Jornalismo

4

Fev

Jornalismo

Programa de bolsas da ONU abre inscrições para jornalistas, incluindo brasileiros

O Fundo The Dag Hammarskjöld para jornalistas da ONU abriu inscrições para o programa de bolsas de 2019. Profissionais interessados em cobrir a 74ª Assembleia Geral das Nações Unidas devem se inscrever até 1 de março. As inscrições precisam ser feitas por meio do formulário. As informações são do Portal Comunique-se.

De acordo com o site, para se inscrever, é necessário ter de 25 a 30 anos e estar vinculado a um veículo de mídia. O programa dura aproximadamente 10 semanas, com início em setembro de 2019. A bolsa cobre custos de viagem, acomodação, seguro-saúde e ajuda diária para alimentação e outras necessidades.

O programa é direcionado a jornalistas dos principais países em desenvolvimento da África, Ásia, América Latina e Caribe, que devem cobrir assuntos internacionais durante a Assembleia. Neste ano, o Fundo restringiu inscrições de participantes da Argentina, Índia, Quênia e Iêmen, para que nacionalidades diferentes possam ser representadas no programa. Brasileiros podem se inscrever.

Todos os anos são escolhidos quatro jornalistas para a cobertura da Assembleia Geral da ONU, que irão interagir com profissionais do mundo todo durante o evento. O programa é restrito a pessoas com experiência profissional e não oferece treinamento em competências jornalísticas básicas. Um perfil dos participantes de 2018 foi publicado no site da bolsa.

Para mais informações sobre critérios de seleção e documentos necessários, acesse o site. Dúvidas sobre o programa devem ser encaminhadas para fellowship2019@unjournalismfellowship.org.

Fonte: Portal Comunique-se, disponível em: https://portal.comunique-se.com.br/bolsas-da-onu-para-jornalistas

30

Jan

Jornalismo

Jornalista do RN escreve livros biográficos por encomenda

Que tal nos 15 anos da sua filha lhe dar de presente um livro que conte como foi sua vida até ali? Que registre as ansiedades da adolescência, as brincadeiras da infância, a expectativa dos pais… Ou, então, no aniversário de Bodas de Prata dos seus tios surpreendê-los com um livro que narre a história de amor deles?

É o que propõe a Vou te Contar – Livros Personalizados que utiliza o jornalismo para escrever livros biográficos de pessoas comuns, “um presente único e realmente surpreendente”, diz a idealizadora da empresa, a jornalista Rosilene PereiraMuitos são os motes do livro; podem contar como foram os vinte anos de atuação de uma empresa, o nascimento do primeiro filho ou as experiências dos 70 anos da matriarca de uma família.

“Vivemos pequenas magias no nosso cotidiano. Uma gravidez inesperada, a cura de uma doença, a descoberta de um novo rumo profissional. Muitas vezes nem nos damos conta da riqueza das experiências que vivemos. E registrar as boas histórias que vêm desse dia a dia é o que proponho fazer, pois um livro supre a dificuldade que temos hoje de acumular tanta informação, que, se não for organizada, acaba se perdendo”, diz a jornalista, há 18 anos no mercado editorial e jornalístico de Natal e São Paulo, editora de revistas como a Versailles e Casa Cor RN, e repórter de outras, como a Veja Natal.

Os livros contêm texto redigido a partir de entrevistas com o biografado e pessoas com ele envolvidas, fotos de família e direção de arte personalizada. Rosilene conta que a ideia deste trabalho surgiu despretensiosa, quando sua irmã fez 40 anos e ela queria lhe dar um presente marcante. O mimo fez tanto sucesso que começaram a surgir encomendas espontaneamente e virou uma nova atividade para ela que, há seis anos, chefia a redação da comunicação do Governo do Estado. O tempo de produção do livro varia de acordo com o biografado.

Foto: Ivanizio Ramos, disponível em: http://portalnoar.com.br/jornalista-do-rn-escreve-livros-biograficos-por-encomenda/ 

25

Jan

Jornalismo

Pesquisa global da Endelman aponta para desconfiança nas redes e valorização do jornalismo

O sentimento de pessimismo em relação ao futuro e o desejo urgente de mudança social associados ao ambiente midiático digital caótico, repleto de desinformação, têm proporcionado interesse crescente das pessoas na busca por fatos. Esse comportamento aproximou e elevou o consumo e compartilhamento de notícias produzidas pelas empresas jornalísticas, revela a edição de 2019 do Trust Barometer, estudo global da empresa de relações públicas Edelman que analisa a confiança do público em governo, mídia, empresas e ONGs. Ao mesmo tempo, as redes sociais voltaram a apresentar queda de credibilidade. As informações são da ANJ.

De acordo com a matéria, a pesquisa revela que o número dos entrevistados que consome semanalmente ou mais conteúdo produzido por empresas jornalísticas (referidas no relatório como mídia tradicional) e compartilham ou publicam essas notícias várias vezes por mês ou mais aumentou 14 pontos percentuais, passando de 26% para 40%. O número de entrevistados que afirma que consome notícias semanalmente ou mais aumentou em oito pontos percentuais, de 24% para 32%. Inversamente, o número de pessoas que afirmam consumir o material jornalístico menos que semanalmente caiu mais 20 pontos percentuais, de 49% para 28%.

Por outro lado, a confiança nas mídias sociais (média global de 44%) permaneceu em baixa, especialmente nas regiões desenvolvidas, onde há enormes lacunas de confiança entre mídias tradicionais e sociais. Nos Estados Unidos e Canadá a brecha é de 31 pontos – 65% dos entrevistados disseram confiar na mídia tradicional. Na Europa a diferença é de 26 pontos percentuais em favor do jornalismo. Na América Latina a diferença favorável à mídia tradicional é menor, de 13 pontos percentuais. Em todo o mundo, 73% dos entrevistados disseram ter preocupação que notícias falsas ou desinformação estejam sendo usadas como armas nas redes sociais.

"A última década testemunhou uma perda de confiança nas figuras e instituições tradicionais de autoridade", disse Richard Edelman, CEO da Edelman. Mais recentemente, as pessoas perderam a confiança nas plataformas sociais. Essas forças levaram as pessoas a mudar sua confiança para os relacionamentos dentro de seu controle, principalmente seus empregadores (75% dos entrevistados). A pesquisa entrevistou, via online, entre 19 de outubro e 16 de novembro de 2018, 33 mil pessoas em 27 países, entre eles o Brasil.

Fonte: ANJ, disponível em: https://www.anj.org.br/site/institucional/2013-01-31-07-20-51/73-jornal-anj-online/15962-crescimento-do-pessimismo-e-da-desinformacao-digital-reforcam-confianca-das-pessoas-no-jornalismo.htm

24

Jan

Jornalismo

Mais de 200 jornalistas foram agredidos no Brasil em 2018

Os casos de agressões a jornalistas no Brasil cresceram 36,7% de 2017 a 2018. É o que aponta relatório recente da Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj). A entidade contabilizou 135 ocorrências de violências — entre elas um assassinato — que vitimaram 227 profissionais. As informações são do Portal Comunique-se.

De acordo com o site, os principais agressores identificados pela Fenaj foram eleitores/manifestantes. Eles foram responsáveis por 22,2% dos casos de agressão — no ano passado, o Brasil viveu uma campanha presidencial polarizada. Os partidários do presidente Jair Bolsonaro foram os que mais agrediram jornalistas, de acordo com a Fenaj: eles foram responsáveis por 23 das 30 ocorrências que envolviam eleitores/manifestantes.

Parte das agressões ocorreu durante dias de votação e comemorações da vitória. Bolsonaro não mantém uma boa relação com a imprensa. Repetidamente, o presidente usa sua conta no Twitter para reclamar de matérias críticas a sua administração. Organizações de defesa à liberdade de imprensa já demonstraram preocupação com o novo governo.

Outro acontecimento importante de 2018 no Brasil, a greve dos caminhoneiros também contribuiu para o aumento das agressões contra jornalistas. Dezenas de profissionais foram impedidos de cobrir as paralisações e violentados verbal ou fisicamente. Segundo a Fenaj, 17% dos agressores dos casos registrados eram caminhoneiros, ou 23 casos.

A prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva também foi estopim para violência contra jornalistas. A Fenaj contou sete casos de agressão em protestos contra a condenação e encarceramento do ex-presidente. O episódio motivou dois ataques por parte de policiais militares e uma ocorrência de censura — quando o Supremo Tribunal Federal impediu que a imprensa entrevistasse o ex-presidente.

Perfil dos agressores

A Fenaj destacou a mudança no perfil do agressores. De 2013 a 2017, os principais perpetradores de violência contra jornalistas haviam sido policiais militares ou guardas municipais, que ficaram em terceiro lugar no número de ocorrências em 2018.

A presidente da entidade jornalística, Maria José Braga, escreve no relatório de que o fato de eleitores, manifestantes e caminhoneiros terem contribuído para o crescimento da violência contra profissionais da imprensa “é uma demonstração inequívoca de que (estes) grupos e segmentos não toleram a divergência e a crítica e não têm apreço pela democracia”.

Perfil das vítimas

A maior parte dos jornalistas violentados no ano passado foi vítima de agressões físicas (24,4% das ocorrências), seguido de ameaças e intimidações (20,7%) e agressões verbais (20%). Os impedimentos ao exercício profissional tiveram um aumento significativo e chegaram a 14,8% dos casos em 2018.

A região Sudeste do país foi onde se contabilizou o maior número de ocorrências (39,2% do total), com destaque para o estado de São Paulo (20,7% do total). A região Sul ficou em segundo lugar na quantidade de violências (28,1%), sendo a maior parte no Paraná (16%), onde o ex-presidente Lula está preso. Apesar de serem maioria na profissão (67%), as mulheres jornalistas não foram os alvos mais frequentes de ataques. A maior parte das vítimas (46,2%) era do sexo masculino, uma tendência registrada pela Fenaj desde a década de 1990.

As equipes de televisão foram mais frequentemente alvo de violência, sendo 39,2% do total de vítimas. Em seguida, estão os profissionais da mídia impressa, que totalizaram 20,9% das ocorrências.

Fonte: Portal Comunique-se, disponível em: https://portal.comunique-se.com.br/mais-de-200-jornalistas-foram-agredidos-no-brasil-em-2018/

16

Jan

Jornalismo

Banco de dados de projetos jornalísticos ganha versão em português

Jornalistas em países de língua espanhola e portuguesa agora podem acessar uma base de dados de jornalismo colaborativo em seus idiomas locais. O Center for Cooperative Media, da Montclair State University nos Estados Unidos, traduziu a plataforma que lista projetos de cooperação entre redações para que mais profissionais da América Latina possam se inspirar em seus exemplos.

A diretora do Center for Cooperative Media, Stefanie Murray, explica que, desde que a iniciativa foi criada, há dois anos, jornalistas de diversos países entraram em contato para pedir ajuda com seus próprios projetos de colaboração. A tradução é uma tentativa de oferecer recursos de apoio a pessoas fora dos Estados Unidos.

“A colaboração está se tornando comum fora dos EUA e, por isso, foi um passo natural traduzirmos nosso banco de dados para outros idiomas para ajudá-lo a crescer e se tornar útil para outros jornalistas”, disse Murray ao Centro Knight. “Dado o grande número de jornalistas de língua espanhola nos EUA e em todo o mundo, queríamos traduzir o banco de dados para o espanhol para começar”.

A base de dados reúne informações detalhadas sobre 176 projetos de jornalismo colaborativo. É possível ver exemplos das ferramentas e do financiamento utilizado em cada ocasião, além de entender o impacto gerado pelos trabalhos e conhecer os prêmios recebidos pelas colaborações.

A base de dados reúne informações detalhadas sobre 176 projetos de jornalismo colaborativo

A ideia é que o número de entradas aumente com a colaboração do público. Os formulários para adicionar novos projetos à base também foram traduzidos para o espanhol e para o português.

“Estamos confiantes de que ter esse recurso disponível em vários idiomas realmente nos ajudará a ampliar o banco de dados e fornecer suporte a projetos em todo o mundo”, disse Murray.

O trabalho de tradução ficou a cargo de Guilherme Amado, vice-presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e repórter investigativo do jornal O Globo. Ele passou um ano pesquisando sobre colaborações como JSK Fellow, na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos. Lá, Amado percebeu que uma das principais barreiras para a cooperação entre redações é a cultural.“Iniciativas como a da base de dados são essenciais, pois elas disseminam a cultura de colaboração no jornalismo com exemplos de colaborações bem sucedidas em diferentes escalas”, disse ele ao Centro Knight. “(Na América Latina) existe uma questão linguística. Existe um ‘Tratado de Tordesilhas’ que faz com que a colaboração (de países de língua espanhola) com o jornalismo brasileiro seja menos frequente”, acrescentou, em referência ao acordo que separava as Américas entre Espanha e Portugal.

Felizmente, o espírito colaborativo tem se tornado mais forte nas Américas, segundo Amado. Ele cita como exemplo as coalizões para combater desinformação, como o Projeto Comprova, do Brasil, e o Verificado2018, do México, além do mais recente trabalho transnacional do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ), o Implant Files.

Para ele, esse movimento de maior colaboração foi incentivado por organizações como o Instituto Imprensa e Sociedade (IPYS, na sigla em espanhol). Amado acredita, no entanto, que a cooperação entre redações latino-americanas pode ir ainda mais longe, em escala local, nacional ou até continental. As vantagens, segundo o jornalista, são muitas: aumento na diversidade de vozes, melhora na qualidade e precisão da informação e redução de custos.

Há muitos temas na América Latina que podem ser base de colaborações transnacionais, como a Amazônia e até a música latina, diz Amado. “Essas histórias estão esperando jornalistas para contar”, disse. “Mas com a redução de verba dos grandes veículos, a chance de mandarem jornalistas brasileiros é muito menor. Mas a colaboração pode ser a resposta para contarmos bem as histórias que precisam de um ponto de vista internacional”.

Fonte: Portal Comunique-se, disponível em: https://portal.comunique-se.com.br/banco-de-dados-de-projetos-jornalisticos-ganha-versao-em-portugues/

16

Jan

Jornalismo

Inscrições abertas para treinamento em jornalismo diário da Folha

A Folha de S. Paulo está com inscrições abertas para seu Programa de Treinamento em Jornalismo Diário. Até o dia 10 de fevereiro, pessoas com formação universitária podem se candidatar no site a uma das 15 vagas disponíveis. Não é necessário ter formação em jornalismo.

O programa começa em 25 de março e termina dia 2 de junho, com duração de 13 semanas. Em período integral, os participantes terão aulas de técnicas jornalísticas, língua portuguesa, direito e economia, além de palestras com profissionais da área. Ao final, os trainees produzirão uma reportagem.

A seleção ocorre em duas etapas. A primeira é uma prova online com questões de português, inglês e conhecimentos gerais. Os melhores candidatos da primeira fase serão chamados para uma dinâmica de grupo na Folha, em São Paulo.

O treinamento não é remunerado. A Folha oferece hospedagem para os candidatos de fora de São Paulo e três bolsas de ajuda de custo.

Fonte: Portal Comunique-se, disponível em: https://portal.comunique-se.com.br/inscricoes-abertas-para-treinamento-em-jornalismo-diario-da-folha/

16

Jan

Jornalismo

É hora de desvendar o jornalismo para conquistar a confiança do público, diz editora-chefe da CNN digital

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ataca com violenta retórica – “inimigos do povo”, “fake news”, entre outras – a imprensa dos Estados Unidos desde a campanha eleitoral de 2016. O objetivo do mandatário, assim como de outros governantes, é desqualificar aqueles que podem noticiar as falhas de sua administração e fortalecer a propaganda governista. Sob ataque, jornalistas e organizações noticiosas têm reagido, mas de forma ainda insuficiente, segundo a editora-chefe da área digital da emissora de TV a cabo CNN, Meredith Artley. É preciso fazer mais, afirmou, e conquistar a confiança do público com transparência e a demonstração de como funciona e o quão útil é o jornalismo.     

"Em 2019, devemos ir além das campanhas de marketing de 'Facts First' e 'Democracy Dies in Darkness' e tudo isso", disse Meredith em entrevista à Kara Swisher, no podcast Recode Decode. "Isso é ótimo. É muito bom”, reconheceu. “[Mas] Precisamos ir mais longe agora. Precisamos realmente melhorar mostrando nosso trabalho. Acelerar os esforços para sermos transparentes sobre quando fazemos as coisas erradas ou quando mudamos as coisas e por que fizemos isso”, enfatizou. Meredith disse também que há muito do processo jornalístico que o público não entende, e isso precisa ficar claro para as pessoas, principalmente em meio a uma crise de credibilidade de todas as instituições. “Acho que isso aumentará a confiança.”

Em 2018, a CNN estava no grupo de pessoas e instituições consideradas críticas a Trump que foram alvo de pacotes-bomba. Meredith relembrou alguns dos depoimentos de colegas em meio a uma situação de terror e como isso fortaleceu nela a certeza que a experiência “sublinhava por que é tão importante fazermos bem o nosso trabalho”. A CNN e outros meios de comunicação, insistiu, precisam fazer mais para desfazer a percepção de que eles são “inimigos do povo”, mostrando como fazem jornalismo, por meio de todos os dispositivos existentes hoje – a maior parte digital – para a distribuição de notícias.

O movimento passa necessariamente por ajustes. Isso já ocorreu na CNN.com, que costumava se apressar para cobrir todos os tweets do presidente, disse Meredith, acreditando que eles sejam automaticamente dignos de notícia. Agora, contou, a área está tentando desacelerar e fazer menos “jornalismo de estenografia”.

Fonte: Portal ANJ, disponível em: https://www.anj.org.br/site/legislacao/menleis/73-jornal-anj-online/15747-e-hora-de-desvendar-o-jornalismo-para-conquistar-a-confianca-do-publico-diz-editora-chefe-da-cnn-digital.html

8

Jan

Jornalismo

Ferramenta digital facilita coleta automatizada de reportagens para análises e pesquisas

Analisar desequilíbrios na cobertura jornalística de um determinado tema requer o exame de grande quantidade de material e pode ser uma tarefa trabalhosa. Pensando em facilitar essa missão, um grupo de pesquisadores desenvolveu uma ferramenta que automatiza a coleta de reportagens.

Feita na linguagem de programação python, a iniciativa provisoriamente chamada de impacto-midia é aberta e as instruções para utilizá-la estão em um repositório no GitHub. Sua interface permite que o usuário visualize todos os títulos, links e estatísticas de engajamento em redes sociais das reportagens que tenham os termos de busca no título ou no corpo, rankeando e categorizando-as. Depois disso, basta exportar e ver o resultado.

“Costumava ser bastante laborioso selecionar, baixar e categorizar uma grande quantidade de reportagens. Usando nosso código, o tempo gasto com isso pode ser bastante reduzido”, explica Pedro Burgos, que desenvolveu a ferramenta junto com Álvaro Turicas e Bernardo Vianna.

Parte do código da impacto-midia tem origem no projeto iniciado por Burgos em 2017, o Impacto.Jor, cujo propósito é responder a duas perguntas: para que serve o jornalismo e como saber se ele está funcionando? Para isso, o projeto entrega aos veículos parceiros métricas que permitem avaliar o desempenho de uma reportagem e medir o seu impacto além dos números de audiência.

Burgos conta que o Impacto.Jor permitiu que algumas hipóteses sobre o impacto do jornalismo fossem revistas. No pleito eleitoral, por exemplo, percebeu-se que quando um político importante cita uma reportagem, isso não necessariamente influencia o debate político. “Durante a eleição o que mais vimos foi oponentes políticos usando reportagens apenas para atacar o adversário. O que é legítimo e pode ser impacto, mas pode-se dizer que é impacto ‘positivo’ para os leitores que são seguidores de um político X e ‘negativo’ para os outros eleitores”, diz.

Segundo o jornalista, a experiência se mostrou especialmente útil para veículos de cobertura essencialmente local, como a Gazeta do Povo. “Em nível local, o impacto costuma ser bem mais nítido: o repórter escreve sobre as lâmpadas queimadas de uma praça, e a prefeitura tem que agir”, exemplifica. “Não há partidarismo, e a função do jornal como instituição que cobra os poderosos, e faz a ponte entre sociedade civil e governo é bem nítida”, diz Burgos.

No caso de veículos de alcance nacional, apesar do impacto ser grande, muito do “automaticamente capturável” pela ferramenta se mostrava apenas parte do jogo político. “Nossos robozinhos, que alimentam a ‘dashboard de potenciais impactos’ de cada um dos parceiros, produziram vários ‘falsos positivos’ especialmente durante as eleições”, conta o desenvolvedor.

“O impacto-midia foi uma maneira que encontramos de usar parte do código que escrevemos [no Impacto.jor] para ajudar pesquisadores em uma área que acreditamos precisa de apoio: a automação de pesquisas em mídia”, diz Burgos

Com informações da Abraji

4

Jan

Mercado

Prêmio Revista Elas por Ela vai reconhecer o trabalho de “mulheres inspiradoras”

Está confirmada para o dia 24 de janeiro a primeira edição do Prêmio Revista Elas por Ela, que premiará mulheres que fazem história como profissionais e atuaram na mudança da realidade no entorno em que convivem.

O evento será realizado no auditório do CTGás, em Natal, e contará com a presença de 40 mulheres que se destacaram em 2018. “A ideia é divulgar o trabalho do público feminino apresentando personalidades inspiradoras”, afirma a idealizadora do prêmio, Kalina Veloso.

Entre as homenageadas, estão a conselheira federal que é representante do Brasil no consulado em Roma, Edilene Vasconcelos Giustini e ex-ministra dos Direitos Humanos, Luislinda Valois, que virão a Natal para a solenidade. 

4

Jan

Jornalismo

Idealizadora do projeto Comprova dá dicas para jornalistas evitarem amplificação de desinformação

A indústria global de notícias ainda está longe de garantir eficácia no combate à desinformação digital coordenada, que se aprimora em alta velocidade, diz Claire Wardle, diretora de pesquisa da First Draft, ligado à Universidade de Harvard. E um dos maiores desafios do jornalismo no momento, diz a pesquisadora, é compreender e impedir o sucesso de muitos agentes de desinformação que têm como objetivo final reverberar suas falsidades nos veículos de jornalismo profissional.

As táticas, afirma Calire, visam poluir o ecossistema de informação semeando conteúdo enganoso ou fabricado, na esperança de atrair jornalistas que agora recorrem regularmente a fontes online. “Ter seu boato deliberado ou rumor manufaturado caracterizado e amplificado por uma organização de notícias influente é considerado uma vitória”, alerta a pesquisadora, que sugere cinco lições básicas para fugir das armadilhas (abaixo).

Claire, idealizadora do projeto Comprova, coalizão formada por 24 veículos de mídia para combater a desinformação na eleição brasileira de 2018, reforça que a desinformação geralmente começa na web de forma anônima, se transforma em grupos fechados ou semifechados (muitos no Twitter, Facebook ou WhatsApp), em comunidades conspiratórias nos Fóruns Reddit ou canais do YouTube e, depois, em redes sociais abertas como Twitter, Facebook e Instagram.

Infelizmente, diz ela, esse processo desemboca na mídia profissional. “Isso pode acontecer quando uma informação falsa ou conteúdo é incorporado em um artigo ou citado em uma matéria sem verificação adequada”, afirma. Mas, continua, também pode ser quando uma redação decide desmascarar uma fonte de desinformação. “[Neste caso] De qualquer maneira, os agentes da desinformação venceram”, lamenta. “A amplificação, de qualquer forma, é o objetivo deles em primeiro lugar”, insiste.

Abaixo, cinco dicas de Claire que podem ajudar as redações no combate ao problema:

1. Esteja preparado: treine suas redações em táticas e técnicas de desinformação

Certifique-se de que seus planos de treinamento incluam sessões sobre habilidades de verificação digital, mas garanta que eles não estejam apenas focados em avaliar se algo é verdadeiro ou não. Certifique-se de que os participantes sejam treinados em proveniência digital, para que possam rastrear a origem de um conteúdo. Da mesma forma, garanta que seus jornalistas entendam como fazer esse tipo de trabalho com segurança.

2. Seja responsável: não dê oxigênio adicional à desinformação

Reportagens apressadas dão oxigênio desnecessário a rumores ou conteúdo enganoso que, de outra forma, poderiam desaparecer. Matérias divulgadas tardiamente, porém, significam que a falsidade tomou conta. É também um motivo para criar colaborações informais, para que as redações possam comparar as preocupações sobre as decisões de cobertura.

3. Fique atento: entenda as implicações de um público em rede

Desmistificar ou explicar conspirações, falsidades ou rumores propagados por pessoas de um determinado grupo dão a elas não apenas legitimidade, mas um conjunto de palavras-chave para seu público usar na pesquisa por mais informações. Antes da internet, essas comunidades remotas se esforçavam para se conectar porque era muito difícil para as pessoas se encontrarem cara a cara. Agora essas comunidades podem florescer.

4. Explique: não atue como estenógrafo

Quando tantas pessoas recebem suas notícias apenas de tweets, postagens no Facebook, títulos no Google News ou notificações push, a responsabilidade de como as manchetes são redigidas é mais importante do que nunca.

5. Inocule: faça mais relatórios que ajudem a explicar os assuntos que são frequentes em campanhas de desinformação

Em vez de simplesmente reagir às falsidades quando elas aparecem, qualquer reportagem que anteceda algumas das narrativas mais comuns e poderosas poderia ajudar a inocular parte da desinformação. A análise feita pelo First Draft das informações no período que antecedeu as eleições no Brasil e nos Estados Unidos, em 2018, identificou os seguintes tópicos mais comuns: tentativas de minar a integridade do sistema eleitoral; semear o ódio e a divisão com base na misoginia, antissemitismo, islamofobia e homofobia; demonizar os imigrantes; e conspirar sobre redes globais de poder.

Fonte: ANJ, disponível em: https://www.anj.org.br/site/component/k2/73-jornal-anj-online/15408-jornalismo-precisa-saber-reconhecer-e-evitar-armadilhas-que-levam-a-amplificacao-da-desinformacao-alerta-especialista.html

3

Jan

Jornalismo

Liberdade de imprensa nas Américas registrou avanços em 2018, mas violência contra jornalistas é alarmante

O jornalismo das Américas conquistou em 2018 importantes avanços no que diz respeito a barreiras de proteção aos profissionais e veículos de comunicação na área jurídica e no meio digital. A avaliação é de María Elvira Domínguez, presidente da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP, na sigla em espanhol), entidade que esteve à frente de muitas dessas conquistas. A violência contra comunicadores da região no mesmo período, entretanto, afirma ela, chegou a níveis alarmantes, principalmente em países comandados por governos autoritários.

Em balanço anual, a presidente da SIP e diretora do jornal El País, de Cali, na Colômbia, destacou entre os aspectos positivos a decisão tomada pela Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) que condenou o Estado colombiano pelo assassinato do jornalista Nelson Carvajal, em 1998, bem como pela impunidade do crime. “Destaco a importância que tem esta decisão por criar jurisprudência internacional, o que nos dá esperança de justiça em outros casos”, diz María Elvira.

Outra conquista, enfatiza a presidente da SIP, foi a aprovação pela entidade, durante sua 74ª Assembleia Geral, da "Declaração de Salta sobre Princípios sobre Liberdade de Expressão na Era Digital". O documento, considerado um marco histórico para o jornalismo, tem o mesmo espírito da Declaração de Chapultepec, de 1994, mas aborda os desafios impostos pela tecnologia à livre expressão e, também, dos hábitos cada vez mais online das pessoas em todo o mundo.

“Trata-se de uma guia de referência para indústria da comunicação com 13 princípios de proteção ao livre fluxo informativo, com ênfase no combate à desinformação e às noticias falsas mediante a alfabetização dos usuários”, diz María Elvira. Essa é, continua a presidente da SIP, uma obrigação dos responsáveis por “plataformas digitais, meios de comunicação e governos”. Outro ponto positivo é a decisão do governo de Lenín Moreno, no Equador, de iniciar as reformas da Lei Orgânica de Comunicação, criada na gestão de Rafael Correa para censurar a imprensa.

As vitórias, porém, contrastam com o assassinato de 31 jornalistas e outros trabalhadores de mídia – 13 no México, seis nos Estados Unidos, quatro no Brasil, três no Equador, dois na Colômbia, dois na Guatemala e um na Nicarágua, além de profissionais que se encontram aprisionados. A presidente da SIP afirmou que, em 2019, a entidade redobrará seus já enfáticos esforços para garantir melhores condições de trabalho para os veículos e seus profissionais, em especial na Venezuela, Nicarágua e Cuba, onde a livre expressão e os direitos individuais estão mais ameaçados. Neste ano, a SIP celebra 75 anos de atividade. Também são comemorados os 25 anos da Declaração de Chapultepec.

Fonte: ANJ, disponível em: https://www.anj.org.br/site/component/k2/73-jornal-anj-online/15392-liberdade-de-imprensa-nas-americas-registrou-avancos-em-2018-mas-violencia-contra-jornalistas-e-alarmante-diz-sip.html

3

Jan

Jornalismo

Campanha do TJRN estimula a adoção com vídeos de depoimentos de crianças e adolescentes

Aos onze anos, Madson se parece com grande parte dos meninos de sua idade: gosta de brincar de esconde-esconde, assistir ao desenho do “Ben10”, jogar capoeira e futebol. O que ele também gostaria muito de fazer é dar um beijo na mãe ou no pai ao chegar da escola. O problema é que a família dele, por enquanto, não existe. Madson mora em um abrigo desde bebê e é uma das 17 crianças e adolescentes que participa do Projeto Eu Existo, da Corregedoria do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN).

O projeto, lançado em março de 2018, estimula a busca de pais para crianças e adolescentes que vivem em instituições de acolhimento do Rio Grande do Norte e, por motivos diversos, estão fora do perfil normalmente escolhido para adoção. Por meio de vídeos, que podem ser acessados aqui, as crianças se apresentam e falam de seus sonhos e preferências. Os vídeos foram gravados em cenas cotidianas das crianças – os irmãos Joelson e Jefferson, por exemplo, jogam bola e brincam no parquinho enquanto contam que gostariam muito de uma família que fosse “boa, carinhosa, tenha condições (materiais) e nos eduque”. Jefferson e Joelson completam dizendo que não se imaginam vivendo um longe do outro.

De acordo com a desembargadora Zeneide Bezerra, do tribunal potiguar, o projeto nasceu para dar visibilidade às crianças que estão em abrigos e abrir espaço para que as pessoas que querem adotar possam ampliar o seu perfil desejado. “Queremos que essas pessoas vejam os vídeos e se apaixonem pelas crianças, que seja uma adoção pelo sentimento e não por um perfil idealizado”, diz a desembargadora. De acordo com ela, o projeto já possibilitou diversas adoções de crianças e adolescentes, inclusive duas internacionais - as crianças foram para Itália. “Para mim, se o projeto possibilitar a adoção de uma criança, já estaria ótimo”, diz. Atualmente, de acordo com a desembargadora, há 40 crianças no estado aptas à adoção.

27

Dez

Jornalismo

Jornalismo e sua função mediadora estão em xeque, aponta projeto da Abraji

O jornalismo e sua função mediadora estão em xeque. Essa é a conclusão do projeto que aponta os rumos do jornalismo brasileiro para 2019, parceria realizada pela Abraji e pelo Farol Jornalismo pelo terceiro ano consecutivo. O especial O jornalismo no Brasil em 2019, que reúne dez artigos sobre temas como colaboração, diversidade e reencontro com a audiência, está disponível gratuitamente no Medium e pode ser acessado em jornalismonobrasilem2019.com.

Tal cenário, advindo da polarização que dominou os anos recentes da política nacional e em particular o período eleitoral de 2018, colocou em evidência atores políticos que apresentaram a "verdade" que mais lhes convinha, reforçando as crenças de seus seguidores. Tudo isso, na maior parte das vezes, prescindindo do jornalismo. Mas como fazer para que as pessoas continuem crendo no trabalho da imprensa e na sua importância para a democracia?

Essa é a pergunta a que os 10 autores convidados, ao projetarem o ano que se avizinha, acabam por tentar responder. Há muitos desafios a serem enfrentados, mas o futuro aponta para a colaboração, como se viu em iniciativas como o Projeto Comprova, coalizão de 24 veículos formada para verificar notícias sem autoria referente às eleições de 2018. No entanto, o editor do Comprova, Sérgio Lüdtke, diz que não basta apenas produzir conteúdo de qualidade: será preciso fiscalizar políticas públicas e ativistas digitais de maneira aberta e transparente. A pesquisadora Rosane Borges também aposta na transparência para o desafio imposto pela desintermediação.
 
Entre os artigos reunidos no estudo, está o da jornalista e pesquisadora Sílvia Lisboa, que afirma: não basta um veículo dizer que tem credibilidade; é preciso que a audiência perceba e aceite essa credibilidade. Esse novo contrato com a sociedade passa por um esforço maior de conhecer o público. Segundo a pesquisadora Cláudia Nonato, é necessário compreender o que espera parte da população brasileira que votou em Jair Bolsonaro.

Já a jornalista e pesquisadora Taís Seibt sugere a adoção de formatos que conversem melhor com os ambientes nos quais o brasileiro costuma se informar, o que inclui as redes sociais e o WhatsApp. A diversidade é outro caminho apontado para o jornalismo no Brasil no próximo ano, como forma de garantir a pluralidade na cobertura. O pesquisador Gean Gonçalves sinaliza a possibilidade de as redações adotarem editores de gênero, seguindo o exemplo de El País e New York Times. 

O jornalismo local e o praticado na região amazônica também foram temas abordados pelo projeto. Sérgio Spagnuolo, editor do Volt Data Lab e coordenador do projeto Atlas da Notícia, que mapeou os desertos de notícias no Brasil em 2018, escreveu que, em todo o país, o jornalismo local sofre com modelos de negócio quebrados que inviabilizam a inovação. Já a jornalista Elaíze Farias chama a atenção para as dificuldades de fazer uma cobertura na região norte que deixe de lado estereótipos e abrace a complexidade local.

Segundo Patrícia Gomes, diretora de produtos no JOTA, olhar para os dados gerados pelos usuários e adaptar os produtos jornalísticos ao comportamento de quem os consome pode ser uma das saídas para restabelecer a relação de confiança. Já Guilherme Amado, repórter de O Globo e da Época, aponta para um reencontro do jornalismo com seu público como forma de devolver-lhe a credibilidade.

Seja como for, o jornalismo deve encontrar caminhos para lidar com as novas dinâmicas que influenciam tanto o modelo de negócios, como o relacionamento com os diversos públicos que consomem notícias.

Fonte: Abraji, disponível em: http://abraji.org.br/projeto-jornalismo-no-brasil-aponta-para-2019-com-baixa-de-credibilidade-e-funcao-mediadora-em-xeque

26

Dez

Jornalismo

Impacto social do jornalismo será mais valorizado em 2019, projeta especialista

As organizações de notícias têm de continuar avançando no uso mais eficiente de métricas de audiência e engajamento, mas estão desafiadas a medir e explicar com mais precisão o impacto do jornalismo na sociedade. “Somos ótimos para determinar quem está lendo nosso conteúdo, quanto tempo as pessoas gastam com ele e como estão compartilhando. O que não fazemos bem é medir por que nosso conteúdo é importante”, diz Patrick Butler, vice-presidente do International Center for Journalists.

Essa informação, afirma, é fundamental para que a mídia possa fortalecer sua credibilidade em meio à hiperinformação digital, mantendo e gerando mais audiência. “Uma maneira de recuperar a confiança de nossos públicos – e potenciais audiências – é mostrar a eles que o jornalismo desempenha um papel vital em melhorar suas vidas”, destaca. Butler acredita que esta será uma das tendências de 2019, quando a mídia noticiosa intensificará seus esforços para medir seu impacto na sociedade.

Assim, iniciativas como as das redações do grupo norte-americano McClatchy, que defendem a credibilidade e a confiança por meio da campanha #ReadLocal, devem se multiplicar. Dentro do projeto do publisher dos Estados Unidos, há constante destaque às investigações e histórias que levaram a mudanças concretas na vida dos leitores. O The Center for Investigative Reporting, a ProPublica e a Gannett, diz o vice-presidente do International Center for Journalists, também têm priorizado esse acompanhamento.

O melhor conhecimento do impacto social da atividade jornalística e a demonstração disso às pessoas, reforça Butler, serão essenciais para reter e expandir o público, por meio de informações confiáveis e precisas. “Nosso futuro depende disso”.

Fonte: ANJ, disponível em: https://www.anj.org.br/site/component/k2/73-jornal-anj-online/15363-impacto-social-do-jornalismo-sera-mais-valorizado-em-2019-projeta-especialista.html

25

Dez

Jornalismo

Escândalo internacional: Jornalista premiado da revista alemã "Der Spiegel", uma das quatro maiores do mundo, inventou reportagens por vários anos

*João José Forni

O jornalista Claas Relotius, da revista alemã Der Spiegel foi demitido, após um colega e a revista descobrirem que várias reportagens famosas, de sua autoria, eram “fake news” ou “fake stories”, ou seja, pura fraude. O jornal britânico The Guardian, de 19/12/18, em artigo de Kate Connolly conta como repercutiu na redação da revista alemã a descoberta dessa fraude. O fato foi revelado na semana passada.

“A revista de notícias alemã Der Spiegel mergulhou no caos depois de revelar que um de seus principais repórteres havia falsificado histórias ao longo de vários anos.” É um choque para os colegas, para os editores, para os diretores. Publicar reportagens fraudulentas é talvez o maior pecado de um jornalista na carreira e um desgaste irreparável para a credibilidade do veículo de comunicação.

“O mundo da mídia ficou surpreso com as revelações de que o premiado jornalista Claas Relotius, de acordo com o semanário, ‘inventou histórias e inventou protagonistas’ em pelo menos 14 dos 60 artigos que apareceram nas edições impressas e online da Der Spiegel, alertando que outras reportagens também podem ter sido afetadas pela fraude”.

O jornalista, de 33 anos, se demitiu, depois de admitir o golpe. Ele escrevia para a revista há sete anos e ganhou inúmeros prêmios por seu jornalismo investigativo, incluindo o de “Jornalista do Ano da CNN em 2014”. No início deste mês, ele ganhou outro prêmio, o Reporterpreis (Repórter do ano) da Alemanha, com a história sobre um jovem garoto sírio. Os jurados elogiaram o trabalho por sua “leveza, poesia e relevância”. Desde então, especulou-se que todas as fontes de sua reportagem eram, na melhor das hipóteses, nebulosas, e muito do que ele escreveu teria sido inventado.

Mas como a revista descobriu? A falsificação veio à tona depois que um colega, que trabalhou com ele em uma reportagem ao longo da fronteira EUA-México, levantou suspeitas sobre alguns dos detalhes da reportagem de Relotius, tendo dúvidas sobre ele por algum tempo. O colega Juan Moreno, jornalista que há anos trabalha para a Der Spiegel no exterior, eventualmente localizou duas supostas fontes citadas extensivamente por Relotius no artigo, que foi publicado em novembro. Ambas disseram que nunca se encontraram com Relotius.

Também foi descoberto, numa investigação posterior, que Relotius havia mentido que teria visto uma placa pintada à mão, na fronteira, que dizia “os mexicanos ficam de fora”. Outras histórias fraudulentas incluíam uma sobre um prisioneiro iemenita na Baía de Guantánamo e uma sobre o astro do futebol americano Colin Kaepernick.

O que fez a revista

Em um denso artigo, a Spiegel, que vende cerca de 725 mil exemplares impressos por semana (uma das quatro maiores do mundo) e tem um público online de mais de 6,5 milhões, disse estar "chocada" com a descoberta e pediu desculpas a seus leitores e a qualquer um que tenha sido objeto de “citações fraudulentas, detalhes pessoais inventados ou cenas inventadas em lugares fictícios”.

Segundo o Guardian, “a revista baseada em Hamburgo, fundada em 1947 e renomada por suas investigações aprofundadas, disse que Relotius cometeu fraude jornalística “em grande escala”. O diretor de redação descreveu o episódio como "um ponto negativo na história de 70 anos de Spiegel". Uma comissão interna foi criada para examinar todo o trabalho da Relotius no semanário.

O repórter também escreveu para uma série de outros veículos conhecidos, incluindo os jornais alemães Taz, Welt e a edição de domingo do Frankfurter Allgemeine. O Die Welt twittou na quarta-feira: "Ele abusou de seu talento". Relotius disse à Spiegel que ele se arrependeu de suas ações e ficou profundamente envergonhado, disse a revista. "Estou doente e preciso de ajuda", disse ele.

Ainda segundo a reportagem do The Guardian, o colega Moreno, “que trabalha para a revista desde 2007, arriscou seu próprio emprego quando confrontou outros colegas com suas suspeitas, muitos dos quais não queriam acreditar nele. Por três a quatro semanas, Moreno passou pelo inferno porque os colegas e os veteranos não queriam acreditar em suas acusações a princípio", escreveu a revista, em um pedido de desculpas aos leitores. "Durante várias semanas, segundo a Der Spiegel, Relotius foi considerado até mesmo vítima de uma trama astuta de Moreno.”

Admitiu a Der Spiegel que “Relotius rejeitou habilmente todos os ataques, todas as evidências bem pesquisadas de Moreno… até chegar a um ponto em que isso não funcionou mais, e em que ele. finalmente, não conseguiu mais dormir, caçado pelo medo de ser descoberto”.

Na semana passada, acrescentou a revista, Relotius, finalmente se entregou, depois de ser confrontado por um editor sênior. Na confissão ao seu empregador, ele disse: "Não foi por causa da próxima grande coisa. Foi o medo de falhar. Minha pressão para não ser capaz de falhar tornou-se ainda maior quanto mais sucesso me tornei”. A revista continua tentando lavar a roupa suja com transparência. E foi implacável ao relatar em denso artigo de Ullrich Fichtner, ontem (20/12), o desenlace da descoberta da fraude, numa clara evidência de que a história envergonhou toda a redação e tem um preço a ser pago.

“Agora ficou claro que Claas Relotius, 33 anos, um dos melhores escritores da DER Spiegel, vencedor de vários prêmios e ídolo jornalístico de sua geração, não é repórter nem jornalista. Em vez disso, ele produz uma ficção lindamente narrada. A verdade e as mentiras estão misturadas em seus artigos e algumas, pelo menos de acordo com ele, foram até mesmo relatadas e livres de fabricação. Outros, ele admite, foram embelezados com citações falsas e outros fatos inventados. Outros ainda foram totalmente fabricados. Durante sua confissão na quinta-feira, Relotius disse, literalmente: "Não era sobre a próxima grande coisa. Era o medo do fracasso". E: "A pressão para não falhar cresceu quando me tornei mais bem sucedido."

A revista semanal, que é uma das organizações de notícias mais proeminentes da Alemanha, está agora tentando resgatar a reputação, em meio a temores de que uma revista já desafiada pelos problemas da indústria jornalística alemã precise mais que se esforçar para se recuperar dessa crise extremamente negativa para quem trabalha com credibilidade.

O semanário alemão publicou no sábado (22) passado, um relatório especial de 23 páginas sobre como um de seus repórteres premiados falsificou reportagens durante anos, dando um golpe na credibilidade da mídia. E onde houve a falha, que certamente aconteceu.

EUA pedem investigação 

Ontem (21), o embaixador dos EUA na Alemanha pediu uma investigação independente em uma carta ao semanário, apontando que muitas das histórias que Relotius fabricou se concentravam na vida americana.

Em editorial, a revista disse que a fraude, envolvendo assuntos como órfãos sírios e sobrevivente do Holocausto, é a "pior coisa que pode acontecer a uma equipe editorial". E que a revista fará tudo que for possível para merecer novamente a credibilidade.

Desde o escândalo revelado pela revista na quarta-feira, outras importantes emissoras alemãs, como Die Welt e Die Zeit, que uma vez utilizaram Relotius como freelancer, também começaram a ler com uma lupa os artigos que ele produziu.

A União dos Jornalistas Alemães (DJU, na sigla em alemão) chamou o caso de "o maior escândalo de fraude no jornalismo desde os diários de Hitler" que a revista alemã Stern publicou em 1983 e que mais tarde se descobriu serem falsificações.

As revelações da Spiegel lembraram exemplos de fraudes jornalísticas de repórteres em outros lugares, incluindo Jayson Blair do The New York Times, Christopher Newton da Associated Press e Janet Cooke, do Washington Post, cuja peça de 1980, sobre uma criança viciada em heroína, deu à jornalista um Prêmio Pulitzer, antes de ele ser exposto como falso. Ela devolveu o prêmio, após a descoberta da falsidade. Mas até hoje este e os demais casos figuram na galeria das “vergonhas” que a mídia teve que enfrentar.

 

Foto: Alexander Becher/EPA-EFE-Rex

*João José Forni é jornalista, Consultor de Comunicação, autor do livro "Gestão de Crises e Comunicação - O que Gestores e Profissionais de Comunicação Precisam Saber para Enfrentar Crises Corporativas".