Jornalismo

4

Jan

Mercado

Prêmio Revista Elas por Ela vai reconhecer o trabalho de “mulheres inspiradoras”

Está confirmada para o dia 24 de janeiro a primeira edição do Prêmio Revista Elas por Ela, que premiará mulheres que fazem história como profissionais e atuaram na mudança da realidade no entorno em que convivem.

O evento será realizado no auditório do CTGás, em Natal, e contará com a presença de 40 mulheres que se destacaram em 2018. “A ideia é divulgar o trabalho do público feminino apresentando personalidades inspiradoras”, afirma a idealizadora do prêmio, Kalina Veloso.

Entre as homenageadas, estão a conselheira federal que é representante do Brasil no consulado em Roma, Edilene Vasconcelos Giustini e ex-ministra dos Direitos Humanos, Luislinda Valois, que virão a Natal para a solenidade. 

4

Jan

Jornalismo

Idealizadora do projeto Comprova dá dicas para jornalistas evitarem amplificação de desinformação

A indústria global de notícias ainda está longe de garantir eficácia no combate à desinformação digital coordenada, que se aprimora em alta velocidade, diz Claire Wardle, diretora de pesquisa da First Draft, ligado à Universidade de Harvard. E um dos maiores desafios do jornalismo no momento, diz a pesquisadora, é compreender e impedir o sucesso de muitos agentes de desinformação que têm como objetivo final reverberar suas falsidades nos veículos de jornalismo profissional.

As táticas, afirma Calire, visam poluir o ecossistema de informação semeando conteúdo enganoso ou fabricado, na esperança de atrair jornalistas que agora recorrem regularmente a fontes online. “Ter seu boato deliberado ou rumor manufaturado caracterizado e amplificado por uma organização de notícias influente é considerado uma vitória”, alerta a pesquisadora, que sugere cinco lições básicas para fugir das armadilhas (abaixo).

Claire, idealizadora do projeto Comprova, coalizão formada por 24 veículos de mídia para combater a desinformação na eleição brasileira de 2018, reforça que a desinformação geralmente começa na web de forma anônima, se transforma em grupos fechados ou semifechados (muitos no Twitter, Facebook ou WhatsApp), em comunidades conspiratórias nos Fóruns Reddit ou canais do YouTube e, depois, em redes sociais abertas como Twitter, Facebook e Instagram.

Infelizmente, diz ela, esse processo desemboca na mídia profissional. “Isso pode acontecer quando uma informação falsa ou conteúdo é incorporado em um artigo ou citado em uma matéria sem verificação adequada”, afirma. Mas, continua, também pode ser quando uma redação decide desmascarar uma fonte de desinformação. “[Neste caso] De qualquer maneira, os agentes da desinformação venceram”, lamenta. “A amplificação, de qualquer forma, é o objetivo deles em primeiro lugar”, insiste.

Abaixo, cinco dicas de Claire que podem ajudar as redações no combate ao problema:

1. Esteja preparado: treine suas redações em táticas e técnicas de desinformação

Certifique-se de que seus planos de treinamento incluam sessões sobre habilidades de verificação digital, mas garanta que eles não estejam apenas focados em avaliar se algo é verdadeiro ou não. Certifique-se de que os participantes sejam treinados em proveniência digital, para que possam rastrear a origem de um conteúdo. Da mesma forma, garanta que seus jornalistas entendam como fazer esse tipo de trabalho com segurança.

2. Seja responsável: não dê oxigênio adicional à desinformação

Reportagens apressadas dão oxigênio desnecessário a rumores ou conteúdo enganoso que, de outra forma, poderiam desaparecer. Matérias divulgadas tardiamente, porém, significam que a falsidade tomou conta. É também um motivo para criar colaborações informais, para que as redações possam comparar as preocupações sobre as decisões de cobertura.

3. Fique atento: entenda as implicações de um público em rede

Desmistificar ou explicar conspirações, falsidades ou rumores propagados por pessoas de um determinado grupo dão a elas não apenas legitimidade, mas um conjunto de palavras-chave para seu público usar na pesquisa por mais informações. Antes da internet, essas comunidades remotas se esforçavam para se conectar porque era muito difícil para as pessoas se encontrarem cara a cara. Agora essas comunidades podem florescer.

4. Explique: não atue como estenógrafo

Quando tantas pessoas recebem suas notícias apenas de tweets, postagens no Facebook, títulos no Google News ou notificações push, a responsabilidade de como as manchetes são redigidas é mais importante do que nunca.

5. Inocule: faça mais relatórios que ajudem a explicar os assuntos que são frequentes em campanhas de desinformação

Em vez de simplesmente reagir às falsidades quando elas aparecem, qualquer reportagem que anteceda algumas das narrativas mais comuns e poderosas poderia ajudar a inocular parte da desinformação. A análise feita pelo First Draft das informações no período que antecedeu as eleições no Brasil e nos Estados Unidos, em 2018, identificou os seguintes tópicos mais comuns: tentativas de minar a integridade do sistema eleitoral; semear o ódio e a divisão com base na misoginia, antissemitismo, islamofobia e homofobia; demonizar os imigrantes; e conspirar sobre redes globais de poder.

Fonte: ANJ, disponível em: https://www.anj.org.br/site/component/k2/73-jornal-anj-online/15408-jornalismo-precisa-saber-reconhecer-e-evitar-armadilhas-que-levam-a-amplificacao-da-desinformacao-alerta-especialista.html

3

Jan

Jornalismo

Liberdade de imprensa nas Américas registrou avanços em 2018, mas violência contra jornalistas é alarmante

O jornalismo das Américas conquistou em 2018 importantes avanços no que diz respeito a barreiras de proteção aos profissionais e veículos de comunicação na área jurídica e no meio digital. A avaliação é de María Elvira Domínguez, presidente da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP, na sigla em espanhol), entidade que esteve à frente de muitas dessas conquistas. A violência contra comunicadores da região no mesmo período, entretanto, afirma ela, chegou a níveis alarmantes, principalmente em países comandados por governos autoritários.

Em balanço anual, a presidente da SIP e diretora do jornal El País, de Cali, na Colômbia, destacou entre os aspectos positivos a decisão tomada pela Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) que condenou o Estado colombiano pelo assassinato do jornalista Nelson Carvajal, em 1998, bem como pela impunidade do crime. “Destaco a importância que tem esta decisão por criar jurisprudência internacional, o que nos dá esperança de justiça em outros casos”, diz María Elvira.

Outra conquista, enfatiza a presidente da SIP, foi a aprovação pela entidade, durante sua 74ª Assembleia Geral, da "Declaração de Salta sobre Princípios sobre Liberdade de Expressão na Era Digital". O documento, considerado um marco histórico para o jornalismo, tem o mesmo espírito da Declaração de Chapultepec, de 1994, mas aborda os desafios impostos pela tecnologia à livre expressão e, também, dos hábitos cada vez mais online das pessoas em todo o mundo.

“Trata-se de uma guia de referência para indústria da comunicação com 13 princípios de proteção ao livre fluxo informativo, com ênfase no combate à desinformação e às noticias falsas mediante a alfabetização dos usuários”, diz María Elvira. Essa é, continua a presidente da SIP, uma obrigação dos responsáveis por “plataformas digitais, meios de comunicação e governos”. Outro ponto positivo é a decisão do governo de Lenín Moreno, no Equador, de iniciar as reformas da Lei Orgânica de Comunicação, criada na gestão de Rafael Correa para censurar a imprensa.

As vitórias, porém, contrastam com o assassinato de 31 jornalistas e outros trabalhadores de mídia – 13 no México, seis nos Estados Unidos, quatro no Brasil, três no Equador, dois na Colômbia, dois na Guatemala e um na Nicarágua, além de profissionais que se encontram aprisionados. A presidente da SIP afirmou que, em 2019, a entidade redobrará seus já enfáticos esforços para garantir melhores condições de trabalho para os veículos e seus profissionais, em especial na Venezuela, Nicarágua e Cuba, onde a livre expressão e os direitos individuais estão mais ameaçados. Neste ano, a SIP celebra 75 anos de atividade. Também são comemorados os 25 anos da Declaração de Chapultepec.

Fonte: ANJ, disponível em: https://www.anj.org.br/site/component/k2/73-jornal-anj-online/15392-liberdade-de-imprensa-nas-americas-registrou-avancos-em-2018-mas-violencia-contra-jornalistas-e-alarmante-diz-sip.html

3

Jan

Jornalismo

Campanha do TJRN estimula a adoção com vídeos de depoimentos de crianças e adolescentes

Aos onze anos, Madson se parece com grande parte dos meninos de sua idade: gosta de brincar de esconde-esconde, assistir ao desenho do “Ben10”, jogar capoeira e futebol. O que ele também gostaria muito de fazer é dar um beijo na mãe ou no pai ao chegar da escola. O problema é que a família dele, por enquanto, não existe. Madson mora em um abrigo desde bebê e é uma das 17 crianças e adolescentes que participa do Projeto Eu Existo, da Corregedoria do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN).

O projeto, lançado em março de 2018, estimula a busca de pais para crianças e adolescentes que vivem em instituições de acolhimento do Rio Grande do Norte e, por motivos diversos, estão fora do perfil normalmente escolhido para adoção. Por meio de vídeos, que podem ser acessados aqui, as crianças se apresentam e falam de seus sonhos e preferências. Os vídeos foram gravados em cenas cotidianas das crianças – os irmãos Joelson e Jefferson, por exemplo, jogam bola e brincam no parquinho enquanto contam que gostariam muito de uma família que fosse “boa, carinhosa, tenha condições (materiais) e nos eduque”. Jefferson e Joelson completam dizendo que não se imaginam vivendo um longe do outro.

De acordo com a desembargadora Zeneide Bezerra, do tribunal potiguar, o projeto nasceu para dar visibilidade às crianças que estão em abrigos e abrir espaço para que as pessoas que querem adotar possam ampliar o seu perfil desejado. “Queremos que essas pessoas vejam os vídeos e se apaixonem pelas crianças, que seja uma adoção pelo sentimento e não por um perfil idealizado”, diz a desembargadora. De acordo com ela, o projeto já possibilitou diversas adoções de crianças e adolescentes, inclusive duas internacionais - as crianças foram para Itália. “Para mim, se o projeto possibilitar a adoção de uma criança, já estaria ótimo”, diz. Atualmente, de acordo com a desembargadora, há 40 crianças no estado aptas à adoção.

27

Dez

Jornalismo

Jornalismo e sua função mediadora estão em xeque, aponta projeto da Abraji

O jornalismo e sua função mediadora estão em xeque. Essa é a conclusão do projeto que aponta os rumos do jornalismo brasileiro para 2019, parceria realizada pela Abraji e pelo Farol Jornalismo pelo terceiro ano consecutivo. O especial O jornalismo no Brasil em 2019, que reúne dez artigos sobre temas como colaboração, diversidade e reencontro com a audiência, está disponível gratuitamente no Medium e pode ser acessado em jornalismonobrasilem2019.com.

Tal cenário, advindo da polarização que dominou os anos recentes da política nacional e em particular o período eleitoral de 2018, colocou em evidência atores políticos que apresentaram a "verdade" que mais lhes convinha, reforçando as crenças de seus seguidores. Tudo isso, na maior parte das vezes, prescindindo do jornalismo. Mas como fazer para que as pessoas continuem crendo no trabalho da imprensa e na sua importância para a democracia?

Essa é a pergunta a que os 10 autores convidados, ao projetarem o ano que se avizinha, acabam por tentar responder. Há muitos desafios a serem enfrentados, mas o futuro aponta para a colaboração, como se viu em iniciativas como o Projeto Comprova, coalizão de 24 veículos formada para verificar notícias sem autoria referente às eleições de 2018. No entanto, o editor do Comprova, Sérgio Lüdtke, diz que não basta apenas produzir conteúdo de qualidade: será preciso fiscalizar políticas públicas e ativistas digitais de maneira aberta e transparente. A pesquisadora Rosane Borges também aposta na transparência para o desafio imposto pela desintermediação.
 
Entre os artigos reunidos no estudo, está o da jornalista e pesquisadora Sílvia Lisboa, que afirma: não basta um veículo dizer que tem credibilidade; é preciso que a audiência perceba e aceite essa credibilidade. Esse novo contrato com a sociedade passa por um esforço maior de conhecer o público. Segundo a pesquisadora Cláudia Nonato, é necessário compreender o que espera parte da população brasileira que votou em Jair Bolsonaro.

Já a jornalista e pesquisadora Taís Seibt sugere a adoção de formatos que conversem melhor com os ambientes nos quais o brasileiro costuma se informar, o que inclui as redes sociais e o WhatsApp. A diversidade é outro caminho apontado para o jornalismo no Brasil no próximo ano, como forma de garantir a pluralidade na cobertura. O pesquisador Gean Gonçalves sinaliza a possibilidade de as redações adotarem editores de gênero, seguindo o exemplo de El País e New York Times. 

O jornalismo local e o praticado na região amazônica também foram temas abordados pelo projeto. Sérgio Spagnuolo, editor do Volt Data Lab e coordenador do projeto Atlas da Notícia, que mapeou os desertos de notícias no Brasil em 2018, escreveu que, em todo o país, o jornalismo local sofre com modelos de negócio quebrados que inviabilizam a inovação. Já a jornalista Elaíze Farias chama a atenção para as dificuldades de fazer uma cobertura na região norte que deixe de lado estereótipos e abrace a complexidade local.

Segundo Patrícia Gomes, diretora de produtos no JOTA, olhar para os dados gerados pelos usuários e adaptar os produtos jornalísticos ao comportamento de quem os consome pode ser uma das saídas para restabelecer a relação de confiança. Já Guilherme Amado, repórter de O Globo e da Época, aponta para um reencontro do jornalismo com seu público como forma de devolver-lhe a credibilidade.

Seja como for, o jornalismo deve encontrar caminhos para lidar com as novas dinâmicas que influenciam tanto o modelo de negócios, como o relacionamento com os diversos públicos que consomem notícias.

Fonte: Abraji, disponível em: http://abraji.org.br/projeto-jornalismo-no-brasil-aponta-para-2019-com-baixa-de-credibilidade-e-funcao-mediadora-em-xeque

26

Dez

Jornalismo

Impacto social do jornalismo será mais valorizado em 2019, projeta especialista

As organizações de notícias têm de continuar avançando no uso mais eficiente de métricas de audiência e engajamento, mas estão desafiadas a medir e explicar com mais precisão o impacto do jornalismo na sociedade. “Somos ótimos para determinar quem está lendo nosso conteúdo, quanto tempo as pessoas gastam com ele e como estão compartilhando. O que não fazemos bem é medir por que nosso conteúdo é importante”, diz Patrick Butler, vice-presidente do International Center for Journalists.

Essa informação, afirma, é fundamental para que a mídia possa fortalecer sua credibilidade em meio à hiperinformação digital, mantendo e gerando mais audiência. “Uma maneira de recuperar a confiança de nossos públicos – e potenciais audiências – é mostrar a eles que o jornalismo desempenha um papel vital em melhorar suas vidas”, destaca. Butler acredita que esta será uma das tendências de 2019, quando a mídia noticiosa intensificará seus esforços para medir seu impacto na sociedade.

Assim, iniciativas como as das redações do grupo norte-americano McClatchy, que defendem a credibilidade e a confiança por meio da campanha #ReadLocal, devem se multiplicar. Dentro do projeto do publisher dos Estados Unidos, há constante destaque às investigações e histórias que levaram a mudanças concretas na vida dos leitores. O The Center for Investigative Reporting, a ProPublica e a Gannett, diz o vice-presidente do International Center for Journalists, também têm priorizado esse acompanhamento.

O melhor conhecimento do impacto social da atividade jornalística e a demonstração disso às pessoas, reforça Butler, serão essenciais para reter e expandir o público, por meio de informações confiáveis e precisas. “Nosso futuro depende disso”.

Fonte: ANJ, disponível em: https://www.anj.org.br/site/component/k2/73-jornal-anj-online/15363-impacto-social-do-jornalismo-sera-mais-valorizado-em-2019-projeta-especialista.html

25

Dez

Jornalismo

Escândalo internacional: Jornalista premiado da revista alemã "Der Spiegel", uma das quatro maiores do mundo, inventou reportagens por vários anos

*João José Forni

O jornalista Claas Relotius, da revista alemã Der Spiegel foi demitido, após um colega e a revista descobrirem que várias reportagens famosas, de sua autoria, eram “fake news” ou “fake stories”, ou seja, pura fraude. O jornal britânico The Guardian, de 19/12/18, em artigo de Kate Connolly conta como repercutiu na redação da revista alemã a descoberta dessa fraude. O fato foi revelado na semana passada.

“A revista de notícias alemã Der Spiegel mergulhou no caos depois de revelar que um de seus principais repórteres havia falsificado histórias ao longo de vários anos.” É um choque para os colegas, para os editores, para os diretores. Publicar reportagens fraudulentas é talvez o maior pecado de um jornalista na carreira e um desgaste irreparável para a credibilidade do veículo de comunicação.

“O mundo da mídia ficou surpreso com as revelações de que o premiado jornalista Claas Relotius, de acordo com o semanário, ‘inventou histórias e inventou protagonistas’ em pelo menos 14 dos 60 artigos que apareceram nas edições impressas e online da Der Spiegel, alertando que outras reportagens também podem ter sido afetadas pela fraude”.

O jornalista, de 33 anos, se demitiu, depois de admitir o golpe. Ele escrevia para a revista há sete anos e ganhou inúmeros prêmios por seu jornalismo investigativo, incluindo o de “Jornalista do Ano da CNN em 2014”. No início deste mês, ele ganhou outro prêmio, o Reporterpreis (Repórter do ano) da Alemanha, com a história sobre um jovem garoto sírio. Os jurados elogiaram o trabalho por sua “leveza, poesia e relevância”. Desde então, especulou-se que todas as fontes de sua reportagem eram, na melhor das hipóteses, nebulosas, e muito do que ele escreveu teria sido inventado.

Mas como a revista descobriu? A falsificação veio à tona depois que um colega, que trabalhou com ele em uma reportagem ao longo da fronteira EUA-México, levantou suspeitas sobre alguns dos detalhes da reportagem de Relotius, tendo dúvidas sobre ele por algum tempo. O colega Juan Moreno, jornalista que há anos trabalha para a Der Spiegel no exterior, eventualmente localizou duas supostas fontes citadas extensivamente por Relotius no artigo, que foi publicado em novembro. Ambas disseram que nunca se encontraram com Relotius.

Também foi descoberto, numa investigação posterior, que Relotius havia mentido que teria visto uma placa pintada à mão, na fronteira, que dizia “os mexicanos ficam de fora”. Outras histórias fraudulentas incluíam uma sobre um prisioneiro iemenita na Baía de Guantánamo e uma sobre o astro do futebol americano Colin Kaepernick.

O que fez a revista

Em um denso artigo, a Spiegel, que vende cerca de 725 mil exemplares impressos por semana (uma das quatro maiores do mundo) e tem um público online de mais de 6,5 milhões, disse estar "chocada" com a descoberta e pediu desculpas a seus leitores e a qualquer um que tenha sido objeto de “citações fraudulentas, detalhes pessoais inventados ou cenas inventadas em lugares fictícios”.

Segundo o Guardian, “a revista baseada em Hamburgo, fundada em 1947 e renomada por suas investigações aprofundadas, disse que Relotius cometeu fraude jornalística “em grande escala”. O diretor de redação descreveu o episódio como "um ponto negativo na história de 70 anos de Spiegel". Uma comissão interna foi criada para examinar todo o trabalho da Relotius no semanário.

O repórter também escreveu para uma série de outros veículos conhecidos, incluindo os jornais alemães Taz, Welt e a edição de domingo do Frankfurter Allgemeine. O Die Welt twittou na quarta-feira: "Ele abusou de seu talento". Relotius disse à Spiegel que ele se arrependeu de suas ações e ficou profundamente envergonhado, disse a revista. "Estou doente e preciso de ajuda", disse ele.

Ainda segundo a reportagem do The Guardian, o colega Moreno, “que trabalha para a revista desde 2007, arriscou seu próprio emprego quando confrontou outros colegas com suas suspeitas, muitos dos quais não queriam acreditar nele. Por três a quatro semanas, Moreno passou pelo inferno porque os colegas e os veteranos não queriam acreditar em suas acusações a princípio", escreveu a revista, em um pedido de desculpas aos leitores. "Durante várias semanas, segundo a Der Spiegel, Relotius foi considerado até mesmo vítima de uma trama astuta de Moreno.”

Admitiu a Der Spiegel que “Relotius rejeitou habilmente todos os ataques, todas as evidências bem pesquisadas de Moreno… até chegar a um ponto em que isso não funcionou mais, e em que ele. finalmente, não conseguiu mais dormir, caçado pelo medo de ser descoberto”.

Na semana passada, acrescentou a revista, Relotius, finalmente se entregou, depois de ser confrontado por um editor sênior. Na confissão ao seu empregador, ele disse: "Não foi por causa da próxima grande coisa. Foi o medo de falhar. Minha pressão para não ser capaz de falhar tornou-se ainda maior quanto mais sucesso me tornei”. A revista continua tentando lavar a roupa suja com transparência. E foi implacável ao relatar em denso artigo de Ullrich Fichtner, ontem (20/12), o desenlace da descoberta da fraude, numa clara evidência de que a história envergonhou toda a redação e tem um preço a ser pago.

“Agora ficou claro que Claas Relotius, 33 anos, um dos melhores escritores da DER Spiegel, vencedor de vários prêmios e ídolo jornalístico de sua geração, não é repórter nem jornalista. Em vez disso, ele produz uma ficção lindamente narrada. A verdade e as mentiras estão misturadas em seus artigos e algumas, pelo menos de acordo com ele, foram até mesmo relatadas e livres de fabricação. Outros, ele admite, foram embelezados com citações falsas e outros fatos inventados. Outros ainda foram totalmente fabricados. Durante sua confissão na quinta-feira, Relotius disse, literalmente: "Não era sobre a próxima grande coisa. Era o medo do fracasso". E: "A pressão para não falhar cresceu quando me tornei mais bem sucedido."

A revista semanal, que é uma das organizações de notícias mais proeminentes da Alemanha, está agora tentando resgatar a reputação, em meio a temores de que uma revista já desafiada pelos problemas da indústria jornalística alemã precise mais que se esforçar para se recuperar dessa crise extremamente negativa para quem trabalha com credibilidade.

O semanário alemão publicou no sábado (22) passado, um relatório especial de 23 páginas sobre como um de seus repórteres premiados falsificou reportagens durante anos, dando um golpe na credibilidade da mídia. E onde houve a falha, que certamente aconteceu.

EUA pedem investigação 

Ontem (21), o embaixador dos EUA na Alemanha pediu uma investigação independente em uma carta ao semanário, apontando que muitas das histórias que Relotius fabricou se concentravam na vida americana.

Em editorial, a revista disse que a fraude, envolvendo assuntos como órfãos sírios e sobrevivente do Holocausto, é a "pior coisa que pode acontecer a uma equipe editorial". E que a revista fará tudo que for possível para merecer novamente a credibilidade.

Desde o escândalo revelado pela revista na quarta-feira, outras importantes emissoras alemãs, como Die Welt e Die Zeit, que uma vez utilizaram Relotius como freelancer, também começaram a ler com uma lupa os artigos que ele produziu.

A União dos Jornalistas Alemães (DJU, na sigla em alemão) chamou o caso de "o maior escândalo de fraude no jornalismo desde os diários de Hitler" que a revista alemã Stern publicou em 1983 e que mais tarde se descobriu serem falsificações.

As revelações da Spiegel lembraram exemplos de fraudes jornalísticas de repórteres em outros lugares, incluindo Jayson Blair do The New York Times, Christopher Newton da Associated Press e Janet Cooke, do Washington Post, cuja peça de 1980, sobre uma criança viciada em heroína, deu à jornalista um Prêmio Pulitzer, antes de ele ser exposto como falso. Ela devolveu o prêmio, após a descoberta da falsidade. Mas até hoje este e os demais casos figuram na galeria das “vergonhas” que a mídia teve que enfrentar.

 

Foto: Alexander Becher/EPA-EFE-Rex

*João José Forni é jornalista, Consultor de Comunicação, autor do livro "Gestão de Crises e Comunicação - O que Gestores e Profissionais de Comunicação Precisam Saber para Enfrentar Crises Corporativas".

18

Dez

Jornalismo

Detran orienta motoristas que querem novas placas do Mercosul a fazerem agendamento para a troca

O Departamento Estadual de Trânsito do RN (Detran) informa ao público em geral, por meio de comunicado, que devido a alta procura dos proprietários de veículos pelo serviço de substituição das placas automotivas antigas pelas novas placas no padrão Mercosul, o órgão está tomando as seguintes medidas durante este mês de dezembro:

1- A prioridade dos emplacamentos será para veículos zero-quilômetro e os que sejam objeto de transferência de propriedade;

2- Nos casos de troca espontânea de placas é preciso que os interessados façam o agendamento na sede administrativa do Detran, (situada na Av. Perimetral Leste, 113, bairro de Cidade da Esperança, Natal-RN), sendo atendido com no mínimo 48 após a solicitação;

3- Os agendamentos desse tipo de serviço serão realizados apenas até o final deste ano, sendo logo em janeiro de 2019 normalizada a situação, fazendo com que o interessado baste apenas ir a um posto do Detran e solicite a abertura do processo específico.

18

Dez

Jornalismo

YouTube anuncia suporte a projetos jornalísticos de 23 países com projeto global do Google

O YouTube divulgou na última segunda-feira, 17, os 87 projetos de mídia, tradicionais e independentes, de 23 países, que receberão financiamento do fundo de inovação em jornalismo Google News Initiative (GNI) que faz parte de um projeto global do Google para apoiar o futuro do jornalismo online e contribuir para melhorar a experiência de consumo de notícias nas plataformas da empresa. O total a ser investido é de US$ 25 milhões.

A lista, que inclui veículos como New York Times e Bloomberg, aponta quatro brasileiros: a plataforma MyNews, criada em março de 2018 pela jornalista Mara Luquet e um dos cofundadores do Porta dos Fundos, Antonio Tabet, o Nexo, lançado em 2015 pelos jornalistas Paula Miraglia, Renata Rizzi e Conrado Corsalette, além de Band e Jovem Pan.

“Esse é o caminho do jornalismo, o que a tecnologia fez foi colocar os meios de produção nas mãos dos jornalistas que passam a viver um período muito bom em que podem focar em criar seus projetos sem necessidade de concessão ou gráfica”, diz Mara Luquet ressaltando que os recursos serão destinados a investimentos na produção de conteúdo exclusivo e na ampliação da quantidade de programas.

De acordo com Antonio Tabet, mais importante que o apoio em um momento de crise econômica é também ser em um momento de crise institucional do jornalismo. “Vivemos uma era quando os veículos de imprensa têm enfrentado desconfiança do público, de patrocinadores e autocrítica. Receber essa injeção neste momento só ratifica que estamos no caminho certo. Sempre que algo novo surge demonstrando força num meio estabelecido, o nível geral melhora porque é um processo de ganha-ganha”, diz Tabet.

Todos os veículos selecionados:

Fonte: Portal Meio e Mensagem, disponível em: http://www.meioemensagem.com.br/home/midia/2018/12/18/os-novos-caminhos-para-o-financiamento-jornalistico.html

18

Dez

Jornalismo

Ministério Público do RN cresce em avaliação da transparência na divulgação dos dados

O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) manteve a curva de crescimento na avaliação dos Portais Transparência do MP relativa ao segundo quadrimestre de 2018. Em um ano, o aumento foi de mais de um ponto percentual, segundo diagnóstico apresentado pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) na semana passada.

No segundo semestre de 2017, o índice era de 97,48% de transparência. Esse número subiu para 98,27% no primeiro quadrimestre de 2018. E agora, no segundo quadrimestre deste ano, atingiu 98,9%.

A avaliação dos Portais Transparência do MP segue as determinações da Lei de Acesso à Informação e de resoluções do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) que tratam de transparência na divulgação dos dados. Essa avaliação dos 31 Portais Transparência do MP é realizada a cada quatro meses pela Comissão de Controle Administrativo e Financeiro (CCAF) do CNMP.

O diagnóstico demonstra que as unidades e os ramos do MP, além do CNMP, têm conquistado melhorias para alcançar uma gestão marcada pela transparência. Na primeira avaliação feita pela CCAF, referente ao segundo trimestre de 2014, apenas 13 unidades superaram o índice de 90% de transparência.

A avaliação é feita com base na Lei de Acesso à Informação (LAI) e nas Resoluções do CNMP, que buscam um aprofundamento bem mais detalhado e específico do que o cobrado pela LAI.

Na análise dos portais, a comissão levou em consideração a quarta edição do Manual do Portal da Transparência. O objetivo da publicação é deixar transparente a metodologia empregada pela CCAF na análise do cumprimento de cada um dos mais de 250 itens utilizados para o monitoramento eletrônico que gera o Transparentômetro.

Esta é a quarta avaliação dos Portais Transparência do Ministério Público na gestão do conselheiro Fábio Stica, eleito presidente da CCAF em outubro de 2017. Desde então, os números alcançados pelas unidades e pelos ramos do Ministério Público têm melhorado.

18

Dez

Jornalismo

Mais de 1 milhão de jovens não concluem o ensino médio até os 19 anos

Dos 3,2 milhões de brasileiros com 19 anos, 2 milhões concluíram o ensino médio, o que representa 63,5% do total, segundo levantamento do movimento Todos Pela Educação, com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio de 2012 a 2018 (Pnad-C) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Do total que não concluiu o ensino médio, 62% não estão mais na escola e, desses jovens, 55% pararam de estudar no ensino fundamental.

Para o diretor de Políticas Educacionais do Todos pela Educação, Olavo Nogueira Filho, o desafio não é só garantir a permanência dos jovens no ensino médio, mas levar para a escola os que abandonaram as salas de aula. "Os indicadores mostram que temos graves problemas no ensino médio e não estamos conseguindo revertê-los. Porém, o desafio maior refere-se à educação básica. Precisamos reverter a trajetória de insucesso na educação básica", afirmou.

Entre 2012 e 2018, conforme o levantamento, houve um crescimento de 11,8 pontos percentuais na taxa de conclusão do ensino médio até os 19 anos. Segundo Nogueira Filho, a avaliação dos dados por estado mostra que é possível melhorar o atendimento aos jovens no ensino médio. Em Pernambuco, por exemplo, a taxa dos que concluem o ensino médio até os 19 anos (67,6%) é maior do que a média nacional. "Isso mostra que é possível fazer melhor", disse. A responsabilidade pela educação básica é dos estados e municípios. A União participa com o financiamento.

Ensino fundamental

No ensino fundamental, conforme o levantamento, as taxas de conclusão mantiveram-se estáveis no período. Essa etapa teve uma queda no número absoluto de concluintes devido à redução da população de 16 anos no país. Em 2018, foram 212.281 concluintes a menos do que em 2017, que por sua vez teve menos concluintes que o ano anterior, com uma redução de 64.058.

Qualidade

Segundo a presidente-executiva do Todos Pela Educação, Priscila Cruz, os números refletem "um patamar baixo de qualidade da educação básica" no país. “Embora o país tenha o mérito de ter avançado na oferta do acesso à escola, temos falhado em garantir qualidade do ensino para todos e com isso vamos perdendo nossas crianças e jovens pelo caminho, configurando um grave cenário de exclusão escolar", argumentou.

O movimento defende a adoção de uma estratégia nacional e uma atuação integrada da União, dos estados e dos municípios, na educação básica - que inclui educação infantil, ensino fundamental e ensino médio. "Os indicadores demonstram que os desafios para nossos jovens concluírem a educação básica na idade certa são complexos e exigem atuação sistêmica, ou seja, com políticas públicas em várias frentes ao mesmo tempo e de forma integrada. Temos diagnósticos, temos evidências sobre quais os melhores caminhos, temos redes que estão avançando. Está na hora de priorizar as medidas que realmente podem fazer o país avançar na qualidade da educação básica", afirmou Priscila Cruz.

O levantamento evidenciou a desigualdade no ensino. Adolescentes negros e moradores das áreas rurais têm taxas de conclusão mais baixas do que as dos brancos e de regiões urbanas em todas as etapas da educação básica. No ensino fundamental, a diferença entre negros e brancos é de 10,4 pontos percentuais e entre jovens de áreas rurais e urbanas, 12 pontos percentuais. No ensino médio, a distância se amplia para 19,8 pontos percentuais e 19 pontos percentuais, respectivamente.

A avaliação do Todos pela Educação é que o baixo índice de conclusão da educação básica na idade certa está relacionado à taxa de insucesso escolar, ou seja, a combinação da reprovação com o abandono. O levantamento mostra que, a partir do 3º ano do ensino fundamental, o final do ciclo de alfabetização, a taxa de insucesso escolar começa a se intensificar: em 2017, 10,5% dos alunos não passaram de ano. Já no 6º ano, esse índice salta para 15,5%. No 1º ano do ensino médio, de cada 100 alunos, 23 são reprovados.

Com informações da Agência Brasil

14

Dez

Jornalismo

Ano termina com número recorde de jornalistas presos no mundo, diz CPJ

O número de jornalistas presos pelo exercício de sua profissão no mundo todo aumentou pelo terceiro ano consecutivo, segundo relatório do Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) divulgado nesta quinta-feira (13). No último dia 1º de dezembro, a entidade registrava o encarceramento de ao menos 251 jornalistas, com os regimes autoritários recorrendo cada vez mais à prisão para silenciar críticas e dissidências. Os últimos três anos registraram o maior número de jornalistas presos desde que o CPJ começou a compilar estatísticas sobre o tema, com recordes consecutivos em 2016 e 2017. Os dados indicam, lamentou a entidade, que a prisão de centenas de jornalistas se transformou na "nova normalidade".

China, Egito e Arábia Saudita aprisionaram mais profissionais do que no ano passado, ao intensificarem a repressão aos jornalistas locais, e a Turquia continuou sendo o pior carcereiro do mundo pelo terceiro ano consecutivo, com pelo menos 68 pessoas atrás das grades. No continente americano, figuram na lista a Venezuela, com três presos, e o Brasil (segundo o relatório, Paulo Cezar de Andrade Prado, responsável pelo Blog do Paulinho), com um, enquanto nos Estados Unidos, "onde os jornalistas enfrentaram uma retórica hostil e violência física", não há profissionais na prisão, mas houve nove detenções ao longo do ano.

Em meio à retórica global contra a imprensa, diz o CPJ, 70% dos jornalistas foram presos por acusações contra o Estado e 28 acusados de divulgar "notícias falsas". A política foi o tema mais perigoso para a cobertura jornalística, seguido pelos direitos humanos. O número de mulheres jornalistas atrás das grades aumentou, com 33 encarceradas em todo o mundo, incluindo quatro na Arábia Saudita que escreveram sobre os direitos das mulheres. O crescimento no número total de jornalistas presos na China este ano é resultado, em parte, da perseguição de Pequim à minoria étnica Uigur.

"O terrível ataque global contra jornalistas que se intensificou nos últimos anos não mostra sinais de diminuir. É inaceitável que 251 jornalistas estejam presos em todo o mundo apenas por cobrir as notícias", disse o diretor executivo do CPJ, Joel Simon. "O custo mais amplo está sendo suportado por todos aqueles que se importam com o fluxo de notícias e informações. Os tiranos que usam a prisão para infligir a censura não podem ficar impunes."

Fonte: Portal ANJ, disponível em: https://www.anj.org.br/site/component/k2/73-jornal-anj-online/15122-ano-termina-com-numero-recorde-de-jornalistas-presos-no-mundo-diz-cpj.html

13

Dez

Jornalismo

Premiação vai levar jornalista para a Columbia University

Estão abertas as inscrições para o Citi Journalistic Excellence Award 2019. O prêmio é promovido pelo Citi há mais de 30 anos, em todos os 98 países onde o banco tem presença. O CJEA reconhece os melhores jornalistas de economia, negócios e finanças do mundo. Os vencedores de cada país participarão de seminários durante duas semanas na escola de jornalismo da Columbia University, além de visitar as sedes de algumas das principais instituições financeiras do mundo, como o Banco Mundial, a Bolsa de Valores de Nova York, o Federal Reserve Bank (Fed) e o Fundo Monetário Internacional (FMI).

A reportagem ganhadora será definida a partir da análise feita por uma comissão formada por profissionais de cinco áreas: acadêmicos, agentes do mercado financeiro, economistas, jornalistas especializados e representantes de associações da área de comunicação. Podem se inscrever editores, repórteres, colaboradores e freelancers com mais de cinco anos de profissão, atuantes na área e que tenham inglês fluente. As matérias inscritas precisam ter sido publicadas entre os dias 1° de janeiro e 31 de dezembro de 2018.

Para mais informações, acesse cjea.com.br.

 

7

Dez

Jornalismo

Jornais brasileiros se destacam em campanha da UNESCO pelo fim da impunidade de crimes contra jornalistas

Os jornais brasileiros foram responsáveis pela metade das veiculações dos anúncios da campanha global da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) alusiva ao Dia Internacional pelo Fim da Impunidade dos Crimes contra Jornalistas, em 2 de novembro. A informação é da própria organização que enviou à Associação Nacional de Jornais (ANJ) agradecimento a todos os seus associados.

“É fundamental a colaboração dos jornais em causas como essa, que valorizam nosso meio e defendem o livre exercício do jornalismo”, diz o diretor-executivo da ANJ, Ricardo Pedreira, em comunicado aos veículos ligados à entidade no qual informa o agradecimento da UNESCO. A campanha #TruthNeverDies (#VerdadeNuncaMorre) tem por objetivo a conscientização sobre a necessidade de garantir a elucidação dos crimes contra jornalistas, em meio à crescente violência contra esses profissionais. Para o Dia Internacional pelo Fim da Impunidade dos Crimes contra Jornalistas, foram produzidas peças publicitárias que podiam ser divulgadas pelos veículos de comunicação em diferentes meios, tanto impresso quanto digital.

Dentro da campanha, a UNESCO também lançou em novembro uma base de dados na internet com informações sobre jornalistas assassinados e o estado das investigações de cada caso denominada Observatório de Jornalistas Assassinados. Nos últimos doze anos (entre 2006 e 2017), afirma a organização, cerca de 1010 jornalistas foram mortos por denunciar e trazer informações ao público. Em média, um assassinato a cada quatro dias. A cada dez desses casos, nove ficam impunes. Essa impunidade, diz a UNESCO, prejudica todas as sociedades ao encobrir abusos sérios de direitos humanos, corrupção e crime.

Os governos, a sociedade civil, a mídia e todos os envolvidos, destaca a organização, devem defender o estado de direito no esforço global para acabar com a impunidade. "É nossa responsabilidade garantir que os crimes contra jornalistas não fiquem impunes. Temos de garantir que os jornalistas trabalhem em condições seguras que permitam que uma imprensa livre e pluralista floresça", diz Audrey Azoulay, diretora-geral da UNESCO.

Fonte: ANJ, disponível em: https://www.anj.org.br/site/associe-se/73-jornal-anj-online/14878-jornais-brasileiros-tem-atuacao-destacada-na-campanha-global-da-unesco-pelo-fim-da-impunidade-dos-crimes-contra-jornalistas.html

7

Dez

Jornalismo

Doze pesquisadores brasileiros estão entre os mais influentes do mundo

Doze pesquisadores brasileiros estão entre os cientistas mais influentes do mundo em suas respectivas áreas de conhecimento. A lista, produzida anualmente pela empresa de consultoria Clarivate Analytics desde 2014, considera o número de citações por artigos publicados em um período de dez anos. Os selecionados pertencem ao grupo de 1% de pesquisadores que mantiveram as mais altas médias de citações durante o período. Ao todo, foram selecionados cerca de 6 mil pesquisadores, em 21 áreas do conhecimento, além de campos transversais.

O pesquisador Paulo Eduardo Artaxo Netto, da Universidade de São Paulo (USP), é o brasileiro que mais aparece na lista. Ele foi mencionado em 2014, 2015 e 2018. Professor do Instituto de Física, Artaxo atua em áreas como mudanças climáticas globais, meio ambiente na Amazônia e poluição do ar urbana. “As pesquisas que nós temos feito na Amazônia têm trazido implicações para o desenvolvimento de políticas públicas”, disse.

Ele estuda, por exemplo, o impacto de emissões de queimadas na saúde pública e no meio ambiente amazônico. “Nós demonstramos através de uma série de trabalhos que o desmatamento e as queimadas têm impacto global muito grande no meio ambiente.”

As pesquisas desenvolvidas por Artaxo mostram como o processo de ocupação da Amazônia está afetando o ciclo hidrológico na região. “Isso é importante e tem implicações, por exemplo, na produção agrícola brasileira, e tem implicações no papel da Amazônia no ciclo global”.

Lista

Os Estados Unidos são o país com maior número de pesquisadores mencionados, 2.639 ao todo; em seguida aparece o Reino Unido, com 546; e em terceiro lugar a China, com 482. As três primeiras universidades mais citadas são estadunidense: Universidade de Harvard (EUA), 186; National Institutes of Health (NIH), com 148; e Universidade de Stanford, que tem 100 pesquisadores entre os mais citados.

A USP é a instituição brasileira com maior número de brasileiros mencionados na lista, um total de quatro. Além de Artaxo, fazem parte do ranking Paulo Andrade Lotufo e Guilherme Vanoni Polanczyk, da Faculdade de Medicina (FM); e Carlos Augusto Monteiro, da Faculdade de Saúde Pública (FSP).

Os demais são: Alvaro Avezum (Instituto de Cardiologia Dante Pazzanese), Luísa Gigante Carvalheiro (Universidade Federal de Goiás), Adriano Gomes da Cruz (Instituto Federal do Rio de Janeiro), Daniel Granato (Universidade Estadual de Ponta Grossa), Miriam Dupas Hubinger (Unicamp), Renata Valeriano Tonon (Embrapa), Ana Maria Baptista Menezes e Cesar Gomes Victora (Universidade Federal de Pelotas).

Entre as áreas de conhecimento desenvolvidas pelos pesquisadores brasileiros estão ciências agrárias, meio ambiente, geociência, medicina e ciências sociais, além de áreas transversais.

A pesquisadora Miriam Hubinger, da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), teve, entre os trabalhos mais citados, as pesquisas desenvolvidas com a polpa de açaí. “Nós tentamos estabilizar essa polpa, secá-la e fazer com que ela conservasse propriedades antioxidantes e se tivesse uma vida de prateleira, uma vida útil grande e isso foram artigos publicados em 2009 e depois de 10 anos sendo muito citados estão sendo reconhecidos”, explicou.

Outro trabalho inovador foi a microencapsulação de óleo de linhaça e óleo de café torrado. “No caso do óleo de café, para que ele conservasse as suas propriedades de aroma, de flavour, mais estável, e do óleo de linhaça para que ele fosse mais estável ao armazenamento, não se oxidasse tão facilmente. Teve todo um trabalho de desenvolvimento, de formulação e de processo e fez com que eles fossem inovadores na época em que foram publicados”, apontou.

Investimentos

Os pesquisadores consideram promissora a inclusão de brasileiros na lista, mas chamam atenção para a necessidade de investimento continuado em ciência e tecnologia. “Nós temos os cérebros, mas também precisamos de dinheiro. Claro que o ideal era que tivesse muito mais. Nos Estados Unidos, você sabe que o sistema é muito mais incentivado e a pesquisa é muito mais valorizada do que aqui. Por isso que o Brasil tem a metade dos pesquisadores da universidade que está a posição 50º [Universidade de Maryland], mas acho que já é alguma coisa a gente estar na lista”, avaliou Hubinger.

Artaxo considera que, por estar entre as dez maiores economias do mundo, o Brasil deveria ter uma posição melhor entre os autores científicos mais citados. “O recado é que estar nessa lista dos pesquisadores mais citados no mundo mostra que o Brasil tem enorme potencial de produção científica, mas que não está sendo devidamente aproveitado pela falta de investimento em ciência e tecnologia. Isso atrasa o nosso desenvolvimento e atrasa implementação de políticas públicas baseadas em ciência”, afirmou.

Com informações da Agência Brasil