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25

Mar

[ARTIGO] Educação e inovação: exemplos e resultados, por Amaro Sales de Araújo

*Por Amaro Sales de Araújo

Recorro, de início, a uma frase concisa, bem articulada na agenda propositiva apresentada pela FIERN, para abordar o tema de hoje: “a educação é compromisso com a dignidade da pessoa humana e requisito essencial e insubstituível ao desenvolvimento sustentável de qualquer sociedade”. Ninguém mudará a história de uma nação a não ser pela educação!

Ora, tanta importância, exige, de plano, muita responsabilidade. Como, de fato, podemos melhorar a educação, considerando-a essencial e insubstituível? Certamente muitas respostas e, ainda mais, quando a apresentamos a partir de diferentes planos de observação e posicionamento.

Dentre as respostas importantes, a inovação surge, para muitos, como uma reflexão necessária e estratégica. Por oportuno, aliás, uma outra menção a agenda propositiva: “pesquisa do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), divulgada em 2021, em parceria com o Cenpec Educação, aponta que mais de 5 milhões de crianças e adolescentes estavam sem acesso aos estudos no Brasil no fim de 2020”. Constatação grave e desafiadora!

Juntando, portanto, importância e realidade, nada mais adequado que tentarmos associar educação com inovação, tanto para manter os que já estão matriculados, quanto para ampliar significativamente o número de matrículas. E, sem grandes contrariedades, é correto afirmar: sem educação não haverá desenvolvimento!

Sobre inovação, uma necessidade adicional. Os especialistas há muito que anunciam o impacto que a inteligência artificial terá no mercado de trabalho até 2030. Chegam a afirmar, , que muitas das profissões que hoje conhecemos serão extintas. Mas, como bem arrematou a executiva Tânia Consentino, da Microsoft, “a tecnologia tem o poder de transformar a economia e endereçar os grandes problemas da atualidade. Mas, para garantirmos os benefícios, temos que encarar o desafio da educação”.

Educação, com inovação, buscando estimular o interesse da comunidade escolar e ampliar o número de matrículas é desafio que vem sendo enfrentado quotidianamente pelo Sistema FIERN.

Aqui, todas as casas se esforçam para oferecer uma educação de melhor qualidade. O SESI, em particular, trabalha diariamente no equilíbrio entres os fundamentos basilares da educação e o uso da inovação. Temos, na SESI Escola de São Gonçalo do Amarante uma unidade modelo, cuja inauguração ocorre nesta semana e apresenta à sociedade uma instituição de ensino de ponta, que oferece recursos tecnológicos inéditos no estado e já contabiliza resultados importantes no desempenho destacado de nossos alunos.

Lousa digital interativa em todas as salas de aula, permitindo projeção de imagens, sonoridade e apresentação tridimensionais; biblioteca cujo acervo inclui impressora 3D para desenvolvimento para a prática dos conteúdos estudados; um auditório de alto nível; uma imensa Arena de Robótica que abriga torneios, sonhos e realizações. É uma escola diferenciada não somente pelos métodos e instrumentos de ensino, mas pelo encorajamento ao desenvolvimento pessoal e profissional de cada estudante.

Em seu segundo ano de funcionamento, a SESI Escola SGA já contabiliza o segundo melhor desempenho no Enem 2021 em todo o país, comparada às demais escolas da rede. Em 2022, nossos alunos cravaram o primeiro lugar nos cursos de Engenharia Mecatrônica da UFRN, de Pedagogia da UERN e de Engenharia de Energias do IFRN, por meio do ENEM. Ao todo, foram mais de 60 alunos aprovados nas principais instituições de ensino públicas do nosso estado.

Em competições voltadas às aptidões técnicas, realizadas em diversos estados brasileiros, colecionamos importantes resultados: foi a aluna Natália, da SESI Escola SGA, a vencedora do Concurso Nacional de Desenho do Ministério de Ciências, Tecnologia e Inovação (MCTI), e recebeu o Certificado de Mérito MCTI das mãos do ministro Marcos Pontes, em Brasília.

A SESI Escola RN foi vencedora do Prêmio Evolução na Olimpíada do Futuro, realizada em Foz de Iguaçu (PR), com o projeto “Jujuba Nutrinim – alternativas para restituir sentidos gustativos aos pacientes oncológicos”. A equipe de alunos foi classificada para a MILSET Latinamerican Expo-Sciences, que acontecerá na Argentina, neste ano. Fomos medalha de bronze na 24º Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA) e na Olimpíada Brasileira de Tecnologia (OBT). Entre os docentes, o professor da SESI Escola RN e escritor, Paulo César Palhares, foi o vencedor nacional do “Talentos dos Docentes SESI”.

De olho nos resultados, vamos, nos próximos meses, investir ainda mais também em nossa Sesi Escola em Mossoró, continuando os investimentos já feitos, pelo Sistema FIERN, em favor da educação.

Todo esse acervo, instrumentos e conquistas, destaco que está aberto ao intercâmbio de experiências com a educação pública municipal e estadual. Parcerias serão bem-vindas a fim de ampliar um modelo de sucesso para mais e mais potiguares.

Estimulamos que todos pensem a respeito e possam, como em um verdadeiro pacto, apoiar decisivamente a educação, trazendo técnicas inovadoras e pesquisa para dentro das escolas que, por sua vez, devem ser centros de formação de cidadãos com senso crítico apurado e prontos para os desafios deste tempo de grandes mudanças.


*Amaro Sales de Araújo, industrial, atualmente Presidente do Sistema FIERN  e diretor-secretário da CNI

17

Mar

[ARTIGO] Clarice Lispector e Natal/RN, por Daladier Pessoa Cunha Lima

Por Daladier Pessoa Cunha Lima

Em 1940, Clarice Lispector, já aluna do curso de Direito da Universidade do Brasil, sofre grande golpe com a morte do seu pai, logo após a realização de uma cirurgia de vesícula, com a idade de 55 anos. Já era grande amiga de Lúcio Cardoso, com quem se envolveu em sincero e quimérico amor. Em 9 de janeiro de 1941, a revista Vamos Ler, cujo diretor era o escritor Raimundo Magalhães Júnior, publicou outro conto de Clarice Lispector, sob o título de “Trecho”, em que a personagem espera, em um bar, a vinda do amado, enquanto observa os outros clientes, cada qual imerso em seus possíveis amores. No ótimo livro biográfico de C.L., a autora Teresa Montero cita um poema (Cântico do adolescente) de Augusto Frederico Schmidt (1906-1965), do qual Clarice achava que a mensagem, à época, parecia ter sido escrita para ela: “Adolescentes, passai cantando,/ A vida é dura, cantai, sofrei,/ Nada no mundo sei mais terrível,/ Que a vossa idade, que os vossos sonhos/.” A editora de Schmidt publicou o primeiro livro de Lúcio Cardoso, e os dois se tornaram amigos.

 Em 1942, em meio ao romance com Lúcio Cardoso, Clarice recebe um bilhete de um colega de faculdade, Maury Gurgel Valente, propondo namoro, pois a achava muito bonita e interessante. O namoro deu certo e os dois se casaram em janeiro de 1943. Um ano depois, o casal foi morar em Belém, PA, pois esta cidade tornou-se sede de posto estratégico do Itamaraty, durante a 2ª Guerra Mundial, e Maury, então cônsul de 3ª classe, fora nomeado para servir nessa unidade da capital paraense. Em Belém, os dias eram monótonos, a não ser durante poucos eventos, entre os quais a visita à cidade da Sra. Roosevelt, conforme carta de Clarice às irmãs. Por carta, também manteve o contato com seu grande amigo Lúcio Cardoso, de quem recebia notícias da ótima repercussão literária do seu primeiro livro, “Perto do Coração Selvagem”. Em julho de 1944, quando o Brasil se preparava para entrar na 2ª Guerra Mundial, ao lado dos Aliados, Maury Gurgel Valente foi removido para o consulado de Nápoles, na Itália. 

Clarice Lispector partiu do Rio de Janeiro, com o marido Maury, rumo a Nápoles, no dia 19 de julho de 1944, com pouso do avião em Natal, e se hospedaram no Hotel da Base Aérea de Parnamirim. Após cinco dias, o vice-cônsul Maury Gurgel Valente seguiu, em voo militar para Nápoles, via África, e Clarice permaneceu em Natal, durante cerca de 10 dias. Em carta a Lúcio Cardoso (“Natal, 25 de julho de 1944”), diz Clarice: “Estou lhe escrevendo de Natal, do horrivelzinho Grande Hotel daqui. Quer dizer, tudo está correndo bem, mas eu estou em Natalzinho e com saudades de minhas irmãs, de Maury, dos meus amigos do Rio e de Belém.” Em outra carta a Lúcio Cardoso, escrita de Nápoles, em setembro de 1944, Clarice volta a se reportar aos dias passados em Natal, e repete seu menosprezo pela cidade. Mas isto será assunto para outra crônica. 

*Daladier Pessoa Cunha Lima é reitor do UNI-RN.

3

Mar

[ARTIGO] Pandemias e carnavais, por Daladier Pessoa Cunha Lima

*Por Daladier Pessoa Cunha Lima

“Carnaval triumphante” foi a manchete principal do jornal Gazeta de Notícias, do Rio de Janeiro, edição de 02 de março de 1919.  Chamava a atenção para o triunfo do carnaval de 1919, naquela cidade, que havia passado por um terrível flagelo, a Gripe Espanhola, de setembro a dezembro de 1918. Além das tensões causadas pela virose, o fim da Primeira Guerra Mundial também era motivo de explosão de alegria coletiva em uma urbe onde a descontração sempre foi marca própria da sua gente. O poeta Bastos Tigre, com o cognome de Pierrot, criou essa quadrinha, muito cantada na festa:  “Quem não morreu da espanhola, quem dela pôde escapar, não dá mais trato à bola, toca a rir, toca a brincar.” O escritor Nelson Rodrigues (1912-1987) – à época com apenas seis anos – escreveu, em 1967:  “Começou o Carnaval e, de repente, da noite para o dia, usos, costumes e pudores tornaram-se antigos, obsoletos, espectrais.” E o Rio, que, poucos meses atrás, vivera uma tragédia sem par, e viu muitos corpos das vítimas da gripe serem levados em caminhões como sacos de lixo, passa a ter ruas repletas de música, de fantasia, de dança, de erotismo, um verdadeiro grito de vitória contra a dor e a morte.

O escritor Ruy Castro, em seu livro “O Carnaval da guerra e da gripe”, escreveu que a doença chegou ao Rio no dia 16 de setembro de 1918, quando atracou no porto o navio Demerara, vindo de Lisboa, com uma escala fatal em Dakar.  A gripe desceu do navio com os marujos que se espalharam pela praça Mauá, e “beijaram na boca das mulheres que lhes abriram os braços”. As pessoas começaram a adoecer e a morrer.  O alerta maior só veio quando as mortes foram a mais de 100 por dia.  O Rio pagou o mais alto tributo à doença, superior a outras cidades litorâneas, a exemplo de Recife, Salvador e Santos.  Ruy Castro cita o médico e escritor Pedro Nava, em relato de cena atroz que ele vira na rua:  uma criança esfomeada sugando os peitos da mãe morta. 

A partir de novembro de 1918, a gripe no Rio começou a declinar, até se despedir da cidade.  A guerra também estava perto do fim, pois, a 11 de novembro, os países bélicos selaram armistício, tendo como palco um vagão-restaurante, à margem do rio Oise, afluente do Sena. Chegara o momento exato da ruptura das tensões. “O Carnaval de 1919 seria o da revanche – a grande desforra contra a peste que quase dizimara a cidade”, diz o escritor Ruy Castro.  Em janeiro, o comércio inundou o Rio com os artigos momescos:  lança-perfume, serpentina, confete, quepes, bonés, luvas,  leques, enfim, um grande arsenal para animar a grande festa.  Ao concluir, o escritor Ruy Castro exclama:  “Na Quarta-feira de Cinzas, o Rio despertou convicto de que vivera o maior carnaval da sua história. (...) Só nove meses depois se saberia a enorme quantidade de filhos do Carnaval, gerados naquele período”. Deveras, foi um Carnaval Triumphante, com ph.

Agora, um século depois, uma outra pandemia viral, a Covid-19, assusta o mundo, causando muitas mortes e muitos transtornos em todas as áreas da vida humana. Ao se comparar as duas, pelo tempo de persistência da doença, nota-se que a Covid-19 é mais grave e de controle muito mais difícil, pois, apesar da enorme evolução da ciência médica, a Saúde Pública cancelou três carnavais seguidos, nas principais cidades do Brasil.

*Daladier Pessoa Cunha Lima é reitor do UNI-RN.

2

Mar

[ARTIGO] Transformação Digital: é possível abandonar o papel

*Por Oscar Rodríguez 

Tudo que aconteceu no mundo nos dois últimos anos fez algo que era muito comentado – a transformação digital – se transformar numa necessidade premente. Mas o quanto realmente as organizações estão preparadas e dispostas a encarar essa mudança?

De um lado, é certo apontar que na maior parte das empresas os colaboradores já fazem uso de dispositivos móveis (seus ou disponibilizados pela companhia) em seu dia a dia de trabalho, resultando num declínio do uso constante de papel. Mas a realidade é que ambientes de trabalho realmente paperless ainda são um sonho distante para a maioria. E não há transformação digital sustentável onde a fisicalidade ainda impera.

É interessante pensar nisso porque não se trata de não termos tecnologia para abolir o uso de papel. O fato concreto é que não queremos nos livrar do papel. Dados de uma pesquisa realizada pela empresa Quocirca, que entrevistou executivos de 200 organizações nos Estados Unidos, Reino Unido, França e Alemanha, mostram que 27% dos processos empresariais são baseados em papel. As principais razões citadas para isso foram: assinaturas físicas (55%), exigência dos clientes/fornecedores (48%) e, mais notavelmente, que os funcionários preferem papel (41%).

Ou seja, é nítido que há uma resistência real à mudança, que vem do hábito das pessoas em lidar com documentos físicos. E mesmo com dados mostrando que cópias em papel são inibidores de eficiência e crescimento, grande parte dos colaboradores das empresas continuam usando papel – simplesmente porque é assim que sempre fizeram.

O valor dos dados

As empresas estão abarrotadas de dados. Todos os dias, elas se deparam com enormes quantidades de informações que entram e saem de suas organizações de diversas fontes. Controlar de maneira efetiva esses fluxos tornou-se um verdadeiro diferencial competitivo. É preciso, portanto, de uma estratégia de gestão de informações.

E nesse contexto, a digitalização faz ainda mais sentido, porque os documentos impressos têm suas limitações: precisam ser transferidos fisicamente, exigem espaço para armazenamento, desaceleram a transformação de negócios e podem ser perdidos. Além disso, exceto quando documentos impressos são digitalizados, diferentemente de arquivos de cópia digital, os dados neles contidos não podem ser usados em fluxos de trabalho digitais ou acessados a partir de um sistema de armazenamento comum.

Isso é reconhecido por mais de dois terços (69%) dos líderes de automação de processos de negócios entrevistados pela Quocirca, os quais disseram que a digitalização de documentos é muito importante para sua estratégia de gestão de informações.

Mas, ainda que saibam da necessidade, o mesmo estudo indica que menos da metade das organizações participantes (44%) implementaram políticas para gerenciar informações digitais e impressas.

As dificuldades

62% das empresas entrevistadas pela Quocirca afirmaram que a complexidade é a principal barreira para implementar as tecnologias de captura de documentos. A integração de sistemas, com scanners e softwares, à primeira vista, pode parecer realmente muito difícil.

Entretanto, o mercado já conta com soluções que aprimoram os processos, resultando em um fluxo contínuo e simplificado de informações e trabalho e também em dados mais confiáveis. É o caso, por exemplo do Kodak Alaris IN2 Ecosystem, uma opção que oferece o ajuste certo para cada empresa. O foco está em determinar o volume de digitalização e as necessidades de fluxo de trabalho. A partir disso, dá-se suporte para equipes e locais distribuídos com soluções baseadas na web, scanners móveis e aplicativos de captura. Complementarmente, o software da Kodak Alaris funciona com os scanners, impressoras multifuncionais e aplicativos de negócios mais populares. 

À medida em que mais organizações implementam estratégias de transformação digital, levando seus fluxos desatualizados e baseados em papel para o fluxo digital, elas conseguem aumentar sua produtividade, aprimorar a experiência para o cliente e, em última análise, impulsionar o crescimento de receitas.

A transformação digital é a chave para aumento de produtividade, ideias de negócios mais geniais, crescimento acelerado e uma margem de concorrência sustentável.

*Oscar Rodríguez é Diretor Comercial da Kodak Alaris no Brasil.

17

Fev

[ARTIGO] O vaivém da Covid-19, por Daladier Pessoa Cunha Lima

*Por Daladier Pessoa Cunha Lima

Podemos confiar que a variante ômicron é o arauto do fim da pandemia da Covid-19? Já ouvi essa opinião de leigos e de profissionais da área da saúde, inclusive de médicos. No entanto, é voz geral de que essa hipótese se deve ao alto índice do uso das vacinas. Pressupõe-se, portanto, que as benesses ficariam restritas aos países que conseguiram vacinar grande parte da população, ou seja, mais uma vez, as regiões mais pobres do planeta seriam as maiores vítimas. Um dos diretores da OMS Hans Kluge declarou que a variante ômicron estaria trazendo uma trégua, que pode resultar em uma paz duradoura na pandemia. Por outro lado, recomendou cautela no tocante à Covid-19, tanto na visão individual quanto na epidemiológica, pois esse coronavírus é capaz de surpreender a qualquer hora e em qualquer lugar.

Sabe-se que a variante ômicron, apesar de ser muito mais transmissível do que as anteriores, causa formas clínicas mais leves da doença.  Mesmo assim, vejamos o que disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus:  “Mais transmissão significa mais mortes.  Não estamos pedindo um retorno a lockdowns, mas que protejam seu povo usando todos os recursos disponíveis, não só vacinas”. Do ponto de vista epidemiológico, a ômicron nada tem de leve. É bastante olhar o caso do Brasil, onde a média móvel de mortes voltou ao nível da fase mais grave da doença, ao chegar a mais 1.000 óbitos diários. No âmbito mundial, ainda é mais assustador, pois chegamos a mais de 2 milhões de novos casos em apenas 24 horas. 

Nunca é demais insistir que os coronavírus não conferem a chamada imunidade natural. Há enorme variação entre a imunidade causada pela infecção de diferentes vírus. Tinha eu a idade de dois anos, quando passei por uma prova de fogo, pois quase que o sarampo me tirou a vida, mas fiquei livre dessa doença. Porém, quase todas as pessoas de mais idade, ao longo do tempo, já passaram por surtos de gripe, porquanto o vírus causador da influenza sofre mutações frequentes, o que exige vacinação frequente, no caso, anual. O Sars-Cov-2 não chega a ser tão mutante quanto o vírus da gripe, mas também não é estável, a ponto de conferir imunidade após uma infecção, como defendem alguns incautos. Enfim, temos de nos render à ciência, que descobriu vários tipos de vacina contra a Covid-19 em tempo recorde, e deverá prover avanços nessa área, a fim de chegar ao controle da primeira pandemia do século 21.

Em recente crônica na Folha, o médico Raul Cutait, professor da USP, defensor da medicina científica, expressou seu ponto de vista no tocante às políticas públicas:  “Creio ser dogmático o compromisso com as melhores práticas médicas, definidas pela boa ciência. Caso contrário, nossa população fica exposta a riscos de vida e de sofrimento, com dispêndio desnecessário dos já limitados recursos voltados para a saúde”. 

Texto publicado na Tribuna do Norte, em 17/02/2022

*Daladier Pessoa Cunha Lima é reitor do UNI-RN.

13

Fev

[ARTIGO] Burnout, a nova doença do trabalho

*Por Yara Leal Girasole

Você já sentiu um esgotamento muito intenso, uma carga de estresse tão elevada que teve

vontade de jogar tudo para o alto? Geralmente, quando isso ocorre em um contexto de trabalho, a pessoa acometida tem dois caminhos: buscar formas de mudar o quadro em que está por si mesma ou com auxílio externo, ou desenvolver a Síndrome de Burnout.


“Estresse crônico que não foi administrado com sucesso” - Essa foi a frase utilizada para definição da doença, em um documento divulgado pela Organização Mundial da Saúde ("OMS”), para classificar a Síndrome de Burnout como uma doença exclusivamente relacionada ao trabalho. Sabemos que não é de hoje que o estresse e esgotamento extremos em decorrência de más condições de trabalho minam o potencial do trabalhador de desenvolver suas funções. No entanto, somente a partir do dia 01 de janeiro de 2022 que a doença passou a ser classificada pela OMS como uma doença do trabalho, trazendo

consequências para o empregador.


As consequências do reconhecimento da Síndrome do Burnout como doença do trabalho são, em regra:


1 - reconhecimento de estabilidade no trabalho por 12 meses;

2 - afastamento pelo INSS, mas com continuidade no pagamento do FGTS mensal;

3 - possibilidade de reconhecimento de indenização por danos morais e até mesmo materiais (a depender do caso) na Justiça do Trabalho.

Portanto, é fundamental que o empregador auxilie no cuidado da saúde mental dos seus colaboradores não apenas medindo o seu grau de produtividade, mas também com a análise da preocupação do colaborador em atingir os resultados esperados pela empresa. Assim, é preciso que haja um plano de ação nas empresas, com uma equipe engajada nos cuidados relacionados à saúde e segurança dos colaboradores, pois essas medidas evitam exposição da empresa (tanto exposição trabalhista, quanto exposição relacionada à sua imagem), como engajam, mantém e atraem talentos, tornando-a mais produtiva e, consequentemente, mais lucrativa. A relação é, sem dúvida, de Ganha / Ganha.

O que é síndrome de Burnout ?
 

Burnout vem do inglês e significa “esgotamento”. A Síndrome de Burnout, ao se manifestar no colaborador, pode provocar danos à sua saúde tanto física, como psicológica, em decorrência das más condições de trabalho. Destaca-se que a Síndrome de Burnout não se

trata apenas da falta de estrutura ocupacional adequada, mas sim de um ambiente onde há problemas que envolvam a saúde mental do empregado, como: bullying, assédio moral, cobranças extremas, pedidos de entregas inalcançáveis, longas jornadas de trabalho, falta de

reconhecimento, e tudo o que de alguma forma caracteriza um ambiente desagradável para se trabalhar. Em casos extremos, a doença pode levar o colaborador à morte por problemas cardíacos e derrames, e até mesmo, ao suicídio.

 

Burnout & Pandemia


A Síndrome do Burnout se trata de uma questão antiga, mas somente agora foi acendida a luz sobre esse problema e isto tem ligação direta à pandemia do coronavírus. É que, desde o surgimento do vírus, foi percebido um agravamento diante do cenário global de problemas psicológicos relacionados ao trabalho e, de acordo com pesquisas, isto tende a continuar.

Em um contexto hipotético de pós-pandemia, as pessoas estão propensas a se dedicarem de tal maneira ao trabalho por medo de perderem seus empregos, que serão capazes de ignorar seus limites para entregarem os resultados esperados pelas empresas. Então, se antes o problema existia em um cenário já conhecido, a partir de agora, ele passa a ligar um botão de atenção a mais, que deverá ser atendido por todos os cargos de chefia.

Empatia e Engajamento

A melhor maneira de evitar que isso aconteça com um dos colaboradores da empresa é investir na prevenção e tornar a questão algo a ser discutido e analisado todos os dias por toda a equipe envolvida. O que não pode ser feito, de forma alguma, é ignorar o problema ou torná-lo pouco relevante, trazendo soluções paliativas e ineficazes.


O que fazer para prevenir casos de Sìndrome de Burnout em sua empresa:

1. Primeiro passo é aceitar que a doença se desenvolve no ambiente de trabalho;

2. Promover o assunto dentro do ambiente de trabalho, fomentar reuniões periódica (diárias, semanais; quinzenais);

3. Oferecer todo o suporte necessário para que os gestores fiquem atentos ao comportamento dos seus colaboradores; e consigam perceber os sintomas logo no início;

4. Definir um plano de ação em parceria com toda equipe, e se possível, com o auxílio de profissionais da área de saúde mental para ajudar nos processos das ações preventivas, que precisam ser feitas de modo contundente;

5. Respeitar os limites de cada indivíduo;

6. Valorizar pequenas conquistas de cada um.

7. Promover rodas de conversas, espaços de conhecimento ou até mesmo“happy hours” com toda a equipe para que sejam construídas válvulas de escape, de conversas informais, as quais podem servir como geração de vínculos entre os profissionais;

Se já estiver acontecendo, o que fazer?

O primeiro passo é se dispor a iniciar uma conversa a fim de levar o colaborador a aceitar um tratamento e a ajuda necessária. O segundo é ampliar a visão para enxergar em que momento e por quais motivos levaram a pessoa a adoecer. Não será uma tarefa fácil diagnosticar o foco do problema, uma vez que sempre há mais envolvidos, mas é fundamental o esforço. Entender que o ambiente de trabalho pode ser nocivo à saúde do colaborador e tomar medidas preventivas para deixar o ambiente mais agradável para todos também pode evitar complicações diante de um processo judicial.

Estamos em um momento onde é importante que todos estejam atentos aos problemas que podem ser gerados por um ambiente de trabalho que não preza pela segurança da saúde mental de seus colaboradores. E como começar?

1. Abrir espaço para a fala e a escuta de qualidade dentro da empresa;

2. Abrir canais de comunicação e discussões/fóruns a respeito do tema;

3. Promover conversas com os colaboradores para mensurar o nível de satisfação

de cada um no local de trabalho;

4. Promover eventos e palestras;

5. Criar Políticas governamentais direcionadas à essa questão
 

As sugestões acima são exemplos de como o empregador pode demonstrar seu interesse na proteção da saúde dos colaboradores e diminuir riscos trabalhistas ao comprovar práticas da empresa nesse sentido. Abrir as portas da comunicação para a entrada de conversas com o empregado é sem dúvida, o melhor caminho para a prevenção. Então, vamos lá e dê início agora a este bate-papo.


*Por Yara Leal Girasole, Especialista em direito do trabalho e sócia do escritório HSVL Advogados.

12

Fev

Seleções e contratações serão mais digitais em 2022

Encontrar bons profissionais sempre é um grande desafio. Especialmente por conta da pandemia da Covid-19, que limitou o contato olho no olho, os setores de Recursos Humanos (RH) se encontraram diante de entraves e não tiveram outra opção a não ser mudar a estratégia. Assim, a seleção digital, que era tendência, se tornou realidade na área de recrutamento e seleção.

Plataformas para gestão de recrutamento, seleção e admissão on-line se tornaram cada vez mais presentes e incluíram novas etapas, como testes e análises, facilitando o encontro do perfil ideal que a empresa está buscando.

Entre as vantagens desta mudança foi a ampliação do número de candidatos que podem ser selecionados para uma mesma vaga, o que dá, para um número muito maior de pessoas, a oportunidade da concorrência. Daí a escolha do termo democracia para definir o processo. Também, as ferramentas tecnológicas permitiram um escrutínio muito mais apurado do candidato, contratando com mais precisão alguém que tenha o perfil adequado para a vaga e que esteja em sintonia com a cultura da empresa. Tudo isso, com celeridade e transparência.

Novidades

Uma das novidades do mercado é o filtro de candidatos a partir de sua localização, favorecendo a contratação de quem mora perto da empresa que oferece a vaga. Com o recurso da geolocalização, busca-se pela proximidade dos candidatos com a empresa. Isso é interessante porque muitas vezes os gestores percebem que as pessoas que permanecem mais tempo na empresa são as que moram próximo, por isso, entendem que é interessante buscar por quem mora perto mesmo. É uma facilidade, qualidade de vida. 

Há ainda a seleção com fases híbridas, em que o contato é uma realidade. Ferramentas favorecem esse modelo, como tecnologias para vídeo-entrevistas e inventários comportamentais. Ao mesmo tempo, também auxilia a parte presencial, organizando o atendimento presencial, gerenciando o tempo médio de espera e tratando os candidatos de forma personalizada, sabendo quem é, por quem ele será entrevistado e de qual processo seletivo está participando. 

O processo de vídeo-entrevistas segue fundamental para processos mais assertivos; em poucos cliques, o recrutador configura a sequência de perguntas para que o candidato responda em formato de vídeo. São centenas de entrevistas simultâneas, conhecendo um pouco mais cada candidato, mas sem travar a agenda do selecionador.

Potencializando o ser humano 

Se for explorada de maneira mecânica pelas plataformas, a tecnologia pode exibir um lado ruim. No mercado de recrutamento, por exemplo, há softwares que acabam excluindo candidatos por exigirem o longo preenchimento de campos – às vezes, mais de uma vez – ou por utilizar métodos tão tecnológicos que acabam afastando quem não tem tanto domínio da informática. Além disso, algumas plataformas existentes segregam candidatos por conta dos algoritmos enviesados, que, segundo pesquisadores, “escondem” profissionais ao fazerem suas buscas pelo melhor candidato possível. Só para se ter ideia, nos Estados Unidos, uma pesquisa de setembro de 2021 mostrou que quase 30 milhões de trabalhadores estão ocultos no mercado de trabalho. Os programas encontram o perfil ideal através da configuração do programa de filtragem com um conjunto de palavras-chave escolhidas por quem faz as seleções. Práticas sem gerenciamento e mecânicas endurecem o encontro do candidato certo para a vaga correspondente.

Quando se tem uma metodologia, desde a implantação inicial até a parametrização das regras de negócio da empresa, essa ‘configuração’ do filtro também é realizada de uma melhor forma. Se não há um processo estruturado que considere as características de cada organização, a tecnologia pode vir a atrapalhar mesmo.

O sucesso e a tranquilidade do time de RH dependem muito, portanto, que o sistema de recrutamento seja mais do que apenas um software e sim uma solução completa, e com apoio do fornecedor da tecnologia que vá além do sistema.

6

Fev

[ARTIGO] Como fidelizar clientes na era digital?

*Por Igor Castro 

Fidelizar os clientes é uma das estratégias primordiais de qualquer negócio e, ao mesmo tempo, uma das missões mais complexas. Em apenas um clique, os consumidores podem encontrar uma infinidade de concorrentes que entregam os mesmos produtos e serviços, com a mesma qualidade e preços tão atrativos quanto. A luta pela atenção dos usuários nesta era digital está cada vez maior e, para ganhar sua preferência dentre tantas opções, é preciso se munir de ações que tornem sua experiência próxima, personalizada e valorizada. 

Garantir um bom atendimento é tão importante quanto entregar um serviço de qualidade e assertivo às necessidades do público-alvo. Afinal, sempre irão existir companhias que trabalhem no mesmo nicho e, o que irá diferenciar seu negócio frente aos demais, será sua atenção e preocupação com o consumidor final em toda sua jornada de compra. 

Em um estudo feito pela Think With Google, 63% dos clientes esperam que as marcas tenham uma experiência consistente em todas as interações realizadas. Uma única falha nesse processo, em contrapartida, fará com que busquem outras empresas que ofereçam o que procuram e que estejam dispostas a atendê-los – com uma chance reduzida de voltarem a procurar seu negócio futuramente. 

Como atrair e reter clientes? 

O varejo vive uma luta eterna para fidelizar clientes. É preciso investimentos constantes nas melhores estratégias de atração e retenção e, para alcançarem tal êxito, é necessário ter como ponto de partida um entendimento completo sobre o perfil de seu consumidor. Entenda para quem você está vendendo, quais são seus anseios e produtos desejados. Quanto mais dados forem colhidos constantemente sobre tais perfis, melhor. 

Nessa etapa, muitas companhias conseguem captar grande volume de informações por meio das pesquisas de satisfação, nas quais relatam como foi sua experiência, se estão satisfeitos e as chances de recomendarem o serviço para outras pessoas. As respostas, certamente, darão o insumo necessário para identificar o que está dando certo e o que deve ser aperfeiçoado para a evolução constante da empresa – principalmente, por meio dos feedbacks negativos. 

Qualquer comentário ruim sobre a experiência do usuário deve ser respondido o quanto antes. A empresa deve se mostrar sempre disposta a solucionar o problema e preocupada em deixá-lo satisfeito. Caso contrário, a falta de atenção rápida neste retorno irá não apenas danificar sua imagem no mercado, como também fazer com que o usuário busque um concorrente e, dificilmente, retorne a procurar seu negócio. 

A importância dos canais de comunicação na fidelização dos clientes 

A fidelização dos clientes também depende de uma comunicação próxima. Por mais que a tecnologia tenha contribuído para o desenvolvimento de agentes virtuais que otimizem o atendimento, muitos ainda preferem conversar com um atendente humano em sua jornada de compra. Existem diversos perfis de consumidores que devem ser contemplados de forma igualitária, por meio da oferta de múltiplos canais para que cada um escolha seu meio predileto. 

Junto à essa diversidade, todos os canais devem ser interligados, de forma que os consumidores possam iniciar sua jornada em um meio e finalizá-lo em outro. O RCS é um dos maiores exemplos de canais que vêm crescendo no mercado – o qual permite uma jornada rica por meio de um carrossel completo de imagens, mensagens, vídeos e documentos. Os métodos disponíveis no mercado estão em constante desenvolvimento para trazer soluções cada vez mais completas para o seu negócio. 

Priorizar uma comunicação frequente e amigável é essencial. Contudo, é necessário se atentar à linha tênue entre essa periodicidade e a excessividade de mensagens. Contatos massivos irão descredenciar sua marca no mercado, gerando grande insatisfação e repulsão dentre os usuários. Todas essas ações devem ser monitoradas a todo momento, trazendo insights mais assertivos sobre os resultados das estratégias aplicadas. 

Nem sempre sua companhia irá acertar nas ações realizadas. Por isso, procure sempre recolher os feedbacks dos usuários e entender o que pode ser aperfeiçoado para trazer uma experiência cada vez melhor. Buscar a fidelidade de um cliente nesta era digital é uma luta constante no mundo corporativo – mas, completamente possível de ser conquistada por meio de uma jornada única e próxima que faça com que se sintam especiais. 

*Igor Castro é diretor de produtos e tecnologia na Pontaltech, empresa especializada em soluções integradas de voz, SMS, e-mail, chatbots e RCS. 

5

Fev

[ARTIGO] O segredo para incentivar a leitura

*Por Luciana de Gnone 

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Pró-Livro revelou que o brasileiro lê em média 4,96 livros por ano. Pode parecer bastante, mas os franceses, por exemplo, chegam a ler mais de 20 obras no mesmo período. O que explica então o desinteresse pela leitura, especialmente entre os mais jovens, no nosso país? 

Acredito que estas estatísticas negativas sobre leitura estão, em parte, ligadas à obrigatoriedade de ler os grandes clássicos da literatura brasileira durante o ensino básico. Não me entenda mal, não estou criticando os clássicos, longe de mim. 

O que quero dizer é que a maioria das pessoas tem dificuldade em ler e interpretar a linguagem rebuscada dessas narrativas. Esta formalidade, aliada à obrigação imposta sobre estas leituras, acaba criando um afastamento entre os jovens e a literatura que infelizmente se estende para a vida toda. 

Há algum tempo, em uma conversa de família, soube que minha sobrinha de 15 anos, que até então não gostava de livros, finalmente descobriu sua paixão pela leitura. Isso aconteceu porque ela estava lendo um livro que despertou seu interesse. 

Este caso retrata minha crença que defendo quase como um mantra: a pessoa diz não gostar de ler até ler um livro que gosta. Não acho que o ser humano seja avesso à leitura. Acredito apenas que cada um tem estilos, gostos e interesses diferentes. 

Desde que comecei a escrever romances profissionalmente, tento reverter este movimento contra a leitura que parece ter se enraizado na nossa cultura. Na verdade, todas as pessoas que não leem hoje são potenciais leitores, basta encontrar o livro certo. 

Como escritora, uso meu ativismo pró-leitura para enfatizar a importância dos livros no desenvolvimento humano. Inclusive, costumo indicar três caminhos para quem não gosta de ler descobrir como identificar os títulos certos para investir seu tempo. 

Para saber quais são os seus gêneros literários preferidos, basta analisar os filmes e séries que você mais assiste. Depois, vale procurar os trabalhos de autores destes gêneros e ler resenhas de livros escritos por eles para encontrar aquele que mais chama a sua atenção. 

Tem ainda a regra 80/20: se você leu 20% do livro e não gostou, o melhor é deixá-lo de lado e começar uma nova leitura. Se até ali você não se encantou por aquela história, talvez não seja o livro certo ou mesmo o momento ideal para ele. 

Se você conhece alguém que se encaixa neste perfil de brasileiros que não gostam de ler, sugira estas técnicas. Pode ser o incentivo necessário para que mais uma pessoa descubra o potencial dos livros e se apaixone pelo universo mágico da literatura. 

*Luciana de Gnone é escritora e autora do suspense policial “Evidência 7: Segredo Codificado”. 

2

Fev

[ARTIGO] SENAI, 80 anos por Amaro Sales de Araújo

*Por Amaro Sales de Araújo

Existem datas que devem ser celebradas com destacada euforia! Uma instituição chegar a 80 anos, per si, já seria algo a ser alegremente comemorado, ainda mais quando se trata de um ente que se apresenta necessário, mesmo decorrido tanto tempo, em tudo o que faz e com a qualidade com que realiza sua missão!

Refiro-me ao Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), 80 anos, o principal parceiro da indústria quando tratamos sobre qualificação profissional, produtividade, qualidade, consultoria, pesquisa e desenvolvimento. Como bem resume o Presidente Robson Braga, da Confederação Nacional da Indústria, o SENAI, onde já estudaram mais de 80 milhões de pessoas, “consolidou-se como um dos maiores complexos de educação profissional e serviços tecnológicos do mundo. Com constante modernização tecnológica das suas escolas e corpo docente, tornou-se referência global e ganhou reconhecimento da Organização das Nações Unidas (ONU), da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE)”.

Criado em 1942, a instituição está presente em todo o Brasil. Dispõe, segundo dados oficiais, de “523 unidades operacionais, 465 unidades móveis, dois barcos-escola, 26 Institutos de Inovação e 62 Institutos de Tecnologia”. No Rio Grande do Norte, conta com centros bem estruturados em Natal, Mossoró e Santa Cruz que atendem todo o território estadual, incluindo ainda, em Caicó, uma unidade integrada e, na Capital do Estado, um Instituto de Inovação que ultrapassa as fronteiras potiguares.

O SENAI contribuiu significativamente para o desenvolvimento da indústria nacional. E assim continua! Uma de suas mais fortes características é, justamente, a modernização de seu parque educacional, renovando e inovando a favor da melhoria de processos e produtos industriais. Não teríamos, certamente, a indústria de hoje, com tanta capilaridade e tecnologia, se, em 1942, a iniciativa de constituição da entidade não tivesse sido concretizada!

Os desafios, contudo, continuam presentes e provocadores. A cada fase da caminhada, novas circunstâncias e, consequentemente, desafios próprios para cada época. E o SENAI, neste aspecto, tem a condição de adequação ao tempo presente e a velocidade necessária para eventual reposicionamento diante das perspectivas de futuro. É uma entidade privada, com dados gerenciais transparentes, equipe dirigente atenta às novas demandas da sociedade e, em particular, da indústria nacional. Conta com colaboradores comprometidos, avaliados frequentemente, produzindo resultados – a partir da formação de pessoas e da ciência e tecnologia – que são indispensáveis ao desenvolvimento do nosso País!

O SENAI, 80 anos, tem o vigor da juventude associada à experiência consolidada das primeiras décadas de vida, para continuar sendo relevantemente útil ao povo e as instituições brasileiras.

*Amaro Sales de Araújo, industrial, atualmente Presidente do Sistema FIERN  e diretor-secretário da CNI

30

Jan

[ARTIGO] Indústria de mídia e entretenimento só cresce no país

*Por: Tamy Sass

Algumas pessoas podem se surpreender com isso, mas já há pesquisas bastante confiáveis que indicam que a indústria de mídia e entretenimento vai crescer nos próximos anos. 

O motivo para isso ser recebido com estranheza por alguns é que o Brasil está passando por um período bastante conturbado no aspecto político e econômico. 

O próprio Ministro da Economia, Paulo Guedes, declarou que o Brasil foi atingido por um meteoro. 

Quando alguém nesta posição diz algo desse tipo, você pode apostar que o problema é grave. 

Não há dúvidas de que a pandemia foi um problema 

Para conter o COVID-19, diversas regiões do Brasil adotaram o lockdown. Isto quer dizer que atividades não essenciais não eram permitidas. Coisas como eventos e festas estavam temporariamente proibidas por lei. 

Obviamente isso prejudicou as pessoas que trabalham no setor. Os mais criativos tentaram burlar a crise trabalhando online. Mas o mundo virtual não é substituto para o mundo real. 

Um show sem público apresentado no formato de live dificilmente vai conseguir arrecadar o mesmo que um show com público onde as pessoas pagam por bebida, comida e etc. 

Isto é, as alternativas para contornar o distanciamento social não foram o bastante para frear a crise do entretenimento

Uma vida social é importante 

Existe um consenso entre a comunidade médica de que uma vida social ativa é importante para a vida das pessoas. 

Nenhum médico em sã consciência vai criticar as relações humanas. Estar conectado com pessoas é apontado como algo essencial tanto para a saúde mental quanto física. 

E é aí que os profissionais da indústria do entretenimento entram em cena. O trabalho dessas pessoas é mais importante do que muita gente pode imaginar. 

Pesquisas apontam para o crescimento do setor nos próximos anos 

Ainda é um pouco cedo para dizer que o Brasil superou a COVID-19. Por outro lado, é visível que já superamos o auge da pandemia. 

Uma parte considerável da população já foi completamente vacinada e a flexibilização das medidas restritivas está a todo vapor. 

Os impactos deste novo cenário já são visíveis na indústria de mídia e entretenimento. 

Segundo a 22ª Pesquisa Global de Entretenimento e Mídia 2021-2025 da PwC, o mercado de mídia e entretenimento no Brasil deve crescer 4,7% até 2025 e 5% ao ano. 

Traduzindo isso para dinheiro, espera-se que o setor chegue em U$ 38 bilhões. 

Isso quer dizer que os profissionais da área e os empreendedores que querem participar deste setor estão diante de um cenário excelente. 

Há muitas oportunidades nesta área 

Empreender é o mesmo que solucionar problemas e a indústria de mídia e entretenimento é bastante problemática. 

A experiência própria junto com pesquisa de mercado mostrou para Tamy Sass, fundadora e CEO da Twidie, que contratar profissionais dessa área pode ser um grande desafio. 

Por isso a startup Twidie foi criada. Trata-se de uma plataforma que vai conectar os profissionais da indústria de mídia e entretenimento com os contratantes. 

Você pode conhecer mais sobre a Twidie visitando o nosso blog clicando aqui. 

Tamy Sass é CEO e Fundadora da Twidie, e vencedora do European Tech Women Awards 2020 e TEDx Speaker

23

Jan

[ARTIGO] O que a pandemia nos ensinou sobre fortalecer nossas parcerias

*Por Gláucio Silva

A pandemia da COVID-19 forçou mudanças significativas na operação de muitas empresas. A reorientação para uma força de trabalho remota teve impacto no dia a dia dos colaboradores, mas também repercutiu na forma como as empresas interagem com os seus parceiros. Quando a passagem para operações virtuais ocorreu, ficou mais estruturar novas relações com vendedores, integradores e clientes. A interação direta e presencial era a força vital de muitas indústrias - incluindo a indústria de segurança - e a incapacidade de se envolver nessas conexões representou um desafio significativo.

Embora a construção de novas relações no meio da pandemia não fosse impossível, os desafios acrescentados tornaram mais crítico do que nunca que as empresas reforçassem e mantivessem as suas relações existentes. Era importante para as empresas compreender que os seus parceiros, integradores e clientes enfrentavam problemas semelhantes, por isso, era preciso união para encontrar novas formas de trabalhar em conjunto. Este novo nível de interligação construiu laços mais fortes entre as empresas e os seus parceiros - vínculos que devem persistir muito depois do fim da pandemia.

Enfrentando o pior da pandemia

Os problemas causados pela pandemia estão bem documentados e as implicações na linha de abastecimento que têm atormentado inúmeras indústrias continuam a ser um desafio.  Contudo, os fabricantes devem compreender que embora os parceiros e clientes estejam conscientes de que estas questões existem, podem nem sempre compreender todo o seu alcance - ou consequências. Nem todas as carências foram impulsionadas pela pandemia, por exemplo, e alguns clientes ficaram surpreendidos ao descobrir que mesmo à medida que as vacinas continuam a ser lançadas, persistem carências de itens como CPUs e microchips. Alguns problemas foram apenas exacerbados por ela.

Isto significa que a fixação de expectativas nunca foi tão importante. Em alguns casos, parceiros e clientes tornaram-se mais tolerantes: todos sabem que os últimos dois anos têm sido um desafio, e a maioria das pessoas está disposta a perdoar pequenos inconvenientes. Mas com o passar do tempo, essas mesmas partes - compreensivelmente esperam um regresso a um elevado nível de serviço. Mesmo sem interação cara a cara, os clientes esperam receber o mesmo nível de atenção e serviço que sempre receberam. De fato, muitos esperam mesmo que o serviço seja mais responsivo, uma vez que os colaboradores que trabalham à distância são percebidos (com ou sem razão) como tendo mais tempo livre e a estarem mais disponíveis.

Na minha experiência, esta percepção aumentou o número de chamadas dos clientes - e embora por vezes fosse necessário corrigir essa ideia de que os empregados estavam parados, tais interações eram sempre bem-vindas porque podem melhorar as relações entre as empresas e os seus parceiros, fomentando a honestidade e uma comunicação aberta. Os clientes podem não esperar visitas cara-a-cara como nos anos anteriores, mas esperam uma ligação online. E com o cansaço virtual que se instalou, as empresas precisam de encontrar novas e interessantes formas de manter a proximidade.

Fomentando uma maior compreensão

Muitos fabricantes vendem os seus produtos através de distribuidores e integradores e precisam de compreender os desafios únicos que a pandemia colocou também a esses parceiros. Com as interações presenciais limitadas, nem sempre foi fácil para os integradores encontrar os seus potenciais clientes, além disso, a escassez de mão-de-obra devido à pandemia e às suas consequências económicas significou que as coisas nem sempre correram tão bem como no passado. Com os problemas da cadeia de fornecimento se acumulando ficou ainda mais difícil para os integradores estabelecerem expectativas com os clientes finais. Os atrasos na cadeia de fornecimento, a disponibilidade limitada e os prazos de entrega atrasados contribuíram todos para este problema.

Infelizmente, frequentemente surgem modismos durante tempos difíceis e algumas organizações optam por se concentrar nos seus resultados imediatos. Isto pode levar à miopia: um exemplo disso foi a pressa em adotar câmaras térmicas no auge da pandemia. Não se enganem, as câmaras térmicas são uma tecnologia extremamente útil - quando implantadas corretamente e utilizadas para o fim certo. Mas alguns vendedores promoveram as câmaras térmicas como um meio eficaz de realização de rastreios de febre COVID-19 em massa, o que é algo a que não se adequam muito bem. Empurrar a tecnologia para os clientes quando esta não é adequada ao fim a que se destina nunca é uma boa ideia - pode resultar num rápido retorno, mas acaba por minar a confiança não só na tecnologia em si, mas também no fabricante, integrador, e qualquer outra pessoa envolvida no processo de venda. A relação entre fabricante, integrador e cliente é importante, e a sua manutenção exige honestidade de todas as partes.

Parte disto se resume à educação. Os integradores esperam ser devidamente informados pelos fabricantes para que possam transmitir esse conhecimento aos seus clientes. Os integradores devem ser informados previamente com os fabricantes sobre as informações de que necessitam e os fabricantes devem evitar exagerar as capacidades dos seus produtos. Isto requer um pensamento a longo prazo que vá além dos lucros a curto prazo - afinal, os integradores que sabem que podem confiar num fabricante têm mais probabilidades de voltar a esse fabricante no futuro, e os clientes que sabem que podem confiar no seu integrador para fornecer informações úteis e precisas têm mais probabilidades de ouvir as recomendações de produtos desse integrador. 

As organizações que reconheceram isso estão saindo fortalecidas. Os fabricantes que fomentaram uma comunicação e compreensão mais fortes com os integradores terão relações mais fortes no futuro e aqueles que duplicaram os investimentos a longo prazo com pesquisa e desenvolvimento profissional estão agora numa situação melhor do que nunca para criar melhores produtos e gerar mais oportunidades.

Fortalecimento através da construção de relacionamentos

Em última análise, cabe aos fabricantes projetar estabilidade, confiabilidade e orientação - e aos integradores a capacidade de confiar neles para fornecer os recursos de que necessitam para serem eficazes. As organizações devem reconhecer o papel crítico que os seus parceiros e integradores desempenham, não apenas em ajudá-los a vender os seus produtos, mas também em ajudá-los a reforçar a reputação da sua marca. A pandemia da COVID-19 é um momento desafiador para todos, mas as organizações que reconheceram a oportunidade de se concentrarem no planeamento a longo prazo e não nos ganhos a curto prazo estão agora a colher os benefícios dessa decisão. A pandemia realçou o valor da construção de relações, e tanto os fabricantes como os integradores devem fazer dela uma alta prioridade, mesmo após o fim.

*Gláucio Silva é gerente Nacional de Vendas da Axis Communications

23

Jan

[ARTIGO] Como a tecnologia pode impactar nos negócios e na eficiência operacional do setor de saúde

*Por Alexandre Calegari 

A tecnologia tem sido pauta dos principais líderes, nos mais variados segmentos. Impossível pensar em estratégia, sustentabilidade, ter um  olhar a longo e médio prazo sem focar nisso. Ela é, sem dúvidas, um dos pilares da sustentação e renovação dos negócios. 

Cada vez mais percebemos esta disciplina inserida nas áreas de  negócios e nas grades multidisciplinares das universidades. Se pararmos para pensar, toda empresa hoje é uma empresa de tecnologia. Até por este motivo, por mais estranho que pareça,  atualmente é insensato deixar os projetos desta natureza 100% nas mãos dos departamentos de TI, sem alinhamento e envolvimento dos usuários de negócios. 

Com este cenário, as barreiras físicas foram rompidas, tornando o que já era globalizado, ainda mais sem fronteiras. Isso aumentou consequentemente a velocidade com que as coisas acontecem e, claro, a competitividade. Não existem mais limitações e tudo pode ser feito a qualquer hora, a partir de qualquer lugar. Se você deixa de oferecer um serviço para um paciente ou um cliente, ou não atende uma demanda do mercado, por exemplo, pode ter certeza de que alguém, em algum local, dará atenção àquilo. 

Sem falar que o consumidor diante deste cenário está cada vez mais empoderado, buscando por excelência e personalização. As experiências digitais são cada vez mais importantes para os consumidores, que preferem cada vez mais comprarem, venderem e interagirem usando os meios e canais digitais.

Quando finalmente chegamos na saúde e na medicina diagnóstica temos todas essas variáveis e mais dois cenários importantes que se somam a elas. A longevidade, ou seja, a inversão da pirâmide etária e mais pessoas dependendo do serviço, além do crescimento da diversidade, dos novos tratamentos e das novas demandas. E, outro ponto, é a pressão por custos, que tanto se fala no setor. A busca pela eficiência operacional, por qualidade, pela eliminação de desperdícios e redução de tempo. Claro que, inserido em um contexto maior de grande fragmentação do setor. 

Mas, quais são os limites para a tecnologia na medicina diagnóstica? Até onde podemos expandir os horizontes? Como acompanhamos muito de perto esse setor aqui na Shift, vemos que CEOs estão buscando investir em tecnologia e quanto maior a sua curva de maturidade, maior a necessidade dela e maiores as exigências. Até porque isso acaba sendo diretamente proporcional ao que se tem em relação a metas e resultados. 

Existem algumas aplicações-chave nessa busca pela eficiência operacional, junto a redução de custos. Os dados são a premissa para quem quer ter foco em renovação. Aliado a isso também é importante olhar para a expansão da jornada do paciente e na promoção de cuidados, que estão cada vez mais integrados e personalizados. Além de proporcionar mais autonomia para o paciente. As ferramentas digitais vieram para ficar e não param de expandir-se como meio de conectar serviços de saúde e pacientes. 

E, como a informação fragmentada tem seu valor e igualmente tem seu limite, tem se falado muito em interoperabilidade no setor de medicina diagnóstica. Ela é indispensável para se ter base robusta de informações, que podem ser posteriormente trabalhadas, gerar conhecimento, oportunidades, solucionar desafios, ajudar a trazer, diferenciação e sustentabilidade através da tecnologia. 

Por isso, a necessidade de um olhar estratégico e da busca por parceiros que possam de fato agregar soluções e apoiá-los na diferenciação dos negócios. É preciso mais que um fornecedor de sistema, pois o que se espera é um alinhamento estratégico de tecnologia, uma relação de confiança. Não podem existir limites nessa transformação dos negócios. A eficiência operacional precisa ser alcançada e a tecnologia é parte importante disto. 

*Alexandre Calegari é gerente de produtos da Shift, é graduado em Tecnologia da Informação e especialista em Gestão Estratégica a Inovação Tecnológica

22

Jan

[ARTIGO] Lições básicas de educação financeira para mudar de vida



*Por Adélia Glycerio

As regras básicas da educação financeira, apesar de simples, não são observadas pela maioria das famílias brasileiras e a consequência imediata é o endividamento de grande parte delas. A verdadeira base da educação financeira é o consumo consciente, ou seja, gastar menos que ganha e evitar compras por impulso. Consequentemente, isso irá evitar dividas absurdas no futuro.

Outro ponto ignorado para quem deseja mudar de vida é busca pela renda extra. Já parou para pensar qual o seu dom? Que habilidades você tem que poderiam te trazer mais dinheiro? É importante ficar atento às oportunidades que aparecem ao longo da vida e não as deixar escapar.

Para manter a saúde de seu bolso em dia, procure primeiro investir para depois consumir. Assim você não contrai dívidas maiores do que aquelas que pode pagar. No entanto, se surgirem dívidas, trate de quitá-las o mais rápido possível. Renegociar é sempre uma boa opção, pois há a possibilidade de reduzir o valor.

Com as contas em dia, passe a destinar de 10% a 30% dos seus ganhos para sua conta de investimentos. É preciso aplicar de forma inteligente para que com o tempo seus investimentos cresçam sozinhos. Muitas pessoas acham que para investir necessitam de muito dinheiro, isto não é verdade!

Um importante passo para alcançar a liberdade financeira é o planejamento! É essencial ter uma base sólida e estabelecer metas a curto, médio e longo prazo. Pense em como você quer estar financeiramente daqui a dois, cinco, 10 ou 20 anos e o que é preciso fazer para chegar a este objetivo.

O seu foco deve ser aprender a se pagar em primeiro lugar. Quando você receber a sua remuneração, antes de sair pagando quaisquer despesas e obrigações, primeiro pague-se. Por isso, indico que você destine separe um valor mensal para investimentos e aplique em renda fixa para começar.

Se você não destinar uma parte do seu salário para sua conta investimento todos os meses, você ficará mais pobre a cada mês que passa, pois não terá o dinheiro rendendo. Esse valor fará falta quando você chegar na terceira idade, pois a tendência é que a sua aposentadoria seja menor do que os seus ganhos hoje.

Além do mais, hoje não temos garantia alguma de que o INSS continuará pagando as aposentadorias, tendo em vista o envelhecimento da população. Por isso, todo cuidado é pouco.

Você precisa cuidar das suas finanças e começar uma conta investimento para ter um futuro tranquilo e seguro financeiramente. Isso é muito importante para não depender de ninguém no futuro, nem da família, nem do governo. Fique atento!

*Adélia Glycerio é advogada, educadora financeira e autora do livro “Independência Financeira: 7 Princípios para Você Alcançar Seus Sonhos”.

16

Jan

[ARTIGO] Para todas as idades: desafios e mudanças nas compras online

*Por Felipe Gomes

O fato de a pandemia ter mudado as práticas de consumo de todo o mercado não é novidade. O cenário caminha para o final da pandemia, ou ao menos um ambiente mais controlado, visto que a vacinação está avançada, e as medidas restritivas passam por um momento de flexibilização. Como legado, a covid-19 deixa uma mudança cultural no comportamento dos consumidores. 

No primeiro semestre deste ano, o crescimento do e-commerce no Brasil se superou, chegando à cifra dos R$ 53 bilhões, de acordo com a Ebit|Nielsen. As compras online são uma via de mão dupla. Ao passo que é necessário criar a cultura das compras virtuais numa diversidade maior de público e tipo de produto, as empresas também precisam se adaptar e colocar em prática plataformas funcionais e ágeis para atender à alta demanda. Aliás, um dos fatores da usabilidade é a ampliação do público consumidor – assim, nos últimos quase dois anos, quem antes não tinha esse hábito passou a ter. 

Os ‘nativos digitais’ já viviam nesse contexto, mas pessoas de outras faixas etárias, que estavam acostumadas com o ponto de venda físico, o pagamento em dinheiro, tiveram que se adaptar. A oferta na gama de entrega também cresceu. No lado das empresas, algumas categorias, como farmácia e petshop, já tinham sua parcela de adeptos, mas o segmento de calçados e roupas não era tão difundido, assim como o setor de compras de supermercado. 

Segundo a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), os segmentos de alimentação por delivery e compras de supermercado pela internet foram as categorias com maior crescimento no número de consumidores em relação a 2019 e 2020. O food service passou de 30% para 55%, ao passo que as vendas de supermercado foram de 9% para 30%. 

Vi alguns dados indicando que o percentual de consumidores com mais de 45 anos aumentou 27% de 2019 para cá – o que é esperado, já que o comércio ficou fechado ou com horário reduzido por muito tempo, e é sabido que pessoas idosas têm mais risco perante o coronavírus. É o crescimento de um terço desse público com mais de 45 anos, que geralmente tem menos intimidade com as compras virtuais. 

Quando se fala em público mais velho, e com menos prática no e-commerce, uma categoria que se tornava um desafio era a de supermercados. Pense: tem outra pessoa escolhendo as frutas que você vai comer, avaliar se estão maduras ou não – nessa mudança de paradigma pode acontecer o choque de gerações. No entanto, essa fatia de mercado cresceu e deve se manter em crescimento no futuro.