas para gerenciar informações digitais e impressas.

As dificuldades

62% das empresas entrevistadas pela Quocirca afirmaram que a complexidade é a principal barreira para implementar as tecnologias de captura de documentos. A integração de sistemas, com scanners e softwares, à primeira vista, pode parecer realmente muito difícil.

Entretanto, o mercado já conta com soluções que aprimoram os processos, resultando em um fluxo contínuo e simplificado de informações e trabalho e também em dados mais confiáveis. É o caso, por exemplo do Kodak Alaris IN2 Ecosystem, uma opção que oferece o ajuste certo para cada empresa. O foco está em determinar o volume de digitalização e as necessidades de fluxo de trabalho. A partir disso, dá-se suporte para equipes e locais distribuídos com soluções baseadas na web, scanners móveis e aplicativos de captura. Complementarmente, o software da Kodak Alaris funciona com os scanners, impressoras multifuncionais e aplicativos de negócios mais populares. 

À medida em que mais organizações implementam estratégias de transformação digital, levando seus fluxos desatualizados e baseados em papel para o fluxo digital, elas conseguem aumentar sua produtividade, aprimorar a experiência para o cliente e, em última análise, impulsionar o crescimento de receitas.

A transformação digital é a chave para aumento de produtividade, ideias de negócios mais geniais, crescimento acelerado e uma margem de concorrência sustentável.

*Oscar Rodríguez é Diretor Comercial da Kodak Alaris no Brasil.

17

Fev

[ARTIGO] O vaivém da Covid-19, por Daladier Pessoa Cunha Lima

*Por Daladier Pessoa Cunha Lima

Podemos confiar que a variante ômicron é o arauto do fim da pandemia da Covid-19? Já ouvi essa opinião de leigos e de profissionais da área da saúde, inclusive de médicos. No entanto, é voz geral de que essa hipótese se deve ao alto índice do uso das vacinas. Pressupõe-se, portanto, que as benesses ficariam restritas aos países que conseguiram vacinar grande parte da população, ou seja, mais uma vez, as regiões mais pobres do planeta seriam as maiores vítimas. Um dos diretores da OMS Hans Kluge declarou que a variante ômicron estaria trazendo uma trégua, que pode resultar em uma paz duradoura na pandemia. Por outro lado, recomendou cautela no tocante à Covid-19, tanto na visão individual quanto na epidemiológica, pois esse coronavírus é capaz de surpreender a qualquer hora e em qualquer lugar.

Sabe-se que a variante ômicron, apesar de ser muito mais transmissível do que as anteriores, causa formas clínicas mais leves da doença.  Mesmo assim, vejamos o que disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus:  “Mais transmissão significa mais mortes.  Não estamos pedindo um retorno a lockdowns, mas que protejam seu povo usando todos os recursos disponíveis, não só vacinas”. Do ponto de vista epidemiológico, a ômicron nada tem de leve. É bastante olhar o caso do Brasil, onde a média móvel de mortes voltou ao nível da fase mais grave da doença, ao chegar a mais 1.000 óbitos diários. No âmbito mundial, ainda é mais assustador, pois chegamos a mais de 2 milhões de novos casos em apenas 24 horas. 

Nunca é demais insistir que os coronavírus não conferem a chamada imunidade natural. Há enorme variação entre a imunidade causada pela infecção de diferentes vírus. Tinha eu a idade de dois anos, quando passei por uma prova de fogo, pois quase que o sarampo me tirou a vida, mas fiquei livre dessa doença. Porém, quase todas as pessoas de mais idade, ao longo do tempo, já passaram por surtos de gripe, porquanto o vírus causador da influenza sofre mutações frequentes, o que exige vacinação frequente, no caso, anual. O Sars-Cov-2 não chega a ser tão mutante quanto o vírus da gripe, mas também não é estável, a ponto de conferir imunidade após uma infecção, como defendem alguns incautos. Enfim, temos de nos render à ciência, que descobriu vários tipos de vacina contra a Covid-19 em tempo recorde, e deverá prover avanços nessa área, a fim de chegar ao controle da primeira pandemia do século 21.

Em recente crônica na Folha, o médico Raul Cutait, professor da USP, defensor da medicina científica, expressou seu ponto de vista no tocante às políticas públicas:  “Creio ser dogmático o compromisso com as melhores práticas médicas, definidas pela boa ciência. Caso contrário, nossa população fica exposta a riscos de vida e de sofrimento, com dispêndio desnecessário dos já limitados recursos voltados para a saúde”. 

Texto publicado na Tribuna do Norte, em 17/02/2022

*Daladier Pessoa Cunha Lima é reitor do UNI-RN.

13

Fev

[ARTIGO] Burnout, a nova doença do trabalho

*Por Yara Leal Girasole

Você já sentiu um esgotamento muito intenso, uma carga de estresse tão elevada que teve

vontade de jogar tudo para o alto? Geralmente, quando isso ocorre em um contexto de trabalho, a pessoa acometida tem dois caminhos: buscar formas de mudar o quadro em que está por si mesma ou com auxílio externo, ou desenvolver a Síndrome de Burnout.


“Estresse crônico que não foi administrado com sucesso” - Essa foi a frase utilizada para definição da doença, em um documento divulgado pela Organização Mundial da Saúde ("OMS”), para classificar a Síndrome de Burnout como uma doença exclusivamente relacionada ao trabalho. Sabemos que não é de hoje que o estresse e esgotamento extremos em decorrência de más condições de trabalho minam o potencial do trabalhador de desenvolver suas funções. No entanto, somente a partir do dia 01 de janeiro de 2022 que a doença passou a ser classificada pela OMS como uma doença do trabalho, trazendo

consequências para o empregador.


As consequências do reconhecimento da Síndrome do Burnout como doença do trabalho são, em regra:


1 - reconhecimento de estabilidade no trabalho por 12 meses;

2 - afastamento pelo INSS, mas com continuidade no pagamento do FGTS mensal;

3 - possibilidade de reconhecimento de indenização por danos morais e até mesmo materiais (a depender do caso) na Justiça do Trabalho.

Portanto, é fundamental que o empregador auxilie no cuidado da saúde mental dos seus colaboradores não apenas medindo o seu grau de produtividade, mas também com a análise da preocupação do colaborador em atingir os resultados esperados pela empresa. Assim, é preciso que haja um plano de ação nas empresas, com uma equipe engajada nos cuidados relacionados à saúde e segurança dos colaboradores, pois essas medidas evitam exposição da empresa (tanto exposição trabalhista, quanto exposição relacionada à sua imagem), como engajam, mantém e atraem talentos, tornando-a mais produtiva e, consequentemente, mais lucrativa. A relação é, sem dúvida, de Ganha / Ganha.

O que é síndrome de Burnout ?
 

Burnout vem do inglês e significa “esgotamento”. A Síndrome de Burnout, ao se manifestar no colaborador, pode provocar danos à sua saúde tanto física, como psicológica, em decorrência das más condições de trabalho. Destaca-se que a Síndrome de Burnout não se

trata apenas da falta de estrutura ocupacional adequada, mas sim de um ambiente onde há problemas que envolvam a saúde mental do empregado, como: bullying, assédio moral, cobranças extremas, pedidos de entregas inalcançáveis, longas jornadas de trabalho, falta de

reconhecimento, e tudo o que de alguma forma caracteriza um ambiente desagradável para se trabalhar. Em casos extremos, a doença pode levar o colaborador à morte por problemas cardíacos e derrames, e até mesmo, ao suicídio.

 

Burnout & Pandemia


A Síndrome do Burnout se trata de uma questão antiga, mas somente agora foi acendida a luz sobre esse problema e isto tem ligação direta à pandemia do coronavírus. É que, desde o surgimento do vírus, foi percebido um agravamento diante do cenário global de problemas psicológicos relacionados ao trabalho e, de acordo com pesquisas, isto tende a continuar.

Em um contexto hipotético de pós-pandemia, as pessoas estão propensas a se dedicarem de tal maneira ao trabalho por medo de perderem seus empregos, que serão capazes de ignorar seus limites para entregarem os resultados esperados pelas empresas. Então, se antes o problema existia em um cenário já conhecido, a partir de agora, ele passa a ligar um botão de atenção a mais, que deverá ser atendido por todos os cargos de chefia.

Empatia e Engajamento

A melhor maneira de evitar que isso aconteça com um dos colaboradores da empresa é investir na prevenção e tornar a questão algo a ser discutido e analisado todos os dias por toda a equipe envolvida. O que não pode ser feito, de forma alguma, é ignorar o problema ou torná-lo pouco relevante, trazendo soluções paliativas e ineficazes.


O que fazer para prevenir casos de Sìndrome de Burnout em sua empresa:

1. Primeiro passo é aceitar que a doença se desenvolve no ambiente de trabalho;

2. Promover o assunto dentro do ambiente de trabalho, fomentar reuniões periódica (diárias, semanais; quinzenais);

3. Oferecer todo o suporte necessário para que os gestores fiquem atentos ao comportamento dos seus colaboradores; e consigam perceber os sintomas logo no início;

4. Definir um plano de ação em parceria com toda equipe, e se possível, com o auxílio de profissionais da área de saúde mental para ajudar nos processos das ações preventivas, que precisam ser feitas de modo contundente;

5. Respeitar os limites de cada indivíduo;

6. Valorizar pequenas conquistas de cada um.

7. Promover rodas de conversas, espaços de conhecimento ou até mesmo“happy hours” com toda a equipe para que sejam construídas válvulas de escape, de conversas informais, as quais podem servir como geração de vínculos entre os profissionais;

Se já estiver acontecendo, o que fazer?

O primeiro passo é se dispor a iniciar uma conversa a fim de levar o colaborador a aceitar um tratamento e a ajuda necessária. O segundo é ampliar a visão para enxergar em que momento e por quais motivos levaram a pessoa a adoecer. Não será uma tarefa fácil diagnosticar o foco do problema, uma vez que sempre há mais envolvidos, mas é fundamental o esforço. Entender que o ambiente de trabalho pode ser nocivo à saúde do colaborador e tomar medidas preventivas para deixar o ambiente mais agradável para todos também pode evitar complicações diante de um processo judicial.

Estamos em um momento onde é importante que todos estejam atentos aos problemas que podem ser gerados por um ambiente de trabalho que não preza pela segurança da saúde mental de seus colaboradores. E como começar?

1. Abrir espaço para a fala e a escuta de qualidade dentro da empresa;

2. Abrir canais de comunicação e discussões/fóruns a respeito do tema;

3. Promover conversas com os colaboradores para mensurar o nível de satisfação

de cada um no local de trabalho;

4. Promover eventos e palestras;

5. Criar Políticas governamentais direcionadas à essa questão
 

As sugestões acima são exemplos de como o empregador pode demonstrar seu interesse na proteção da saúde dos colaboradores e diminuir riscos trabalhistas ao comprovar práticas da empresa nesse sentido. Abrir as portas da comunicação para a entrada de conversas com o empregado é sem dúvida, o melhor caminho para a prevenção. Então, vamos lá e dê início agora a este bate-papo.


*Por Yara Leal Girasole, Especialista em direito do trabalho e sócia do escritório HSVL Advogados.

12

Fev

Seleções e contratações serão mais digitais em 2022

Encontrar bons profissionais sempre é um grande desafio. Especialmente por conta da pandemia da Covid-19, que limitou o contato olho no olho, os setores de Recursos Humanos (RH) se encontraram diante de entraves e não tiveram outra opção a não ser mudar a estratégia. Assim, a seleção digital, que era tendência, se tornou realidade na área de recrutamento e seleção.

Plataformas para gestão de recrutamento, seleção e admissão on-line se tornaram cada vez mais presentes e incluíram novas etapas, como testes e análises, facilitando o encontro do perfil ideal que a empresa está buscando.

Entre as vantagens desta mudança foi a ampliação do número de candidatos que podem ser selecionados para uma mesma vaga, o que dá, para um número muito maior de pessoas, a oportunidade da concorrência. Daí a escolha do termo democracia para definir o processo. Também, as ferramentas tecnológicas permitiram um escrutínio muito mais apurado do candidato, contratando com mais precisão alguém que tenha o perfil adequado para a vaga e que esteja em sintonia com a cultura da empresa. Tudo isso, com celeridade e transparência.

Novidades

Uma das novidades do mercado é o filtro de candidatos a partir de sua localização, favorecendo a contratação de quem mora perto da empresa que oferece a vaga. Com o recurso da geolocalização, busca-se pela proximidade dos candidatos com a empresa. Isso é interessante porque muitas vezes os gestores percebem que as pessoas que permanecem mais tempo na empresa são as que moram próximo, por isso, entendem que é interessante buscar por quem mora perto mesmo. É uma facilidade, qualidade de vida. 

Há ainda a seleção com fases híbridas, em que o contato é uma realidade. Ferramentas favorecem esse modelo, como tecnologias para vídeo-entrevistas e inventários comportamentais. Ao mesmo tempo, também auxilia a parte presencial, organizando o atendimento presencial, gerenciando o tempo médio de espera e tratando os candidatos de forma personalizada, sabendo quem é, por quem ele será entrevistado e de qual processo seletivo está participando. 

O processo de vídeo-entrevistas segue fundamental para processos mais assertivos; em poucos cliques, o recrutador configura a sequência de perguntas para que o candidato responda em formato de vídeo. São centenas de entrevistas simultâneas, conhecendo um pouco mais cada candidato, mas sem travar a agenda do selecionador.

Potencializando o ser humano 

Se for explorada de maneira mecânica pelas plataformas, a tecnologia pode exibir um lado ruim. No mercado de recrutamento, por exemplo, há softwares que acabam excluindo candidatos por exigirem o longo preenchimento de campos – às vezes, mais de uma vez – ou por utilizar métodos tão tecnológicos que acabam afastando quem não tem tanto domínio da informática. Além disso, algumas plataformas existentes segregam candidatos por conta dos algoritmos enviesados, que, segundo pesquisadores, “escondem” profissionais ao fazerem suas buscas pelo melhor candidato possível. Só para se ter ideia, nos Estados Unidos, uma pesquisa de setembro de 2021 mostrou que quase 30 milhões de trabalhadores estão ocultos no mercado de trabalho. Os programas encontram o perfil ideal através da configuração do programa de filtragem com um conjunto de palavras-chave escolhidas por quem faz as seleções. Práticas sem gerenciamento e mecânicas endurecem o encontro do candidato certo para a vaga correspondente.

Quando se tem uma metodologia, desde a implantação inicial até a parametrização das regras de negócio da empresa, essa ‘configuração’ do filtro também é realizada de uma melhor forma. Se não há um processo estruturado que considere as características de cada organização, a tecnologia pode vir a atrapalhar mesmo.

O sucesso e a tranquilidade do time de RH dependem muito, portanto, que o sistema de recrutamento seja mais do que apenas um software e sim uma solução completa, e com apoio do fornecedor da tecnologia que vá além do sistema.

6

Fev

[ARTIGO] Como fidelizar clientes na era digital?

*Por Igor Castro 

Fidelizar os clientes é uma das estratégias primordiais de qualquer negócio e, ao mesmo tempo, uma das missões mais complexas. Em apenas um clique, os consumidores podem encontrar uma infinidade de concorrentes que entregam os mesmos produtos e serviços, com a mesma qualidade e preços tão atrativos quanto. A luta pela atenção dos usuários nesta era digital está cada vez maior e, para ganhar sua preferência dentre tantas opções, é preciso se munir de ações que tornem sua experiência próxima, personalizada e valorizada. 

Garantir um bom atendimento é tão importante quanto entregar um serviço de qualidade e assertivo às necessidades do público-alvo. Afinal, sempre irão existir companhias que trabalhem no mesmo nicho e, o que irá diferenciar seu negócio frente aos demais, será sua atenção e preocupação com o consumidor final em toda sua jornada de compra. 

Em um estudo feito pela Think With Google, 63% dos clientes esperam que as marcas tenham uma experiência consistente em todas as interações realizadas. Uma única falha nesse processo, em contrapartida, fará com que busquem outras empresas que ofereçam o que procuram e que estejam dispostas a atendê-los – com uma chance reduzida de voltarem a procurar seu negócio futuramente. 

Como atrair e reter clientes? 

O varejo vive uma luta eterna para fidelizar clientes. É preciso investimentos constantes nas melhores estratégias de atração e retenção e, para alcançarem tal êxito, é necessário ter como ponto de partida um entendimento completo sobre o perfil de seu consumidor. Entenda para quem você está vendendo, quais são seus anseios e produtos desejados. Quanto mais dados forem colhidos constantemente sobre tais perfis, melhor. 

Nessa etapa, muitas companhias conseguem captar grande volume de informações por meio das pesquisas de satisfação, nas quais relatam como foi sua experiência, se estão satisfeitos e as chances de recomendarem o serviço para outras pessoas. As respostas, certamente, darão o insumo necessário para identificar o que está dando certo e o que deve ser aperfeiçoado para a evolução constante da empresa – principalmente, por meio dos feedbacks negativos. 

Qualquer comentário ruim sobre a experiência do usuário deve ser respondido o quanto antes. A empresa deve se mostrar sempre disposta a solucionar o problema e preocupada em deixá-lo satisfeito. Caso contrário, a falta de atenção rápida neste retorno irá não apenas danificar sua imagem no mercado, como também fazer com que o usuário busque um concorrente e, dificilmente, retorne a procurar seu negócio. 

A importância dos canais de comunicação na fidelização dos clientes 

A fidelização dos clientes também depende de uma comunicação próxima. Por mais que a tecnologia tenha contribuído para o desenvolvimento de agentes virtuais que otimizem o atendimento, muitos ainda preferem conversar com um atendente humano em sua jornada de compra. Existem diversos perfis de consumidores que devem ser contemplados de forma igualitária, por meio da oferta de múltiplos canais para que cada um escolha seu meio predileto. 

Junto à essa diversidade, todos os canais devem ser interligados, de forma que os consumidores possam iniciar sua jornada em um meio e finalizá-lo em outro. O RCS é um dos maiores exemplos de canais que vêm crescendo no mercado – o qual permite uma jornada rica por meio de um carrossel completo de imagens, mensagens, vídeos e documentos. Os métodos disponíveis no mercado estão em constante desenvolvimento para trazer soluções cada vez mais completas para o seu negócio. 

Priorizar uma comunicação frequente e amigável é essencial. Contudo, é necessário se atentar à linha tênue entre essa periodicidade e a excessividade de mensagens. Contatos massivos irão descredenciar sua marca no mercado, gerando grande insatisfação e repulsão dentre os usuários. Todas essas ações devem ser monitoradas a todo momento, trazendo insights mais assertivos sobre os resultados das estratégias aplicadas. 

Nem sempre sua companhia irá acertar nas ações realizadas. Por isso, procure sempre recolher os feedbacks dos usuários e entender o que pode ser aperfeiçoado para trazer uma experiência cada vez melhor. Buscar a fidelidade de um cliente nesta era digital é uma luta constante no mundo corporativo – mas, completamente possível de ser conquistada por meio de uma jornada única e próxima que faça com que se sintam especiais. 

*Igor Castro é diretor de produtos e tecnologia na Pontaltech, empresa especializada em soluções integradas de voz, SMS, e-mail, chatbots e RCS. 

5

Fev

[ARTIGO] O segredo para incentivar a leitura

*Por Luciana de Gnone 

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Pró-Livro revelou que o brasileiro lê em média 4,96 livros por ano. Pode parecer bastante, mas os franceses, por exemplo, chegam a ler mais de 20 obras no mesmo período. O que explica então o desinteresse pela leitura, especialmente entre os mais jovens, no nosso país? 

Acredito que estas estatísticas negativas sobre leitura estão, em parte, ligadas à obrigatoriedade de ler os grandes clássicos da literatura brasileira durante o ensino básico. Não me entenda mal, não estou criticando os clássicos, longe de mim. 

O que quero dizer é que a maioria das pessoas tem dificuldade em ler e interpretar a linguagem rebuscada dessas narrativas. Esta formalidade, aliada à obrigação imposta sobre estas leituras, acaba criando um afastamento entre os jovens e a literatura que infelizmente se estende para a vida toda. 

Há algum tempo, em uma conversa de família, soube que minha sobrinha de 15 anos, que até então não gostava de livros, finalmente descobriu sua paixão pela leitura. Isso aconteceu porque ela estava lendo um livro que despertou seu interesse. 

Este caso retrata minha crença que defendo quase como um mantra: a pessoa diz não gostar de ler até ler um livro que gosta. Não acho que o ser humano seja avesso à leitura. Acredito apenas que cada um tem estilos, gostos e interesses diferentes. 

Desde que comecei a escrever romances profissionalmente, tento reverter este movimento contra a leitura que parece ter se enraizado na nossa cultura. Na verdade, todas as pessoas que não leem hoje são potenciais leitores, basta encontrar o livro certo. 

Como escritora, uso meu ativismo pró-leitura para enfatizar a importância dos livros no desenvolvimento humano. Inclusive, costumo indicar três caminhos para quem não gosta de ler descobrir como identificar os títulos certos para investir seu tempo. 

Para saber quais são os seus gêneros literários preferidos, basta analisar os filmes e séries que você mais assiste. Depois, vale procurar os trabalhos de autores destes gêneros e ler resenhas de livros escritos por eles para encontrar aquele que mais chama a sua atenção. 

Tem ainda a regra 80/20: se você leu 20% do livro e não gostou, o melhor é deixá-lo de lado e começar uma nova leitura. Se até ali você não se encantou por aquela história, talvez não seja o livro certo ou mesmo o momento ideal para ele. 

Se você conhece alguém que se encaixa neste perfil de brasileiros que não gostam de ler, sugira estas técnicas. Pode ser o incentivo necessário para que mais uma pessoa descubra o potencial dos livros e se apaixone pelo universo mágico da literatura. 

*Luciana de Gnone é escritora e autora do suspense policial “Evidência 7: Segredo Codificado”.