Artigos

19

Jul

[ARTIGO] Os 3 princípios do marketing efetivo

*Por Alex Compri

Para muitas empresas, marketing efetivo se resume a geração de leads. Embora essa seja uma métrica importante para medir a efetividade das atividades dessa área, está longe de esgotar o que essa área tem para oferecer. Gerar resultados por meio de estratégias que geram impacto nos negócios tem sido determinante para as empresas. Mas para chegar nesse estágio é necessária uma mudança drástica na cultura organizacional e revisão de processos tradicionais. Você está preparado?

O ponto inicial para realizar essa mudança é unir efetividade dos canais ao framework de Growth Hacking. E aqui não estamos falando de startups que se tornaram unicórnios, mas de estratégias que podem ser utilizadas no mercado b2b para gerar melhores resultados. 

O ponto de partida do marketing efetivo é revisar todos os modelos tradicionais de comunicação e relacionamento da sua empresa para criar um novo mindset de trabalho. Para isso, deve-se trabalhar com ciclos curtos para entender cenários, testar hipóteses, aprender e replicar ações mais efetivas para gerar resultados. O foco nas entregas ficou no passado. A chave para o sucesso agora é focar em processos ágeis para gerar crescimento.

Mas crescimento e efetividade são palavras permitidas nesses tempos de crise de coronavírus? A tendência é que sim. É só olhar para dois exemplos do varejo, como Marisa e Méliuz, que colocaram em práticas ideias escaláveis de venda por indicação ou referência. Então, esse é o momento de promover mudanças radicais no marketing da sua organização, com a finalidade de não ser esmagado pela concorrência, e as recomendações abaixo podem ajudar a sua empresa nessa transição.

Aprender com as lições do passado. Esse é um exercício essencial se você deseja ser realmente ser efetivo. No meio corporativo, é quase impossível não cometer falhas. O segredo, nesse caso, é aprender com os erros para superá-los tão logo e sempre com objetivo final.

Olhe para trás e faça uma análise criteriosa para identificar quais foram os canais com melhor performance ou canais em crescimento para começar a fazer melhorias agora!

Desburocratizar processos dentro da empresa é o primeiro passo para ser efetivo no seu trabalho. O problema da burocratização é a falta de padronização, que afeta diretamente na produtividade e na criatividade da equipe. Por isso, é fundamental investir em processos ágeis, onde é possível arquitetar uma forma rápida de gestão e validação de hipóteses e com um time empoderado para tomar decisões baseadas em dados. 

Investir em ciclos curtos de crescimento pautados por métricas únicas. Acompanhar os resultados é uma parte fundamental do trabalho de qualquer profissional de marketing. Mas com a enorme quantidade de possibilidades de mensuração que temos disponíveis, o importante é ter bem definida quais são as suas metas. Para isso, o ideal é usar o método SMART, que usa 5 fatores para definir metas que sejam específicas (S), mensuráveis (M), atingíveis (A), relevantes (R) e temporais (T). Um bom exemplo de metas SMART: aumentar em 20% as vendas no mês de novembro (durante a Black Friday) em relação ao mesmo período do ano passado.

Seguir essas recomendações de métricas únicas e ciclos curtos, vai lhe permitir falar diretamente com o seu ICP (Ideal Customer Profile), criar processos bem definidos para fazer mapeamento de metas, cronograma, status, além de poder repensar seu negócio. Ser mais efetivo ajuda também a resolver outro problema antigo dentro das organizações: integração de departamentos. Há uma resistência em boa parte das empresas de colocar na mesma página os times de marketing e vendas. Segundo uma pesquisa da consultoria Kantar, um quarto dos profissionais da área ainda não conseguem integrar suas atividades. Essa é a grande oportunidade para unir as duas áreas em busca de melhores resultados.

Esse conjunto de ações também coloca em cheque os modelos tradicionais de marketing e abre espaço para processos ágeis dentro das empresas. Com o crescimento das organizações e as cobranças diárias por resultados, surgiram novos desafios no campo da gerência de projetos. É premissa de todo gestor que visa entregar valor para a empresa e responder de forma rápida às mudanças do negócio e, ao mesmo tempo, reduzir o CAC (Custo de Aquisição de Cliente). Por esse motivo, é necessário ter uma gestão ágil para eliminar o risco de incertezas, manter o foco em métricas que realmente importam para responder com rapidez as dores dos clientes. Isso é o que chamamos de “casa de ferreiro, espada ninja na vitrine”.

Os tempos são outros. A pandemia serviu para mostrar que é possível sim ser efetivo em uma estratégia de marketing. O próximo passo agora é colocar essas recomendações em prática para trazer melhores resultados para o seu negócio. 

*Alex Compri é Head de Growth da BRSA – Branding and Sales

18

Jul

[ARTIGO] O futuro: Um mundo veloz!

*Por Celso Braga

Se você me perguntar sobre o que vem pela frente, sobre qual será o nosso futuro, eu vou te responder com facilidade: será um tempo no qual tudo será mais veloz.

E o que isto significa?

Que estaremos mais apressados? Que teremos que aprender mais rápido a lidar com o desconhecido? Que as comunicações serão tão velozes que não teremos tempo para ver tudo? Que poderemos ter que tomar cada vez mais decisões sem ter a visão de todos os detalhes?

Sim, é tudo isto que vai acontecer!

Já é certo que viveremos num mundo veloz.

E sim, já ficamos ansiosos só de pensar, tentando antecipar tudo que virá, desejando estar à frente de outras pessoas e empresas para demonstrar que somos competentes. Síndromes de burnout à vista para um maior número de pessoas, aumento de pessoas com depressão e angústia. Tempos difíceis para os aspectos emocionais dos indivíduos...

Será que você está nesta condição agora? Pode ser que sim. Está sem paciência e mais crítico com o que está ao seu redor, quer que as perguntas sejam respondidas com rapidez e, além disso, não para de ter um turbilhão de pensamentos sobre tudo o que ainda está sem resposta. Dor nas costas, dor de cabeça, noites sem dormir direito e talvez com os nervos à flor da pele por semanas a fio.

A notícia é interessante, o mundo não vai desacelerar, e viveremos neste futuro cada vez mais veloz.

Se quer lidar com este futuro de uma maneira melhor, posso lhe convidar para algumas reflexões. Talvez lhe dê um pouco mais de conforto com os desafios da velocidade para “Minds & Hearts”.

Então vamos lá, desacelere!

Até que ponto precisamos nos manter tão acelerados? Utilize a regra 70/30 entre acelerado e contemplativo. Cada um pode impor um tempo para ficar em estado de velocidade e outro para parar e ver que não será o dono do mundo.

Assim começa a compreensão de que podemos ser mais conscientes do que fazemos!

Precisamos resolver os problemas com a velocidade, e isso significa levar em conta o conceito de agilidade, que diz que tem de ser no tempo necessário para que algo chegue lá. Não dá para fazer um bolo com menos de 40 minutos de forno, nada fará ele assar mais velozmente, então ágil é fazê-lo neste tempo. Não dá para ser mais veloz.

Por que será que você acha que deve tomar qualquer decisão já, imediatamente, para ser veloz? Às vezes você precisa esperar o tempo de “forno” para ser realmente ágil, ao invés de apressado, com as coisas que precisam ser resolvidas.

Se trata de buscar o tempo certo para cada decisão, para cada aprendizado, para poder responder cada desafio. E veja, não quero dizer com isto que é um exercício fácil. Você vem no embalo e sai fazendo, decidindo, avançando sem freio, porque esta forma retira um pouco da sua percepção de ansiedade e assim parece que resolve – ufa – com mais velocidade as situações. Além disso, dá a sensação que será visto melhor como pessoa ou como profissional, não é mesmo?

Não. É hora de chegar lá percebendo o tempo que cada situação precisa ter para ser respondida e manter uma velocidade constante, sem parar, até resolvê-la. Afinal quanto tempo o tempo tem? Para o bolo, 40 minutos; para você decidir algo com grande impacto, talvez um dia; para mudar algo que te incomoda emocionalmente, uns 100 dias; para conversar sobre as situações mais profundamente, pode ser já!

É preciso olhar para o tempo identificando como vai lidar com ele para entender o que será veloz, ágil de fato, e assim se sentir melhor com seu ritmo.

Considere o tempo como seu aliado, pare durante a jornada, seus 30% para contemplar, olhar para as pequenas coisas como presentes, para suas decisões que deram certo e para as que deram errado. Cultive o hábito saudável de desacelerar para poder depois lidar com os outros 70% acelerados que vai precisar para viver no futuro.

Leia as mensagens com calma, um minuto para pensar, vai fazer você responder mais assertivamente 99% das vezes. Pare para ouvir atentamente e fique em silêncio um minuto, sua comunicação vai melhorar efetivamente e você poderá ser mais empático. Escreva em um minuto o que pretende fazer e releia, vai melhorar suas decisões de forma efetiva simplesmente porque investiu um minuto a mais.

Entenda também que você vai errar, não é preciso acertar todas. Você toma decisão com o que está a sua frente agora, mas amanhã pode chegar uma informação nova que muda tudo, volte atrás e leve um minuto a mais explicando o que mudou para as pessoas a seu redor. Você será, melhor compreendido. Acredite!

Se você realizou estes exercícios de “um minuto” e as coisas deram errado, saiba que faz parte da vida, uma sucessão de erros leva ao acerto e esse exercício pode ser um prazer. Olhe para uma criança que começou a andar, por exemplo, ela cai e se levanta diversas vezes, e para cada coisa que faz a primeira vez que erra, ela continua, erra novamente, para então acertar. É um jogo divertido para as crianças e deve ser para nós também, numa vida de constante descobertas e aprendizados.

O futuro será veloz, mas pode ser igualmente leve. Tudo depende do nosso aprendizado ao longo do caminho!

*Celso Braga - Sócio-diretor do Grupo Bridge, empresa especializada em desenvolvimento humano há mais de 25 anos. Celso também é Psicólogo e Mestre em Educação, pós-graduado em Psicodrama Sócio Educacional pela ABPS, Professor supervisor pela FEBRAP. Acumula experiência de mais de 25 anos em desenvolvimento humano e projetos de conexões educacionais e inovação. É autor de mais de 10 livros, entre eles ‘A Jornada Ôntica’ (2013), ‘O Hólon da Liderança’ (2015), ‘Inovação: diálogos sobre a prática’ (2016), ‘Inovação: diálogos sobre colaboração produtiva’ (2017), A Magia dos Sentimentos: 27 emoções para transformar sua vida e em 2019 lançou os livros em versão digital; Lifelong Learning - Aprender para a Vida e Empowerment, uma liderança que inspira. Celso Braga é coautor do livro ‘Educação para Excelência’ (2010). 

17

Jul

[ARTIGO] Judiciário virtual: o jurislog e o futuro

*Raimundo Carlyle de Oliveira Costa

**Heitor César Costa de Oliveira

Muito já se escreveu sobre o "novo normal" vivido em tempos de pandemia da Covid-19. O Judiciário brasileiro não escapou ileso a partir do estabelecimento do "plantão extraordinário" pelo Conselho Nacional de Justiça e, principalmente, com o deslocamento logístico de equipamentos e trabalho de magistrados e servidores para suas casas (home office).

Tínhamos um quadro jurídico em transição de uma moldura tradicional para a digital e, de repente, a chave foi girada para um mundo freneticamente digital. O jurislog mudou. O uso das ferramentas virtuais e plataformas digitais para a realização dos atos processuais passou à ordem do dia.

Nesse contexto, com o prosseguimento das atividades apenas, ou quase integralmente, no ambiente virtual, abriu-se uma grande janela de oportunidade para tornar o Judiciário mais célere e econômico.

Por qual motivo gastamos com tantos espaços físicos? Por que nos fóruns físicos da Justiça não há apenas equipes de suporte para garantir o funcionamento das atividades remotas ou para atendimentos presenciais em circunstâncias especiais ou extraordinárias? Em meio à crise econômica resultante da pandemia em todas as áreas, esse olhar logístico, que chamamos jurislog, acentuou-se profundamente, e no Judiciário não foi diferente.

O ponto principal da logística é o tempo e a discussão de melhorar a cadeia de valor na coleta, processamento e entrega de produtos e serviços. Na área criminal, por exemplo, o jurislog que sempre chamou a atenção foi a condução de presos ao fórum e a intimação de testemunhas para audiências presenciais.

A expansão da videoconferência, agora reforçada e amplamente exigida, traz a novidade de uma inteligência artificial capaz de sinalizar ao juiz, no vídeo, pelos movimentos faciais, se a pessoa está rememorando algo ocorrido ou criando fato inexistente. Os movimentos involuntários da pupila podem ser percebidos por um olho não humano, tornando segura a coleta desse tipo de prova.

No novo mundo jurídico, parece que será preciso superar o viés intimidatório de inquisidor do juiz criminal que, ao olhar para a testemunha, impõe que ela prometa dizer apenas a verdade, sob pena de ser presa e processada. Excepcionalmente, é claro, as provas poderiam ser coletadas presencialmente, quando alguns dos atores judiciais não dispusessem dos meios tecnológicos para a participação nos atos processuais virtuais, como previsto em ato do Conselho Nacional de Justiça.

Nesse "novo normal digital", os indicadores de processamento, resultado, qualidade e impacto ganharam o palco. Aferir o tempo e quantidade de entrega do produto (sentença, alvará etc.); medir a qualidade do serviço (embargos acolhidos; agravos etc.); avaliar a quantidade e velocidade da movimentação processual (termodinâmica da atividade jurídica); aumentar a disponibilidade da plataforma virtual utilizada (acessibilidade segura à plataforma); existência de infraestrutura tecnológica para o usuário (acesso à infraestrutura); tudo isso reforçou o check do ciclo PDCA, concebido por Walter A. Shewhart e amplamente divulgado por Willian E. Deming.

Uma das lições que essa abordagem de uma jurislogística sofisticada promoverá será em relação às comunicações processuais para todo o ecossistema judiciário. Elas tendem a ser mais precisas, seguras e ágeis, com todas as citações e intimações por meio virtual, como já funciona no processo judicial eletrônico (PJe) para os advogados das partes.

Além disso, a interdependência de órgãos externos de coleta, entrega e retorno de documentos serão minimizadas. Também trará ao mínimo necessário o consumo de papel, impressões de atos judiciais, e reduziria o custo com a mão-de-obra interna para citação e intimações pessoais por oficial de Justiça.

Não é um futuro utópico ou distante. Atualmente, a maioria das penhoras é online, por meio de sistemas como o Bancenjud e o Renajud, sem falar que os arrestos de bens veiculares, por exemplo, são do interesse da própria autoridade de trânsito em cumprir tais mandados.

Na onda do jurislog, os cartórios extrajudiciais também poderão sofrer uma nova divisão geográfica, tornando-se inteiramente digitais, evitando-se assim o deslocamento às suas instalações físicas para validação dos atos da vida civil (registros de nascimento, casamento, óbitos, contratos, autenticação de documentos etc.).

Essa realidade do jurislog no Judiciário também já pediu licença e se sentou, silenciosamente, nos gabinetes e assessorias dos magistrados. Já se visualiza, nas próximas versões do PJe, entre outras melhorias, o acoplamento do sistema sinapses, que é uma plataforma para desenvolvimento e disponibilização em larga escala de modelos de inteligência artificial, o que possibilitará um salto logístico temporal na elaboração de minutas de documentos, decisões de casos mais simples, rapidamente, em uma escala além da capacidade humana.

A inteligência artificial será acoplada nativamente ao sistema. A eficiência operacional na produção de minutas de documentos chegará a patamares jamais vistos e o juiz poderá julgar mais rapidamente os casos mais simples, poupando tempo para utilizar em casos complexos.

Nesse jurislog de transformação digital abrupta, novas competências serão requeridas a todos, em especial, na lógica do pensamento tecnológico. Surgem, então, para reflexão, a ideia de forças antagônicas que visam, de um lado, defender o avanço da superdependência do judiciário à tecnologia, transformando o objeto em sujeito, e do outro, ponderações para que a tecnologia permaneça como objeto sob o controle do sujeito. Os dois extremos nesse mundo parecem ser irreconciliáveis?!

No meio de tudo, temos os intrapreneurs desenvolvendo suas próprias ideias sobre como deve ser o jurislog, porém sofrendo a parametrização de regras e metas estabelecidas pelo CNJ e pelos tribunais.

Enfim, vivenciamos um momento histórico na forma de prestação jurisdicional. A pandemia da Covid-19 sacudiu o Judiciário brasileiro como um gigantesco tsunami. A partir de agora, devemos observar se as forças de manutenção do status quo recolocam o Judiciário no passado, ou se serão convencidas, e convertidas, à visão da janela de oportunidade para que se escreva de forma pioneira a transformação digital de todo um poder.

Como toda mudança vigorosa traz em seu bojo riscos e ameaças ao status quo, uma das maiores preocupações é possibilidade dessa revolução produzida pelo jurislog acarretar a exclusão digital dos stakeholders do Judiciário, principalmente advogados, Ministério Público, sistema prisional, polícia, partes, que não sejam afeiçoadas ou não disponham dos equipamentos e acesso aos sistemas operacionais eletrônicos utilizados.  

Outra área de preocupação é o ensino jurídico. As instituições de ensino superior precisarão adequar suas grades curriculares para abarcar a aprendizagem teórica e prática das novas tecnologias utilizadas pelo Judiciário, sob pena de termos mais nômades digitais do que nativos virtuais.

Esse também é um momento vibracional que favorece o aparecimento das verdadeiras lideranças digitais no seio do Judiciário, abandonando o modelo tradicional. A Associação Brasileira de Magistrados (AMB) tem sido um bom exemplo de adaptação aos novos tempos digitais no Judiciário, adotando uma linha de comunicação efetiva com os magistrados, tribunais, poderes e sociedade. Outras pandemias virão... A questão primordial é saber onde estará posicionado o Judiciário em cada uma delas.

* Raimundo Carlyle de Oliveira Costa é juiz de Direito, mestre em Direito (UFCE), MBA em Gestão Judiciária (FGV-Rio) e preceptor nos cursos de Formação Inicial de Magistrados na Escola da Magistratura do RN.

**Heitor César Costa de Oliveira é doutorando em Administração na UnP, aluno especial do doutorando em Administração da UFRN e especialista em Gestão Pública.

Publicado originalmente no Portal Conjur

12

Jul

[ARTIGO] A pandemia vai mudar a cultura do micro apartamento?

*Por Wanderson Leite

Dormir e acordar no trabalho se tornou a realidade de boa parte das pessoas nos últimos meses. Com a pandemia, o home office se tornou tendência e, hoje, realizamos praticamente todas as nossas atividades em casa. Se antes, casas e apartamentos eram vistos por muitos como apenas um dormitório, agora temos que nos readaptar a novas formas de praticar exercícios, ter momentos de lazer e consumir entretenimento.

O novo normal mudou também a maneira como as pessoas enxergam e convivem com suas residências, e isso certamente terá impacto nas expectativas dos clientes em relação às construtoras e imobiliárias. Imóveis com localização privilegiada, perto de estações de metrô, deixam de fazer sentido quando estamos impossibilitados de sair de casa. Morar perto do trabalho, quando se tem a oportunidade de permanecer em home office, também. E, assim, as principais certezas das empresas da área começam a cair por terra. Será preciso entender os desejos de um novo mundo.

Entre elas está a cultura do micro apartamento. Pequenas caixas empilhadas de 40, 30 e até irrisórios 15 metros quadrados incomodam quem tem que ficar o dia todo em casa, por mais bem localizados que sejam. Para famílias com crianças, não ter um espaço em que elas possam brincar, correr e se divertir é ainda pior. Um levantamento do Imovelweb, por exemplo, apontou que, em maio, houve um crescimento de 19% na busca por imóveis com quintais e de 20% com varandas, quando comparado a abril, o que demonstra justamente essa necessidade de ampliar o ambiente. Algumas pessoas tiraram móveis para se exercitar, reorganizaram os espaços – muitos, inclusive, para ajudar a mente a entender onde começa o trabalho e o lar.

Não que as pessoas não tivessem noção de que seus apartamentos poderiam ser maiores, mas foi justamente a convivência que acentuou essa necessidade. As pessoas começaram a dar mais valor para suas casas e organizar melhor os espaços: uma área para lazer, uma para dormir, outra para trabalhar. O bem-estar virou item básico nas residências. Acredito que a questão não seja o tamanho do espaço em si, mas como ele é pensado e distribuído para atender tudo o que precisamos.

A pandemia também atrapalhou quem fazia planos de se mudar. Quem ainda pesquisava o imóvel ideal se deparou com visitas online e contratos virtuais, que ainda deixam muitas pessoas desconfortáveis, preferindo conhecer o local pessoalmente, à moda antiga. Os que estavam para fechar negócio se viram ameaçados pelas perspectivas econômicas negativas no país, medo de perder o emprego e do que ainda está por vir.

Por enquanto, ainda é difícil prever quais mudanças serão permanentes quando pudermos retomar a vida ao normal, mas o home office já é dado como certo por muitos especialistas. Acredito, então, que devemos começar a repensar a relação entre trabalho e moradia o quanto antes. Morar em grandes centros durante a pandemia não fez diferença alguma. Com as pessoas trabalhando em casa, tanto faz morar perto do trabalho. Ou seja, morar longe dos grandes centros, pagando menos, se tornou uma opção bastante viável.

Além disso, as construtoras deverão olhar com mais atenção para cada imóvel. Pensar que esse espaço, por menor que seja, tem que ser agradável e projetado de modo a aproveitar ao máximo o espaço. Uma alternativa é pensar em configurações personalizadas, que busquem atender a necessidade de cada morador, sempre pensando em conforto e lazer. As pessoas querem circular, ter um espaço útil maior. Caberá às empresas do setor entender e se adaptar a todas as transformações advindas da pandemia

*Wanderson Leite é formado em administração de empresas pelo Mackenzie e fundador das empresas ProAtiva, app de treinamentos corporativos digitais, ASAS VR, startup que leva realidade virtual para as empresas e escolas; e Prospecta Obras, plataforma de relacionamento do segmento de construção civil.

7

Jul

[ARTIGO] Os perigos da retomada: o que você precisa saber sobre saúde e segurança antes de voltar ao trabalho?

Por Alexandre Pierro

A flexibilização da quarentena já é uma realidade para muitos locais no país. Cidades da Região Metropolitana de São Paulo, por exemplo, reabriram o comércio nesta semana – inclusive, com alguns já registrando aglomerações. Pouco a pouco, vamos voltando a sentir o gosto do que conhecíamos como normal, ainda que o dia a dia nas ruas ainda esteja cheio de restrições.

Para as empresas que estão planejando a volta ao trabalho, porém, ainda há muitas dúvidas. Mesmo com a liberação das atividades, é preciso estar atento às recomendações do poder público, além de organizações como a OMS (Organização Mundial da Saúde) e a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Questões de saúde e segurança no trabalho nunca estiveram tão em voga, principalmente depois que o STF (Supremo Tribunal Federal) considerou a Covid-19 como uma doença ocupacional, o que, na prática, representa que as empresas podem ser auditadas caso seja comprovado um risco de contaminação no local de trabalho.

Hoje, a principal recomendação é evitar aglomerações. E, para isso, algumas medidas devem ser levadas em consideração. A primeira delas é entender que o trabalho não começa só quando o colaborador chega na empresa, mas desde o momento em que ele sai de casa. Todo o trajeto deve ser considerado.

Neste momento, é importante verificar se é possível flexibilizar as jornadas de trabalho, permitindo o trabalhador realizar suas atividades em casa e ir até o escritório somente em alguns dias da semana e evitando que os colaboradores utilizem o transporte público em horários de pico, se expondo ao risco de contaminação. Isso também permite distribuir de uma maneira mais organizada as entradas e saídas de funcionários, sem que haja muitas pessoas ao mesmo tempo nas empresas.

Alguns cargos administrativos, por exemplo, não precisam estar todos os dias no trabalho. Muitas empresas, principalmente na Europa, já adotavam medidas como essa justamente por entender que não é necessário ir trabalhar todo dia fisicamente. Se nada disso for possível, há casos de empresas que contrataram vans para garantir o deslocamento dos funcionários com segurança. O custo desses serviços costuma ser equivalente ao que ela desembolsaria com vale-transporte.

Outra ponderação é em relação a organização dos espaços de trabalho, com mesas a pelo menos dois metros de distância umas das outras. A higiene pessoal também precisa estar alinhada à higienização do posto de trabalho, equipamentos como mouse, notebook e itens de uso compartilhado. Isso sem falar no uso de sanitários compartilhados, cuja limpeza deve ser feita com mais frequência. Empresas que possuem refeitórios precisam reorganizar o espaço e os horários das refeições, de modo a evitar aglomerações.

A ventilação dos espaços deve ser uma prioridade. Não adianta ter um distanciamento considerado adequado se o ar condicionado do escritório não estiver com os filtros limpos e não houver troca de ar, ainda mais porque fica cada vez mais evidente que a Covid-19 é transmitida pelo ar. Recentemente, um grupo de 239 cientistas afirmou que partículas do novo coronavírus permanecem no ar em ambientes fechados, com capacidade de infectar as pessoas.

Especialmente em momentos como este, a análise e gestão de riscos podem contar com o auxílio de uma consultoria especializada, que saberá traçar os planos de implementação de mudanças alinhados à cultura da empresa. Além disso, empresas certificadas pela ISO 45.001 possuem métricas para avaliar tudo que diz respeito a saúde e segurança ocupacional de seus funcionários. Isso ajuda em momentos como esse porque permite atuar com a prevenção e não com a reação a eventos adversos.

O momento pede ação e planejamento. Não é possível expor os colaboradores a um risco ainda maior do que eles já enfrentam no dia a dia. É hora das empresas praticarem o zelo e a empatia, buscando minimizar o contágio entre funcionários e, inclusive, clientes. A PALAS conta com um programa de consultoria chamado Cuidar em que desenvolvemos estratégias de retomada para as empresas com base na ISO 45.001 e nas recomendações da ANVISA e da OMS. É preciso estar preparado para o futuro e todas as possibilidades de enfrentamento à doença. Assim, poderemos dar o primeiro passo em direção a retomada econômica e garantir a manutenção do sustento de tantas famílias brasileiras.

*Alexandre Pierro é sócio-fundador da PALAS e um dos únicos brasileiros a participar ativamente da formatação da ISO 56.002, de gestão da inovação.

7

Jun

[ARTIGO] Por que devo registrar a marca do meu Negócio?

Por Rochelle Barbosa

Quem empreende em qualquer lugar do mundo e que monta seu próprio negócio, a primeira coisa que pensa (ou deveria pensar) é como será visto/chamado no mercado, afinal de contas, é preciso criar uma referência para o público consumidor daquele produto específico ou prestação de serviços, uma maneira de se diferenciar dos concorrentes. É nesse exato momento que surge a marca do negócio!

A realidade é que nos dias atuais, criar o nome de uma marca é tarefa árdua e requer muita criatividade, tendo em vista que muitas são as que já têm registros no INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial), autarquia no Brasil em que são realizados os registros de marcas.

Mas então, por que devo registrar a marca do meu negócio? Quais os benefícios e garantias isso me traz? A resposta é simples: o registro da sua marca vai trazer mais segurança na sua operação, bem como vai evitar possíveis problemas no futuro.

O sistema de registros de marcas no Brasil é atributivo, isso significa dizer que, via de regra, o dono da marca é aquele que primeiro realiza o registro junto ao INPI. E é importante que se diga que registro da empresa na junta comercial, leia-se, da razão social empresarial, não confere proteção de marca, pois razão social e registro marca são coisas distintas. Se você quer ter a proteção nacional da sua marca é no INPI que ela deve ser registrada.

A lista de benefícios do registro da marca é extensa, mas os mais importantes aspectos são: exclusividade em território nacional no ramo de mercado em que foi registrada, poder impedir que terceiros usem sua marca indevidamente, a possibilidade de licenciamento ou cessão dessa marca mediante pagamento de royalties e outro ponto primordial é evitar prejuízos no futuro em ter que mudar sua marca porque outra empresa registrou antes de você! Imagine, depois de estar consolidado no mercado, ter investido valores consideráveis em mídias, propagandas, fardamento de funcionários, papelaria e afins, ter que mudar de marca e refazer todo o trabalho junto ao seu público consumidor.

Então, se você criou o seu negócio, acorda todos os dias e se dedica e doa seu suor à sua empresa, é por que você acredita na sua marca e quer crescer, tornar-se uma referência no seu ramo de mercado, amanhã pode querer se tornar uma franquia e para isso precisa ter pelo menos um pedido de registro de marca no INPI, portanto, seja diligente e cuide do bem mais precioso do seu negócio que é sua marca: registre-a.

No Brasil, segundo dados estatísticos do INPI (www.inpi.gov.br), no ano de 2016 foram depositados 166.368 pedidos de registro de marcas, em 2017 foram 186.103 e em 2018, foram 204.419 pedidos protocolados, o que mostra que a cada ano os empresários brasileiros se conscientizam dessa importância.

E um aspecto que não pode ser esquecido é que com a internet e as redes sociais, todo mundo é visto! Foi-se o tempo em que empresas de outros estados não tinham conhecimento de uso indevido de sua marca por outras empresas. E, mais, você não quer que seu cliente busque sua empresa no Instagram e ache a do seu concorrente, quer?

E, por fim, para que tudo saia conforme o planejado, procure um profissional qualificado e honesto para lhe assessorar em todo o processo, pois o que você, empreendedor, tem que focar é em prosperar, não perder energia e dinheiro com problemas que podem ser evitados!

 

*Rochelle Barbosa é advogada especialista em propriedade intelectual e CEO da Metrópole Marcas e Patentes. Siga no Instagram @rochellebas e @metropolemarcas. 

31

Mai

[ARTIGO] O Brasil perdido na crise do coronavírus, por João José Forni

* João José Forni

Não bastasse o País estar enfrentando a maior crise dos últimos 150 anos, com a pandemia do coronavírus, até agora o governo não entendeu que só a união das forças de especialistas em saúde, técnicos, políticos e demais poderes da República, num grande pacto, poderá contribuir para vencer a pandemia e as crises dela decorrentes, como a crise econômica e o divisionismo político. O Brasil talvez seja o único país do mundo com elevado número de pessoas contaminadas e de mortes que tem um governo que puxa para um lado e os demais agentes - governadores, prefeitos, Judiciário, Congresso -puxando para o outro.

O que significa isso? Que será muito difícil sair dessa crise sem um custo elevadíssimo em vidas humanas e em perdas na economia. Desde março, quando o isolamento social começou a ser adotado por vários estados, o presidente da República e o grupo fiel e fanático de seguidores boicotam e atrapalham as ações de governadores e equipes médicas de infectologistas e especialistas em saúde. O Gabinete de crise criado pelo governo federal em março, com 26 pessoas, pouca ou nenhuma contribuição trouxe à gestão dessa crise. Em poucos dias dele não mais se ouviu falar. Sumiu, da mesma forma que apareceu. Até porque, esse governo tem extrema dificuldade de trabalhar em equipe. Nenhum comitê de crise funciona com eficácia, numa crise, com mais de dez a 12 pessoas, como recomendam especialistas. O ideal são equipes pequenas, de extrema confiança, selecionadas rigorosamente, com poder de decisão e autonomia para poder intervir na crise.

Abono salarial

Um das medidas certas que o governo tomou nesse momento foi o abono assistencial para uma massa de brasileiros que já estavam sem emprego; ou perderam o emprego, em função da pandemia. Além de milhões que nos últimos anos foram para o trabalho informal. A Caixa tem feito um esforço monumental para fazer chegar esse abono lá na ponta, no interior do país, para mais de 50 milhões de brasileiros. Deve ser a maior operação de bancarização da história moderna.

É o que tem amenizado esse momento muito difícil para milhões de brasileiros. Eventuais falhas que estão aparecendo no processo, inclusive fraudes, de certo modo eram previstas. Dada a dimensão da empreitada, até porque milhões de pessoas sequer tinham conta em bancos ou registro na Receita Federal.

No âmbito econômico, há um entrave que o governo ainda não conseguiu resolver. As empresas, principalmente as pequenas e descapitalizadas, que precisam de capital de giro ou de financiamento para tentar desafogar as finanças e preservar pelo menos parte dos empregos, não estão tendo acesso fácil ao crédito. Apesar da promessa do ministério da Economia, o que se constata são principalmente pequenos e médios empresários se queixando de que os bancos exigem garantias exageradas e elas acabam preteridas pela burocracia e pelas exigências rigorosas. Isso consagra a máxima que diz: os bancos só emprestam dinheiro com facilidade para quem não precisa.

Mas as crises econômica e política são apenas agravantes desse momento. O vetor principal, como não poderia deixar de ser, está na área de saúde. Tudo isso acontece no momento em que o País atinge a triste marca de 25,6 mil mortos pelo coronavírus e 415 mil infectados (167 mil recuperados), até 28 de maio, tornando-se o 2º país do mundo em número de pessoas contagiadas pelo vírus. Alguns estados, principalmente no Norte, Nordeste e em São Paulo e Rio de Janeiro, estão com o sistema de saúde no limite. Dezenas de pessoas em estado crítico, esperam atendimento até mesmo sentadas, sem um leito com respirador nas UTIs.

A saúde perdida

Se a saúde concentra todas as atenções, o Brasil teve a crise agravada, quando o presidente demitiu o ex-ministro Mandetta, porque ele divergia da linha seguida pelo governante, contrário ao isolamento. O ministro assumiu a liderança do combate ao coronavírus. O Presidente não escondia o desconforto com as medidas corretas, tomadas pelo ministro, boicotando as recomendações do ministro, que é médico, alinhadas com as orientações da OMS..

Outro motivo de crise foi a pressão do presidente para que Mandetta assinasse um documento recomendando o uso de hidroxicloroquina e a cloroquina, remédios usados no tratamento da malária e que passaram a ser indicados nos casos mais graves do coronavírus. Esses medicamentos não têm, em qualquer lugar do mundo, eficácia comprovada no tratamento da Covid-19 e foram até proibidos em alguns países da Europa, pelos efeitos colaterais que podem levar à morte. Nesta semana, a reconhecida revista Lancet publicou um novo estudo mostrando que os dois produtos sozinhos ou combinados não têm benefícios comprovados no tratamento da Covid-19. O presidente só conseguiu o intento, após demitir o segundo ministro, o médico Nelson Teich em menos de 30 dias da posse, exatamente pelo mesmo problema. O resultado dessa disputa absurda foi a crise na área da Saúde se agravar, no pior momento da pandemia, quando estamos atingindo o “pico” das infecções.

A falta de um líder

Desde o primeiro caso de coronavírus no país, o presidente da República e, por extensão, uma gama de ministros que militam ao redor do presidente, não assumiram com a intensidade devida a gravidade da crise. Além da falta de um líder nacional nesse momento, o presidente, várias vezes, deu sinais de que discordava do isolamento e queria a volta das atividades econômicas, navegando em sentido contrário ao do próprio ministério da Saúde e da orientação adotada em todo o mundo, durante a pandemia. Segundo Fernando Abrucio, “A primeira característica dos governos mais bem-sucedidos foi a combinação de ciência e humanismo. Seus líderes usaram evidências científicas para construir as políticas públicas, mesmo que haja diferenças entre as respostas dadas por tais países. (...) Esses governantes não tiveram medo de falar verdades inconvenientes quando foi preciso, porque optaram por soluções racionais e não pelo pensamento mágico”. São exemplos os líderes da Nova Zelândia, Taiwan, Coreia do Norte, Dinamarca, Finlândia e Alemanha, para citar alguns.

No Brasil, o processo chegou a tal nível que o STF resolveu dar um basta, atribuindo a autonomia aos governadores e prefeitos para determinar como o estado ou o município deveriam conduzir a reação à pandemia. É isso que, em parte, tem amenizado o caos, pelo menos em grande parte dos estados.

É notório que o grande insumo dessa crise é informação e comunicação. As pessoas estão com medo, inseguras, não sabem direito o que fazer. Nos lugares onde a pandemia se agravou, faltam leitos de UTI para pacientes mais graves. Lamentável que tenhamos de aceitar brasileiros morrendo em casa, asilos ou em UPAs e enfermarias, sem a possibilidade de pelo menos serem medicados numa UTI, com os recursos apropriados.

O Brasil teve tempo para se preparar. Em janeiro, a pandemia se agravou na China. Por que, imediatamente, o governo federal e os estaduais não formaram equipes de gestão de crise, especializadas em Saúde – que deveriam funcionar 24 horas por dia, sete dias por semana e, desde então, tivessem planejado e se preparado para o cenário que hoje enfrentamos? Em março, a Itália era o exemplo do que poderia acontecer, quando se perde o controle da saúde e do grave risco dessa pandemia. Pagou caro, por isso.

A disputa política, tendo como cenário a pandemia e seus desdobramentos, não ajuda quem está precisando de assistência médica urgente. O Brasil já está sendo reconhecido no mundo como um mau exemplo na condução dessa crise, indo para um caminho perigoso, de milhares de mortos, pela maneira descoordenada do governo federal no comando da crise.

Ao agir dessa forma, cada um fazendo como julga melhor, propicia até mesmo o absurdo desvio de recursos, num momento crucial, como apurou a Polícia Federal, no Rio de Janeiro e outros estados, nesta semana. No meio da tempestade, com o navio soçobrando, o comando da embarcação carece de um timoneiro que inspire confiança. Estamos entregues a pessoas que aparentam não estar com foco na saúde, mas interessadas nos dividendos políticos e talvez na próxima eleição, sem manifestar pesar e nem dor pelo grande número de corpos que diariamente colocamos embaixo da terra. Lamentável, sob todos os aspectos.

 

* Jornalista, Consultor de Comunicação e autor do livro “Gestão de Crises e Comunicação – O que Gestores e Profissionais de Comunicação precisam saber para enfrentar Crises Corporativas”.

10

Abr

[ARTIGO] A Prestação de Serviços Educacionais e a COVID19

*Por Paulo Coutinho

As relações contratuais firmadas anteriormente à epidemia do “Coronavírus” (COVID-19) serão profundamente afetadas pelas consequências advindas da necessidade do isolamento social imposto a partir da decretação do estado de calamidade pública pelos Governos Federal e Estadual.

Alguns setores da economia encontraram soluções tecnológicas que permitem a continuidade de seus negócios, sem a interrupção completa de suas atividades ou dos serviços oferecidos.

Os salões de grande parte dos restaurantes estão vazios, mas muitos deles conseguiram manter sua atividade através da utilização dos aplicativos de entrega remota. Muitos comerciantes varejistas também encontraram nesses aplicativos uma saída para a continuidade dos negócios.

As instituições de ensino privado também encontraram na tecnologia a solução para manter suas atividades, implementando através de links e plataformas online o sistema de aulas por vídeo, que permitem a interação entre alunos e professores e a continuidade do ano letivo.

Tais tecnologias já eram utilizadas em muitos cursos de graduação e pós-graduação e, com a chancela do Ministério da Educação, foram responsáveis por colocar no mercado de trabalho milhares de profissionais devidamente qualificados.

Nada obstante, começam a surgir demandas judiciais questionando o pagamento das mensalidades escolares, com base no Código de Defesa do Consumidor, que asseguraria a revisão contratual diante de fatos supervenientes (no caso a pandemia da COVID19). Já há, inclusive, decisão judicial que determina a suspensão da cobrança das mensalidades, mesmo com a manutenção das aulas em formato virtual.

Mas é preciso ter muita cautela na aplicação dessa teoria nas situações em que as instituições de ensino continuam a disponibilizar virtualmente os serviços educacionais!

O atual cenário de imprevisibilidade econômica atinge não apenas os alunos/contratantes, como também as escolas/prestadoras dos serviços, que precisam manter sua estrutura funcionando para que as aulas “virtuais” não sejam também interrompidas, com a consequente perda do ano letivo, prejuízo que seria ainda maior. O momento, repito, exige muita cautela e razoabilidade!

Não há como manter as escolas/faculdades funcionando de forma virtual sem que estas instituições tenham como remunerar professores e demais funcionários que são necessários à prestação desses serviços, além de arcar com os custos operacionais para a implementação das aulas online. A pior perspectiva, nesse cenário, é imaginar o fechamento definitivo de escolas/faculdades, suprimindo a possibilidade de retorno das atividades presenciais.

Exigir que escolas e faculdades mantenham a prestação dos serviços, mesmo que de forma virtual, sem a contraprestação consistente no pagamento das mensalidades, é atentar não apenas contra a garantia constitucional de que a cada trabalho será garantida a respectiva remuneração, como também, e mais grave ainda, condenar essas instituições à falência, levando à bancarrota não apenas os que investiram na instituição, mas também aqueles que dela dependem para garantir o seu sustento e o de suas famílias.

O bom senso e a razão é que devem pautar essas discussões, sendo certo que a negociação direta e consensual é a que melhor pode levar a um equilíbrio econômico na relação aluno x escola/faculdade em tempos de COVID19.

*Advogado especializado em Direito Empresarial, ex-Presidente da OAB-RN.

5

Abr

[Artigo] O mundo em hibernação procura uma saída

*Artigo de Marc Bassets, publicado originalmente no Jornal El País e traduzido por João José Forni

O planeta, para um alienígena que aterrisasse hoje em dia, ofereceria uma imagem estranha, entre pacífica e perturbadora. Mais de um terço da humanidade está em casa, privado da liberdade de movimento, tão essencial e que todos tomamos por garantido. As ruas, vazias, como as estradas sem carros. Céu limpo sem aviões. As fronteiras fechadas. Os líderes? Trancados também e administrando o melhor que podem - cada um por conta própria, insanamente, quase sempre atrasado, apesar dos sinais - a maior crise que eles certamente terão que enfrentar em suas vidas. Os cidadãos? Confuso com o vírus que foi detectado na China em dezembro passado e que matou mais de 28.900 pessoas (1) e afetou cerca de 200 países. Angustiado por sua saúde e pelos vizinhos, e pela crise econômica que, segundo a unanimidade dos especialistas, está chegando. O mundo entrou em hibernação.

"Estamos vivendo um momento histórico de desaceleração, como se freios gigantes parassem as rodas da sociedade", explica, do seu confinamento na Floresta Negra, o filósofo alemão Hartmut Rosa, que dedicou boa parte de seu trabalho a estudar o que ele chama a desenfreada "aceleração" das sociedades capitalistas. "Nos últimos duzentos anos ou mais, o mundo estava indo cada vez mais rápido", argumenta. “Se você observar o número de carros, trens, navios, aviões, tráfego e movimento, aumenta continuamente. É verdade que havia bolsões de desaceleração, por exemplo, após os ataques de 11 de setembro de 2001: o tráfego aéreo foi menor por algumas semanas. Mas tudo isso foi interrompido. Vivemos um momento único de calma".

O choque elétrico deixou os humanos atordoados, em um estado que mistura calma, como Rosa diz, com inquietação, sem espaço físico para se mover ou espaço mental para saber como serão a vida, a cidade, o país e o mundo em dois. ou três meses ou em um ano.

É um triplo sacudida. Sanitário primeiro: a doença desconhecida, Covid-19, e o vírus que a causa, a temível SARS-Cov-2. Não existe vacina, então são as medidas chamadas não farmacêuticas que são aplicadas, na sua forma mais extrema: confinamento. Não apenas infectados ou suspeitos de estarem infectados, mas cidades e regiões inteiras a princípio - Wuhan na China desde janeiro, Lombardia e grande parte do norte da Itália em 8 de março - e, nos dias que se seguiram, como se os dominós caíssem um após o outro, grandes e pequenos, países desenvolvidos e em desenvolvimento. De toda a Itália à Índia, passando por Espanha, França, Reino Unido e uma parte considerável dos Estados Unidos e da América Latina: cerca de 3 bilhões de pessoas ainda estão caladas.

O segundo baque é barato. Os governos assumem que a desaceleração da atividade - rotas comerciais mundiais, já interrompidas quando o coronavírus parecia nada mais do que um mal chinês, foi bloqueada - causará uma recessão global. Em 2020, a contração do PIB será de 2,2% na zona do euro, segundo a agência de classificação Moody's, e de 2% nos Estados Unidos. O número de candidatos a subsídios de desemprego neste país bateu um recorde: nunca, desde meio século atrás, começou a se registrar, foi tão alto, mais de três milhões. As quantias que foram injetadas ou serão injetadas para amortecer o colapso de empresas e trabalhadores - cinco trilhões de dólares apenas para os países do G20 - e as intervenções dos bancos centrais dão uma idéia das dimensões do desastre que está tentando evitar ou amolecer. O que for preciso (o que for preciso), o coro mágico que Mario Draghi, então Presidente do Banco Central Europeu, entregou em 2012 para salvar o euro, é cantado novamente e funcionou. Todo mundo, não apenas os bancos centrais, promete "o que for preciso", mas oito anos após a intervenção de Draghi, o primeiro ato da crise desencadeia uma resposta em ordem dispersa. As fraturas da União Europeia reaparecem com toda a sua dureza. O vírus é global; as reações, nacionais.

Uma mudança no modelo econômico é proposta. O fim da globalização? "Possivelmente é inevitável passar por uma fase de desglobalização, isto é, de comércio reduzido e fluxo de capital entre países", escreve o economista francês Thomas Piketty em um e-mail para EL PAÍS. “Continuar como se nada não fosse uma opção. Caso contrário, o nacionalismo triunfará ”, adverte.

O terceiro golpe, além do golpe sanitário e econômico, é político. O vírus entrou em erupção no momento da retirada dos Estados Unidos e da afirmação nacionalista da China. A batalha, que não distingue fronteiras e, no papel, une o mundo pela mesma causa, é uma batalha pela influência entre as potências mundiais. “Agora a luta é contra o vírus. Mas o vírus será derrotado. E as pessoas vão voltar ao trabalho e entrar em aviões. Quando isso acontecer, a posição da Rússia e da China será comparativamente fortalecida, enquanto a dos Estados Unidos terá se enfraquecido ”, analisa o ensaísta americano Robert D. Kaplan. "Como a China é autoritária", acrescenta Kaplan, "ela conseguiu impor quarentenas extremas como nenhuma democracia é capaz. Por ter tantas empresas estatais, eles foram capazes de absorver o choque econômico do vírus. E a Rússia, sujeita a sanções, conseguiu ser mais auto-suficiente do ponto de vista econômico. Em vez disso, os Estados Unidos e a Europa, totalmente imersos no sistema de livre mercado, sofreram devastação econômica com o vírus".

Em poucas semanas, a história se acelerou, como em 1989, com a queda do Muro de Berlim, ou em 1914, quando o arquiduque Francisco Fernando foi assassinado. E, ao mesmo tempo, congelou. A humanidade nunca parou no local. Essa decisão coletiva nunca havia sido vista antes, embora, paradoxalmente, descoordenada: cada país se restringia a seu próprio ritmo, ignorando as lições do vizinho, repetindo seus erros e obstáculos e, finalmente, convergindo, com variações na intensidade do confinamento e exceções em países como a Coréia do Sul, que o administraram com medidas menos drásticas.

Não houve longas discussões parlamentares ou pressão social antes que a decisão mais importante deste século fosse decretada. A pressão que levou ao fechamento das fronteiras e ao fechamento dos cidadãos não foi a dos eleitores, mas a da locomotiva sem freios que - temia-se - causaria centenas de milhares ou milhões de mortes.

“É uma pandemia, pela primeira vez na história, em que o mundo está tecnologicamente interconectado e em que os mercados financeiros estão interconectados. Por isso, causou uma interrupção como nunca antes", diz Kaplan. A política soberana - o Estado - assume um papel central. Paralelamente, oprimido pelo inimigo invisível, sua impotência foi exposta. Daí as críticas pela lenta reação das autoridades. "Nos países democráticos, os governos são tão fracos que não puderam impor a decisão antes que ela se decidisse. Por isso estamos atrasados”, defende o sociólogo Dominique Schnapper em Paris. "Você pode imaginar o que teria acontecido se o governo tivesse decretado o confinamento há vinte dias? Não teria sido aplicado e teria causado um escândalo. Agora ele é acusado de chegar atrasado.

O mundo hiberna, sim, mas os contornos do mundo pós-coronavírus começam a se desenhar. Enquanto os profissionais de saúde lutam pela vida dos doentes e os pesquisadores perseguem a vacina contra o relógio, os líderes enfrentam o dilema condenado entre preservar a saúde pública e sobreviver à economia. "Este é o verdadeiro problema", diz Schnapper. “É preciso encontrar um equilíbrio entre os dois imperativos: o saneamento imediato e a necessidade de a sociedade continuar funcionando: continuar alimentando as pessoas e que não há colapso econômico. Não existe uma fórmula simples. A política é conciliar dimensões contraditórias".

Quanto mais duram os confinamentos, maior a probabilidade de mitigar a pandemia e menor a probabilidade de evitar a depressão econômica: este é um dos debates. Não é o único. O vírus e a corrida para derrotá-lo desencadeiam a competição entre modelos políticos. Ele enfrenta autoritários (China) e democráticos (Europa e EUA). E, dentro dos democráticos, opõe-se a populistas e moderados. A gestão dos Trumps ou Bolsonaros será medida com a da alemã Angela Merkel ou do francês Emmanuel Macron.

À medida que novas fronteiras são erguidas e a globalização é responsabilizada pela disseminação da epidemia, parece que o populismo e o nacionalismo emergirão mais fortes. Não é tão claro. Porque o medo - neste caso, uma ameaça real, não imaginária - reforça a confiança em cientistas e médicos: não é hora de experimentos ou soluções fáceis.

"Você poderia dizer que a crise gera os anticorpos do populismo", diz Laurence Morel, cientista político da Universidade de Lille, por telefone. “Não estou dizendo que isso fará desaparecer: o que será decisivo será a capacidade dos governos de resolver a epidemia e evitar conseqüências econômicas muito sérias. Serão os resultados. Sabemos que os populistas prosperam quando os governos não têm poder".

*João José Forni é jornalista, Consultor de Comunicação, autor do livro "Gestão de Crises e Comunicação - O que Gestores e Profissionais de Comunicação Precisam Saber para Enfrentar Crises Corporativas".

31

Mar

[ARTIGO] Quem foi que disse que seria fácil?

*Por Amaro Sales de Araújo

Estamos todos muito preocupados com a pandemia do Covid-19 (coronavírus). Preocupados com as vidas humanas enfermas e em falência, mas, também, apreensivos com os reflexos da pandemia na economia. De certo, o que nos disse o Papa Francisco: só conseguiremos (sair de tão aguda crise) juntos.

Desde a semana passada, diante da gravidade da pandemia, o Sistema FIERN vem atuando em frentes diferentes. A primeira, em apoio a empresa industrial. Quase todos os serviços do Sistema FIERN estão disponíveis, remotamente pela internet ou por telefone e presencialmente para os casos necessários como, por exemplo, de Saúde e Segurança no Trabalho. Também criamos um atendimento jurídico para as empresas através do e-mail covid19-juridico@fiern.org.br e estamos, com outras instituições, conversando permanentemente com os Governos Federal e Estadual. Suspendemos todos os eventos, reuniões e proibimos aglomerações. Estamos atentos às recomendações da OMS, Ministério da Saúde e Secretarias do Estado e dos Municípios onde atuamos.

Em outra frente de atuação, em relação ao Governo Federal, tanto através da CNI, quanto diretamente junto a Superintendência da Secretaria de Trabalho e Previdência no Rio Grande do Norte que, aliás, fará a mediação, através de uma comissão tripartite, de eventuais conflitos e construção de acordos, com a participação das quatro federações representativas dos empreendedores potiguares. Já em relação ao Governo do Estado, entregamos reivindicações – e discutimos propostas – junto a SEDEC, Tributação e IDEMA, assim também, atuamos apoiando e divulgando as ações diretamente relacionadas ao Covid-19.

Uma preocupação adicional é que, realmente, o crédito chegue aos caixas das empresas, no mínimo, nos próximos 90 (noventa) dias. Foi feita uma carta – com cópia encaminhada para o ministro Rogério Marinho (MDR) – para os bancos BNB, Caixa, BB e AGN pedindo linhas de crédito mais ousadas, desburocratizadas e mais flexíveis, sobretudo, para capital de giro. É visível que as receitas da maioria das empresas sofrerão significativas quedas nos próximos meses, algumas das quais sequer terão como expedir faturas.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI), por sua vez, tem defendido que o Governo Federal estude, articule e, com outros organismos, amplie a realização de exames nas pessoas sobre o coronavírus em todo o Brasil para que, com maior e melhor diagnóstico, ocorra gradual e criteriosamente a abertura dos negócios e o funcionamento da economia. Não podemos ficar sem uma direção técnica de reabertura, assim como, também entendemos a dificuldade do momento, inclusive, para os médicos, pesquisadores e cientistas.

Não é uma situação fácil. Em tempos de Covid-19, as receitas mágicas estão surgindo. Mas, não é bem assim. Antes de qualquer coisa, precisamos nos ajudar mutuamente, apoiar os técnicos e as autoridades públicas, disseminar informações corretas e pedir, pela fé de cada um, que Deus nos ilumine e nos favoreça com suas bênçãos.

*Amaro Sales de Araújo é industrial, Presidente do Sistema FIERN e Secretário-Geral da CNI

25

Mar

[ARTIGO] O Coronavírus seria o reset que muitos pediam?

*Por Arturo Arruda Câmara

Passados os primeiros dias do impacto da pandemia que para o mundo, é hora de refletirmos sobre os recados e oportunidades que podem estar por trás desse acontecimento histórico, científico e econômico. Quantos de nós não ouvimos em grupos de amigos, mesas de bares, discussões intelectuais ou até mesmo em pregações religiosas que o mundo estava precisando de um RESET, de um recomeço? Será que o CORONAVÍRUS não é a oportunidade que precisávamos para recomeçar tudo aquilo que tanto desejávamos?

O mundo já testemunhou a Gripe Espanhola (1918/1919), maior pandemia de gripe da história - com um terço da população do planeta infectada e 50milhões de vítimas fatais - a tuberculose, a cólera, o HIV (AIDS), já sofreu com as I e II Guerra Mundial, a nossa geração já se chocou com os desastres naturais (Terremotos, Furacões, Tsunamis, etc), já choramos com os ataques terroristas (11 de setembro), já discutimos sobre o capitalismo X Socialismo, já nos indignamos com as injustiças sociais, e porque não dizer que já nos cansamos da maior chaga de todas: a corrupção.

Corrupção que diferente daquilo que a maioria da população pensa ou julga, não é apenas aquele gesto ou atitude do político em se beneficiar das suas funções para conquistar vantagens próprias, corrupção que está bem mais presente na vida de cada um de nós do que podemos imaginar ou aceitar. Falo daquela corrupção que está por trás no “jeitinho brasileiro” de sempre querer se dar bem em tudo, seja furando uma fila, seja fingindo uma doença não existente para faltar ao trabalho, seja espalhando fake News, ou até mesmo se arvorando na guarda da legalidade para descumprir a lei em busca de um reconhecimento da categoria ou mesmo da nação.

O mundo, através do CORONAVÍRUS, está dando uma oportunidade a essa nova geração (a geração Z, os Nativos Digitais) para recomeçar tudo de novo, RESETAR, corrigir tudo aquilo que nos incomodava. Não adianta pedir para parar o mundo, se nós não temos aonde descer. Vamos nos inspirar nos inúmeros bons exemplos, nos gestos de cidadania, na preocupação com o próximo, na dedicação dos profissionais da saúde (colocando em risco suas próprias vidas em prol da humanidade), na cordialidade, na cumplicidade das relações comerciais que se preocupam em salvar a economia, na esperança... Vamos ser a luz e não o interruptor que apaga a luz.  

*Arturo Arruda Câmara é publicitário e sócio-diretor da Art&C.

1

Mar

Como prosperar na crise

*Por Fábio San Martin

Onde está a luz do final do túnel? Em 2016 postei no Facebook um pequeno artigo falando sobre a crise que o Brasil está vivendo. Naquele tempo montei um cenário difícil e desafiador, acreditando que essa tormenta não seria “uma marola”, ou melhor, que ela não passaria em alguns meses. Cheguei a ser criticado por alguns amigos, por acharem que eu estava sendo pessimista.

No entanto, se olharmos os dados e o movimento financeiro, econômico, político e social, fica evidente que ainda se trata de uma condição AINDA muito delicada... Dólar superando os R$ 4,30, taxa de desemprego acima dos 11%, estagnação de investimentos, crise política, crise mundial – Corona vírus e gestão e Donald Trump, ceticismo do empresário e da população, economia estagnada... são tantos fatos e dados comprovando o momento de turbulência que nem eu consigo enumerar todos.

O que tudo isso quer dizer de fato? Muito simples, duas coisas... ainda vamos ter que enfrentar a crise em 2020 – até porque, embora as projeções apontem crescimento de 2% em 2020, muitos economistas já estão prevendo um ano de crescimento quase nulo, próximo de 0 (zero). Segundo, a Gestão pública não está conseguindo aprovar todas as reformas necessárias para acelerar a retomada econômica do Brasil. Com esse processo de retomada extremamente lento, faltam recursos para investir em infra estrutura e isso não atrai investidores para o país.

Se analisarmos o impacto das crises nos países e, especificamente no Brasil, veremos que esse tipo de situação causa prejuízos incalculáveis. No entanto, para toda regra existe uma exceção: muitos perderão e uma pequena fatia das empresas ganharão ou prosperarão.

E qual o segredo para em momentos de crise ser próspero? Posso dizer com absoluta certeza que não existe essa porção mágica. Por outro lado, as empresas que prosperaram em tempos de crise tiveram algumas características em comum. São elas:

♣ Foram resilientes... entenderam que o momento difícil exigia uma movimentação diferente da empresa. Revisaram planejamento estratégico, processos, produto, necessidades do marketshare, etc.;

♣ Investiram em pessoas, através de treinamentos, processos de meritocracia, cultura organizacional... porque via de regra, a mudança acontece na execução e isso tem a ver com gente;

♣ Realizaram trade offs (deixar de fazer coisas), porque é preciso rever produtos e serviços, para que eles estejam em sintonia com a nova necessidade do cliente;

♣ Implementaram ou implantaram um sistema de relacionamento com o cliente, para que suas reais necessidades pudessem ser entendidas; e

♣ Inovaram... descobriram novas formas de fazer negócios e de implementar seus produtos e serviços.

E por onde começar? Segundo Jim Collins – maior consultor da atualidade – primeiro pessoas, todo o resto depois. Sem as pessoas certas e bem preparadas, o planejamento, os processos e todo o resto se torna falho ou limitado. É preciso definir o time. Após isso, dar as ferramentas, alinhar estratégias e planos de ação, investir em treinamentos e CRIAR CONEXÃO com os clientes internos e externos.

Muitas empresas erram em suas estratégias porque realizam implementações pontuais e desconexas, sem um entendimento macro. Isso faz com que essas implementações tenham um efeito bem menor do que ele poderia gerar, causando uma sensação de limitação e impotência. Ou seja, não basta ter a intenção da mudança e a implementação de parte da intenção. É preciso consistência nessas mudanças.

E para começar, sugiro uma pequena reflexão: Como a sua empresa é vista hoje pelos seus clientes (internos e externos)? Como você gostaria que ela fosse vista? Como transformar esse gap em estratégia e ação? Pense nisso, não espere a situação piorar ainda mais. Inicie agora mesmo a mudança, antes que a falta dela acabe com o seu negócio.

*Fabio San Martin é administrador, consultor, Mentor, analista comportamental e diretor da San Martin & Niklas Desenvolvimento Humano e da NOV4 Gestão Empresarial. Também é sócio da All BPO Financeiro.

12

Jan

Irã reconhece: “erro humano” derrubou avião da Ukraine Airlines

*Por João José Forni

Por trás das grandes crises, quase sempre há um “erro humano”. Assim a teoria de gestão de crises classifica os graves problemas que afetam as organizações, quando provêm de decisões humanas equivocadas. Após três dias de controvérsias sobre as causas do acidente, que derrubou o avião da Ukraine Airlines, com 176 pessoas a bordo, em Teerã, na 4ª feira, o comandante da Força Aeroespacial da Guarda Revolucionária do Irã reconheceu que o avião foi atingido por um míssil de defesa, culpando o “erro humano” e o "aventureirismo americano" pelo acidente. Ele apenas confirmou o que desde o início autoridades americanas e canadenses já tinham insinuado, após informações da inteligência dos dois países.

"A República Islâmica do Irã lamenta profundamente esse erro desastroso", escreveu o presidente iraniano, Hasan Rowhani, no Twitter. "Meus pensamentos e orações vão para todas as famílias de luto".

A queda do Boeing 737, voo PS752, quando decolava, no momento em que o Irã atacava bases americanas no Iraque, agravou um cenário da aviação, que não consegue se livrar da crise, principalmente nos últimos dois anos. O voo Teerã-Kiev tinha acabado de decolar do aeroporto iraniano. Após atingir cerca de 2.400 metros, aparentemente o avião pega fogo, tenta uma inflexão para a esquerda, numa tentativa de voltar, mas logo em seguida explode e cai em pedaços. Sabe-se agora que o piloto se comunicou com a Torre do aeroporto, pedindo para voltar. As imagens do acidente, vistas por várias câmeras, mostravam luzes que se aproximavam da aeronave, o que sugeria um objeto não identificado, como agora se confirma. Era um míssil lançado pela defesa iraniana.

As 176 pessoas que morreram no acidente, eram de várias nacionalidades: 82 iranianos, 57 canadenses, 11 ucranianos, 10 suecos, quatro afegãos, três alemães e três britânicos

A terrível coincidência

A decolagem do avião ocorreu exatamente no momento em que o Irã lançava mísseis em direção ao Iraque, para atacar as bases americanas. No mínimo, uma ação imprudente do controle de voo iraniano, bem como das companhias aéreas, pois não são obrigadas a decolar.

O comandante da Força Aeroespacial da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã disse na entrevista que pediu que todos os voos comerciais no Irã fossem suspensos até que as tensões com os EUA esfriassem. Mas os membros das Forças Armadas autorizadas a fazer tal pedido do governo e da autoridade da aviação optaram por não fazê-lo. Outra dúvida, por que outras aeronaves decolaram naquela noite e não foram atacadas? Mesmo assim, as empresas aéreas, por segurança, deveriam ter tomado a decisão de não autorizar decolagens ou pousos naquele horário. Isso implicaria custos, naturalmente. Teria a Ukraine Airlines incorrido também num grave erro estratégico, ao autorizar a partida no momento do ataque?

A queda do Boeing 737 800 no Irã ocorre num momento extremamente delicado para a fabricante e a própria aviação. O grave acidente esteve por três dias envolto num grande mistério, com a causa do acidente se dividindo entre duas hipóteses: falha técnica do avião, logo após a decolagem, sem esquecer que a Ukraine Airlines assegurou ser um aparelho novo, revisado na semana passada. Nem se cogitou também em erros da tripulação, apontada pela empresa como bastante experiente.

A outra hipótese, mais plausível, o avião ter sido atingido erradamente por um míssil de defesa do Irã, no momento em que o país atacava bases americanas no Iraque. Alguns órgãos da imprensa americana e canadense divulgaram amplamente a versão do míssil, até mesmo com imagens. Segundo o jornal americano The New York Times, que deu o “furo” do míssil iraniano, o vídeo divulgado tinha sido confirmado por especialistas. Versão essa corroborada por algumas autoridades e que somente neste sábado o Irã confirmou.

Não bastasse a interminável crise com o 737 MAX, de forma confusa e pouco transparente conduzida pela Boeing, o acidente no Irã coloca em evidência a fragilidade com que um avião lotado de passageiros explode sem que o país onde ocorreu o acidente, o fabricante e a empresa aérea tivessem uma explicação pelo menos coerente sobre o que ocorreu. Sabemos que a transparência nunca é uma virtude cultivada pelos envolvidos nas grandes tragédias. E para agravar as dúvidas, o comandante iraniano, na entrevista, reconheceu que desde 4a. feira (8) sabia que o acidente tinha sido provocado por um míssil e avisou o seu governo. Foram três dias de omissão, quando todo o mundo já suspeitava de um ataque involuntário.

A princípio, o Irã ameaçou não liberar as famosas “caixas pretas”, que armazenam os últimos dados e gravações dos voos dos aviões. Com isso, ele estava desrespeitando leis internacionais que preveem a participação do país onde ocorreu o acidente, do fabricante e a da empresa responsável pelo avião, na apuração completa dos acidentes. Como ocorreu na investigação bastante demorada do trágico acidente do voo Air France 447, em maio de 2009, no Brasil, no trajeto Rio-Paris. A apuração envolveu também a França e o fabricante do avião. Nesse acidente, morreram 228 pessoas, sendo que as equipes levaram dois anos para localizar as caixas-pretas e apenas metade dos corpos dos passageiros pôde ser resgatada do mar, onde o avião caiu.

Lentidão e transparência

No caso do acidente da Air France, dez anos depois, o processo de investigação não terminou. A Justiça francesa rejeita acusação contra a Air France e culpa pilotos pelo acidente no voo Rio-Paris. Essa disputa jurídica só aumenta a dor das famílias que perderam os entes queridos. Assim também com o avião da Malaysia Airlines, atingido por um míssil russo, quando sobrevoava a Ucrânia (na época em disputa bélica com a Rússia), em viagem de Amsterdam para Kuala Lumpur, em 2014. Só agora, cinco anos depois, a investigação aponta rebeldes russos como culpados pelo lançamento do míssil que abateu o avião e matou 298 pessoas. Enquanto isso, as famílias, maioria de origem holandesa, continuam na briga jurídica.

Há uma terrível coincidência entre esse acidente ocorrido num conflito de guerra entre Ucrânia e Rússia e o atual. O FBI havia recomendado as empresas aéreas evitarem utilizar o espaço aéreo da Ucrânia, naquela época, exatamente por causa dos conflitos que utilizavam mísseis para atacar os adversários. A Malaysia Airlines optou por manter a perigosa rota. Quando o avião da Malaysia passava sobre a Ucrânia – e foi atingido por um míssil – vários outros aviões estavam aumentando o tempo da viagem (e o custo) para fugir do espaço aéreo ucraniano. 

Lentidão e pouca transparência parece ser a tônica dos acidentes aéreos, principalmente aqueles que incluem agravantes, como atentados, sabotagem ou desaparecimento. As exigências para o voo e as cobranças cada vez mais draconianas das empresas aéreas, de refeições, malas, assentos, limitação de peso e número de bagagens não parecem ter acompanhado o investimento no ativo mais precioso das companhias aéreas e dos fabricantes de aviões: a segurança e a transparência na relação de negócio entre empresa, clientes e órgãos reguladores. Definitivamente, a aviação mundial não está voando num céu de brigadeiro. 
 

*João José Forni é jornalista, Consultor de Comunicação, autor do livro "Gestão de Crises e Comunicação - O que Gestores e Profissionais de Comunicação Precisam Saber para Enfrentar Crises Corporativas".

7

Jan

A verdade vencerá os vendedores ambulantes de Fake News

*Tradução e notas por João José Forni

O ano de 2019 se despediu sob o estigma das “fake news”.  Comandado pelo presidente da maior potência econômica do mundo, o termo “fake news” foi vulgarizado, sob o argumento de que tudo que não for “bom para mim” ou para “meu governo”, trata-se de "fake news". Com isso, confundindo a cabeça dos leitores, até a mídia começou a entrar em parafuso. E chegamos a 2020, um ano de eleição no Brasil, desconfiados de que isso vai piorar. Vai ficar difícil distinguir o que é verdade e o que é notícia falsa?  Dependerá muito de quem produz a notícia e de quem a dissemina.

O tema foi objeto de um instigante artigo no jornal The Times, de Londres, assinado pelo colunista Daniel Finkelstein. A linha do autor é que terminamos a década ameaçados por mentiras travestidas de notícias. Mas que nem tudo está perdido.

“Ignore os pessimistas que dizem que estamos presos em uma névoa de mentiras e distorções - nossa sede por fatos nunca foi tão forte. Esta foi a década da pós-verdade. A década de teorias de conspiração nas redes sociais, de Donald Trump e do ônibus do Brexit (1), dos envenenamentos da família Skripal (2) e dos russos na eleição de Hillary Clinton; de anúncios publicitários no Facebook e das “fake news”.”

“De qualquer forma, esse é o consenso. Quem sabe mais o que é e quem se importa? Mas não é um consenso do qual eu faça parte. Não é que eu não possa ver os perigos. Eu escrevi sobre notícias falsas e como é fácil passar. Só que estou fundamentalmente mais otimista. Acho que essa foi a década da verdade e acho que a próxima década continuará esse trabalho”.

Finkelstein está otimista com a nova década e recorda que aprendemos muito nos últimos anos. “Eu acho que estamos vendo isso de maneira totalmente errada. Essa foi a década em que começamos a acordar com as mentiras, a entender como elas são difundidas, a começar a desafiá-las e a ensinar uns aos outros como identificar a falsidade. Uma década em que começamos a reconhecer coisas para as quais fechamos os olhos, uma década em que começamos a perceber e parar de fingir”.

No início do século XIX, antes de os primeiros editores o estabelecerem como o jornal de registro, o The Times, de Londres (fundado em 1785) se financiou, em parte, ameaçando publicar fofocas sem controle, a menos que o interessado concordasse em pagar uma taxa de supressão, o que significa que, pagando, a fofoca não seria publicada. Não muito diferente do que hoje, dois séculos depois, acontece com certos blogs de jornalistas ou pseudojornalistas inescrupulosos, que literalmente “vendem” notinhas positivas para políticos e empresários ou trocam dinheiro pela retirada de eventuais “fofocas” negativas, plantadas por adversários. O The Times londrino construiu sua reputação a partir de 1817, abandonando essas práticas e aderindo à verdade, enquanto outras publicações continuaram sendo menos exigentes.

Segundo o autor, “Isso, é claro, supunha que o jornal pudesse estabelecer qual era a verdade. O maior inimigo da precisão era a ignorância, e não a facada. Havia uma verdade que podia ser estabelecida, mas que permanecia fora do alcance (poderia levar semanas para que um despacho chegasse do exterior e os correios talvez precisassem ser subornados para entregá-lo) e havia uma verdade que permanecia desconhecida porque o conhecimento científico requeria revelá-lo que não existia”.

“E havia o fato de que muitas pessoas não podiam avaliar a verdade porque não sabiam ler ou que não tinham acesso aos livros ou tempo para aprender com eles”.

O que o autor tenta demonstrar é que, portanto, as "fake news" sempre existiram, facilitadas pela obsessão pelo “furo” e a incapacidade crítica da maioria dos leitores. “Não foi apenas a ignorância que desviou as pessoas da verdade. Também era convenção social. É surpreendente agora ler sobre a vida de Jimmy Savile (3), por exemplo, e apreciar o quão aberto ele era sobre seu comportamento sexual predatório e os abusos de meninas menores de idade. No entanto, sua fama e poder o protegiam das consequências. As portas dos hospitais e palácios foram abertas para ele, enquanto a polícia o investigava." Finkelstein se refere ao comediante que durante anos era recebido nos altos escalões londrinos e, descobre-se anos depois, era um contumaz abusador de crianças e mulheres.

“Da mesma forma, um olho cego se voltou para o assédio sexual no local de trabalho, como ficou demonstrado a partir de 2017, pelo movimento Me Too, mesmo que tenha sido a experiência (traumatizante) de milhões de mulheres”.

A década da mudança

“Esta foi a década em que começamos a abrir os olhos para a verdade. Somos menos ignorantes, menos respeitosos, mais céticos. Apreciamos melhor como é fácil dizer algo falso na política e fugir impune, uma apreciação que é em si uma parte da verdade que surgiu da ciência política. Somos menos capazes e menos dispostos a varrer a verdade desconfortável para debaixo do tapete. Desafiamos mais”, diz o autor.

“Sim, Donald Trump é notavelmente descuidado com os fatos. Mas ele dificilmente é o primeiro presidente de quem isso pode ser dito. Ler as transcrições das fitas Watergate do presidente Nixon deve nos deixar de boca aberta na escala e extensão da mentira. A mesma atitude ocorre na conduta de Lyndon Johnson, na Guerra do Vietnã. Ou as façanhas de Bob Kennedy", completa o autor.

 “Algumas pessoas se convencem de que as mentiras de Trump não importam ou que suas mentiras são realmente a verdade. Mas não é verdade dizer que suas mentiras não têm consequências para ele. Seus índices de aprovação pessoal estão muito aquém dos créditos que os eleitores lhe dão por administrar a economia, o que o faz se destacar entre seus antecessores. Também vale ressaltar que, quando Trump nega a mudança climática e milhões concordam, houve décadas em que a verdade sobre a mudança climática foi ignorada por todos, porque simplesmente não sabíamos disso”.

“O ônibus famoso no referendo do Brexit (que circulava com informação falsa, como se descobriu depois) pode ter usado números duvidosos, mas isso é verdade para todas as eleições em que eu lutei. Dados dúbios sobre possíveis aumentos de impostos trabalhistas, números dúbios sobre cortes de gastos dos conservadores. O que mudou é que esses números e reivindicações políticas estão sendo contestados, verificados e refutados com mais vigor do que nunca”.

Diríamos que hoje está mais difícil mentir. E o exemplo pode ser tirado do novo governo brasileiro, no ano que passou. Quanta informação foi tentada ser passada como verdade e imediatamente contestada por formadores de opinião ou mesmo pelo público, fazendo o governo recuar? Pode-se até admitir que está muito fácil emplacar “fake news” com números ou informações que poucos irão checar. Mas também está muito fácil conferir e verificar se o que foi publicado é verdadeiro. Espalha “fake news” quem quer. 

“É claro que existem mentiras e mentirosos, preconceitos e distorções, escândalos que não podemos ver, comportamento pessoal inaceitável que ainda temos que desafiar, partes do nosso passado que ainda não enfrentamos. Mas foi nessa década que começamos a ver como a verdade central é para uma sociedade civil em funcionamento e uma democracia liberal ativa. Foi a década em que, com hesitação e com toda a falibilidade que temos, renovamos a luta em direção à luz. Aqui está uma nova década da verdade”.

Notas:

(1) Onibus do Brexit. Esse ônibus ficou famoso, por ter circulado ostensivamente durante a campanha pelo Brexit com a informação de que o Reino Unido enviava por semana para a União Europeia 350 milhões de libras (R$ 1.820 milhões), como transferência de renda, sendo que o sistema de saúde britânico era deficitário. A informação, como se comprovou depois e foi desmentida, era falsa. Mas, o estrago já havia sido feito. 

(2) O caso do envenenamento do ex-agente russo Sergei Skripal e de sua filha Yulia é uma tentativa de assassinato, através de um ataque químico, ocorrida às 16:15, em 4/02/2018, em Salisbury, Inglaterra, Reino Unido. A suspeita sempre foi de que os russos tentaram assassiná-los. 

(3) O escândalo do comediante Jymmy Saville, um famoso comediante que se apresentava na TV e em teatros, na Grã-Bretanha, apareceu em 2012, quase um ano após seu falecimento, quando centenas de vítimas de abusos sexuais começaram a denunciá-lo, apesar do prestígio que desfrutava na mídia (era contratado da BBC) e outras instituições. Crianças e mulheres vulneráveis e doentes foram abusados. Os britânicos se perguntaram como foi possível durante anos o comediante abusar de crianças e mulheres, inclusive na BBC, aproveitando sua popularidade, e ninguém ter descoberto ou denunciado?  

*João José Forni é jornalista, Consultor de Comunicação, autor do livro "Gestão de Crises e Comunicação - O que Gestores e Profissionais de Comunicação Precisam Saber para Enfrentar Crises Corporativas".

Fake News Gráfico

2

Set

Natal será a capital da aliança entre Brasil e Alemanha

*Amaro Sales de Araújo

O Rio Grande do Norte será, em 2019, entre os dias 15 a 17 de setembro, sede do 37º Encontro Econômico Brasil-Alemanha! Natal, terra de tantos encantos, será também a capital da aliança entre os dois países, suas instituições e empreendedores. O EEBA, realização da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com a Federação das Indústrias Alemãs e com a Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha, trabalha, em síntese, para estreitar, ainda mais, as relações institucionais e de comércio entre as duas nações. Evento que será, para o Nordeste e, em especial, para o Rio Grande do Norte, um marco relevante nas relações comerciais internacionais, reconhecida a importância que tem a Alemanha, sob diferentes aspectos, para a economia brasileira.

Aliás, “escapando para o mundo” é uma das estratégias indicadas no Projeto MAIS RN, que ofereceu diagnóstico e linhas de atuação para o planejamento de desenvolvimento socioeconômico do nosso estado até 2035. Os negócios internacionais eram difíceis e complexos. O mundo mudou. Hoje os negócios são feitos com maior frequência e, apesar da burocracia brasileira, em um ambiente que tende a melhorar, considerando as medidas já anunciadas pelo Governo Federal de estímulo à produção e a pauta exportações/importações que se tornou imprescindível para o desenvolvimento nacional.

Juntamente com as instituições representativas dos empreendedores potiguares – FECOMERCIO, FETRONOR, FAERN – como também o SEBRAE e os Poderes Públicos, nos diferentes níveis de governo, vamos apresentar as potencialidades do Rio Grande do Norte e tentar atrair investidores, instituições e outros interessados em investimentos em nosso estado e na região Nordeste. Já temos uma caminhada persistente e de resultados nas relações com a Alemanha.

O Rio Grande do Norte, em particular, tem reiterado diálogo e aproximação com o estado da Renânia-Palatinado. O SENAI, casa que integra a FIERN, tem sido, por sua vez, um importante interlocutor com instituições alemãs no âmbito da inovação, tecnologia e qualificação profissional, além de outras perspectivas e providências de cooperação já efetivadas, a exemplo do projeto “Casa Passiva”.

Vamos, em resumo, estimular, trabalhar, articular para que o EEBA 2019 gere mais resultados, tornando Natal ainda mais conhecida dos alemães e com fundadas possibilidades de que o Estado consiga atrair investimentos diretos ou em parceria com grupos locais. O Nordeste e o Rio Grande do Norte devem ser considerados as novas fronteiras para o desenvolvimento nacional, considerando o extraordinário potencial turístico e a matriz econômica diversificada. A aposta por aqui, tendo apoio, segurança jurídica, ambiente destravado, é muito promissora! Façamos o que nos cabe e vamos em busca de bons parceiros. Com a Alemanha, no caso concreto, a aliança tem fundamentos de segurança, respeito e prosperidade.

*Amaro Sales de Araújo, industrial, Presidente da FIERN e Secretário da CNI.