Artigos

12

Nov

O binômio corpo/mente, por Daladier da Cunha Lima

*Por Daladier Pessoa Cunha Lima

Uma das notas mais chocantes das recentes olimpíadas, realizadas no Japão, refere-se à ginasta norte-americana Simone Biles, que era a favorita à estrela dos Jogos. A atleta de 24 anos, detentora da maior coleção de medalha de ouro na ginástica artística do seu país, revelou sua fragilidade mental, logo nas primeiras provas, a ponto de fazê-la desistir da competição. Seu corpo estava em perfeitas condições físicas, mas sua mente não seria capaz de comandar seus músculos no ritmo, na destreza e na harmonia tão próprios das performances que a tornaram grande campeã mundial. O caso de Simone Biles é típico para chamar atenção da forte conexão entre os transtornos físicos e os mentais. O fato é que “o corpo tende a reagir ao estresse mental como se fosse um estresse físico”, conforme declara o doutor David Spiegel, da Universidade Standford.

Pesquisas mostram que 20% da população adulta dos Estados Unidos sofre de ansiedade. Estudo realizado em 30 países, a cargo do Instituto Ipsos, com sede em Paris, revela que os brasileiros são a população que mais se preocupa com sua saúde mental, com um índice em torno de 75%, perante uma média global de 53%. Os dois países que mostraram menor reação foram a Coreia do Sul e a China. Segundo análises de especialistas, no Brasil, as prováveis causas são o agravamento da desigualdade social e a insegurança econômica, além da violência crescente no país. Também foi levada em foco a questão cultural, pois o brasileiro é mais propenso a externar suas emoções, quando comparado com outros povos, em especial, com os orientais. 

Conforme a Organização Mundial de Saúde (OMS), dados recentes revelam que o Brasil lidera o ranking de casos de depressão na América Latina, com mais de 11,5 milhões de patrícios com essa doença. Um outro número também nos assusta, no tocante à ansiedade. Segundo a OMS, o Brasil é campeão em ansiedade no mundo, com cerca de 19 milhões de pessoas sofrendo desse transtorno mental. Não é raro coexistirem depressão e excesso de ansiedade, porém os dois transtornos são passíveis de tratamento eficaz. É de bom alvitre, no entanto, uma abordagem médica holística, ou seja, uma visão global do paciente.

Não restam dúvidas de que a pandemia tem importante parcela de responsabilidade na piora das graves condições já existentes. Sabe-se que a depressão severa é a principal causa de suicídio, e quem pensa em pôr fim à vida, dá sinais dessa intenção. Daí o grande mérito da campanha Setembro Amarelo, que visa à prevenção desses casos, por meio de esclarecimentos à população. Nunca é tarde para expressar nosso aplauso e nossa gratidão ao Corpo de Bombeiros Militar do RN, sob o comando do Cel. Monteiro Júnior, pelo sucesso da Campanha Setembro Amarelo (2021), com repercussão que se estendeu muito além das fronteiras do nosso estado

*Daladier Pessoa Cunha Lima é reitor do UNI-RN.

Artigo publicado na edição desta quinta-feira, 11/11/2021, do jornal Tribuna do Norte.

4

Nov

[ARTIGO] A tecnologia da informação e comunicação no terceiro setor

*Por Allyne Beatriz Nascimento Ferreira 

O Terceiro Setor é um conjunto de atividades, que são desenvolvidas em favor da sociedade, por organizações privadas, que não contam com ajudas governamentais e que não visam lucros. Esse setor enfrenta uma série de desafios para permanecer sustentável e eficiente. 

Dentre essas questões, a promoção de uma comunicação e gestão, muitas vezes, é utilizada de forma limitada e/ou ultrapassada. Uma das principais características da Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) é a otimização dos processos e, no que diz respeito às empresas do Terceiro Setor, não seria diferente. 

As instituições que prestam esses serviços sociais, estão cada vez mais se adaptando às mudanças na forma de gerenciar e desenhar seus processos. Isso possibilita a essas empresas um controle maior de suas informações, confiabilidade superior no seguimento de seus processos, economia nas horas trabalhadas de seus colaboradores e uma comunicação mais efetiva.

A inserção das ferramentas da TIC já vem ocorrendo na Casa Durval Paiva, de forma exponencial. Todos os setores da instituição fazem uso de ferramentas tecnológicas, para mapear seus processos e otimizar suas atividades. A CDP conta com um setor específico para suas atividades de marketing, que utiliza equipamentos e softwares para a divulgação da instituição e suas atividades. Em todos os setores, ferramentas online, como é o caso das ferramentas do Google, Trello e a ERP - EcoGestão são utilizados para controle de tarefas, estoque, apresentações e, até mesmo, prontuário eletrônico dos pacientes. 

O setor de TIC é onde há a maior concentração dessas ferramentas e sua gestão. É o setor que faz a compra das licenças de software, que constrói grande parte das planilhas online e faz o gerenciamento de todos os equipamentos, que englobam o parque tecnológico da Casa Durval Paiva.

Por fim, é visível que a utilização da Tecnologia da Informação e Comunicação, no Terceiro Setor, traz uma otimização em seus processos, bem como, uma economia de tempo e financeira, que é um fator crucial em instituições não governamentais. 

No caso da Casa Durval Paiva, são pensadas cada vez mais estratégias para a continuidade do uso das ferramentas de TIC, para manter o padrão que a instituição tem e crescer mais, para poder contemplar mais pacientes.

*Gestora de TI Casa Durval Paiva

31

Out

Artigo - Covid-19 e a saúde mental do estudante: a pandemia silenciosa

*Por Christophe Aniel

Após quase dois anos de desafios e aprendizagem à distância devido ao COVID-19, o novo ano letivo começa com um renovado sentimento de otimismo. A taxa de vacinação na Europa atingiu um marco importante de 70%, um passo crucial para garantir o retorno seguro das aulas presenciais. Juntamente com outras medidas de proteção, esta será nossa melhor defesa contra novas restrições no ensino superior.

À medida que as fronteiras internacionais se abrem, também estamos vendo o retorno da mobilidade estudantil internacional. O renascimento do setor está sendo alimentado pela demanda reprimida de estudantes que colocaram seus planos de estudos internacionais em espera por um tempo e agora estão ansiosos para desfrutar de uma experiência de imersão no exterior com todos os benefícios culturais, acadêmicos e sociais que isso acarreta.

Embora o vírus não tenha diminuído o desejo de estudar no exterior, a pandemia está transformando a forma como os alunos planejam e se preparam nestes tempos incertos. Antes de embarcar em uma viagem de estudos no exterior, os alunos querem se certificar de que estão preparados para o ressurgimento do vírus com cobertura de saúde abrangente, consultas de telemedicina e uma variedade de apoios de bem-estar. É claro que, além da ameaça de bloqueios futuros, os alunos que procuram estudar no exterior estão preocupados com sua saúde geral e bem-estar.

Também estou muito atento aos impactos contínuos do COVID-19 na saúde mental de estudantes universitários. Embora essa tenha sido uma preocupação crescente para administradores de faculdades, a pandemia do COVID-19 exacerbou os problemas de saúde mental entre as populações de estudantes vulneráveis. 46% da geração Z (idades entre 18-25) estão preocupados em sofrer de problemas de saúde mental (estresse, depressão e esgotamento), de acordo com nossa última pesquisa* que teve como objetivo lançar luz sobre a saúde mental dos jovens no contexto de a pandemia.

No início da pandemia, quando os bloqueios foram impostos em todo o mundo, os estudantes universitários relataram que se sentiam deprimidos, isolados, estressados, ansiosos e desinteressados. Esta imagem sombria do estado mental dos jovens vai contra a noção popular de que "a faculdade são os melhores quatro anos da sua vida". Em circunstâncias normais, o caminho do ensino superior está repleto de oportunidades; conhecer novas pessoas, participar de clubes e sociedades, buscar o crescimento pessoal e alcançar objetivos acadêmicos. No entanto, também pode ser uma fonte de enorme estresse e ansiedade.

Para muitos alunos, o retorno ao "normal" é um ajuste de vida que requer apoios adicionais. Alguns foram afetados negativamente por experiências traumáticas, como luto, isolamento social, perda de rotina, bem como aumento do custo de vida e incerteza sobre seu futuro. À luz dos efeitos persistentes do COVID-19 no bem-estar mental dos alunos, é importante que os alunos tenham acesso a tratamento precoce e apoio psicológico adaptado às suas necessidades, seja apoio entre pares, módulos online de saúde mental ou presencial, com aconselhamento face a face. Os serviços de apoio à saúde mental podem ser ainda mais importantes para os alunos que estudam no exterior, que não têm acesso às suas redes de apoio habituais.

Outro dado interessante de nossa pesquisa mostrou que 55% da Geração Z (idades de 18-25) tem alto interesse em usar soluções digitais de saúde mental, com 29% da Geração Z relatando já ter usado serviços de e-terapia (incluindo 15% antes a pandemia). Outros 27% confirmaram que pensariam em usar a e-terapia no futuro. Isso sublinha a importância de fornecer apoios de saúde mental em formatos diversos e acessíveis que reduzam as barreiras à procura de ajuda.

Uma das maneiras pelas quais os jovens estão assumindo o controle proativo de sua saúde é usando tecnologias vestíveis e inteligentes para monitorar uma variedade de indicadores de saúde. Embora esses dispositivos sejam usados predominantemente para monitorar atividades físicas e frequência cardíaca, há uma expectativa clara entre os consumidores de que mais recursos estarão disponíveis em seus dispositivos conectados no futuro - nossa pesquisa mostra que 29% da Geração Z usaria um dispositivo vestível para monitorar seu estado emocional.

Ao promover uma cultura de bem-estar mental e emocional no ensino superior, garantimos que todos os alunos tenham acesso aos apoios de que precisam para prosperar, causamos um impacto positivo na qualidade de vida dos alunos e retemos alunos que podem estar em risco de desistência.

Esperançosamente, esta pandemia servirá como um alerta para enfrentar a escala da crise de saúde mental no setor de ensino superior. Este ano, mais do que qualquer outro, precisamos garantir que o bem-estar do aluno seja colocado no centro da questão.

Por Christophe Aniel - Chefe Global de Mobilidade Estudantil Internacional do Grupo Allianz Partners

 

29

Out

[ARTIGO] As doenças de Marcel Proust

*Por Daladier Pessoa Cunha Lima

Marcel Proust nasceu a 10 de julho de 1871, em Paris, e faleceu a 18 de novembro de 1922, na mesma cidade. É filho de Adrien Proust (1834-1903), médico e higienista, que foi professor da Faculdade de Medicina de Paris e assessor do governo da França, na luta contra epidemias, especialmente a da cólera. A mãe de Marcel Proust, Jeanne Weil Proust (1849-1905), tinha origem judaica. Existiu um outro médico na família, Robert, irmão de Marcel, dois anos mais novo. Diferentemente do pai e do irmão, médicos atuantes, Marcel tornou-se um eterno paciente. E uma doença o maltratou pela vida inteira, a asma, cuja primeira grande crise ele sofreu em 1881, aos nove anos de idade.

A obra-prima de Marcel Proust, o romance “Em busca do tempo perdido”, compõe-se de sete partes, abrange de 1840 a 1915, e se compõe de quatro mil páginas. Sobre “Em busca do tempo perdido”, disse o escritor Vladimir Nabokov: “No conjunto, trata-se de uma caça ao tesouro, em que o tesouro é o tempo, e o lugar onde foi escondido, é o passado: esse é o significado implícito do título ‘Em busca do tempo perdido’”.

A sua asma, provavelmente, era de cunho alérgico ao pólen, pois piorava durante as visitas aos parques e jardins, bem assim, na primavera. Gradativamente, tornou-se mais recluso, no intuito de prevenir os ataques de dispneia. Fez consultas com vários médicos, no afã de minorar o tormento com as frequentes crises de asma. Costumava usar fumigações onde morava, o que só fazia agravar suas condições de saúde.

A morte da mãe de M. Proust, em 1905, obrigou-o a residir em apartamento de uma sua tia-avó, no Boulevard Haussmann, em Paris, onde preparou um quarto todo vedado e revestido de cortiça, a fim de se proteger da poeira e do barulho. Tomando muito café e trocando o dia pela noite, foi lá que Proust escreveu a maior parte da sua obra-prima. Conforme diz o escritor Paulo Mendes Campos: “Neste útero obscuro e precário, iluminado artificialmente, Marcel Proust vai buscar e entrançar os inumeráveis fios do tempo perdido.” Mas, de repente, teve que se mudar, o que muito o constrangeu, e passou a morar em prédio  na Rue Hamelin.

Diz Celeste Albaret, governanta que esteve ao lado de Proust por vários anos: “Sim, a Rue Hamelin foi sua última morada. Ele trabalhou, trabalhou sem descanso, às vezes num frio de geladeira. E ele se matou ali.” A cada dia as doenças de Marcel Proust que lhe causaram a morte, pneumonia e abscesso de pulmão, tornavam-se mais graves. O irmão Robert tentou em vão levá-lo para um hospital. Além de Celeste e do Dr. Robert, com ele estiveram, nos seus derradeiros momentos, o Dr. Bize, seu médico particular, e o Dr. Joseph Babinski (1857-1932), criador do sinal de Babinski, usado por neurologistas em todo o mundo. Às 5 horas da tarde, de 18 de novembro de 1922, Marcel Proust se despediu da vida, na presença do Dr. Robert, querido irmão, e da fiel governanta, “mãe adotada e filha adotiva”, Celeste Albaret.

*Daladier Pessoa Cunha Lima é reitor do UNI-RN.

27

Out

[ARTIGO] Agenda propositiva para o RN

*Por Amaro Sales de Araújo

Fico particularmente entusiasmado em evidenciar, sempre que posso, as potencialidades do Rio Grande do Norte que, aliás, não são poucas. A matriz econômica diversificada que dispomos é um dos ativos mais prestigiados do patrimônio potiguar.

Neste sentido, sempre a partir do projeto MAIS RN, o Sistema FIERN tem produzido documentos complementares e estudos específicos ao longo dos últimos anos. Recentemente mais uma agenda – de qualidade – foi entregue ao Governo do Estado, como contribuição para a gestão. Sob o título “Agenda propositiva para o desenvolvimento do Rio Grande do Norte” apresentamos um estudo que sugere uma atenção especial, bem como a tomada de decisões, acerca dos temas: Lei Estadual de Concessões; Lei Estadual do Gás Natural; Gestão de Ativos do Estado; Portos; Energias Limpas; Turismo e Educação Pública.

Em síntese, concessões para que o Estado possibilite investimentos através da iniciativa privada; a minuta da Lei do Gás que precisa ser finalizada, entretanto, deve ser aberta para contribuições de representantes da classe produtiva para que se torne um insumo atrativo; os ativos do Estado devem ser avaliados para eventuais vendas; existe uma potencialidade logística expressiva em Natal e o Porto pode ser ainda melhor aproveitado; precisamos atrair mais empresas para a cadeia produtiva das energias renováveis; o turismo é estratégico sob qualquer análise econômica e social e carece de ações direcionadas; a educação pública precisa de novas metas e alcançar melhores índices de avaliação.

A agenda proposta não é uma crítica a um ou a outro Governo. Bem ao contrário! É um convite à construção conjunta de novas e consistentes alternativas de desenvolvimento. É injusto responsabilizarmos, isoladamente, uma ou outra gestão pela atual situação em que se encontra social e economicamente o Rio Grande do Norte. A nossa energia deve ser utilizada no sentido de propor, planejar, realizar! É consenso, neste sentido, que o exercício do planejamento é um dos mais importantes em qualquer tempo. E como bem assinala a própria Agenda: “as construções das bases para o futuro devem ser postas hoje, pois: planejar não é o que se vai fazer no futuro, mas sim, o que se faz hoje para alcançar o futuro desejável”.

Mas, afinal, onde desejamos chegar? Se não conseguirmos alcançar todas as metas, pelo menos, melhorarmos – o quanto antes – os números dos empregos formais no Estado. Como está dito no documento mencionado, “os dados do Nordeste demonstram que em 2019 a média de trabalhadores por Estado era 964 mil; sendo que apenas 3 estavam acima desta média (Bahia, Pernambuco e Ceará) Em 2021 a média de trabalhadores caiu para 723 mil”. No Rio Grande do Norte, mesmo em 2019, o número já era menor (607.027) e piorou! Mesmo contando os servidores públicos, o número, aproximado de vínculos formais, registrados no território potiguar, é de apenas 440 mil, um número que, per si, já deve motivar a nossa inquietação e, consequente, mobilização em favor da realização da agenda propositiva!

*Amaro Sales de Araújo é Presidente do Sistema FIERN e 1º. Secretário da CNI

24

Out

[ARTIGO] Mídias Sociais: muito além de um chat

*Por Marcelo Parciolo

A interrupção das funcionalidades dos principais aplicativos de mídias sociais e mensagens instantâneas – Facebook, Instagram e WhatsApp – vem se tornando cada vez mais frequentes. Na mais recente ocorrência, a indisponibilidade dos serviços durou aproximadamente seis horas.

O blecaute de comunicação nos mostra uma fragilidade gerada pela dependência que vai muito além da comunicação corriqueira do dia a dia com pessoas do nosso convívio. Ele limita o direito de ir e vir “virtual” uma vez que muitos acessos às plataformas – logins, por exemplo, são vinculados à conta do Facebook. Outro viés refere-se às inúmeras confirmações necessárias para dar continuidade ou finalizar uma operação online que passa pelo recebimento e/ou validação de um código recebido pelo WhatsApp.

E os efeitos vão além: O impacto financeiro dos serviços suspensos foi catastrófico. Inicialmente, pela interrupção da comunicação, prejudicando o andamento de uma proposta comercial ou o acompanhamento sobre algum projeto em um cliente. Mas, para esse caso, ainda pode-se recorrer às soluções já existentes como o envio de mensagem por SMS ou a utilização de concorrentes de serviços de mensagens como o Telegram.

Por outro lado, para negócios nativos, instalados e locados diretamente nas plataformas, esse plano B não é tão simples. Considerando o expressivo crescimento da comercialização de produtos ou serviços nessas plataformas, algo em torno de 246% na comparação entre junho/21 contra junho/20, estima-se que neste período de 6 horas de interrupção 65% das vendas tenham sido perdidas.

Este prejuízo financeiro alcançou desde a pequena loja locada no WhatsApp ou Facebook até grandes varejistas que utilizam esses canais para vendas. Esse é o aspecto com impacto direto no faturamento das empresas. Há também os aspectos com impacto indireto, como por exemplo o operacional, no qual muitas empresas utilizam o WhatsApp como solução para rastreamento, monitoramento e aviso a clientes sobre uma entrega ou serviço em andamento, ou seja, além de não estarem faturando, causaram vários transtornos em relação à experiência do cliente.

Não podemos deixar de mencionar sobra as perdas diretas nas ações do Facebook. Os acionistas amargaram uma queda de 5% em apenas um dia, causada pela ocorrência da interrupção dos serviços aliada também às denúncias do antigo Gerente de Produtos informar à imprensa que o Facebook não prioriza a segurança do usuário, mas sim o lucro. Nos tempos atuais, isso significa um sinal de alerta para os usuários das plataformas, que a qualquer momento podem ter seus dados vazados. Para o cofundador do Facebook, Mark Zuckerberg, a perda direta foi em torno dos 6 bilhões de dólares.

Em síntese, durante apenas seis horas, apenas um quarto do ciclo de um dia, tivemos um prejuízo incalculável em âmbitos operacionais, reputacionais e financeiros em níveis estratosféricos no Brasil e no mundo. Isso nos mostra que a utilização dessas ferramentas é vital para a potencialização, ou até mesmo sobrevivência em alguns casos, de qualquer negócio.

Em contrapartida, esse cenário nos mostra a dependência que temos dessas plataformas, que operam basicamente como exclusivas. Como qualquer dependência, fica cada vez mais exposta a oportunidade de diversificação e adição de canais de comunicação e disposição de serviços e produtos para vendas. O ditado “quem tem um não tem nenhum”, mesmo em uma situação atípica como essa, nunca foi tão válido. Afinal de contas, se uma parada de 6 horas já teve esse impacto, imaginem uma parada de 30 dias por exemplo? E fica a reflexão sobre os mapeamentos de processos e necessidades tecnológicas para seguirmos no “caminho feliz” e nas contingências, afinal de contas Transformação Digital também preconiza a usabilidade e precisa potencializar vendas e resultados.

*Por Marcelo Parciolo é gestor em supply chain e logistica da AGR Consultores

14

Out

Dhalias e Horto, artigo do reitor Daladier Cunha

*Por Daladier Pessoa Cunha Lima

O dia 12 de setembro de 2021 marcou os 145 anos do nascimento, em Macaíba-RN, de Auta de Souza, que viveu apenas 24 anos, pois faleceu a 7 de fevereiro de 1901, em Natal-RN, de tuberculose pulmonar. “Passou pela terra como as estrelas cadentes passam pelo céu: rápida e luminosamente”, assim se expressa Luís da Câmara Cascudo, em seu primeiro livro, Alma Patrícia. Em 1897, Auta de Souza reuniu vários de seus poemas, alguns publicados em jornais locais e nacionais, em uma obra manuscrita sob o título de Dhalias. A este trabalho primevo, ela acrescentou novos poemas e compôs outro manuscrito, com o nome Horto, no qual constavam todas as suas criações poéticas, desde 1893. A 20 de junho de 1900, circulou a primeira edição do livro Horto, impresso em A República, Natal-RN. A obra chegou a tempo de ser vista por Auta de Souza, que veio a falecer apenas sete meses depois. Agora, Fábio Fidélis (UNI-RN), Carlos Castim e Anderson Tavares de Lyra organizam um E-book do manuscrito Dhalias, além de uma transcrição impressa (ao encargo de Fábio e de Carlos), com o apoio da Liga de ensino do RN e o patrocínio do Centro Universitário do Rio Grande do Norte - UNI-RN.
 
O principal biógrafo de Auta de Souza é Luís da Câmara Cascudo, com seu livro Vida Breve de Auta de Souza. Há quem encontre nesse livro a melhor produção biográfica do famoso escritor. Na leitura, chama a atenção a negativa de misticismo na poesia de Auta, antes ressaltado por Olavo Bilac, Jackson de Figueiredo e Alceu Amoroso Lima. Cascudo não deixa dúvidas quanto a essa sua apreciação sobre a poetisa do Horto, conforme suas palavras: “Auta de Souza não é uma poetisa mística. É um espírito profundamente religioso, alma crente, devota, fielmente ligada ao corpo de Cristo em sua igreja, ligada pela doutrina do catecismo e da imitação. (...) Em todo o Horto, não há uma só página que denuncie tendência mística de sua autora”.   

Um outro ponto que o autor ressalta é a criança alegre e vivaz que foi a biografada, além da adolescente com os mesmos sonhos e sentimentos próprios dessa idade, mesmo diante da dor e da morte precoce na família. Ele assim se expressa: “Uma Auta mística, estranha, sem desejos humanos, (...) não existiu”; e fala de uma moça airosa, com voz suave,  “morena, esculpida em polpa de sapoti”. Cascudo revela o nome de um possível namorado de Auta: o bacharel paraibano João Leopoldo da Silva Loureiro, que fora promotor público em Macaíba, de 1892 a 1895, e que veio a falecer em 1897.

A cada dia que passa, parece até que a poesia de Auta de Souza atrai mais adeptos Brasil afora, e se amplia a afeição e o reconhecimento dos seus leitores e admiradores. O irmão Eloy de Souza, em seu livro Memórias, assim a define: “Seu coração foi custódia de amor e perdão, de bondade e caridade. Nele ardia a chama votiva em devoção a todos os bons sentimentos humanos”. 

*Daladier Pessoa Cunha Lima é reitor do UNI-RN.

10

Out

[ARTIGO] Avançando para o trabalho digital

*Por Steve Forcum

Para entender como as empresas estão evoluindo em direção ao local de trabalho “do futuro”, é necessário estar ciente de que nunca mais vamos trabalhar da mesma forma e, ao mesmo tempo, não perderemos de vista as lições aprendidas durante a pandemia. A pergunta mais comum que me fazem é a seguinte:  “Como podemos manter a empresa operando em casa com a mesma produtividade que alcançamos durante a pandemia e quais ferramentas são necessárias para nos tornarmos mais eficientes?”

Para a maioria, a discussão começa com a transformação digital e uma crença equivocada de que a pandemia da COVID-19 forçou as empresas a se transformarem digitalmente em tempo real.

Talvez você tenha visto uma versão de desenho animado em que a pandemia agiu como uma bola de demolição, representando iniciativas de transformação digital que colidem com empresas que dependiam de tecnologia legada. Esse cartoon sugere que as organizações que foram capazes de fazer a transição perfeita da força de trabalho de seus escritórios para a segurança de casa, graças ao uso da tecnologia de videoconferência, transformaram digitalmente seus processos com sucesso, quando nada poderia estar mais longe da verdade.

A pandemia trouxe consigo uma reconexão de onde trabalhamos e como a produtividade pode ser mantida, e até mesmo aumentada, independentemente da localização física. Mas a transformação digital de como trabalhamos está em andamento e será sobrecarregada à medida que avançarmos para o local de trabalho “do futuro”.

Antes da pandemia, o obstáculo mais visível à colaboração era encontrar uma sala de reuniões vazia para trabalhar em documentos e tomar decisões. Quando houve a transferência das forças de trabalho para o home office, não mudamos a forma como trabalhamos com documentos ou tomamos decisões, simplesmente mudamos o local de reunião. Em vez de enviar instruções para uma sala de conferência física, o organizador da reunião enviou um link para sua sala virtual.

Mas, na realidade, com o vídeo não resolvemos os principais problemas que afetam a produtividade. Em grande parte das videoconferências de que participo hoje, como a fadiga é uma realidade, a maioria dos participantes está com as câmeras desligadas.

O verdadeiro problema reside no fato de que, embora a produtividade esteja aumentando, ainda sentimos que estamos ficando cada vez mais para trás. Não sei quanto a você, mas quando trabalho em casa minha agenda é repleta de videoconferências, uma após a outra, o que significa que tenho cada vez menos tempo para as reuniões.

Essa não é uma maneira sustentável de trabalhar e, para transformar verdadeiramente as soluções digitalmente, não basta fornecer flexibilidade no local de trabalho, mas também mudar a forma como ele é feito.

Um local de trabalho digital precisa oferecer suporte a vídeo de alta resolução por meio de uma variedade de conexões de rede; com fio, sem fio ou celular. As soluções de videoconferência permitem que você veja os participantes e compartilhe documentos. Uma plataforma de colaboração capacita aqueles que não puderam comparecer em tempo real a se atualizar assistindo a uma reprodução sob demanda da reunião ou lendo anotações feitas pelos participantes.

A tecnologia deve ajudar a preencher a lacuna entre os ganhos de produtividade e a preparação dos participantes à medida que eles “passarem” de uma reunião para outra, coletando e agrupando todo o conteúdo relevante para a sessão em um único lugar.

Resumindo, devemos ir além da simples visualização e do compartilhamento de tecnologias e adotar plataformas verdadeiramente colaborativas. Também é possível  aproveitar a inteligência artificial (IA) para resolver os problemas que todos enfrentamos ao trabalhar de casa:

- Mais espaço – Procure  soluções de videoconferência que não sejam limitadas em termos do número de usuários que você pode ter na tela ao mesmo tempo;

- Elimine distrações, tanto vistas quanto ouvidas – à medida que avançarmos para o local de trabalho do amanhã, participaremos de reuniões em locais que podem atrapalhar o foco da equipe. Todos nós já passamos por isso: cães latindo, campainhas tocando ou jardineiros cortando a grama do lado de fora da porta enquanto se está em uma reunião importante. Então é importante utilizar IA para nos livrarmos de tudo isso;

- Não deixe os ‘slides’ esconderem seu poder de estrela – por falar em foco, as apresentações podem ser entediantes quando você não consegue mais ver o apresentador no momento em que tem slides em tela cheia. Hoje já existem soluções que incluem o apresentador de uma forma envolvente – na frente, no centro ou nos slides para que você possa obter mais do que está tentando comunicar sem ter que ir e voltar ou apenas ter uma voz durante uma apresentação.

- Mobilidade é importante   Não importa onde você esteja, qual dispositivo está usando ou qual conexão de rede está disponível, procure soluções em que pode participar totalmente enquanto usa recursos como planos de fundo virtuais, redução de ruído, apresentação imersiva e muito mais.

É assim que vejo o futuro do trabalho, não voltando aos escritórios, mas avançando para uma nova era de produtividade, aprendendo lições com a pandemia e entendendo como transformar digitalmente nossos locais de trabalho para fazer mais com menos esforço.

*Steve Forcum é diretor de Marca da Avaya

9

Out

[ARTIGO] Os empreendedores e o debate público, por Amaro Sales de Araújo

*Por Amaro Sales de Araújo

Percebe-se, sem muito esforço, que a sociedade brasileira vive um tempo de divisões mais agudas, inclusive, tendo as opiniões mais extremadas uma maior visibilidade. Os empreendedores, em regra, são mais pragmáticos e acompanham este tipo de debate público com algumas preocupações.

A primeira, a de que decisões importantes não sejam tomadas emocionalmente. Afastar do cargo, por exemplo, um governante eleito pelo voto popular, seja quem for, merece criteriosa análise. São necessárias motivações técnicas, legais, bem fundadas e graves. Defender mudanças, novas rotas, apresentar propostas, são expedientes inerentes ao debate público e, neste ambiente, todos podem contribuir, sobretudo, quando se apresentam pesquisas, estudos técnicos, experiências que servem como balizas referenciais.

Trabalhar em torno de um projeto meramente eleitoral é um esforço ocasional que poderá, ou não, ter consequências, entretanto, sem alicerce ou, na análise mais generosa, um lastro com fissuras. Trabalhar em projetos para o País, com causas que sejam maiores que qualquer embate eleitoral, motiva um outro mais envolvente e necessário engajamento.

Outra importante preocupação: a pauta – seja por quem for apresentada – precisa ter metas que representem a maioria dos brasileiros. Se vamos debater o Brasil, que o façamos com responsabilidade discutindo caminhos razoáveis para destinos desejados. Para os empreendedores, por exemplo, é importante – sem paixões partidárias ou interesses eleitorais – discutir o custo da máquina pública; o ambiente de produção; a reforma tributária e a desburocratização dos processos e a geração de novos empregos, dentre outros temas. Se, para tanto, for necessário reavaliar custos, processos, paradigmas, assim, a meu sentir, devemos proceder.

O que se torna improdutivo é o debate rasteiro, sem metas, sem estudos, sem números técnicos, apenas e tão somente um embate pré-eleitoral.

Aliás, ainda para ilustrar, muito se fala atualmente na carga tributária. Todavia, para bancar os serviços públicos, os Governos precisam arrecadar e são poucos os líderes políticos e sociais que discutem meios para que este custo seja menor. Os empreendedores, em síntese, defendem menos impostos e, consequentemente, um menor custo para o Estado brasileiro. Por outro lado, para termos uma arrecadação possível, precisamos estimular a produção, o empreendedor, o empregador! O empregador paga, recolhe e estimula novos contribuintes a partir dos empregos que gera.

O debate público, portanto, antes de personificar bandeiras ou de exigir medidas abruptas, deveria ter a serenidade de tentar apontar caminhos para alcançarmos metas convergentes de justiça, qualidade de vida, prosperidade econômica. Os empreendedores desejam contribuir, com responsabilidade, para a construção de uma pauta de convergências, seja no Brasil ou no Rio Grande do Norte. Para tanto, devemos pensar no interesse coletivo, valorizar o trabalho e a produção, e não nos afastarmos do propósito – comum a todos nós – de privilegiar a dignidade da vida humana.

* Presidente do Sistema FIERN e Secretário da CNI

25

Set

[ARTIGO] Dez passos de como eliminar vírus do seu computador

*Por Laura Tyrell * 

Lentidão, sistema operacional travando, vários pop-ups na tela e e-mails estranhos na sua caixa de mensagens são alguns dos sinais de que seu computador pode estar infectado com vírus – programas (ou códigos) maliciosos que se instalam, multiplicam e se espalham para realizar ações negativas contra um dispositivo, sistema e usuário. 

Existem diversos tipos de vírus que causam diferentes estragos, como executar comandos que podem apagar, alterar ou sequestrar arquivos (chamados ransomware), espionar suas atividades (conhecidos como spyware), exibir propaganda indesejada (adware), fazer alterações no seu sistema e muitas outras coisas que causam prejuízos – e isso não é novidade.  

A questão é como lidar com um equipamento infectado e eliminar o vírus. Vou mostrar o caminho em 10 passos: 

- Compre ou baixe um antivírus (existem boas opções gratuitas). 

- Desconecte seu computador da internet – isso ajuda a evitar que os vírus se espalhem para outros dispositivos e novas ameaças se instalem. 

- Reinicie o computador em “modo de segurança” e faça a verificação com o antivírus. 

- Remova todos os arquivos temporários: clique em Iniciar e escolha a opção “Todos os programas”, selecione “acessórios”, clique em “ferramentas do sistema” e em seguida na opção “limpeza de disco”. Marque a opção de “arquivos temporários”.

- Faça uma nova verificação de vírus. 

- Exclua os vírus encontrados. 

- Reinicie o computador novamente e conecte-se à internet.

- Altere suas senhas – elas podem ter sido expostas às ações dos vírus. 

- Faça atualizações de seus programas e outros recursos importantes e ative as atualizações automáticas sempre que houver a opção.  

- Faça novas verificações com frequência. 

Além dos passos de remoção, é essencial saber como evitar que vírus se instalem no seu computador. Por isso, tomar alguns cuidados como o uso de antivírus, manter as atualizações de sistema em dia, usar uma boa VPN, não frequentar sites suspeitos, não clicar em links não confiáveis e criar senhas fortes ajuda a reforçar a segurança.  

*Laura Tyrell é chefe de RP da NordVPN, empresa especializada em soluções de privacidade, segurança e rede privada virtual (VPN) – e-mail: nordsec@nbpress.com  

19

Set

[ARTIGO] As principais lições sobre o novo normal no pós-pandemia

*Por Marcelo Trevisani

Desde o início da pandemia da Covid-19, em 2020, tenho certeza de que todos nós já sentimos ou passamos por inseguranças. O medo de contrair o vírus da Covid, instabilidade no emprego, adaptações frente às adversidades além de tudo que esse novo cenário nos traz, principalmente no quesito das mudanças na forma de se trabalhar.
 

Tivemos uma grande ruptura ao avaliarmos o ritmo tradicional de trabalho em companhias de todos os portes, do microempreendedor ao grande empresário. O problema é que, como consequência, nem todas souberam como se adaptar e ajustar à essas demandas tão rapidamente. Já o trabalho remoto, as reuniões virtuais e o suporte de TI à distância nunca foram realizados com tanta frequência como nesse momento.
 

Neste cenário, as áreas de Compras, Supply Chain e Manufatura receberam ainda mais destaque, devido aos principais desafios na identificação de novas maneiras de se trabalhar. Um aprendizado chamado resiliência. E, com isso, passamos a falar de novos modelos de trabalho. Primeiro, em formato remoto, com muitas adaptações e o aumento de reuniões online e virtuais.
 

Em seguida, temos as empresas que estão aptas e já executam o formato híbrido, com o revezamento virtual e presencial de seus funcionários. E essa, para mim, é uma das maiores tendências que chegou para ficar, que será ainda mais aprimorada e executada daqui para frente. Mas então, é importante pensarmos o tamanho do desafio que os grandes líderes estão enfrentando diante de tantas mudanças.
 

Nesse sentido, aposto que muitas pessoas ainda se questionam: o que é o pós-pandemia? Será um novo normal? Acredito que cabe a cada um de nós a adaptação ao novo, sem deixar de atender às prioridades em nossas vidas: trabalho, o futuro de nossas carreiras, cuidar dos filhos, da casa, de nós mesmos
 

No lado empresarial, as grandes companhias e seus líderes estão trabalhando para se tornarem mais ágeis e eficazes ao entregarem seus produtos e soluções, buscando corresponder com as expectativas e necessidades de seus consumidores. Como CMO de uma grande empresa no ramo de tecnologia e inteligência artificial, posso dizer que a tecnologia digital oferece uma grande oportunidade para que, nesse fluxo B2C, as corporações promovam eficiência, resiliência e agilidade.
 

A pandemia agilizou o tão esperado processo de transformação digital das empresas, pois todos tivemos que nos submeter às principais mudanças para que o fluxo de trabalho pudesse permanecer funcionando normalmente. Chegou o momento de olharmos para o futuro e compreendermos todas as adaptações que esse processo de evolução nos apresenta.

Segundo uma pesquisa realizada pela consultoria global McKinsey, estima-se que até 2030, aproximadamente 375 milhões de trabalhadores em todo o mundo precisão de alguma forma de qualificação para se manterem em suas posições de trabalho ou para ocuparem novos cargos.
 

Estruturar as posições de trabalho e, principalmente, a cultura organizacional em um cenário pós-pandemia é fundamental para nossa sobrevivência. Talvez isso nos faça sair de nossas famosas "zonas de conforto". Para mim, o segredo do sucesso é eleger novas metas e foco na vida.
 

*Marcelo Trevisani - com mais de 20 anos de experiência como profissional nas áreas de Digital Marketing, Transformação Digital, Inovação, Chief Marketing Officer, é considerado um dos nomes mais relevantes da área. 

19

Set

[ARTIGO] Como nosso relacionamento com os dispositivos está mudando?

*Por Caio Moreno

O número de dispositivos eletrônicos, conexões de internet e usuários de mídia social aumentou rapidamente no ano passado. Mas a leitura por trás dos números é de como as pessoas estão se relacionando com os dispositivos e como as empresas podem otimizar e facilitar os novos usos e dinâmicas em torno da tecnologia.

Por exemplo, é comum ouvir quantas pessoas decidiram optar por novos aparelhos para trabalhar em casa, para monitorar a saúde ou para se comunicar com amigos e familiares durante longos períodos de isolamento. Mas já nos perguntamos a quantos dispositivos ficamos conectados? Quantos dispositivos temos em nossa mesa agora? E quão necessários eles são?

Quando se fala em ferramentas que se integram ao dia a dia para a obtenção de experiências profissionais de qualidade, tanto presenciais como remotas, não podemos esquecer dois pontos fundamentais que garantem o sucesso: as ligações e as aplicações utilizadas para fazê-las.

Nos tempos modernos, é tão importante falar da qualidade dos aparelhos como das aplicações que os complementam. Além de estabelecer um canal de comunicação entre dois pontos, a eficácia também é marcada pela forma como as soluções adaptadas permitem responder a diferentes necessidades e ter inteligência e autonomia suficientes para favorecer as experiências cotidianas em qualquer contexto.

Progresso não consiste em pegar um dispositivo e adaptá-lo às próprias necessidades. Pelo contrário, a forma mais funcional é adicionar a uma solução que já possui inteligência, aplicações e plataformas integradas e, desde o primeiro momento, garanta uma experiência totalmente abrangente.

Cada pessoa, empresa ou setor possui necessidades diferentes e ambientes de trabalho diversos, por isso as ferramentas devem ser tão dinâmicas e completas que possam ser adaptadas a qualquer situação.

Além das colaborações, deve ser garantido o pleno acesso às informações no momento ou local que for necessário e prestar assistência alinhada às estratégias de negócios para a tomada de decisões com agilidade e, sobretudo, que a experiência do emissor seja tão satisfatória quanto a do interlocutor, independentemente de estar a distância, em uma pequena sala ou em um grande auditório.

O fundamental é poder contar com um dispositivo adequado, intuitivo, flexível e disponível para estabelecer comunicações, participando de reuniões, mas também garantindo o acesso a todas as plataformas, aplicações e documentos necessários ao dia a dia. Um dispositivo inteligente e integrado à nossa realidade.

O papel da Inteligência Artificial

Além de poder realizar todas as atividades básicas, como receber e-mails, enviar mensagens instantâneas ou ligar por videochamada, complementando essas aplicações com Inteligência Artificial (IA) também se tem a oportunidade de utilizar recursos como comandos de voz ou transcrições instantâneas, que melhoram a experiência interna e externa dos clientes finais.

Irritar-se com latidos de cachorro, com alguém que passa vendendo produtos ou com o barulho de um avião que atrapalha a comunicação é coisa do passado. Hoje existem ferramentas que se baseiam em avanços tecnológicos e favorecem o relacionamento com as pessoas.

Em um universo que pensa firmemente no presente, mas também no futuro, é fundamental que fique claro que, em caso de necessidade de adaptação, é possível melhorar a qualidade do áudio ou intensificar a integração sem ter que alterar toda a infraestrutura. Por exemplo, se você está falando de um telefone IP, não precisa necessariamente de um switch para se comunicar, porque simplesmente o conectando a uma fonte de alimentação ou wi-fi você já tem áudio.

*Caio Moreno foi um dos palestrantes do Avaya ENGAGE América Latina 2021 e explicou sobre os dispositivos que a Avaya possui para ajudar a comunicação: https://www.avaya.com/es/devices-and-phones/

16

Set

[ARTIGO] Honras aos médicos

*Por Daladier Pessoa Cunha Lima

O Conselho Regional de Medicina do RN prestou singular homenagem aos médicos que exercem a profissão e se mantêm inscritos no CRM, no mínimo, há 50 anos. Chamei de singular porque foi um evento inusitado, uma feliz ideia de prestar honras a quem dedicou ou ainda dedica uma vida inteira a esse ofício, que exige muito amor ao próximo e vontade de refazer alegrias e esperanças. Ao mesmo tempo, também pode-se chamar de homenagem plural, pois envolveu dezenas de nomes, porém, sem perder o valor intrínseco do mérito de cada um e do grupo como um todo. Aliás, esse Diploma pessoal de Honra ao Mérito pareceu até que contemplava uma corporação, dada a afinidade que unia os corações e as mentes dos agraciados, naquele instante solene, mesmo virtual, da entrega coletiva da láurea. Atente-se que essa distinção honorífica reveste-se de alto significado, porquanto foi uma concessão do órgão que assegura uma boa prática da medicina, valorizando aqueles que a exercem de forma ética. 

O Cremern, em boa hora, escolheu o médico Gilmar Amorim para proferir a saudação aos homenageados, em nome do Conselho. Depois da saudação de praxe, quando referiu-se ao Presidente Marcos Jácome e aos Conselheiros Marcos Lima e  Jeancarlo Fernandes, Gilmar expressou o reconhecimento público e a gratidão do Conselho a todos os médicos homenageados, e afirmou que o dia 31 de agosto de 2021 se transformou num marco especial, pois possibilitou o resgate de um preito devido a muitos heróis da medicina do RN. O brilhante orador, numa sutil alusão à vida desses médicos, citou o belo trecho do Sermão da Sexagésima Hora, do Padre Antonio Vieira: “As flores, umas caem, outras secam, outras murcham, outras leva o vento; poucas que se pegam ao tronco e se convertem em fruto, só essas são venturosas, só essas são as que aproveitam, só essas são as que sustentam o mundo”. Gilmar Amorim, então, concluiu: “Muito obrigado pela doação de suas vidas em benefício da coletividade”. 

Na minha fala, aludi à dupla homenagem que recebera, uma pelo Diploma de Honra ao Mérito, a outra pelo convite para agradecer em nome do conjunto dos ilustres colegas. Referi-me a nossa bela profissão que tem a figura histórica de Hipócrates como símbolo maior, e ao primeiro dos seus famosos aforismos. A seguir, numa ênfase à grandeza da homenagem, voltei-me ao livro bíblico Eclesiastes, talvez o mais sábio ensinamento e a mais poderosa expressão da vida humana sobre a terra. Ao final, disse que aquela homenagem chegava no momento oportuno para resgatar e relembrar em cada um dos homenageados a certeza do dever cumprido, além do reconhecimento de quantos são testemunhas dos seus exemplos de amor à profissão, e citei alguns versos do Eclesiastes, entre os quais esses dois: “Há tempo de lutar e tempo de viver em paz. Há um tempo certo para cada propósito debaixo do céu”. 

*Daladier Pessoa Cunha Lima é reitor do UNI-RN.

12

Set

[ARTIGO] As motivações do ciclo de ódio provocado por “Haters” nas redes sociais

*Por Dra. Andréa Ladislau

No último fim de semana, uma matéria na TV aberta, expôs a cultura do ódio e perseguição provocada por “Haters” (odiadores), tendo como alvo tanto, pessoas famosas, quanto anônimas. Um avanço do extremismo do julgamento nas redes sociais que pode provocar sérios danos à saúde mental das vítimas, inclusive motivando episódios suicidas. E o que leva uma pessoa a destilar o ódio na internet? Quais as consequências na vida de quem está na mira destes ataques virtuais?

Para melhor entender essas questões, antes de falar da cultura do ódio devemos analisar a cultura do narcisismo que pode ser a mola impulsionadora deste movimento nocivo ao ser humano, afinal desejamos que o mundo veja uma realidade diferente daquela que muitas vezes vivemos, e as redes sociais nos permitem isso.

Uma verdadeira explosão de espelhos irreais que nem sempre refletem nossa vida real. Além disso, a falsa ideia de invisibilidade ou de “estar protegido” por uma tela, alimenta a permissividade, a segurança e a onipotência validando as agressões preconceituosas, as palavras de humilhação e de julgamento que culminam no ódio generalizado.

Ataques que, muitas vezes, fogem do controle e provocam danos irreversíveis naqueles que estão sendo atacados, causando sérios desequilíbrios à saúde mental de suas vítimas, inclusive motivando o desejo de eliminar a dor e a vergonha tirando a própria vida.

Apesar de termos hoje a ajuda das delegacias especializadas em ataques virtuais, equipadas com instrumentos de rastreio tecnológico cada vez mais avançados, capazes de localizar e identificar um “Hater” expondo sua verdadeira identidade de forma rápida e assertiva, a internet ainda traz a falsa atmosfera de impunidade e condescendência, na qual o indivíduo impiedoso acredita que possa estar protegido por uma tela e que, desta forma, é possível agir como bem entender: julgando, gerando ódio, apontando dedos, caluniando, humilhando, ridicularizando, expondo, e usando de racismo e preconceitos para provocar o caos na vida de alguém.

Mas por que a necessidade gratuita de atacar alguém que muitas vezes, não se tem qualquer intimidade ou relação? Quem é esse indivíduo e o que ele ganha com esses ataques? Sem dúvida, é uma pessoa de autoestima baixa, complexos enraizados, carência afetiva latente e infeliz no que diz respeito à realidade em que vive.

A grande verdade é que, naturalmente, dentro de nós existe todo tipo de sentimento, bons e ruins, positivos ou negativos, como: alegria, esperança, serenidade, paz, humildade, empatia, bondade, verdade, generosidade, perdão, fé, compaixão, harmonia, e tantos outros pensamentos e emoções positivas.

Mas também abrigamos sentimentos negativos, como:  a inveja, a raiva, o ódio, medo, raiva, ciúme, tristeza, cobiça, arrogância, pena de si mesmo, culpa, ressentimento, inferioridade, orgulho, superioridade, ego e tantas outras emoções negativas. No entanto, quais sentimentos irão prevalecer é uma escolha e decisão nossa ao longo de nossa trajetória.

O fortalecimento de um ou outro sentimento dentro de nós vai depender do quanto consumimos e alimentamos cada um deles internamente. E, a consequência de tudo isso, será refletida em nosso comportamento e na forma como gerenciamos nossas relações, sejam elas virtuais ou não.

Porém, a grande dificuldade é a resistência de alguns seres humanos em se manifestar de forma a elogiar ou valorizar o outro, visto que essa reação positiva está altamente ligada ao equilíbrio emocional deste indivíduo e em como ele se relaciona com sua autoestima.

Se, por algum motivo existirem sentimentos e resquícios de perversidade em sua psique, certamente, o ódio e a raiva serão evidenciados em sua vida cotidiana e destilados a todo momento por todos os lados, sem qualquer sentimento de culpa ou dor.

O ataque perverso gera prazer e estimula hormônios como a adrenalina e a oxitocina, além de provocar uma sensação de empoderamento ao “Hater” fazendo com que ele sinta uma espécie de prazer impulsivo através dos ataques que provoca na internet.

Desta maneira, as redes sociais por terem a falsa proteção de camuflagem, incentivam o sujeito a fazer uso destes canais como forma de descarga dessa energia, ou, ainda, como um meio de extravasar as fantasias perversas mais inconscientes, as quais ele não teria incentivo ou coragem de realizar no mundo real.

Enfim, psicanaliticamente falando, o “Hater” que dissemina discursos de ódios nas redes, na maioria das vezes, apresenta desvio de comportamento e caráter, caracterizado por sinais de sociopatia, ou seja, ausência de empatia em relação ao outro.

Ou até mesmo, uma psicopatia motivada pela perversidade, na qual sente um prazer nefasto em saborear o sofrimento e a dor do próximo sem qualquer remorso ou culpa. Mas, independente, de qualquer rótulo diagnóstico eles devem ser identificados e punidos pelos crimes que estão praticando.

E, o mais indicado, é que suas vítimas não devem responder aos ataques ofensivos e criminosos recebidos, por mais doloroso que seja. Pois, responder e contra-atacar alimenta o “Hater” e fortalecer seu discurso de ódio, já que ele passa a sentir que os holofotes estão voltados para si, potencializando ainda mais sua veia narcísica.

A denúncia deve ser feita nas delegacias especializadas no mundo virtual, para que os crimes praticados sejam investigados e não caiam na impunidade.

Além disso, ao se sentir mal, triste, depressivo, humilhado e exposto por situações como essa, deve-se buscar ajuda de um profissional de saúde mental que, com os instrumentos adequados, poderá auxiliar no fortalecimento da autoestima, no resgate do amor próprio, na ativação da alegria de viver e no aumento da consciência de sua importância enquanto ser humano.

Afinal, o mundo virtual deve ser usado com moderação de forma a entreter e trazer informação, aproximando e não afastando ou adoecendo mentalmente os indivíduos.

*Dra. Andréa Ladislau é Psicanalista Psicanalista Andréa Ladislau: doutora em psicanálise, psicopedagoga, palestrante, administradora, membro da Academia Fluminense de Letras, colunista do site UOL e de outros veículos importantes do país.

 

4

Set

[ARTIGO] SMS pirata: como essa prática pode prejudicar o seu negócio?

*Por Carlos Secron

O SMS é um canal de comunicação muito versátil, sendo altamente eficaz no envio de mensagens rápidas, curtas e de forma praticamente instantânea. Com tamanha força e presença dentre as empresas, muitos golpistas estão buscando carona no sucesso desse tipo de mensagem e ofertando pacotes não homologados pela Anatel. O SMS pirata é uma evolução dessa fraude que, se não for combatida, pode trazer consequências drásticas para o seu negócio.

No Brasil, o sistema de mensageria curta para fins corporativos é contratado diretamente em cada operadora por meio do A2P (Application to Person). São os únicos meios oficiais de disparo desse tipo de comunicação, com rígidas restrições e monitoramentos como forma de garantir a segurança dos dados trafegados. Porém, com o passar dos anos, muitas empresas fraudadoras desenvolveram rotas não oficiais desse meio, entregando um serviço altamente atrativo, mas que, na prática, prejudica a comunicação oficial das companhias.

As organizações criminosas oferecem seu serviço a um preço muito menor do que o usual do mercado. Em um primeiro momento, o pacote parece completamente verossímil, mas com o passar do tempo, deixam de enviar parte das mensagens acordadas. Ou ainda, enviam uma certa quantia por meio de rotas clandestinas. Segundo o site oficial de combate à essa fraude, a estimativa é de que o SMS pirata provoque perdas anuais de mais de R$ 200 milhões às operadoras móveis.

As consequências dessa prática podem ser desastrosas, principalmente quando essas rotas também são utilizadas para fraudes bancárias, como o phishing voltado ao SMS. Isso faz com que, ao receber uma mensagem suspeita de um mesmo remetente, o cliente pode associá-lo a uma tentativa criminosa e desprezar sua comunicação. Qualquer campanha feita por esse sistema pode ser severamente prejudicada em sua performance nessa situação.

Para piorar, muitos criminosos podem criar uma rede sistêmica entre si, desenvolvendo e misturando rotas de forma que tenham acesso a todos os dados coletados. O risco de vazamento de informações pode ser enorme, especialmente entre empresas de grande porte ou com uma ampla operação.

Estamos vivendo a pior fase do SMS pirata, com o crescente aumento de chipeiras (dispositivo usado para fazer disparo em massa do SMS pirata), contratos internacionais (com golpes sendo praticados por empresas de outros países) e outros meios de fraude desse sistema de mensageria. Muitos clientes possuem dificuldade em distinguir os serviços oficiais dos não seguros, principalmente porque na maioria das vezes, a perda de mensagens enviadas só é notada depois de um longo tempo. Diante desse cenário, a única forma de evitar esse risco é por meio de uma busca e análise minuciosa das empresas a serem contratadas.

Somente os brokers (empresas que possuem contrato com as operadoras) são confiáveis para este tipo de serviço. Busque por uma organização séria, com uma marca de credibilidade no mercado. Evite qualquer intermediário e desconfie sempre dos preços muito baixos. Lembre-se: o barato pode sair muito caro. Com esses cuidados, as chances de você ser vítima deste crime se reduzem a zero.

Em um momento no qual presenciamos grande ocorrência dessas fraudes e, ainda, uma maior dificuldade em combatê-lo, a conscientização sobre a escolha da empresa certa é a melhor medida preventiva. É necessário divulgar este risco, esclarecer todas as dúvidas e, acima de tudo, orientar para a melhor tomada de decisão. A transparência e suporte durante todo o processo são características indispensáveis que não devem ser deixadas de lado neste momento.

*Carlos Secron é fundador da Pontaltech, empresa especializada em soluções integradas de voz, SMS, e-mail, chatbots e RCS.