04 de Agosto de 2026
Obesidade e emagrecimento acelerado podem aumentar risco de dores na coluna, alerta neurocirurgião
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A obesidade já é reconhecida como um dos principais desafios de saúde pública da atualidade. Mas, além dos impactos sobre o coração, a circulação e o metabolismo, o excesso de peso também representa um importante fator de risco para problemas na coluna vertebral. Ao mesmo tempo, o avanço de medicamentos para perda de peso e o aumento das cirurgias bariátricas trouxeram um novo desafio: o emagrecimento rápido, quando não acompanhado de fortalecimento muscular, também pode contribuir para dores crônicas e lesões na coluna.
A dor lombar é considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) a principal causa de incapacidade no planeta. Atualmente, cerca de 619 milhões de pessoas convivem com o problema, número que pode chegar a 843 milhões até 2050. Em paralelo, o Brasil registra crescimento contínuo nos índices de obesidade, cenário que reforça a necessidade de discutir a relação entre peso corporal e saúde da coluna.
Segundo o neurocirurgião especialista em cirurgia da coluna Marco Moscatelli, o excesso de peso provoca uma sobrecarga constante sobre a estrutura vertebral. “A obesidade altera o centro de gravidade do corpo, aumentando a pressão sobre os discos intervertebrais e acelerando processos degenerativos, como as discopatias e as hérnias de disco. Apesar disso, é importante destacar que fatores genéticos e o sedentarismo continuam sendo os principais responsáveis pelos problemas da coluna”, explica.
O especialista destaca que a perda de peso, embora seja um objetivo importante para pacientes obesos, precisa acontecer de forma planejada. “O emagrecimento rápido, seja por meio da cirurgia bariátrica ou do uso de medicamentos modernos para obesidade, pode provocar perda significativa de massa muscular. Em alguns casos, até 40% do peso perdido pode corresponder à massa magra quando não existe acompanhamento adequado”, afirma.
Essa redução da musculatura afeta diretamente a estabilidade da coluna. “Os músculos do core e da região paravertebral funcionam como uma verdadeira cinta de proteção da coluna. Quando essa musculatura enfraquece, aumentam as chances de dores persistentes e até do agravamento de problemas já existentes”, completa.
Para evitar esse cenário, o médico recomenda que qualquer processo de emagrecimento seja acompanhado por uma estratégia de preservação da massa muscular, combinando alimentação rica em proteínas, suplementação quando indicada e exercícios de fortalecimento, especialmente musculação e atividades de resistência.
Outro avanço destacado pelo especialista diz respeito ao tratamento cirúrgico dos pacientes obesos. Se antes a obesidade representava um importante fator de risco para cirurgias da coluna, hoje as técnicas minimamente invasivas vêm mudando essa realidade.
“A endoscopia de coluna permite realizar procedimentos com menor agressão aos tecidos, reduzindo o risco de complicações, infecções e o tempo de recuperação. Em muitos casos, o paciente consegue caminhar poucas horas após a cirurgia, tornando o tratamento mais seguro mesmo para pessoas com obesidade”, ressalta.
Para o Marco Moscatelli, o debate sobre obesidade e saúde da coluna precisa ir além da perda de peso. “Emagrecer é importante, mas preservar a musculatura é fundamental. A combinação entre perda de peso, fortalecimento muscular e acompanhamento médico é o caminho para proteger a coluna e garantir qualidade de vida”, conclui.
