Artigos

30

Ago

[ARTIGO] O Dinheiro em espécie não vai acabar

*Por Renato Silva Filho, CEO da Fastcash

O cenário de pandemia impulsionou o e-commerce e os meios de pagamento digitais, e com o  anúncio da antecipação do lançamento da primeira fase do Pix para o dia 5 de outubro, muita gente fala sobre o fim do dinheiro em espécie. Como o próprio título deste artigo já sugere, eu não acredito nisso.

Parece um pouco forte falar isso desta maneira. Sim, eu acredito que o mundo está mais digitalizado e essa crise sanitária evidenciou isso. Acredito também que a circulação física da moeda deve sofrer uma redução com todos os avanços tecnológicos ocorridos nos meios de pagamento. Porém, enfrentamos uma barreira que vai muito além do desejo de inclusão digital: O Brasil possui cerca de 46 milhões de desbancarizados. O número de semi-bancarizados (aquela pessoa que só tem a conta para receber salário ou algum benefício) é mais difícil de se calcular.

Um exemplo recente sobre isso pode ser visto pelos dados da Caixa Econômica Federal (CEF) ao indicar que, cerca de 40% dos brasileiros (24 milhões de pessoas) que estão recebendo o auxílio emergencial de R$ 600, não possuía conta em banco antes da pandemia do novo coronavírus. E olhe só, o Banco Central precisou anunciar a criação de uma nota de R$200 e um dos motivos é justamente a demanda por cédulas na CEF para o saque do auxílio.

Muita gente aprendeu a usar o cartão virtual do Caixa Tem, mas as filas que se formam nas agências são uma prova inegável que, para muitos, o dinheiro no colchão ainda é uma realidade que não vai acabar tão cedo. O principal desafio desse movimento não será discutir quanto essas soluções irão reduzir custos e diminuir a burocracia do sistema financeiro e sim, como incluir essas pessoas que antes eram invisíveis para os grandes bancos. Além disso, incluir e levar conhecimento sobre as vantagens dessas inovações para todos, sem ignorar a presença dessa parcela tão grande da população que também faz a economia girar.

Um fator pouco comentado é cadeia de custos atrelados ao uso de transações eletrônicas. Os custos de serviços financeiros, instituições financeiras e tributos(sem mencionar as discussões em torno do novo "Imposto Digital") que podem absorver de 30 a 40% do “dinheiro” de uma pessoa. Essa cadeia de custos continua estimulando a informalidade do pequeno e médio empresário, que vive na base do dinheiro para não recolher de impostos e escapar de tarifas. De grosso modo metade da economia, renda de trabalhador e empresas são informais, e o dinheiro os mantêm anônimos na economia.

O que sera maior ? O fluxo de novos digitalizados pela Caixa econômica e novos internautas da reclusão, ou a “desbancarização” por  fechamento de negócios, perda de crédito e empregos pelo período de isolamento social e além ?

Independente do saldo, creio que por agora o dinheiro não só não vai acabar, como vai se multiplicar e continuar existindo no bolso do cidadão, e do comerciante que vai receber numa carteira digital e sacar notas de 200 reais.

29

Ago

[ARTIGO] LGPD em vigência: o que muda no contexto do trabalho?

*Por Ângela Glomb

Muito tem se falado sobre a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), aprovada ainda em 2018 e com previsão de entrar em vigor para agosto deste ano; todavia, com a pandemia do coronavírus, o governo federal sugeriu adiamento, por entender que grande parte das empresas não teria condições de se adaptar ao novo cenário a tempo.

O Senado, por sua vez, decidiu ir contra essa deliberação. Na última quarta-feira (26), os senadores aprovaram por unanimidade o Projeto de Lei de Conversão 34/2020, com declaração de prejudicialidade do art. 4º da MPV 959/2020, isto é, o artigo que postergava a vigência do texto. A matéria segue à sanção presidencial, porém, na prática, há entendimentos de que a LGPD já está vigente.

Essa lei tem como objetivo cuidar do tratamento de dados pessoais dos brasileiros, afetando a forma como organizações os coletam, armazenam e utilizam, tanto no online quanto no offline. As punições em casos de descumprimentos, que chegam a até 2% do faturamento (com limite de R$ 50 milhões por infração), não valerão neste primeiro momento, pois foram adiadas até agosto de 2021 pela Lei nº 14.010.

Apesar de não citar especificidades relacionadas ao contexto de disseminação de dados pessoais entre empregador e empregado, essa regulamentação afeta, também, as relações de trabalho, tanto na fase pré-contratual quanto depois de firmado o contrato. Agora, uma simples ficha cadastral, por exemplo, passa a se tornar um agrupamento de informações sujeitas à proteção da lei.

Para ficar sempre em conformidade, o meio corporativo deve analisar atentamente a LGPD e aplicar aos contratos de trabalho as obrigações nela previstas. As organizações têm acesso a inúmeros dados sobre seus funcionários e, até mesmo, sobre pessoas aleatórias, como as que participam de processos seletivos, por isso, é crucial traçar diretrizes claras com foco na privacidade e na segurança.

Nome, endereço, e-mail, CPF, escolaridade, religião, grupo sanguíneo, nomes dos pais, valor do salário, motivos de faltas, doenças, filiação a sindicato e situações conjugais (como pagamento de pensão e inclusão de dependentes em plano de saúde) são alguns exemplos de dados pessoais; alguns, inclusive, considerados sensíveis pela lei e sujeitos a tratamento específico. É dever do empregador, portanto, tratar essas informações de forma adequada, captando apenas o que for relevante às finalidades desejadas, e jamais compartilhá-las com terceiros.

É necessário um novo olhar sobre as políticas de uso de dados das instituições, principalmente no que se refere aos dados sensíveis, que muitas vezes sequer são essenciais à relação de emprego e, por isso, não precisam ser coletados. A LGPD chegou para reforçar a percepção de que as empresas devem proteger as informações e respeitar o direito à privacidade de seus colaboradores, o que é, de fato, extremamente importante.

*Ângela Glomb é advogada especialista em Direito do Trabalho e atua no Glomb & Advogados Associados.

 

27

Ago

[ARTIGO] Dia do corretor de imóveis: Temos motivos para comemorar?

*Por Caio Fernandes

Hoje, 27 de agosto, é comemorado o dia do Corretor de Imóveis, profissional reconhecido por participar dos momentos mais importantes da vida de muitas pessoas. Afinal, quando alguém pensa em construir uma família, quando pensa em colocar um negócio, quando busca um local para lazer, quando uma mudança profissional impõe a ida para outra cidade, quando se imagina investir, a presença de um corretor de imóveis é algo estritamente necessário.

Certamente, a maior parte das pessoas já tiveram ou ainda terão a oportunidade de contratar os serviços de um corretor de imóveis durante a vida.

Em meio a um cenário mundial de uma crise sanitária, decorrente da pandemia do Coronavírus e, por consequência, dos impactos econômicos advindos, a grande pergunta do dia é: temos motivos para comemorar?

Em várias entrevistas realizadas durante a semana passada, lideres da construção civil, dentre eles o Presidente do SINDUSCON/RN - Sindicato da Construção Civil do Rio Grande do Norte, a Presidente do CREA/RN - Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio Grande do Norte e o representante do CAAU/RN - Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio Grande do Norte, apresentaram um diagnóstico do setor, destacando os avanços na elaboração do novo Plano Diretor de Natal e deixando claro o equilíbrio entre preservação e desenvolvimento que o projeto contempla, alertando que viveremos um excelente momento da construção civil e, por consequência, a retomada do desenvolvimento da nossa cidade.

Quem teve a oportunidade de ler, ouvir e/ou assistir algumas dessas entrevistas ou matérias, com toda a certeza captou a ideia de que o otimismo é o traço característico de todos os envolvidos.

Na data de ontem, os principais meios de comunicação da cidade também veicularam a notícia de que a Justiça, acatando pedido do Ministério Público Estadual, nos autos de uma ação civil pública, determinou a suspensão do processo de revisão do Plano Diretor de Natal.

Ainda de acordo com as notícias, o grande debate levado ao Poder Judiciário guarda relação com o fato da fase final, que antecede a remessa ao Poder Legislativo, está acontecendo por meio virtual/digital, circustância que prejudica a participação popular.

Longe da ideia de opinar a respeito do posicionamento jurídico, levando-se em conta que a palavra final caberá à justiça, como corretor de imóveis há mais de 30 anos, também obrigado pela pandemia a mudar a lógica de prestar os serviços de venda e locação de imóveis, na medida em que os meios eletrônicos tiveram que de ser rapidamente utilizados, recebo com tristeza a notícia de suspensão do andamento do processo de revisão do Plano Diretor de Natal.

É fato que a cidade de Natal e o próprio Estado do Rio Grande do Norte vêm acumulando diversas perdas nos últimos anos. Perdemos os investimentos destinados aos empreendimentos no litoral do estado, perdemos para os estados vizinhos e até mesmo para o Município de Parnamirim os investimentos na construção de empreendimentos residenciais, dadas as limitações do atual plano diretor e, recentemente, nos demos conta de que estamos perdendo a Petrobrás. 

Enfim, são perdas que viraram rotina e que, com certeza, limita o desenvolvimento da nossa cidade e do nosso estado, refletindo, por consequência, na qualidade de vida de todos.

Exatamente por isso, no dia de hoje, data em que é celebrado o Dia do Corretor de Imóveis, respondendo a pergunta inicial, temos realmente que comemorar a existência de uma profissão tão importante para o desenvolvimento de uma cidade/estado e até mesmo para a vida das pessoas. Conheço de perto a rotina de captar, apresentar, convencer e participar da celebração de diversos negócios.

No entanto, aproveito a oportunidade para dizer que o grande presente a ser dado não apenas aos Corretores de Imóveis como também à nossa cidade é a UNIÃO daqueles que possuem atribuição e responsabilidade de solucionar o impasse jurídico criado,  para que resolvam imediatamente e permitam a retomada no processo de revisão do Plano Diretor de Natal, pois não podemos perder essa grande oportunidade de fazer nossa cidade avançar. Parabéns a todos os Corretores de Imoveis...

Espero que nosso grande presente - a revisão do Plano Diretor de Natal - seja entregue ainda no ano de 2020.

Caio Fernades - Corretor de Imóveis e Sócio da Imobiliária Caio Fernandes

23

Ago

Comportamento: Equilíbrio psicológico é mais importante que competência técnica no profissional do futuro

Por Tathiane Deândhela*

A pandemia e a angústia causadas pelo incerto são um desafio que todos estamos enfrentando e que envolve instabilidade econômica, política, além da principal questão, a nossa saúde, tanto física quanto mental. Do que sinto medo? Por que não me considero produtivo? Como enfrentar as mudanças? Vou conseguir um emprego? Vou me manter nesse emprego? 

Lidar com todas essas angústias em um mundo pautado em resultados exige um domínio enorme de si mesmo e a consciência de que temos que estar prontos para essas adversidades e enfrentá-las, estando preparados para se reajustar e reiniciar.

Se os tempos são diferentes, nossa performance precisa ser alinhada, atualizada, e nossos pensamentos, precisam manter-se equilibrados.

As primeiras atitudes nesse momento devem ser de proteção mental. Quando você se protege, sua capacidade produtiva é expandida. Ao se proteger mentalmente e focar em um propósito de vida, é possível estabelecer prioridades e buscar seus objetivos.

Hoje, as mudanças são muito rápidas e não serão os melhores currículos ou cursos de especialização que o farão se destacar em meio às adversidades e exigências familiares e profissionais.

Caso você esteja com medo e preservando pensamentos negativos, recupere sua lista de conquistas e vitórias. Essa é uma ferramenta bastante usada e tem se provado extremamente eficaz, pois ajuda a ver tudo aquilo que você ganhou. Temos que focar nossa energia e pensamentos nessas conquistas, sem pressa, porque nos dias de hoje a direção importa mais que a velocidade.

Não adianta fazer, nem pensar em muitas coisas ao mesmo tempo, isso não é sinal de produtividade. Nosso cérebro pode mudar rapidamente de foco, é como estar dirigindo e mexendo no celular, a probabilidade de ocorrer um acidente é muito grande.

Estabelecer uma lista de tarefas, uma agenda de compromissos com prazos que de fato possam ser cumpridos e, principalmente, criar uma rotina que inclua um tempo para você é imprescindível nesse momento.

Acreditar em você mesmo pode ser considerado um jargão antigo e de auto-ajuda, mas nunca foi tão atual como nos dias de hoje. Ser resiliente, criativo, ousado, estar aberto a novos desafios, ser tolerante e amar a vida imaginando que sua história e sua vida valem muito é a melhor maneira de atravessar esse período tão conturbado.

*Escritora e especialista em produtividade. Escreveu os livros "Faça o tempo trabalhar para você" que está na 5ª edição e "Faça o tempo enriquecer você".

23

Ago

[ARTIGO] Como acelerar a recuperação de micro e pequenas empresas?

Por Regina Fernandes*

As micro e pequenas empresas pedem socorro há muito tempo. Desde o início da pandemia do novo coronavírus, em março deste ano, essa parcela significativa de empreendedores é a que mais sente os impactos da crise econômica. Com queda média de faturamento de 51% a nível nacional, como mostra pesquisa realizada pelo Sebrae e pela FGV (Faculdade Getúlio Vargas), boa parte delas se encontra com dívidas ou prestes a fechar. Nada do que foi feito até aqui será suficiente para atravessarmos os próximos meses.

A prorrogação dos prazos de vencimento de alguns tributos federais foi fundamental para manter o caixa no início da crise. Da mesma forma, as diversas concessões de linhas de crédito – em especial, a do Pronampe (Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte) – deram o fôlego que muitos negócios precisavam para quitar dívidas com fornecedores, adquirir insumos necessários para a atividade ou mesmo para investir em inovações que o ajudariam a adquirir novos clientes.

Porém, como já era previsto, os prazos já começaram a vencer sem nenhuma perspectiva de retomar o fluxo de caixa como antes. Apesar da reabertura do comércio e de outros serviços em boa parte do país, o apetite do consumidor não é mais o mesmo. Isso porque mais de 3 milhões de brasileiros perderam o emprego durante a pandemia, segundo o IBGE.

A renda familiar foi drasticamente reduzida e os gastos passaram a ser destinados somente ao essencial. Sem ter arroz e feijão na mesa, é impossível pensar em aplicar o dinheiro contado em qualquer outra coisa. Para quem está empregado, o clima de incertezas também esfria o consumo. A lógica de todos é poupar – afinal, não sabemos ao certo as consequências que essa crise ainda trará nos próximos anos.

Neste momento, com a volta da cobrança de impostos, fim da política de jornada reduzida com redução de salário e do financiamento do governo na folha de pagamento, as empresas não têm outra alternativa a não ser buscar por empréstimos. De acordo com o estudo do Sebrae mencionado anteriormente, a parcela de micro e pequenos empresários atrás de financiamentos cresceu de 30%, em abril, para 46%, em junho.

A ajuda do governo demorou a chegar – e quando veio, durou pouco. A linha de crédito do Pronampe esgotou em apenas um mês e mal deu para todos. A nova liberação para o programa, no valor de R$ 12 bilhões, terá de ser organizada para atender pelo menos três situações diferentes: empresários que já haviam dado entrada na documentação, mas não conseguiram o empréstimo; novas solicitações de quem ainda não havia se beneficiado pelo programa; e ainda novos pedidos de quem conseguiu o empréstimo anteriormente, mas cujo valor foi insuficiente para reavivar o negócio.

Novamente, há de se esperar que esses R$ 12 bilhões não serão o bastante e se esgotarão com facilidade. Boa parte das micro e pequenas empresas está na UTI, implorando por ajuda. Mas, uma vez com esses recursos em mãos, é preciso que os empresários saibam exatamente como aplicá-los. Sabendo que o consumo da população reduziu, deve-se ter uma boa gestão de caixa e uma relação próxima com o contador, garantindo, assim, a saúde organizacional. Também é importante negociar com bancos e fornecedores, buscando as melhores oportunidades para quitar as dívidas.

Por fim, sabendo da dificuldade de o governo oferecer novas liberações de crédito, as empresas precisam pensar em maneiras de se tornarem mais independentes. Reduzir custos, buscar inovações e criar parcerias comerciais estratégicas são algumas medidas com poder de dar sobrevida aos negócios.

Infelizmente, sem saber onde essa crise irá nos levar, é difícil fazer planos, mas uma coisa é fato: será impossível vencer fazendo mais do mesmo. Precisamos fortalecer as novas ideias e criar novos caminhos para comercializar. Entender o que o cliente espera de você é fundamental para adaptar suas ofertas.

Procure buscar sobre inovação, seja para aplicar esses conceitos em produtos, serviços ou mesmo no seu modelo de negócio. Certamente, refletir sobre a sua atividade irá ajudá-lo a entender melhor esse momento e como se sobressair. Com essa atitude, será possível acelerar a recuperação da sua empresa!

*Perita contábil, trainer em gestão, mentora e responsável técnica da Capital Social, escritório de contabilidade com 10 anos de atuação que tem como objetivo facilitar o dia a dia do empreendedor. Localizado na cidade de São Paulo, atende PME´s do Brasil inteiro por meio de uma metodologia de contabilidade consultiva, efetiva e digital.

22

Ago

[ARTIGO] Judiciário se prepara para evitar falências no Brasil

Por Mário Conforti*

Desde o início da pandemia, mais de 522 mil empresas fecharam as portas definitivamente, segundo o IBGE. Além do forte impacto social - como as famílias que perderam essas fontes de renda, especialmente as que se encontram em maior situação de vulnerabilidade - o fim de um negócio representa, muitas vezes, a permanência de dívidas e pendências contratuais e tributárias.

Mesmo com a retomada das atividades, é fato que boa parte das empresas continuará sentindo uma queda no faturamento, uma vez que ainda há recomendação de isolamento social. Com menos dinheiro em caixa, demissões podem se tornar inevitáveis, agravando ainda mais a crise econômica em que o país se encontra.

Prevendo o aumento de processos de recuperação judicial e falência de empresas, o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) aprovou novas regras para estimular a conciliação entre os envolvidos, como a padronização de relatórios e mediação de conflitos feita por tribunais, nos moldes dos procedimentos realizados no Cejusc (Centro Judiciário de Solução de Conflitos).

As medidas são importantes, mas com certeza não serão suficientes. Se o estímulo à conciliação fosse realmente eficaz, não teríamos tantas ações judiciais no país. O acordo via conciliação não é obrigatório, então, vai depender da disposição das partes em resolver a disputa de forma amigável – o que, como sabemos, nem sempre acontece.

Falência - E, afinal, como se dá um processo de falência? Na maioria das vezes, a falência é requerida quando a empresa deixa de pagar, sem razão relevante, dívida protestada pelo credor e que ultrapassa o valor de 40 salários mínimos, ou é decretada pelo juiz quando não cumpre o plano de recuperação judicial. Em ambos os casos, não é preciso provar a insolvência da empresa, ou seja, o estado de insolvência é presumido. Nesse sentido, o devedor que tem a falência requerida pelo credor pode afastar o risco de ter a quebra decretada se efetuar o pagamento da dívida (depósito elisivo).

No entanto, a Lei de Falências prevê a possibilidade de se requerer a decretação da falência quando o devedor adota determinadas ações, como, por exemplo, a liquidação do seu ativo, simula negócios jurídicos visando retardar ou fraudar os credores, assume obrigações e concede garantias que os deixe sem bens suficientes para fazer frente às dívidas, etc. Nessa situação, cabe ao credor, ao requerer a falência, provar que o devedor adotou qualquer das ações previstas na Lei e que podem levar à falência da empresa.

Antes de se chegar ao estado de insolvência que leva à falência, a empresa tem a possibilidade de buscar a equalização das suas dívidas, com exceção das fiscais, por meio de recuperação judicial ou extrajudicial. É nessa etapa que agiriam as novas regras estabelecidas pelo CNJ.

Logo após a decretação da falência, a empresa para de funcionar. Todas as dívidas vencem antecipadamente, os administradores deixam de representar a sociedade, que passa a ser gerida pelo Administrador Judicial nomeado pelo juiz da falência e a empresa não pode dispor dos seus bens, ou seja, não poderá dá-los em garantia, transferi-los ou vendê-los.

O Administrador Judicial nomeado pelo juiz da falência levantará os ativos e o passivo da empresa; os créditos serão classificados na forma da lei (trabalhistas, com garantia real, tributário, com privilégio especial, com privilégio geral, quirografário, multas contratuais, administrativas e/ou tributárias e os créditos subordinados); ao final, havendo ativo, os bens serão alienados e o saldo arrecadado pela massa falida será rateado entre os credores obedecida a ordem legal.

Vale lembrar que a falência só se aplica às sociedades empresárias, ou seja, aquelas definidas pelo Código Civil como sendo as empresas que exercem atividade econômica organizada para a produção ou circulação de bens ou de serviços. Ou seja, a falência não se aplica às empresas que exercem atividades de natureza científica, literária ou artística. Portanto, sociedade de médicos, advogados, arquitetos, por exemplo, não podem ter sua falência decretada.

Além disso, a própria Lei de Falências exclui da sua aplicação as empresas públicas (Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, por exemplo), sociedades de economia mista (Petrobras, por exemplo) e a instituição financeira pública ou privada, cooperativa de crédito, consórcio, entidade de previdência complementar, sociedade operadora de plano de assistência à saúde, sociedade seguradora, sociedade de capitalização e outras entidades legalmente equiparadas às anteriores.

Sabendo que o inevitável se aproxima, caberá aos órgãos de Justiça agir pela mediação de conflitos e ao Governo Federal possibilitar que as empresas encontrem soluções para que possam sobreviver, como ampliar linhas e programas de crédito. O momento pede socorro e muita gestão do negócio, levando em consideração as áreas jurídica, fiscal, financeira e tributária. Organizar a casa desde já pode garantir um 2021 menos turbulento – inclusive para o Judiciário.

*Advogado e líder da área cível do escritório Marcos Martins Advogados.

11

Ago

Comportamento: o tipo de máscara revela o perfil do consumidor brasileiro?

Por Stella Kochen Susskind*

Em um mundo anterior à pandemia, quando o cliente entrava em um estabelecimento comercial, atendentes mais atentos e experientes seriam capazes de fazer uma leitura rápida do perfil desse consumidor. De objetivos a indecisos, passando pelos que estão sempre em busca de produtos singulares, essa identificação do comportamental sempre foi essencial para proporcionar uma experiência de compra alinhada à expectativa de cada comprador. Em um cenário no qual as máscaras que protegem também escondem intenções e desejos de consumo, como lidar com essa nova realidade? O sorriso – parte do atendimento acolhedor tão valorizado pelo brasileiro – está comprometido, mas será que o relacionamento de compra e venda ainda pode ser salvo? Acredito que sim.

Há mais de três décadas atuo com pesquisas conduzidas por clientes ocultos. Com eles, aprendi que a expectativa de compra, sempre está condicionada à personalidade do consumidor. Ou seja, a forma de comprar é uma extensão da personalidade do comprador. Hoje, não conseguimos sequer nos nortear pelo estilo de roupa, já que estamos todos de moletom! Nessa perspectiva e diante da impossibilidade de ler a expressão do cliente e identificar o perfil de consumo dele, penso que temos uma outra forma de leitura. A máscara, que se tornou o símbolo da pandemia e que se correlaciona com os sentimentos que temos nesse momento. Tenho visto que a escolha da máscara facial que nos protege da covid-19 aponta a “identidade secreta” desse consumidor. Nesse exercício de revelar e classificar o humano por trás da máscara, tracei cinco tipos de clientes que mostram o aspiracional de personalidade.

Perfil #1 | Muito preocupado

Esse consumidor estará usando uma máscara de tecido branca ou de cor clara; por cima dessa, uma segunda proteção acrílica transparente ou a máscara profissional N95. A leitura que temos é de uma grande preocupação em se contaminar ou contaminar alguém. Essa pessoa tanto pode ser um trabalhador da área da saúde, como uma pessoa que está muito assustada com a possibilidade de contrair o vírus. Sair de casa para fazer uma compra é um exercício complexo para esse consumidor, portanto, cada minuto é precioso no atendimento.

Dica. O atendente tem que ser bastante objetivo; optar por um cumprimento simples (bom dia, boa tarde, olá); e ir direto ao ponto. Não procure fazer vendas casadas distantes do produto que esse cliente pediu ou iniciar conversas sobre a pandemia. A expectativa desse cliente é sair do estabelecimento o mais rápido possível para não se expor tempo demais a um vírus mortal – e a boa experiência de compra dele depende dessa capacidade da equipe da loja.

Perfil #2 | Engajado

Esse consumidor opta por uma máscara associada a alguma campanha ou mobilização. Produzida por alguma comunidade específica; comprada para auxiliar alguma causa socioambiental, a máscara representa a sua adesão a algo maior; à resistência humana a um vírus. Claro que esse consumidor está atento e engajado em cumprir todas as normas de segurança, mas ele está preocupado em auxiliar a retomada da economia. Voltar a comprar de maneira presencial é a forma de mostrar esse compromisso com a vida, a economia e a humanidade.

Dica. O atendente deve passar otimismo na voz, já na hora do cumprimento. É importante mostrar que a loja está atenta a todas as normas sanitárias e pronta para oferecer a maior segurança possível para que a experiência de compra seja segura. Se a loja tiver algum produto ou campanha social é muito importante que o vendedor fale sobre a iniciativa, de maneira rápida e assertiva. Esse cliente está aberto para uma venda adicional, desde que faça sentido – que seja mais do que a aquisição de um produto, mas que seja um item que dialogue com o momento.

 Perfil #3 | Desencanado

Esse consumidor opta pelas máscaras de tecido com temas fofos ou divertidos ou neutros (bege, branca). Ele está informado sobre o risco e – por uma demanda social e por acreditar na lógica por trás da orientação de uso –, está usando a máscara. O que isso significa? Esse consumidor não quer que uma máscara defina um estado de espírito abalado e amedrontado. Ele quer dizer ao mundo que está tranquilo; consciente e à altura do desafio que enfrentamos. Está muito interessado em retomar, na medida do possível, uma rotina anterior à pandemia; acredita na transitoriedade da situação. As compras não terão tanta ligação com os itens mais comprados na fase de distanciamento social; ele está propenso a comprar itens de moda, por exemplo. Vai reagir bem à oferta de um item adicional – que não tenha necessariamente nada a ver com a compra principal – e topa uma conversa descontraída enquanto compra.

Dica. Não direcione o assunto para o medo da covid-19 ou questionamentos sobre a vacina. Fale sobre o produto, pergunte sobre cores e modelos. O vendedor tem que estar sensível ao estado de espírito do desencanado. Para ele, sair de casa e comprar é retomar a vida que tinha. É essa experiência que ele espera ter.

Perfil #4 | Poderosa

Essa consumidora – sim, elas são a maioria desse perfil – opta por olhos bem marcados; milimetricamente maquiados e ressaltados com sombras e esfumaçado. Estará com uma máscara de grife, ostentando uma marca e mostrando sedução no olhar e no gestual. Embora sejam facilmente encontradas em lojas de luxo, esse perfil não está atrelado à classe social, mas ao comportamento resistente e sedutor. Aceitam que têm que usar a máscara para a dupla proteção – proteger a si e aos outros –, mas adota essa prática de maneira fashion e personalizada. Ou seja, não quer que a máscara esconda a sua forma de enfrentar a vida.

Dica. Elogie a máscara ou o olhar – claro, se for genuíno – antes de qualquer coisa. A proposta é mostrar que você percebe a pessoa que está por trás da máscara; que esse consumidor conseguiu expressar a sua individualidade em cada detalhe. Não tenha pressa, nem force um atendimento descuidado, rápido. Dê a esse consumidor o tempo que ele precisa, porque essa pessoa está profundamente interessada em ter uma experiência de compra – não apenas comprar um item.

Perfil #5 | Negacionista

Esse consumidor estará com a máscara no queixo ou pendurada no bolso. Quer dizer ao mundo que não é vulnerável e que não está com medo do vírus. Então, o lojista ou gerente – preferencialmente, aliás – tem que ser muito firme e solicitar a colocação da máscara. É bem possível que esse cliente se negue. Então, é a sua vez de entender que nem todas as vendas podem ser feitas. Mas, que todas as vidas devem ser preservadas.

Dica: Peça, delicadamente, que esse possível cliente saia da loja.

Uma última dica que dou aos vendedores e gerentes é que pensem no espaço da loja como um ambiente que precisa passar segurança e harmonia. Então, não basta adotar as diretrizes sanitárias previstas por lei, precisamos mostrá-las. Faça com que essas normas e equipamentos sejam visíveis; que haja organização e beleza no ambiente. Flores e pequenas delicadezas que tornem a loja acolhedora. Uma excelente experiência de compra, hoje, depende de pequenos detalhes que fazem grandes diferenças. 

*Pioneira na América Latina na metodologia de pesquisa mystery shopping(cliente secreto), Stella é considerada uma das mais importantes experts da temática no mundo. Autora do livro Cliente Secreto, a metodologia que revolucionou o atendimento ao consumidor (Primavera Editorial), a especialista é palestrante internacional, tendo ministrado palestras em Barcelona, Estocolmo, Amsterdã, Londres, Atenas, San Diego, Chicago, Las Vegas, Malta, Belgrado, Algarve, Split e Buenos Aires. Empreendedora desde a década de 1980, fundou em 2019 a SKS CX Customer Experience Consultancy; a consultoria é focada em experiência e satisfação do consumidor.

8

Ago

[ARTIGO] Nome limpo ajuda brasileiro a respirar nessa pandemia

*Por Dilson Sá

Não há no Brasil ou no mundo pessoa que goste de ter dívidas. Ninguém quer se endividar. Mas algumas são necessárias e fazemos porque precisamos ampliar o negócio, investir em máquinas, equipamentos. Outras, para pagar tratamentos hospitalares, comprar um carro maior e que acomode o aumento da família ou mesmo para apostar em uma roupa bacana para uma entrevista de emprego. São infinitos os motivos que levam as pessoas, e me incluo nessa categoria, a se endividarem. Seja no cartão de crédito, boleto, cheque especial, ter uma dívida é sempre um desconforto. Pior, claro, quando não conseguimos arcar com o compromisso.

Começa então aquele festival de ligações de cobrança. Uma atrás da outra, a qualquer hora do dia e da semana. Um movimento invasivo, agressivo e que intimida o consumidor. A vida do inadimplente vira um inferno. Não bastasse a pressão interna, a cobrança pessoal para dar conta de todos os boletos, tem sempre aquele telemarketing ameaçando sujar o nome do consumidor. E os credores sujam. O que já era ruim, fica pior. O crédito some e a solução fica mais distante a cada dia. 

Durante a pandemia da Covid-19, percebemos que muitos consumidores correram para conseguir limpar o nome ou porque acharam que estar com o “CPF Regularizado” era estar com as contas em dia para receber o auxílio emergencial, ou são pessoas que, de uma forma ou de outra, já sentiram na pele que ter o nome limpo melhora a oferta de crédito. Além, claro, de trazer benefícios como redução de problemas familiares e um sono mais tranquilo. A saúde agradece.

Só para ilustrar, segundo dados de uma empresa de renegociação de dívidas, entre dia 16 de março e 15 de junho foram fechados 924.640 acordos totalizando mais de R$ 319 milhões e mais de R$ 382,8 bilhões em descontos. Benefício para os endividados e também para credores. Dinheiro que volta a circular. Importante notar que, mais de 50% dessas dívidas tinham valores que variavam de R$ 50 a R$ 250 e muitas destas pessoas nem sabiam que estavam com o nome sujo.

Uma pesquisa realizada em maio com um pouco mais de 4.900 pessoas, apontou que 42,6% achavam que não conseguiriam pagar suas dívidas durante a pandemia. Um percentual alto e que demonstra um descrédito e desânimo com a recuperação da economia no curto, médio e longo prazo. Parte dos entrevistados, 32%, disse acreditar que acesso ao cartão de crédito pode ajudar a diminuir o impacto financeiro causados pela Covid-19.

São pessoas preocupadas, realistas e com um olhar atento ao complexo cenário econômico que temos pela frente. Eles já perceberam que limpar o nome lhes dará mais acesso ao crédito e será um respiro para suas famílias. Renegociar dívidas, diminuir juros, alongar prazos até que a situação financeira volte ao normal. Estamos lado a lado nessa missão, juntos, vamos atravessar este período difícil.

Sobre a Acordo Certo:

Acordo Certo é uma fintech de soluções voltadas para o bem-estar financeiro dos consumidores, possibilitando a renegociação de dívidas de forma 100% online, com uma abordagem humana, acolhedora e  empática. Fundada em 2013, possui mais de 30 empresas parceiras, entre elas varejistas, bancos, financeiras, empresas de telefonia e grupos educacionais, como Santander, Itaú, Porto Seguro, Claro entre outros. Conta com uma base com mais de 10 milhões de usuários cadastrados e mais de 3 milhões de acordos fechados pela plataforma. Com um time de mais de 50 Acorders (apelido carinhoso dado aos colaboradores), a empresa já passou por programas de aceleração como Escale Up da Edeavor, QuintessaboostLAB do BTG Pactual, além de conquistar o selo GovTech da Brazil LAB.

Por Dilson Sá é CEO da Acordo Certo

1

Ago

[ARTIGO] 10 erros que você não deve cometer no marketing digital B2B

Por Ricardo Martins 

Sabemos o quanto o marketing digital é fundamental em um negócio. Imagine, então, em tempos de crise. Agora precisamos avaliar os cenários, ter prioridades e identificar oportunidades.

Lembre-se: o primeiro passo é identificar o que não deu certo mesmo antes da crise. Aprimorar as estratégias é fundamental. É preciso conhecimento e crítica para abandonar modelos que não foram eficientes.

A empresa deve agir de maneira planejada e eficiente. Um equívoco pode proporcionar estragos financeiros e manchar a reputação de uma marca. Pensando nisso, listei 10 erros que você não deve cometer no marketing digital B2B.

1 - Esse erro está em primeiro lugar e não é à toa. Tudo começa com o investimento. É onde sua empresa se embasa. Antes de começar a pensar nas estratégias, é preciso analisar como foi aplicado o dinheiro e qual o retorno conquistado em cada estratégia. Depois desta análise, vamos ao erro mais comum: insistir em investir no que não traz resultado. Esqueça! Se não está dando certo, mude seus investimentos e estratégias. Não fique preso no que está dando errado.

2 - Se seu conteúdo não engaja com seu público, não adianta manter a abordagem. Diversifique e busque encontrar o melhor modelo para sua empresa. É necessário manter um conteúdo ativo, mas se ele não funciona, não está ajudando seu negócio a alcançar bons resultados. Existem muitas possibilidades e formatos diferentes, um deles vai ajudar a alavancar sua marca.

3 - Se no ano que passou sua empresa não investiu em estratégias a longo prazo, este erro pode ser caro agora. As campanhas de ativação são muito importantes, mas não mantém uma saúde financeira. É preciso parar de insistir nesse erro e já adicionar estratégias no seu plano.

4 - Se sua empresa ainda não está construindo uma presença nas redes sociais, está cometendo um grande erro. Mesmo para o mercado B2B, as empresas estão cada vez mais envolvidas com Facebook, Instagram, LinkedIn e Pinterest. Comece a usá-las e veja em qual o seu público-alvo está mais ativo e procurando por suas soluções. As pessoas estão cada vez mais conectadas e no B2B não é diferente. Construa seu diferencial pela rede social.

5 - Grande parte das empresas acredita que seu site está ótimo e que não precisa ser atualizado. Isso pode até ser verdade, mas estamos evoluindo para a versão mobile. Se seu site não está otimizado para uma versão mobile first, é possível que você esteja perdendo negócios. Portanto, mesmo para o mercado B2B, não deixe de atualizar sua plataforma. Ela será seu cartão de visita na internet.

6 - Não usar anúncios no Google, Facebook e LinkedIn é um erro que muitas empresas no mercado B2B cometem por achar que não trarão resultados. Mas da mesma forma que é preciso construir uma presença orgânica, estar nas plataformas com anúncios é importante para alcançar quem não conhece sua marca. Portanto, se você não usa a publicidade digital, comece a fazer um pouco em cada plataforma e veja qual a melhor para sua empresa.

 7 - Ignorar comentários e feedbacks nos canais digitais é um erro que não atrapalha apenas a sua reputação, como também prejudica outros setores da empresa. Seu público é quem pode falar melhor sobre seus produtos ou serviços. Então, não ignore as mensagens. Se fizer, você está ignorando seu potencial de crescimento. Por isso, ouça mais e busque sempre ajudá-los a sanar as dúvidas e resolver os problemas.

8 - Não seja repetitivo nas redes sociais! Cada canal tem suas características e particularidades, por isso usar o mesmo conteúdo em todas as redes podem afastar o seu público ao invés de aproximá-lo. Aprenda mais sobre os seus canais e saiba usá-los ao seu favor.

9 - Não estabelecer metas parece simples, mas muitas empresas não as traçam para suas estratégias, e assim não tem como se apoiar nos números para saber o que está dando certo e o que não está. É possível montar as estratégias sem ter metas, mas é como um barco sem rumo, você pode até chegar a algum lugar, mas pode ser em um local onde não queira estar.

10 - Não procurar especialistas para ajudar a sua empresa é um erro e pode ser o que faz com que sua marca cometa todos os outros citados. Sem ajuda para organizar e montar suas estratégias, é mais fácil errar. Sempre busque por quem entende do mercado B2B e que é parceiro de grandes empresas do mercado. Assim fica mais difícil sua empresa ficar em apuros em algum momento.


Ricardo Martins - CEO e principal estrategista da TRIWI
Especialista em marketing digital, é graduado em Marketing pela Escola Superior Cândido Mendes, no Rio de Janeiro, e concluiu Master em Marketing pela ESPM, em São Paulo. Durante os 20 anos de trajetória na área, atuou em companhias que se destacam no mercado, como Polishop, XP Investimentos, TOTVS e CNA Idiomas. Como consultor, atendeu organizações em diversos segmentos, incluindo Lupo, BM&FBOVESPA e Multilaser.

28

Jul

[ARTIGO] Por que as marcas estão indo para o TikTok?

Por Thaís Monteiro*

“Roi…, anunciantes né?” Se esse bordão não chegou aos seus ouvidos — ou à sua timeline — isso significa que você não está a par do que acontece no TikTok, aplicativo chinês de vídeos curtos. O “roi” com seguido de um nome feminino é uma abordagem de Mário Júnior, influencer no TikTok, que virou meme e fez sucesso em diversas plataformas com seus vídeos no estilo POV (“point of view”) em que fala com a câmera coisas ele acredita que garotas de sua idade (20 anos) gostariam de ouvir. Depois de estourar em meados de junho, Mário Júnior estreou uma ação publicitária para Leite Moça. Ele é um dentre milhares de exemplos de TikTokers que ganharam repercurssão para além da rede social e, assim, atestaram o potencial de viralização do ambiente dominado, em sua maioria, pela geração Z e millennials.

No entanto, não são só os criadores de conteúdo que estão na mira das marcas. Na última semana de junho, o aplicativo da chinesa Bytedance anunciou o TikTok for Business, uma plataforma cujo objetivo é auxiliar agências e anunciantes a produzir e gerenciar publicidade na rede com cinco modalidades de inserção de marca: Top View, anúncio exibido quando o usuário inicia o aplicativo; Brand Takeovers, publicidade em vídeo ou imagem de 3 a 5 segundos; Feed Videos, vídeos de até um minuto inseridos no feed de publicação; Hashtag Challenges, que permite que as marcas criem desafios para os usuários; e o Branded Effects efeitos criados pelas marcas em 2D, 3D e, agora, também em realidade aumentada, que podem ser usados pelo público em seus vídeos.

Por enquanto, o TikTok for Business não está disponível no mercado brasileiro e a empresa afirma que não tem ainda mais detalhes para compartilhar no momento. No entanto, a criação de um ambiente propício aos anunciantes é um grande passo para a consolidação da plataforma como mídia. Até mais recentemente, o TikTok não comercializava formatos publicitários, o que dificultava a relação com marcas interessadas em anunciar na plataforma. A partir do início deste ano, algumas marcas começaram a comunicar parcerias com a rede para a criação de perfis, lançamento de desafios para os usuários replicarem e parcerias com criadores de conteúdo nativos da rede.

Conforme Rodrigo Barbosa, community manager do TikTok no Brasil, explicou naquele momento, cada acordo firmado entre marca e plataforma é personalizado para cada parceiro. A equipe da rede oferece curadoria para ensinar o tipo de conteúdo e linguagem que melhor funcionam e incentiva o anunciante a criar challenges, incentivar a criatividade do usuário e interagir com os criadores de conteúdo. Para os parceiros de conteúdo, a empresa diz que oferece suporte, treinamento e dicas sobre o que funciona melhor na plataforma.

“Anteriormente, a falta de estrutura local para atendimento e criação de campanhas acabava por deixar o canal de lado dentro dos pensamentos estratégicos de mídia e conteúdo. A ausência de suporte local para resoluções de problemas, tirada de dúvida e suporte em ativações e ações poderia tornar o processo mais demorado, dispendioso e pouco atrativo. Com a implementação e facilidade prometida de anunciar no canal, começa-se a ver com maior facilidade a consideração no ponto de vista de agilidade e otimização necessárias em uma operação de mídia”, opina Arnold Oliveira, head of Ombudsman and Insights da Peppery.

De acordo com Rodrigo Barbosa, atualmente o TikTok se concentra em continuar a criar a melhor experiência de plataforma possível para seus usuários, com novos recursos divertidos e emocionantes, a fim de manter a nossa comunidade motivada a criar e compartilhar conteúdo da maneira mais criativa possível. O executivo destaca que a plataforma está empolgada com a resposta e tendência contínua de crescimento no Brasil, que representa um mercado importante para a empresa. “À medida que nossa comunidade de usuários continua aumentando, buscamos fortalecer nossa presença local, apoiar nosso crescimento e promover a incrível criatividade da comunidade TikTok brasileira”, afirma.

Histórico
Apesar da alavancada nos últimos meses, o TikTok está no mercado desde 2016. Em 2017, a Bytedance adquiriu outro aplicativo semelhante que já era popular no Brasil: o Musical.ly, e assim unificou algumas funções e base de usuários em 2018. O interesse maior das marcas em se fazerem presentes no aplicativo ganhou força e, 2019, quando criadores de conteúdo de outras plataformas começaram a embarcar com mais peso na rede social. Suas atualizações foram chamando mais atenção e os vídeos virais dentro do app começaram a ser compartilhados em outras redes sociais, principalmente no Twitter, e as coreografias e dublagens no Instagram, YouTube e WhatsApp.

Para Andreza Aguiar, diretora de conteúdo da Leo Burnett Tailor Made, além de já começar com uma base grande do Musical.ly, o TikTok se destacou por sua usabilidade fácil, o foco no público jovem e o tipo de conteúdo: entretenimento com ênfase em música. Foi o brasileiro que deu o toque de humor que hoje caracteriza a plataforma no País, diz Oliveira: “O sucesso e crescimento do TikTok não se dá apenas pela tecnologia oferecida, mas com a criatividade e habilidade do brasileiro em fazer meme com tudo. Parece que o TikTok era o que faltava para firmar essa característica própria local, tanto que parte dos vídeos mais compartilhados são exatamente os que retratam memes (áudios) já conhecidos do público”.

As medidas de isolamento social impostas pela pandemia do novo coronavírus contribuíram para o crescimento da plataforma, tendo em vista que a relação do público com o tempo e a sua necessidade de contato e interação foi alterada — e isso trouxe mais pessoas À plataforma, criando conteúdo e dedicando parte do seu tempo à interface customizada com base em algoritmos do TikTok. Dessa forma, na opinião da executiva da Leo Burnett, a pandemia fez com que as marcas olhassem mais para o digital. “Quem já fazia um trabalho consistente pensou em como ampliá-lo e quem ainda era tímido entendeu que, no meio da pandemia, as redes sociais são uma ótima opção para continuar falando com o seu target e aprofundar o relacionamento”, descreve.

O estilo caseiro e amador da plataforma também se mostrou útil para usuários e marcas durante a pandemia, porque não dependem de muita produção para se fazer presente nela. “O TikTok é uma plataforma que depende 100% de creators e eles não precisam sair de casa para criar conteúdo que seja relevante para a sua audiência e para o público que as marcas querem alcançar. Dessa forma, marcas que queiram estar no TikTok não dependem de grandes produtoras e produções externas para criar conteúdo, só precisam de uma estratégia de conteúdo e influência que seja eficaz para seu objetivo”, diz Roberta Barreto, diretora de mídia da W3haus de São Paulo.

“Mais do que nunca, as famílias estão recorrendo a plataformas online como o TikTok para se manterem entretidas, informadas e conectadas. Isso já vinha acontecendo antes da Covid-19, mas se intensificou desde o início da pandemia, com as famílias expressando sua criatividade, compartilhando suas histórias. O TikTok é uma plataforma positiva e inclusiva que promove um forte senso de comunidade e pertencimento, onde todos são incentivados a serem autênticos. Nesse período de isolamento social, onde as pessoas estão mais em casa, elas precisam mais de diversão, e é isso que elas conseguem assistindo e postando vídeos no TikTok”, justifica Rodrigo Barbosa.

Dublagem dos anunciantes
Marcas de diferentes segmentos já se encontram presentes na plataforma, como Corinthians, NBB Caixa, Guaraná Antárctica, Amaro, Vivo e Kit Kat. Na opinião da executiva da Leo Burnett, o TikTok é estratégico para marcas que falam com o público jovem e utilizam o humor, música e entretenimento para criar conexões e o anunciante pode fazê-la em seu perfil ou usando influenciadores.

Um case recente da W3haus é a entrada do Santander na plataforma, inicialmente para conversar diretamente com o jovem. Para isso, são comunicados planos para o futuro, bolsas de estudo e finanças pessoais, com engajamento orgânico e cocriação com criadores consagrados na plataforma e com os usuários. Hoje a agência já percebe que o público do TikTok está mais diverso, incluindo outras gerações e profissionais de diferentes áreas de atuação, o que permite mais diversidade de temas para as marcas abordarem. “O TikTok é uma plataforma interessante para as marcas se aproximarem de públicos mais jovens ou entrarem em um ambiente naturalmente mais descontraído. É uma plataforma, essencialmente, de entretenimento, podendo divertir, mas também chamar atenção para causas ou temas mais sérios de maneira leve”, justifica Barreto.

Atualmente, a Peppery trabalha ações do Palmeiras, que vai estrear na plataforma a convite do aplicativo chinês. De acordo com Arnold Oliveira, a agência está estudando essa entrada com muita atenção por saber que é uma rede diferentes das demais tanto na forma como opera quanto olhando para o demográfico, que é formado por usuários mais jovens. A ideia é trazer o público mais próximo do clube. A agência e time quer trazer conteúdo extra com mascotes do clube, os jogadores e viagens com os recursos de edição e efeitos especiais próprios do TikTok, indo além da cobertura de treinamento e conteúdo factual que o público já conhece. “As pessoas seguem seu time do coração não apenas para demonstrar seu apoio e amor irrestrito, mas também para estarem mais próximos dele. Então, é sobre contar histórias mas se aproveitando dos recursos nativos do app e engajando os usuários que estão habituados com aquele formato de conteúdo”, conta.

Transição mais longa
O fato de a plataforma ter recursos originais próprios e tendências dos usuários que fazem sentido no próprio ecossistema do TikTok deve ser um ponto de atenção, aponta o executivo da Peppery. Segundo Oliveira, pensar o TikTok como mais um canal de divulgação é um tiro no pé, pois as pessoas exigem conteúdo pensado no formato que estão acostumadas: vídeos curtos, editados com fundo verde, áudios famosos e música, tutoriais e efeitos de realidade aumentada. Ele ainda ressalta a importância das marcas colocarem um rosto ou identificação à comunicação. “Em um canal onde as pessoas são o centro do conteúdo – tudo o que é compartilhado tem o rosto, a voz e a expressão facial de alguém, como uma marca sem rosto pode se apropriar do movimento e engajar as pessoas?”, questiona.

Roberta Barreto, da W3haus de São Paulo, aponta que a migração dos investimentos publicitários para o TikTok ainda pode demorar a decolar até as marcas aprenderem e adquirirem mais segurança para se apropriar da rede. Ela questiona ainda que tipos de dados e orientações estarão disponíveis na plataforma para agências e marcas, além das políticas de segurança e contra discurso de ódio. “ Ainda não é sabido a quais dados os anunciantes terão acessos na versão for Business para análise de desempenho da campanha e entendimento do comportamento de seu público. Terá métricas similares a outras plataformas do mercado? Ela permitirá ser auditada por terceiros? Teremos possibilidades de instalação de pixel? São algumas das dúvidas que ficam. Além disso, não sabemos as políticas da plataforma sobre conteúdos que podem ser antidemocráticos, motivo pelo qual outras plataformas vêm sofrendo pressão de anunciantes”, pontua.

*Disponível em: https://www.meioemensagem.com.br/home/midia/2020/07/28/por-que-as-marcas-estao-indo-para-o-tiktok.html

26

Jul

[ARTIGO] Como será o profissional pós pandemia?

*Por Tathiane Deândhela

Vivemos em um tempo de mudanças bruscas na relação com as pessoas, na relação profissional, familiar, ambiental, enfim, estamos mudando radicalmente conceitos pré-estabelecidos por décadas.

Essas mudanças nos fazem enxergar sobre outra ótica os planejamentos para o futuro. Como será o novo perfil profissional nas empresas? Começaremos a trabalhar sem conhecer fisicamente as instalações do empregador, que podem até não existir mais, e consequentemente nem conhecer pessoalmente a equipe de trabalho? Teremos que ser auto gerenciáveis, controlar nossas ações, nossos resultados e principalmente nosso tempo?

Adaptar-se é o primeiro ponto a ser destacado. Trabalhando em casa, tendo por perto diversas obrigações e distrações, como filhos, família, televisão, atrativos, interrupções, cama, geladeira, etc., como manter o foco e ainda assim ser produtivo?

Objetivos claros, flexibilidade e metas precisam estar na lista de prioridades. Imaginar que vamos trabalhar como se estivéssemos no ambiente de trabalho físico, porém em casa, exige estabelecimento de horários, roupas de trabalho adequadas e ambientes calmos e funcionais para manter a concentração, já que a rotina em casa pode interferir na produtividade.

Portanto, temos que prevenir desgastes emocionais e físicos, planejando ações imediatas, ou seja, vivendo o presente. Não adianta sofrer pelo que não existe. Não é mais plausível criar um planejamento detalhado, a longo prazo, porque as chances de seus planos se tornarem ultrapassados em quinze dias serão enormes. Para se tornar produtivo, o novo profissional deve focar no que interessa para empresa agora. Se focar no problema, ele se tornará maior; se focar na solução, várias possibilidades criativas surgirão. Essa forma de pensar e agir é libertadora!

Outro ponto que destaco é a resiliência. É fundamental ter resiliência. Mesmo sem encontrar respostas para alguns problemas, temos que encontrar soluções imediatas e mesmo que não as encontremos imediatamente, precisamos agir, compartilhar, amadurecer e exercitar a criatividade.

O profissional passa a exercer sua função na linha de frente, muitas vezes com contato direto e frequente com o cliente. Por isso, deve levar aos seus superiores mais de uma possibilidade de ação, com clareza de atitudes e habilidades comportamentais, sem medo de expor seus pensamentos e com resultados satisfatórios.

Adaptabilidade, resiliência, calma e foco passam a ser naturais nesse perfil e geram mais entusiasmo e criatividade, melhorando a eficiência e a qualidade da entrega e da performance.

Ser produtivo não é apenas alcançar bons resultados, mas também ter comunicação, colaboração, empatia, abundância e otimismo. Produtividade representa liberdade, definindo os rumos de nossas vidas e negociando o melhor para nós e para os outros.

*Tathiane Deândhela é escritora e  palestrante. É autora do best seller Faça o tempo trabalhar para você, 5ª edição e Faça o tempo enriquecer você, lançado em 2020.

26

Jul

[ARTIGO] Cinco recursos indispensáveis para inovar

*Por Alexandre Pierro

Inovação é o tema do momento. Empresas de todos os portes e segmentos já entenderam que é hora de fazer diferente. Mas, para inovar de forma focada na realização de valor, é preciso disponibilizar recursos importantes para garantir o sucesso dessa empreitada.

A ISO 56002, norma de gestão da inovação publicada em 2019 e que já tem cerca de 100 empresas certificadas em todo o mundo, aponta para a necessidade de criar estruturas de suporte para a inovação. Entre os recursos apontados, estão:

Pessoas: Embora a inovação deva acontecer em todas as esferas da empresa, é imprescindível termos pessoas totalmente focadas nas estratégias da empresa. Se a tarefa de inovar for apenas mais uma dentre tantas outras que um profissional já tem, dificilmente será possível privilegiar o tema e dar toda a atenção que ele requer. Portanto, uma estratégia de inovação que se preze, deve ter pessoas com dedicação integral.

Tempo: Assim como as pessoas, é preciso haver tempo para inovar. A empresa precisa levar em consideração que as mais promissoras iniciativas de inovação raramente são rápidas. Muitas ideias precisam ficar incubadas por um tempo e é preciso avaliar o timing certo para cada coisa. Então, é preciso fazer um bom gerenciamento do tempo para garantir que a empresa não perca oportunidades e nem que apresente soluções que as pessoas ainda não desejam.

Finanças: Inovar não custa tão caro quanto muitos pensam, mas, obviamente, é preciso destinar recursos financeiros para os projetos de inovação. A empresa precisa definir, inclusive, qual é a sua apetite ao risco. Cabe destacar que, em inovação, não se acerta sempre. Muitos erros podem acontecer até termos um grande acerto. É preciso estar preparado e, principalmente, estabelecer limites para não comprometer a saúde financeira da empresa.

Conhecimento: De nada adianta termos pessoas, tempo e dinheiro, se não tivermos conhecimento suficiente para gerar a inovação. Por isso, a empresa precisa investir constantemente na busca por conhecimentos, que podem ser advindos da participação em eventos, leituras de livros, treinamentos, cursos ou mesmo da conexão com startups e universidades. O conhecimento é o oxigênio da inovação.

Infraestrutura: Não estamos falando pura e exclusivamente de laboratórios de inovação cheios de pufs e post-its coloridos. A inovação vai muito além de tudo isso. Por infraestrutura, entende-se recursos físicos ou virtuais, que garantam o suporte necessário para que a inovação aconteça. Podem ser tecnologias, ferramentas, métodos ou processos que deem base para as iniciativas de inovação. A infraestrutura é o alicerce.

Agora que você já sabe quais são os requisitos mínimos para uma empresa inovar, comece a estruturar seus objetivos para a inovação. A sua empresa deseja atuar em novos mercados, criar novos produtos ou melhorar o que já tem? Definir onde se quer chegar é o primeiro passo no caminho para a inovação.

*Alexandre Pierro é sócio-fundador da PALAS e um dos únicos brasileiros a participar ativamente da formatação da ISO 56.002, de gestão da inovação.

23

Jul

[ARTIGO] Crise da pandemia testa poder de liderança nas empresas

*Por Hamilton Ibanes

O contexto atual exige de todos os líderes algumas características importantes, para que possam conduzir empresas e pessoas no desafio de atravessar uma crise severa e profunda. Desafios não aparecem somente em momentos de crise, mas são o combustível de avanços humanos e um agente revelador de lideranças.

Para avançar neste tema pode-se iniciar questionando: “Quem é líder?” A isto muitos responderão que líderes são os chefes! Mas, quando ainda projetos de vida no ventre materno, quem nos orientou como ajeitar-se, respirar, livrar-se do cordão umbilical no pescoço, entre outras tarefas necessárias ao desenvolvimento de nossa vida? O ato de nascer tem o impulso vital de ação à frente, de romper o status quo, de projetar o futuro, de lançar-se no desconhecido. Estes são alguns dos atributos da liderança e neste sentido todos iniciamos a viver como líderes.

Tendo isto como pano de fundo e nos transpondo para o âmbito de uma empresa, a crise pode ser definida como um momento perigoso ou difícil, com alcance para afetar processos de evolução ou continuidade, que pode ser classificada nas seguintes categorias: Familiar, Mão de Obra, Ética, de Imagem, Econômica e Política.

Como numa gestação, cabe à liderança estabelecer a direção, estimular a si mesmo e outros a agir do modo correto, fazer a coisa certa, para seguir em frente. Para possibilitar isso tem que criar, motivar e inspirar as pessoas a alcançarem a visão de futuro da empresa.

E quais são os desafios da liderança nos momentos de crise? Mais do que em situações tranquilas, o bom líder deve preocupar-se com três condições primordiais: motivação, alinhamento e realização.

A motivação, pode ser definida como propulsora para ação, e depende muito da vontade própria e do ambiente. O líder sabe que criar condições que estimulem a motivação é mais importante do que recuperar os desmotivados. Ouvir a todos, cumprimentar e ser respeitoso com as pessoas, são atos simples que impulsionam o ambiente motivador. Por outro lado, gritar, ignorar as pessoas, viver de cara amarrada, são comportamentos que tornarão o ambiente propício à desmotivação. Portanto, vale ficar atento às atitudes que promovem colaboração, empatia, autoconfiança.

Outro aspecto a considerar é o alinhamento. A frase tão usual “estamos todos na mesma página”, que tem servido para exemplificar o alinhamento entre as pessoas, pede cuidado em sua aplicação. Estamos na mesma página, mas de que livro? Estar na página 3 ou 4 - ou qual seja - em livros distintos, ou parecidos, não significa que estamos todos alinhados. A clareza de onde estamos e da nossa direção, têm que ser exaustivamente discutida, para efetivamente estarmos todos na mesma página do mesmo livro.

Finalmente, precisamos manter firme o propósito de realizar o que nos comprometemos, seja a receita oriunda das vendas, os custos e despesas planejados, bem como o resultado positivo para dar sustentação aos negócios. A realização exige foco, trabalho em equipe e persistência, para que as metas sejam atingidas.

Jamais nos esqueçamos que a liderança pode conduzir vários passageiros, como numa viagem de carro, mas para liderar pessoas precisamos, antes de tudo, saber dirigir nosso próprio veículo pela estrada da vida.

*Hamilton Ibanes é consultor da MESA Corporate Governance

21

Jul

[ARTIGO] Medicina digital e segurança da informação

*Por Carlos Roberto Fortner

Saúde digital, medicina digital, telessaúde, teleconsulta, atendimento virtual, cibermedicina, teleatendimento, telediagnóstico, e-saúde... Não são mais apenas palavras que um dia projetaram o futuro em um mundo remoto, tema de algum seriado de ficção científica. Hoje são definições incorporadas ao vocabulário da mídia, às práticas diárias dos profissionais de saúde e à rotina de cada vez mais pacientes.

São conceitos que equivalem a uma verdadeira revolução nos hábitos seculares no campo da medicina e representam um desafio para a gestão de operadoras de saúde, hospitais públicos e privados, clínicas e consultórios e para as políticas públicas. Quebram-se paradigmas, rompem-se barreiras, derrubam-se muros.

Se tamanha transformação na área médica já interfere no currículo das universidades, estimulando a discussão sobre a gestão da informação em saúde, por outro lado, também acende o alerta a respeito da segurança da informação no atendimento médico ou farmacêutico, e mais, quanto à própria privacidade dos dados de prontuários e sigilo de diagnósticos.

Enquanto isso, a telemedicina evolui a passos largos em um cenário de intenso tráfego e processamento de informações digitais em absolutamente todas as áreas, inclusive, como resultado do momento atual em que o mundo vive e se reinventa. Quanto maior o fluxo de informações no ambiente virtual, maior é a necessidade de garantir um ambiente seguro e confiável para o tratamento de todo o processo. Informação é documento e memória, e demanda preservação, especialmente no ambiente virtual.

O Brasil tem hoje, segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar - ANS, 739 operadoras de saúde em atividade e 46.829.760 usuários. Há 50 hospitais universitários, vinculados a 35 instituições federais de ensino, conforme dados da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares - Ebserh.

De acordo com o estudo Demografia Médica - 2018, publicado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), existem em nosso país 289 escolas de medicina que oferecem mais de 20 mil vagas. São apenas alguns números de um universo muito maior, mas que exemplificam quem pode e deve se adaptar ao novo modelo de gestão de saúde digital.

Além disso, lembro que o Pacote de Ferramentas da Estratégia Nacional de e-Saúde publicado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e a União Internacional das Telecomunicações (UIT) demonstra a importância do desenvolvimento das estratégias nacionais de e-Saúde. O documento tem como objetivo oferecer diretrizes para a prestação de cuidados de saúde em todo o mundo para a manutenção de sistemas de saúde mais eficientes e mais reativos às necessidades e expetativas das populações.

O governo federal incrementa a gestão da saúde pública com a adoção de sistemas, aplicativos e formatos de atendimento digital por meio do Saúde Digital que usa recursos de Tecnologia de Informação e Comunicação (TIC) para produzir e disponibilizar informações sobre saúde a todos os integrantes do sistema.

E, evidentemente, quando falamos de um novo mundo digital, é indispensável inserimos a certificação digital. O Instituto Nacional de Tecnologia da Informação – ITI, dentro de seu escopo e papel social, desenvolveu no primeiro semestre deste ano o Validador de Documentos Digitais, um site oficial, único e gratuito que permite que médicos, pacientes e farmacêuticos mantenham o relacionamento de forma 100% online e com total segurança no trânsito de seus documentos.

O objetivo do site é validar a assinatura digital do profissional de saúde em uma prescrição médica ou atestado de afastamento, bem como, o registro do profissional no respectivo conselho.

A tecnologia dos certificados digitais no padrão da Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira – ICP-Brasil integra a estratégia do validador de documentos digitais, que tem versão mobile e a cada dia recebe mais funcionalidades e usuários.

O site é uma parceria entre os Conselhos Federais de Medicina e de Farmácia. Além da agilidade e de toda a tramitação online, o portal inibe a fraude e o uso indevido de atestados e medicamentos, uma vez que todo o processo de validação fica armazenado, de forma segura e sigilosa.

*Carlos Roberto Fortner é Diretor-presidente do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação – ITI, engenheiro civil, da Escola Politécnica da USP, atuou na Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos como presidente, vice-presidente de Finanças e de Operações. Foi diretor de Gestão e Tecnologia da Informação do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Subsecretário de Planejamento, Orçamento e Administração no Ministério da Ciência Tecnologia Inovações e Comunicações.

19

Jul

[ARTIGO] Os editores de livros e escritores serão substituídos por robôs?

*Por Tania Lins

Shelley escreve contos de terror. Aliás, já criou mais de 140 mil histórias do gênero, que foram publicadas em um fórum do Reddit. Entretanto, ela não é uma escritora no estrito sentido da palavra. Em homenagem a Mary Shelley, autora do clássico Frankenstein, profissionais do Laboratório de Mídia do MIT — os pós-doutores Pinar Yanardag e Manuel Cebrian sob orientação do professor doutor Iyad Rahwan — criaram uma inteligência artificial capaz de escrever textos com certa proficiência. A notícia dos êxitos literários de Shelley não é recente. Ano após ano, vemos redes neurais desenvolvendo atividades tipicamente humanas. Em 2019, a editora inglesa Springer Nature lançou o primeiro livro escrito por inteligência artificial; a obra fornece uma visão geral das pesquisas mais recentes sobre baterias de íons de lítio. Será, então, que a criatura está superando o criador? Até que ponto as profissões de editor e autor estão ameaçadas pela máquina?

Antes de responder às questões, gostaria de falar sobre algo que me é cotidiano. Ser editor de livros é buscar as respostas que o autor nem sequer pensou que podiam ser dúvidas; é ajudá-lo a se libertar de ideias e conceitos que só têm respaldo, muitas vezes, no senso comum; é ampliar as possibilidades da obra, tornando-a mais acessível e compreensível. É questionar certezas frágeis, argumentos rotos, que se perdem na primeira reflexão do leitor. Há a tendência, principalmente na cultura nacional, de imaginar que os livros nascem prontos, com um enredo indefectível, no qual o autor optou pelo narrador adequado, e o caminho entre o início e o fim está bem traçado, sem ajustes, à prova do crivo da razão. Mas não é bem assim.

Como as pessoas, os livros também vão se moldando durante a jornada, enveredando por novos caminhos, suscetíveis ao próprio livre-arbítrio. E, antes que alguém diga o contrário, não. O editor de livros não é um censor, ele é um profissional que desenvolveu um olhar aguçado, crítico, mas amoroso, pois entende que está diante da criação de outrem e deseja apenas destacar os pontos fortes da narrativa, propondo mudanças, às vezes estruturais ou apenas pontuais, mas sem intenção de descaracterizar a obra. A voz do autor deve ser sempre respeitada. Aliás, essa voz dos escritores nos transporta para diferentes lugares; desperta nossa capacidade de abstrair; torna o conhecimento algo que pode ser compartilhado por pessoas de diferentes culturas. Escrever é uma nobre arte, algo essencialmente humano.

Diante de um mundo tecnológico — e com máquinas lançando livros — não é difícil chegarmos à conclusão de que tudo pode ser automatizado. Ledo engano. Algumas profissões sempre necessitarão do olhar humano, que máquina alguma é capaz de substituir. Os editores e autores pertencem a essa categoria. Sagazes, esses profissionais dão alma a uma boa história, fazem um best-seller acontecer.

Um bom livro — fruto do trabalho e talento do escritor e do editor — proporciona emoção, paixão, conhecimento, drama, reflexão. São tantas sensações singulares. Ao abrir um livro, parece que o leitor está diante de uma janela, por onde pode observar o mundo. Aos poucos, com uma dose de coragem e curiosidade, ele se debruça na janela. E, quando percebe, já está com o corpo todo para fora, prestes a se atirar. Não há volta. O mundo do lado de dentro até pode ser mais seguro, mas não é tão fascinante. Então, qual é o papel do editor e do autor? Criar boas narrativas e fazer a manutenção dessa “janela”, checar as dobradiças, a solidez da estrutura, assegurar que o leitor terá uma experiência única.

Será que a inteligência artificial pode substituir esse fator humano essencial à criação de um produto cultural que desperte nossas emoções? Da minha parte, não acredito nisso. E não estou sozinha nessa crença. O romancista de ficção cientista, Satoshi Hase, esteve na banca de um prêmio literário japonês, cujo regulamento permitiu a inscrição de obras idealizadas por máquinas; dos 1.450 livros inscritos, 11 foram redigidos por um programa. Segundo ele, ainda que os romances “escritos por máquinas” fossem bem estruturados, as descrições dos personagens deixaram a desejar. Aliás, esse é um problema que um editor de carne e osso pode, naturalmente, apontar, sugerir e auxiliar o autor humano a solucionar. 

Tânia Lins é formada em Administração de Empresas e pós-graduada em Língua Portuguesa, Comunicação Empresarial e Institucional e Jornalismo Digital. Atua há mais de dez anos na área editorial, com experiência profissional e acadêmica voltada à edição, preparação e revisão de obras, gerenciamento de produção editorial, leitura crítica e coaching literária. Atualmente é coordenadora editorial na Editora Vida & Consciência.