Entrevista

27

Nov

Entrevista

ENTREVISTA - “A comunicação criativa é e continuará sendo sempre importante para o sucesso dos negócios”, afirma superintendente da Fenapro

O diretor superintendente da Federação Nacional das Agências de Propaganda (Fenapro), Alexis Pagliarini, estará em Natal na próxima quarta (28) na direção do Cannes Lions Road Show, que apresentará ao público potiguar as produções vencedoras do mais importante e prestigiado festival de comunicação mundial. Em entrevista, ele detalha como será o evento, comenta o desempenho da propaganda brasileira em Cannes e analisa o momento de mudanças no mundo dos negócios vivenciado atualmente.

O Cannes Lions Road Show em Natal é uma promoção do Sindicato das Agências de Propaganda (Sinapro/RN) e será realizado no auditório da Arena das Dunas, no dia 28 de novembro, às 18h30. O evento está com inscrições já esgotadas. Confira abaixo a entrevista com Alexis Pagliarini:

O que o público pode esperar do Cannes Lions Road Show em Natal?

Será a oportunidade de ter uma visão geral do maior festival de criatividade do mundo por quem acompanha o evento há mais de 20 anos. Serão apresentados os cases mais premiados, além das tendências e os insights gerados por mais de 500 palestrantes e painelistas.

Como foi o desempenho da propaganda brasileira no último Cannes Lions - que teve uma versão mais simplificada em relação a anos anteriores?

O Brasil tem tido uma performance destacada há anos no Cannes Lions. Este ano não foi diferente. O Brasil trouxe 101 leões, além de dois Grand Prix. Foi o terceiro país mais premiado, ficando atrás apenas dos EUA e do Reino Unido.

O mercado da propaganda passa por mudanças. O Sr. acredita que essas mudanças poderão trazer um impacto positivo à atividade publicitária?

Não só a propaganda, o mundo dos negócios passa por transformações importantes e em ciclos cada vez mais curtos. A indústria criativa se beneficia desse processo por ser capaz de dar o devido suporte aos diferentes setores da economia, oferecendo soluções inovadoras e eficazes. Apesar das mudanças constantes, a comunicação criativa é e continuará sendo sempre importante para o sucesso dos negócios. Não há atividade humana que possa prescindir de uma boa comunicação.

Qual o papel da Fenapro e dos Sinapros para a propaganda brasileira, especialmente no momento de transição atual.

Como representantes patronais das agências de propaganda, a Fenapro e os Sinapros cumprem o importante papel de garantir as melhores práticas nas relações cliente-agência e agência-empregados, além de zelar por condições justas da prática da propaganda. O sistema Fenapro/Sinapro também desenvolve programas de capacitação e conhecimento, como é o caso do Cannes Lions Road Show, que leva para todo o Brasil os exemplos e as reflexões em torno do maior festival de criatividade do mundo. As agências devem continuar contribuindo com os seus representantes Fenapro e Sinapros visando ao seu próprio bem.

Foto de Alexis Pagliarini

24

Out

Entrevista

“Vai sobreviver na publicidade quem inovar, quem encontrar modelos diferentes”, defende comunicólogo no Nordeste Digital Expo

Por Juliska Azevedo

O futuro do profissional da Publicidade foi o tema da palestra do comunicólogo Thiago Lins, diretor-executivo da Mobister e mestrando em Inovação, ontem, no Nordeste Digital Expo, realizado pelo Sebrae/RN. O evento, no Centro de Convenções, mobilizou profissionais das áreas do Comportamento, Marketing, Gestão e Empreendedorismo de diversos segmentos empresariais em busca do conhecimento sobre esta nova realidade mundial.

Em cinco palcos com programação simultânea, falou-se, por dois dias, de inovação para criação de oportunidades, dos desafios envolvendo humanização e tecnologia, das ferramentas necessárias para criação de um negócio digital, E-commerce, gestão de relacionamento com clientes e outros importantes conceitos do Marketing em um evento muito bacana.

Em meio aos debates e temas abordados no Nordeste Digital Expo, a percepção de que o trabalho em comunicação como concebemos hoje só existirá no futuro para resolver problemas complexos das empresas – já que os simples serão resolvidos com o uso da tecnologia – foi uma das ideias defendidas por Thiago Lins, que é também mestrando em Inovação pela UFRN. “A tecnologia irá substituir tudo o que for de serviços intermediários”, acredita.

Após a palestra, Thiago Lins resumiu algumas de suas ideias e percepções sobre o futuro da publicidade e do profissional da área em entrevista ao BLOG:

Quais são as qualidades do publicitário do futuro?

Nós temos dois tipos de profissionais, na minha visão, que vão se destacar no mercado. Um deles tem o perfil bem generalista, porque é essa pessoa que vai compreender as dores do cliente. E o outro é o que a gente brinca ao chamar de “MMM”, ou seja, o Melhor Melhor do Mundo em alguma coisa. A junção desses dois é que vai trazer a entrega para os clientes. Você vai ter aí a necessidade de ser generalista, entender um pouco de tudo, e ser especialista em alguma área específica.

O mercado vive hoje uma frase de transição também com relação ao perfil desse profissional?

Esse é o problema. É uma fase de transição. Acaba que muita gente não tem espaço, mesmo que você esteja desenvolvendo uma dessas competências. É obvio que em qualquer momento, se estando em crise – como a gente está – ou não, quem se destaca tem espaço. Quem é um ótimo generalista ou um bom especialista será procurado. O problema é que a maioria das pessoas não sabe aonde está entre esses dois perfis: nem é muito bom especificamente em fazer ilustração, por exemplo, e nem é extremamente bom em entender de várias coisas e poder diagnosticar bem e compreender as dores dos clientes. Aí está o problema.

O modelo tradicional de agências vai encontrar espaço no futuro da comunicação?

Não, definitivamente, ele já está deixando de existir hoje. E essa é uma das origens da crise. As agências continuam cobrando comissionamento e no meu entendimento, do que venho estudando, esse modelo está defasado. Por que? As empresas vendem peças, artes, campanhas, planejamento. Mas os clientes, na verdade, estão comprando uma solução para poder vender mais. E essa avaliação de “vender mais” vai ter várias vertentes. E hoje, as soluções para vender mais não necessariamente, ou dificilmente, vão passar somente por uma peça. Vão passar por uma estratégia, uma ação, que não se tem hoje como precificar para cobrar comissionamento. Na minha visão, a gente precisa rever todo o modelo de cobrança e passar para o modelo de cobrar por horas de trabalho.

O cliente está mais ansioso por resultados rápidos?

Totalmente, porque ele está com mais problemas. É o forte impacto da crise econômica. O modelo tradicional de agência ia morrer mais cedo ou mais tarde. E a crise catalisou o processo.

Quem vai sobreviver no mercado?

 

Quem inovar. Quem encontrar modelos diferentes.

 

 

23

Out

Entrevista

“Falta representação das camadas populares na propaganda brasileira”, afirma Milena Freire, que lança hoje o livro Publicidade e Desigualdade

Por Juliska Azevedo

A doutora em Publicidade Milena Freire de Oliveira-Cruz lança hoje, a partir das 18h30, no Douce France (Petrópolis), o seu livro “Publicidade e Desigualdade”, que aborda como mulheres da classe popular observam as representações femininas na publicidade, e a relação entre essa representação, suas vidas e seus hábitos de consumo. A obra é fruto da pesquisa que realizou em seu doutorado em comunicação na Universidade Federal de Santa Maria. Além de revelar reflexões do grupo sobre a sua condição de ser mulher, a pesquisa aborda aspectos sobre maternidade, relações de família, de trabalho, os desejos e dilemas que fazem parte da vida dessas mulheres e como essas questões se relacionam com o modo como elas veem a publicidade.

Na entrevista abaixo, Milena Freire conversou com o BLOG sobre o que lhe motivou a pesquisar o tema, as mudanças pelas quais a publicidade vem passando e quais outras ainda são necessárias para que esteja mais “sintonizada” com esse público:

Por que estudar Publicidade e Desigualdade? Como surgiu, para você, esse tema?

A ideia de estudar a desigualdade na publicidade vem da percepção que existe uma falta de representação das camadas populares na nossa propaganda. Ou ainda, uma representação que se afasta muito da realidade vivida pela maior parte da população. O que prevalece é um ideal estético, de comportamento, de consumo que idealiza as classes altas. Minha curiosidade então se centrava em entender como as mulheres lidam com esse discurso, se identificam? Rejeitam? Até que ponto esse distanciamento é criticado pelos consumidores?

O caso de pensar sobre mulheres vem também de uma outra perspectiva de desigualdade, a de gênero. As mulheres continuam sendo representadas de forma equivocada, e não falo apenas de objetificação. Falo também de uma linguagem que reitera papéis sociais desiguais, como a mulher sendo a única responsável pelas tarefas domésticas. Isso se discute muito pouco. É naturalizado social e culturalmente.

Na pesquisa, você entrevista mulheres. Quanto tempo durou o trabalho e como você selecionou essas mulheres?

O trabalho durou cerca de 1 ano e meio. Foi uma incursão etnográfica, com observação participante, entrevistas. Um contato muito próximo que me permitiu observar a realidade na vida desse grupo de mulheres dais mais variadas profissões: babá, manicure, agente penitenciária, sacoleira, comerciante. A ideia era, ao observar, através da leitura da publicidade, como elas percebem as suas próprias vidas.

O que percebeu no contato com essas mulheres? Que demandas existem entre esse público e a publicidade?

O trabalho durou cerca de 1 ano e meio. Foi uma incursão etnográfica, com observação participante, entrevistas. Um contato muito próximo que me permitiu observar a realidade na vida desse grupo de mulheres das mais variadas profissões: babá, manicure, agente penitenciária, sacoleira, comerciante. A ideia era, ao observar, através da leitura da publicidade, como elas percebem as suas próprias vidas. O que foi possível perceber foi uma crítica bem forte de grupo, que percebe a intenção persuasiva da publicidade e gostaria de se ver melhor representado.

A publicidade consegue falar a todos os públicos? É possível perceber algumas iniciativas na publicidade pela valorização da mulher “comum”, como a campanha “Dove, pela real beleza”, entre outras iniciativas. Essas campanhas são legítimas? Elas ajudam a termos uma publicidade mais próxima da “vida real”?

Ao meu ver a publicidade tem mudado sua postura, mas ainda há um longo caminho para que a gente possa falar em um discurso plural e representativa. Casos como os de Dove demonstram essa mudança, o que é muito positivo. Mas se a gente for olhar mais de perto, vai ver que ainda existe um padrão estético ideal, mesmo em Dove. É uma vida "real" idealizada. Entretanto, não é possível responsabilizar ou querer uma mudança completa de um discurso tão estabelecido na sociedade. Então, embora haja críticas a campanhas como estas, precisamos ver que elas trazem uma perspectiva positiva.

A comunicação está cada vez mais disseminada e acessível pelos meios digitais. Como isso tem se refletido na publicidade e nas vidas das pessoas?

As redes sociais provocaram uma mudança muito significativa na produção da publicidade. O público hoje opina, se posiciona e não aceita mais campanhas machistas. Poder compartilhar em rede, o que gosta e o que não concorda, deu ao consumidor um lugar de protagonista na relação com as marcas. Isso é, sem volta, e um desafio a quem estava acostumado a fazer a publicidade tradicional. Ao meu ver, é muito positivo. Porque nos faz rever o lugar que esse discurso ocupa. Podemos e devemos colaborar com as transformações sociais, que incluem os públicos mais distintos. É isso que tento refletir com a publicação do livro.

Sobre a autora - Milena Freire é natalense, formou-se em publicidade na UnP e jornalismo na UFRN, onde também estudou o mestrado em Ciências Sociais. Fora de Natal desde 2005, mantém contato direto com a cidade pelos inúmeros laços afetivos com amigos e familiares. Doutora em Comunicação pela UFSM com estágio-sanduíche no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. Hoje é professora dos cursos de comunicação na Universidade Federal de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, e se dedica a estudar as relações de gênero e desigualdades sociais que estão relacionadas entre as mensagens midiáticas e seus públicos.

 

30

Ago

Entrevista

Diretora da Federação Nacional das Agências de Propaganda palestra hoje na Quinta Jurídica, na Justiça Federal do RN

Comunicação, Inovação e Tecnologia serão tema de debate, pela primeira vez, em um dos eventos mais tradicionais do meio jurídico potiguar – a Quinta Jurídica, realizada mensalmente pela Justiça Federal, com edição HOJE, a partir das 18h, no auditório do prédio sede da JF. A edição irá promover o encontro entre os universos da publicidade e do Direito, reunindo profissionais e estudantes de comunicação, publicidade e da área tecnológica.

Nesta Quinta Jurídica, o Sindicato das Agências de Propaganda do Rio Grande do Norte (SINAPRO/RN) juntou-se à Justiça Federal para a realização conjunta, trazendo palestrantes de renome para os temas propostos. Em um formato diferente, o evento contará com uma feira de Tecnologia e Inovação, com a participação do Tribunal Regional do Trabalho, Tribunal Regional Eleitoral, do Instituto Metrópole Digital e dos Legal Hackers. Terá ainda atração musical, com os músicos Haziel Cândido (violoncelista) e Geraldo Júnior (viola e violino) se apresentando a partir das 18h.

Uma das palestrantes convidadas é a Diretora Jurídica da Federação Nacional das Agências de Propaganda, Helena Zoia – que é sócia-fundadora do escritório paulista Helena Zoia Sociedade de Advogados, com trabalho focado nas questões que envolvem a publicidade e a ética da atividade publicitária.

Na entrevista abaixo, ela fala sobre as expectativas para o evento. Além dela, também participará do evento a advogada empresarial e especialista em Tech Law, Amanda Lima, que é vice-presidente da Comissão de Direito da Inovação e Startups da OAB/RN.

 

ENTREVISTA - Helena Zoia, diretora jurídica da Federação Nacional das Agências de Propaganda (Fenapro)

A advogada Helena Zoia dedica-se à atividade publicitária desde 1962, quando foi contratada pelo Sindicato das Empresas de Publicidade Comercial, hoje SINAPRO-SP. Desde então, tornou-se referência nacional no que diz respeito ao respaldo jurídico da publicidade. Na entrevista abaixo, ela fala sobre a experiência adquirida e sobre sua expectativa acerca do evento Quinta Jurídica, que acontece amanhã em Natal, onde pretende promover debates e esclarecimentos.

Ao longo de sua experiência na diretoria jurídica da Fenapro, que tipo de dúvidas têm sido as mais comuns entre o meio jurídico acerca do trabalho das agências de publicidade?

Dedico-me à atividade publicitária desde 1962, quando fui contratada pelo Sindicato das Empresas de Publicidade Comercial, hoje SINAPRO-SP. Atendo às necessidades jurídicas da FENAPRO e dos SINAPROS a ela filiados, desde sua fundação em 13 de dezembro de 1979. Ao longo de todo esse tempo, a grande dificuldade e que persiste até os nossos dias, é o pequeno ou quase nenhum conhecimento da atividade publicitária, seja por parte dos advogados internos das empresas públicas e privadas, seja por parte dos Tribunais de Contas em todos os níveis, seja por parte do Ministério Público e da própria Magistratura. Olham a Agência de Propaganda e Publicidade como uma Fornecedora de serviços simplesmente, quando ela é a criadora intelectual das peças e materiais publicitários e coordenadora/supervisora dos serviços de produção, assim como planejadora e distribuidora dos materiais publicitários aos veículos e demais meios de divulgação dos mesmos.

E as agências, por sua vez, têm procurado maior respaldo jurídico às suas ações. Por que?

As Agências buscam cada vez mais amparo jurídico para sua atividade, movidas por uma série de fatores: o advento de maior número de Leis dispondo sob aspectos até então não regulamentados; a complexidade das novas normas, que exige a orientação de assessoria jurídica com expertise na matéria; as inúmeras denúncias procedidas pelo Ministério Público, pelas ONGs, questionando a publicidade enganosa e abusiva.

A primeira lei da propaganda do Brasil é de 1965. A Sra. acredita que já é tempo de uma atualização?

A atividade econômica publicitária foi regulamentada pela Lei n° 4.680, de 18 de junho de 1965, que dispõe de forma concisa sobre Agência de Propaganda, Veículos de Divulgação e sobre os profissionais que neles trabalham. A Lei n° 4.680/65 não sofreu alteração alguma até a presente data, o que não cria qualquer desconforto. A Constituição dos Estados Unidos vige desde 1788 e não obstante o País e a maior potência mundial. A atividade econômica publicitária, enquanto atividade, está bem regulamentada pela Lei n° 4.680/65, por seu Regulamento aprovado pelo Decreto n° 57.690/66, alterado pelo Decreto n° 4.563/2002 e pelas Normas-Padrão tuteladas pelo Conselho Nacional das Normas-Padrão – CENP.

A comunicação está em constante mudança. O que a Sra. considera mais interessante nessa nova configuração que a comunicação publicitária vem tomando no mundo todo?

Em nossa opinião, a chegada dos meios digitais de divulgação publicitária constituiu uma alteração muito importante na atividade econômica publicitária, porque introduziu novas formas de comunicação com as pessoas consumidoras. A criação publicitária, até pouco tempo, voltada exclusivamente para o analógico, passou a se preocupar com a coexistência de meios analógicos e digitais, o que resultou em uma alteração significativa da comunicação publicitária. Uma nova linguagem foi desenvolvida. A interatividade possibilitada pela internet permitiu maior velocidade no fluxo das mensagens publicitárias. Estratégias interativas foram criadas, para abordagem dos consumidores, dentro deste novo contexto. Como exemplo cito o “marketing viral” que, semelhante a um vírus, “contamina” internautas com uma mensagem publicitária, em proporções nunca vistas anteriormente. É fantástico.

Tem sido comum, Brasil afora, episódios de questionamentos às verbas públicas de publicidade, bem como ataques ao trabalho realizado pelas agências de propaganda com verba pública, como se esses recursos estivessem sendo aplicados em algo “supérfluo”. Como defender a legitimidade do investimento em propaganda pública?

A atividade publicitária está sendo a “bola da vez”. São atribuídos a ela malefícios nunca antes imaginados, como se fosse a propaganda a responsável pela dita “má aplicação” da verba pública. Mas tais questionamentos nascem do desconhecimento da atividade em causa e das normas legais que regem sua utilização pela Administração Pública. Lembro que a comunicação, qualquer tipo de comunicação, inclusive a publicitária, é característica dos países democráticos. Reveste-se de grande importância. Neste contexto, compete privativamente à União, legislar sobre propaganda (conforme art. 22, inc. XXIX, CF/88). A Constituição de 1988 estabelece a obediência da “administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, PUBLICIDADE”. É obrigação da Administração Pública assim entendida com a abrangência supra, respeitar o princípio da publicidade (art. 37, caput, CF/88). Não bastasse, o mesmo art. 37, no parágrafo 1º, faz presente que “a publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos deverá ter caráter educativo, informativo, ou de orientação social, dela não podendo constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos”. Portanto, a contratação de Agências de Propaganda pela Administração Pública, não é algo que fique ao seu livre arbítrio. É obediência a um dos princípios constitucionais. É cumprimento de uma obrigação: dar ao povo informações sobre a gestão em curso, e orientá-lo socialmente falando.

O que a Sra. destaca dos tantos anos de sua atuação na Fenapro?

Ao longo de tantos anos na FENAPRO, muitos fatos importantes aconteceram. Dos 18 SINAPROS existentes, participamos da fundação de 16 deles. Analisamos centenas e centenas de editais e, em cada oportunidade, ensinamos à Administração Pública, o estabelecimento de regras e critérios adequados à licitação de serviços publicitários. Enquanto que, numa região do país, discutíamos a originalidade criativa de um anúncio, na outra ensinávamos as agências a fazer o faturamento do serviço prestado, objetivando o desenvolvimento do mercado como um todo. As Agências confiam na FENAPRO e nós nos emocionamos com tal confiança.

Qual a sua expectativa com relação ao Quinta Jurídica em Natal?

Minha expectativa maior é que a matéria a ser tratada desperte o interesse de magistrados, procuradores, promotores e também de publicitários, para que a apresentação possa ser útil a todos e as questões levantadas sejam interessantes.

17

Ago

Entrevista

"Na era da tecnologia, professores devem sair da zona de conforto", afirma comunicador científico

O interesse por comunicação científica e educação digital faz com que o biólogo Átila Iamarino se intitula “comunicador científico”. Cocriador do ScienceBlogs Brasil, braço em português da maior rede de blogs científicos do mundo, ele escreve e apresenta o Nerdologia, canal de divulgação científica no Youtube que conta com mais de dois milhões de inscritos. Ele também atua na área educacional como consultor e produtor de material didático e educação na era da internet. Átila foi um dos palestrantes da 3ª Jornada Nacional de Educação Profissional e Tecnológica, promovida pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI).  

Em entrevista à Agência CNI de Notícias, Átila enfatiza a importância do papel do docente na formação do aluno do século XXI. Para ele, o docente sai da função de detentor único do conhecimento para o de guia do aluno da era da informação. Átila defende que, enquanto não houver investimento na formação dos docentes e do uso das tecnologias na sala de aula, o Brasil não estará preparado para formar profissionais capacitados para a Indústria 4.0. Confira a entrevista.

Agência CNI de Notícias - Qual o papel do docente do século XXI?

Átila Iamarino - Continua sendo, principalmente, o de tutoria. A tecnologia traz um desempacotamento das coisas. Por exemplo: antes, para eu me transportar, eu precisava ter um carro e, com isso, havia uma série de consequências, como pagar imposto, abastecer, encontrar vagas no estacionamento. Hoje em dia com tecnologias como Uber e 99Táxi, há autonomia para sair de um lugar e chegar a outro - passa-se a ter a desmaterialização do carro e eu fico com o serviço puro.

A tecnologia está fazendo isso com os professores: separando o que é informação do que é tutoria. Os professores, até pouco tempo atrás, (século XX), eram os detentores de toda a informação que entrava na sala de aula. O aluno estava restrito ao que o professor trazia para o ensino e aos livros que ele escolhia. Hoje essa informação está disponível com um clique no celular. Então, o papel do professor pode ser muito mais dedicado à tutoria, ensinar as pessoas a conferir a informação, avaliar o que elas sabem ou não, entendem ou não… Ele deve saber direcionar a informação de acordo com o estágio de formação que aquele aluno está, a idade dele, o que ele precisa aprender… Servir como esse guia mesmo, um tutor do que é o mundo, e como esse mundo é aprendido.

Qual a dificuldade para implantar esse sistema de tutoria?

Átila Iamarino - A dificuldade é justamente deixar de se preocupar tanto com a informação que o professor carrega para a sala de aula e dar mais espaço e autonomia para ele servir como o tutor que apresenta o mundo para os alunos e ensina a eles como podem ser pessoas autônomas daqui pra frente.

O que o professor deve fazer para sair da posição de “guia de carruagem”, expressão que você costuma usar em algumas apresentações?

A limitação que o professor tinha antes era a de trazer todo o conteúdo para a sala de aula. Hoje, ele tem que estar disposto a passear por terrenos onde ele está desconfortável. A gente não domina tudo que está acontecendo no mundo e as tecnologias mudam muito rápido. Quem dá aula hoje se formou na época da Barsa, de uma outra formação e dá aula para alunos que estão aprendendo com Youtube, Facebook, Google e outras ferramentas. Então, para o professor sair desse papel de quem define tudo que o aluno precisa saber e fazer, ele precisa entrar um pouco nessa zona desconfortável e revisar as próprias ferramentas. Por exemplo: o dilema se a gente deixa o uso de celular ou não… se não for bem planejado, os alunos acabam se distraindo. É preciso fazer um uso inteligente disso.

O Brasil tem uma matriz curricular e qualquer mudança nela é um processo complexo. Dessa forma, como conectar o conteúdo e as novas tecnologias? Você acredita que há mais uma mudança de comportamento do estudante do que, propriamente, de conteúdo?

Conteúdo é uma coisa que está mudando no Brasil. Mas todas essas mudanças são mais na forma como o conteúdo é transmitido do que o conteúdo em si. Assim, o docente precisa ensinar o aluno a buscar informação, a comparar fontes, a ser crítico do que ele lê, a se posicionar e se questionar. O estudante precisa ter uma postura ativa em relação ao conteúdo que ele consome para o resto da vida. Até porque o conteúdo que a gente está ensinando hoje está ultrapassado por definição e, muito provavelmente, não vai servir no futuro porque a tecnologia e a ciência mudam muito rápido.

Qual a sua análise sobre a reforma do ensino médio?

Eu não acredito que a reforma do ensino médio - que é uma reforma de conteúdo - faça tanta diferença na educação brasileira. A gente ainda tem um sistema educacional muito voltado para o que foi o fim da revolução industrial: formação de pessoas que sabem ler, escrever e que têm certas habilidades que são usadas no emprego. A base curricular nacional recente está indo toda nessa direção de capacitar profissionalmente as pessoas, mas esse tipo de demanda já mudou.

O que a gente tinha que adotar mais e não está adotando é o uso fluente de tecnologias para buscar informação. O Brasil já deu o salto tecnológico - muita gente conectada pelo celular -, mas não está empregando essa mudança para aprender e se capacitar. Por enquanto, a tecnologia serve para entretenimento e para comunicação pessoal. São funções superimportantes, mas é só uma parcela do que podia estar fazendo. O país está desperdiçando toda essa base tecnológica de formação e de produção sem fazer uso dela e adotar em sala de aula, por exemplo.

Como formar o aluno da era da informação?

Ele tem que deixar de ser tratado como se essa informação fosse escassa e tem que começar a ser tratado como se essa informação fosse excessiva e o que ele precisa aprender é filtrar e se manter atualizado. Esse aluno precisa aprender a ter uma postura crítica em relação ao que ele estuda. Por exemplo, dentro da formação clássica, o que está no livro é o que vai cair na prova e é o que está certo. O aluno não é ensinado a questionar o que é visto em sala de aula. O conteúdo da escola é definitivo, é o cânone, a verdade, é o que vai ser cobrado na prova, e isso e acabou.

O Brasil está preparado para formar profissionais para mercados tecnológicos, como a Indústria 4.0?

Não. Sendo franco e sincero. A gente ainda precisa de formação técnica, especial, voltada para operação, como o Brasil de certa forma faz, como o SENAI faz muito bem, mas uma série de outras mudanças tinham que estar acontecendo aqui se a gente estiver pensando em Indústria 4.0. Por exemplo, a fluência em inglês. Todo conteúdo novo, que se aprende de maneira autônoma, vai estar, na maior parte, em inglês. A gente está muito restrito ao conteúdo em português. Se a gente não se dedicar a isso, o Brasil vai se manter cada vez mais isolado. Como o crescimento tecnológico é exponencial e ele se empilha, o Brasil não pode ter uma distância cada vez maior do que está sendo produzido de conteúdo mundo afora.

Fonte: Agência CNI de Notícias.

3

Mai

Entrevista

Uma das principais executivas do país diz que não basta amar o que se faz para ter sucesso: “é preciso planejamento e mão na massa”, ressalta

Por Juliska Azevedo

Geovana Donella é sinônimo de sucesso empresarial feminino não só no Brasil, onde figura como uma das mulheres com carreira executiva mais bem sucedida do país, mas no mundo. Nos últimos anos, criou e dirigiu empresas e atuou em cargos de alta direção em companhias nacionais e multinacionais. Atuou como CEO (Chief Executive Officer) do Cel LepCOO (Chief Operation Officer) do Grupo Multi Holding (atual Pearson – detentor de marcas como Wizard, Skill e Yazigi) e Superintendente da Alcoa Alumínio. Fez mais de 40 viagens à China como empreendedora de moda, quando manteve empresa de bolsas que levava seu nome. Aliás, viajar é uma das coisas que mais gosta de fazer quando não está trabalhando, ao lado de hobbies tão variados como cozinhar e saltar de paraquedas.

Paranaense de 48 anos, Geovana é mentora da Exame PME e da Liga Empreendedores Insper e membro do Women Corporate Directors (WCD), de Nova Iorque, entre outras atividades . É palestrante sobre diversos temas ligados ao mundo corporativo, entre os quais Governança Corporativa em Empresas Familiares, Sucessão em Empresas Familiares e Diversidade nos Conselhos de Administração e co-autora dos livros Mulheres Inspiradoras (2015); A Nova Gestão na Era do Conhecimento (2016) e Jovens Empreendedores (coordenadora, 2016).

Atualmente, atua como conselheira em diversas empresas, é CEO e Fundadora da DONELLA & PARTNERS, especializada em Governança Corporativa e Gestão de Empresas. No mês de abril, Geovana Donella esteve em Natal para proferir palestra a convite da sede estadual da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-RN). “Adoro Natal e sempre é muito prazeroso estar com esse povo agradável e motivado! Sempre sou super bem recebida”, disse na ocasião, quando a conheci.

Geovana concedeu a entrevista abaixo com exclusividade ao Blog da Juliska, onde fala sobre a atuação das mulheres no mundo corporativo, a importância da diversidade e os segredos para o sucesso nesse ambiente. Confira:

Em palestra que você realizou recentemente em Natal, afirmou que “o trabalho não deve ser sem querer, mas de propósito”. O que é trabalhar de propósito?

Sim, o trabalho precisa ser de propósito, ou seja, não dá para fazer sem querer, de qualquer jeito ou de qualquer forma. Estamos acostumados a ouvir que tem que ter propósito em nossos trabalhos, mas, a “brincadeira” da frase é que realmente fazer um trabalho de propósito é fazer algo com plano, organização, com metodologia, processos etc. As pessoas precisam entender que é necessário fazer muito, suar a camisa para que isso aconteça, de forma prazerosa obviamente e amar tudo que faz. Mas somente amar não traz resultado, existe sim uma boa dose de planejamento e mão na massa para que as coisas aconteçam.

Ainda é realidade no mundo corporativo que mulheres precisam trabalhar duas vezes mais para terem o mesmo reconhecimento dos homens?

Nos últimos anos, tivemos ganhos importantes neste segmento, a mulher vem sendo cada vez mais valorizada e a equidade de gêneros é um assunto muito recorrente, um pouco mais dentro da nossa realidade. Mas isso não é válido para todos os segmentos ainda, infelizmente. No passado, a situação era mais crítica, havia mesmo a necessidade de a mulher provar a competência com muito mais dedicação. O bom é que hoje sabemos que a diversidade de gênero, ter homens e mulheres ocupando especialmente cargos de gestão, é muito saudável para uma empresa, isso porque os gêneros são complementares na forma de pensar e de agir. Inclusive, do ponto de vista do órgão máximo da empresa, o Conselho de Administração, é fundamental que se tenha mulheres e homens nos conselhos. Já temos muitos resultados de pesquisas que mostram que uma empresa que tem mais mulheres nos Conselhos tem performance e rendimento bem superior se comparado com empresas que não possuem mulheres em seus Conselhos. Obviamente esse resultado acontece pela beleza e produtividade que a diversidade proporciona. Somos muito melhores se estamos juntos, nenhum de nós pensando igual tem resultados diferentes, precisamos ser diversos e assim mais produtivos.

Você tem uma carreira como executiva de sucesso em diversos ramos de negócio, de embalagens à educação. Como sua atuação tem ajudado outras mulheres a vencerem no mundo corporativo?

Humildemente fico feliz se sou fonte de inspiração para que outras mulheres vençam. Eu tive uma família simples, lutei para estudar e para ocupar um lugar no mercado de trabalho, hoje, faço questão de mostrar que isso é totalmente possível, que depende de cada um de nós. Gosto de mostrar para as pessoas que vencer com honestidade e com produtividade dá certo! O caminho não foi e ainda não é fácil, mas é possível. Todos nós necessitamos de apoio e ajuda e, nesse sentido, não abro mão de apoiar e incentivar outras mulheres. Torço sempre pelo sucesso de todas, em qualquer esfera.

Para ter sucesso no trabalho é necessário estar em cargos de liderança?

Obviamente ter cargo de liderança não significa sucesso. Sucesso é relativo para cada um e seríamos muito simplistas em resumir que tem sucesso quem está na liderança. E quem não está é fracassado? De forma alguma! “O essencial é a essência aparecer”, aprendi com um homem que sempre admirei. Precisamos estar plenos em nosso trabalho, naquilo que acreditamos e que sonhamos para nós! Todos nós precisamos colocar nossa marca no Universo, isso sim é ter sucesso! Mesmo que essa marca seja produzir o melhor pastel da feira, que seja os melhores textos de um jornal, o melhor jardim etc. Cada um deixar o seu melhor! Isso sim é sucesso!

Qual o segredo para “contaminar” os colegas do ambiente de trabalho com ideias e inovação? Qual o peso do trabalho em equipe nas corporações?

A melhor forma de contaminar é dar o exemplo, retórica não dá resultado, o que é necessário é carregar pelo exemplo. O Líder faz e leva a equipe junto. Ideia e inovação devem fazer parte do DNA da empresa, precisam ser o dia-a-dia. Toda corporação é formada de gente, vende para gente, produz com gente, sendo assim somente vamos chegar a resultados se unirmos forças, talentos e conhecimentos. O peso do trabalho em equipe é o máximo!

Qual dos desafios que você enfrentou foi o maior, ao longo de sua carreira como executiva?

O maior desafio é sempre quebrar os tabus, quebrar os preconceitos. Na maioria das reuniões que sempre cheguei, alguém já olhava e comentava: “Lá vem uma Loira!”. Mas após alguns minutos de conversa a reação era imediata, a seriedade, a postura, fazem a mudança acontecer. Ainda precisamos lutar muito para tirar de nossa sociedade, das empresas, o preconceito de que existem limitações para a mulher porque elas não existem. Para nós, o céu é o limite.

E qual conquista foi a mais satisfatória?

Tive uma série de conquistas, mas poder estar como Conselheira de Administração em várias empresas e ver que todas estão muito bem, sempre melhorando, dá uma satisfação enorme. Em um mercado onde entre 100% dos assentos de conselho somente 7% são do gênero feminino, me considero uma vencedora.

Você é conselheira de empresas familiares. Quais são, ao seu ver, os maiores desafios dessas empresas para se manterem fortes para o futuro?

O maior desafio é realmente pensar na sustentabilidade da empresa, abrir mão do ego, pensar que a Governança é a base necessária para criarmos cenários que façam um equilíbrio entre as dimensões financeira, social e ambiental. Com isso criamos empresas de maior valor e de maior perenidade.

Qual o perfil da “empresa do futuro”?

A empresa do Futuro é a empresa que tem gente feliz trabalhando, inovando, gente dinâmica e que pensa fundamentalmente no propósito do negócio e suporte de forma positiva o meio ambiente nesse processo.

Você é especialista em Governança corporativa. O que significa esse conceito e quais seus pilares?

Eu diria que o conceito de Governança Corporativa leva a uma visão da gestão em 360 graus da empresa, o que é fundamental para o sucesso do negócio. E isso independe do tamanho do negócio e o do tempo de existência. A empresa é um ecossistema, retórica e prática precisam estar alinhadas. Lembrando que, nos dias de hoje, transparência, equidade, prestação de contas e responsabilidade corporativa são os pilares para as companhias que querem ir mais longe e mais: são os princípios básicos da Governança Corporativa.